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Posts da categoria "amor"

fratura exposta, por mariana lima

por   /  12/04/2013  /  9:30

Delicadeza e perversão, por Mariana Lima

Dois anos e meio depois, descobri que a ferida ainda existe. Tendo passado, pouco depois, por uma dolorosa paixão consumada, porém não correspondida, e acreditando estar agora amando novamente, imaginei que esse era assunto encerrado na minha caótica teia de pensamentos. Nem lembro a última vez em que falei seu nome na terapia. Mentira. Devo tê-lo usado, recentemente, como a única referência de relacionamento estável que tive na vida. Uso como exemplo, para mim e para os outros, de que sou capaz de reconhecer como é absolutamente maravilhoso amar e sentir-se amada.

Na semana passada, eis que um grande amigo, despretensiosamente, mencionou seu nome e o quão filho da puta você foi comigo, muito mais do que imaginei anteriormente, quando o sangue fervia e eu tentei te espancar. Há dois anos e meio. Contou alguns detalhes que eu gostaria de nunca ter escutado. Aquilo me quebrou na hora, sem piedade, e imediatamente imaginei estar num sonho, talvez fosse o vinho ou o jazz me anestesiando. Não comentei uma só palavra; com um sorriso tranquilo no rosto, só esperei que ele silenciasse. Pronto, acabou.

Fui para casa com um gosto amargo na boca, chorei. Percebi então porque ainda evito qualquer tipo de contato com você, porque odeio quando nos encontramos casualmente e você me abraça como se fôssemos íntimos, porque não consigo mais acreditar que posso ser amada. Por qualquer homem. Porque me reconheci egoísta tantas vezes, pensei em você e vi tanta mesquinhez. Merecíamo-nos. Você se arrependeu algumas vezes, investiu, eu ainda ensaiei, mas não havia mais nada forte o suficiente que nos mantivesse juntos. Descobri com aquela curta escuta que esta fratura, a primeira exposta, deixou a ferida com um frágil tecido de granulação que nunca se queratinizou. Não é rancor. É a memória sobre como somos delicados e perversos ao mesmo tempo. Isso me impediu de confiar e de me sentir segura novamente. Um dia, na cama, te disse “você é minha casa”. Segui perambulando sem teto até hoje.

Assumo, finalmente, que preciso de um novo lar, agora sozinha. E te perdoo. Isso não me deixa mais confortável na sua presença, o perdão não apaga as lembranças, boas ou ruins. Porém rogo aos mais altos comandos dos meus neurônios que, a partir de hoje, permitam a este tímido coração, o incansável, voltar a bater sem medo. Sem grandes pretensões. Formou-se a cicatriz. Desta vez é luto.

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A foto é de Lucyna Kolendo.

falo de mulher

por   /  19/03/2013  /  8:41

Ivana Arruda Leite é uma das minhas escritoras preferidas, como vocês sabem (quem não viu a entrevista que fiz com ela, por favor veja! Aqui, ó > http://donttouchmymoleskine.com/cafofo-sessions-4-ivana-arruda-leite/).

Um dia estávamos jantando e conversando. Quando falei que só tinha lido os romances dela, ela virou pra mim e disse: “Então você não me conhece!”.

No dia seguinte, ela deixou quatro livros na portaria do meu prédio. E a cada um que leio, a surpresa é maior.

“Falo de Mulher”, seu livro de estréia, lançado em 2002, é de uma urgência absurda para quem todo mundo que gosta de linhas apaixonadas, exageradas e precisas sobre relações amorosas.

Procurem o livro já! Tenho certeza que vocês vão amar!

Na imagem acima, o conto que abre o livro. Deu pra sentir como é sensacional, né? ♥

expressas dtmm

por   /  13/03/2013  /  13:38

– Foto linda de Leonardo Cisneiros, acompanhada por um texto triste: “Foto clichê hoje à tarde, curtindo o banzo daquela reunião ridícula, na qual nem um teatro de diálogo sem tentou fazer, sentado na beira do rio, admirando essa cidade tão linda e tão filha da puta. O Recife que a gente ama, mas não nos corresponde.”

– Elke Maravilha encarna Marylin Monroe nesta foto maravilhosa de David Zinggs. Cassiano Elek Machado, em seu blog Elekistão, apresenta o colossal talento do americano na arte do retrato. “Isso em mim provoca imensa dor, mas tudo indica que Tom Jobim também desafina. A história está até numa enciclopédia: num bar de Ipanema, o compositor advertiu um americano branquela que cogitava mudar para o país: ‘David, o Brasil não é para principiantes’. Zingg, o David em questão, poderia ser quase qualquer coisa, menos principiante. Ex-piloto de bombardeios B-17 na Segunda Guerra Mundial, ex-plantador de bananas em Honduras, amigo de John Fitzgerald Kennedy, Ph.D em dry martinis bem secos e em hambúrgueres suculentos, o jovem astro do jornalismo americano David Drew Zingg estava pronto para tudo. Ipanema estalou os dedos, e ele veio correndo atender seu chamado. Zingg não foi mais o mesmo, mas nosso país tampouco.”

– A incrível Maria Popova encontrou ilustrações antigas do corpo humano no livro The Sexual Study of the Male and Female Human Body in Color Pictures e fez GIFs a partir deles. Demais!

– A internet esvaziou as bibliotecas, e a Miami Ad School veio com uma solução (que ainda é um projeto). A Underground Library se vale do fato de que nos metrôs a conexão não funciona e incentiva o uso de um bem público. Você aponta para a estante de livros e recebe trecos de um best-seller no seu smartphone. Depois que sai do metrô, recebe um aviso de que pode continuar lendo o livro de graça, basta retirá-lo na New York Public Library. Muito legal, né?

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vivendo com menos. bem menos

por   /  13/03/2013  /  9:15

Graham Hill vive em um apartamento de menos de 40 metros quadrados, dorme numa cama que sai da parede, tem seis camisetas e 10 tigelas que usa para servir saladas e pratos principais. Não tem CDs ou DVDs e dos livros que já havia acumulado, sobraram 10%.

Depois de anos consumindo tudo o que queria (e muito do que nunca quis), viu que tinha duas casas gigantes e cheias de coisas, de eletrônicos a gadgets, passando por carros, e percebeu que as coisas que ele consumia o haviam consumido.

No artigo Living With Less. A Lot Less, o criador do Life Edited conta como descobriu que esses excessos não o preenchiam. Foi quando se apaixonou por Olga que a relação dele com as coisas materiais se desfez. Eles foram pra Barcelona, quando o visto dela expirou, viveram em um apartamento pequeno, na base do amor. Com algumas roupas, produtos de higiene pessoal e um par de laptops, pegaram a estradam e viveram em Bangkok, Buenos Aires e Toronto, fazendo várias paradas no meio do caminho. Ele continuou trabalhando e criou empressas como o Tree Hugger.

Minha vida era cheia de amor e aventura e de trabalho com o qual eu me importava. Senti-me livre e eu não senti falta do carro, dos gadgets, da casa, em vez disso, senti que tinha parado um trabalho sem fim. A relação com Olga eventualmente terminou, mas a minha vida nunca mais pareceu a mesma. Eu vivo com menos e viajo mais leve. Tenho mais tempo e dinheiro. Além do meu hábito de viajar – que eu tento manter sob controle, minimizando viagens, combinando outras e comprando créditos de carbono – sinto-me melhor porque minha pegada de carbono é significativamente menor do que na minha vida anterior supersized. Intuitivamente, sabemos que as melhores coisas da vida não são coisas, e que relações, experiências e trabalho significativo são as bases de uma vida feliz.

Leiam o texto completo > http://nyti.ms/WlYAPj

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Em 2011, fiz uma matéria pra Galileu sobre o assunto! > http://donttouchmymoleskine.com/viver-com-menos/

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20.000 pessoas

por   /  12/03/2013  /  10:48

Queridos, vocês me dão alegria todos os dias. Fazer esse blog é, sem dúvida, uma das melhores coisas da minha vida. Foi por ele que conheci as fotos, as artes, os textos, as músicas de um monte de gente. Foi por ele que conheci um monte de gente!

Nem sempre consigo responder com rapidez todos os emails de vocês, mas leio tudo e fico extremamente feliz cada vez que alguém conta alguma história com o Don’t Touch, diz que começou a escrever por causa do Fratura, que mandava posts do blog para aquele paquera que um dia se tornou marido.

E aí essa semana, pra minha grande alegria, a fanpage do Don’t Touch no Facebook chega ao impressionante número de 20.000 pessoas!

O nome disso é felicidade! Muito, muito obrigada! ♥ ♥ ♥ ♥ ♥