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Posts da categoria "amor"

fratura exposta, por lila

por   /  10/01/2013  /  9:07

O amor pode ser um silêncio, por Lila

Eu ainda gosto ou, pelo menos, insisto, em olhar nossas fotografias. O álbum de casamento saiu do armário da sala, foi escondido no quarto de hóspedes e, de vez em quando, eu, corajosa, resolvo jogá-lo fora. Último estágio dessa separação.

 Mas ele volta pro quarto. E eu nem gosto daquelas fotografias. Fotógrafo ótimo, sem dúvida. Muito bem escolhido, você sempre gostou do melhor, ou de mostrar que gostava do melhor, não sei bem. Sim, ótimo fotógrafo, já eu, gorda, com o cabelo e a maquiagem que desmancharam antes de acabar a cerimônia. Talvez já fosse um sinal e, pensando e olhando as fotografias, tenho certeza das escolhas erradas, a gente só foi piorando, percebe?

Nós dois, no final, éramos dois trapos, duas partes. Lembro-me de olhar no espelho depois do divórcio e pensar, como eu cheguei aqui? e de te encontrar em seguida e pensar a mesma coisa, como eu não cuidei desse cara? Porque a gente se fez tão mal.

Também no fundo do armário, estão os filmes da nossa última viagem juntos. Estamos lá, ainda horrorosos, só alguns pedaços da gente. Mas a gente ri, um do outro e vê o pôr-do-sol. A gente que não tem a menor paciência pra natureza olha o pôr-do-sol e ri.

E eu falo que preciso beber alguma coisa. Você some do filme e aparece trazendo água com gás, sem gelo, sem limão. Você sabe que o que eu quero beber é água com gás. E você busca, simples, como tudo que era da gente.

A gente se olha e não ri mais. O resto do filme em silêncio. Acho que a gente não percebe que não desligou a câmera. O nosso silêncio, a minha parte preferida do filme, a minha parte preferida de tudo, a maior intimidade que eu já tive com alguém.

 O nosso olhar em silêncio e o garçom trazendo outra água com gás.

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A foto é do maravilhoso Martin Parr.

meu recife

por   /  09/01/2013  /  15:05

Tenho passado umas semanas no Recife e tenho aproveitado tanto! ♥

No último domingo, participei de um passeio de bicicleta/protesto do grupo Direitos Urbanos, a convite do meu querido irmão, Leonardo Cisneiros. Foi importante para discutir mais uma vez a verticalização da cidade e a ocupação do espaço público.

E o programa ainda me deu uma visão nova da cidade. Claro que já tinha andado de bicicleta pelo Recife, mas não das Graças até o Marco Zero, depois até o Cais de Santa Rita. Nem tinha atravessado o rio de barquinho com a bicicleta e ido comer na Casa de Banhos.

Gostei tanto de ver a cidade de outro ângulo! Tive um pouco de medo dos ônibus, das curvas, mas foi impressionante como na volta pra casa a sensação já era quase toda de aproveitar o vento no rosto e a vista do rio, das pontes, das árvores.

Ser turista na cidade em que a gente nasceu e cresceu é uma delícia. Tira a gente da rotina e renova o olhar (alguns trechos do passeio vocês vêem nas imagens deste post).

Recomendo muito. É uma daquelas boas ideias pra gente colocar em prática durante todo o ano novo!

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fratura exposta, por mayra fonseca

por   /  09/01/2013  /  10:02

Cicatrizes, por Mayra Fonseca

Você estava acordado ou foi sonho meu?

Eu falei sobre meu desapego e minha necessidade de viajar para não ter nada que desperte a minha memória. Contei que acho as pessoas interessantes, vejo mais fraqueza do que maldade nos olhares das minha fotos. Compreendo mais a dor do que a ironia, você entendeu essa parte?

Falei que admiro as bruxas por sua capacidade de voar? Você percebeu que eu larguei a música por não querer carregar meu piano?

Viu no meu olhar desconfiado que eu aprendi que não posso pedir colo? Reparou que até meu sorriso é de lado, pela metade, porque me ensinaram a duvidar da alegria? Ficou claro que eu não tenho postura de quem sabe o que é carinho e que escolho as palavras duras por total falta de experiência em doce? Que não perco o controle porque nunca tive alguém que pudesse me amparar?

Se foi sonho, eu nem preciso procurar minhas malas tão gastas. E talvez eu consiga continuar frequentando o mesmo supermercado.

Não quero nada de você, perceba. Eu só preciso saber se mostrei que sou vulnerável.

Se você estava acordado, se ouviu a fragilidade que eu sussurrava pedindo cuidado… E se, ainda assim, é normal ter me feito acreditar em laços para me deixar embaralhada em nós… Então estas tuas esquinas também não são para quem tem cicatrizes. E o sonho errado é o de pertencer a este lugar.

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A foto é da Mayra também!

amores anônimos e autoajuda do dia na folha de s.paulo

por   /  08/01/2013  /  18:46

O Amores Anônimos e o Autoajuda do dia aparecem em uma das matérias de capa do caderno Equilíbrio da Folha de S.Paulo de hoje!

A matéria assinada por Juliana Cunha fala sobre como o amor é supervalorizado hoje e virou quase uma religião.

Leiam!

Projeto virtual reúne fotos de casais anônimos

A jornalista e empresária Daniela Arrais, 28, é responsável pela série “Amores Anônimos”, uma seleção colaborativa de fotos de casais apaixonados na rua, registrados em fotos tiradas com celular. Antes disso ela produziu uma série de entrevistas em seu site, “Don’t Touch My Moleskine”, chamada “O Que é o Amor para Você Hoje?”, na qual coletou depoimentos de anônimos e celebridades.

Daniela é uma seguidora assumida da religião do amor. “Quando terminei um relacionamento complicado, cheio de idas e vindas, comecei a me focar muito nesse assunto. Acho curioso como está todo mundo buscando o amor e tão pouca gente encontra”, afirma.

Junto com a publicitária Luiza Voll, 28, ela mantém o perfil “Autoajuda do Dia” na rede social Instagram, pelo qual compartilham dicas. O tema principal, claro, é o amor. “A felicidade em outras áreas, no trabalho, na família, é importante. Mas o amor é uma coisa tão forte que, quando as coisas estão bem com ele, tudo bem se o resto da vida está meio torto”, diz.

E mais:

Filósofos questionam a supervalorização do amor romântico

‘Falta de amor não é o maior problema das grandes cidades’, diz filósofo britânico

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fratura exposta, por rafaela rios feitosa

por   /  08/01/2013  /  14:45

Antes de o amor se mostrar, por Rafaela Rios Feitosa

Eu vi ele me olhando. Enquanto eu, deitada, abraçava carinhosamente a coxa dele, sentado.

Ele não viu que eu vi. Continuou roçando os dedos entre os fios dos meus cabelos num movimento lento. Tinha ritmo. Dedos subiam, dedos desciam.

Ele me olhava enquanto eu fingia que não olhava, mas retribuía com beijos suaves nas coxas. As abraçava com uma força absurdamente leve e com um pouco de medo de saber quanto tempo aquilo ia durar. Talvez ficasse ali, um segredo guardado entre as quatro paredes daquele quarto quente.

E eu que tinha prometido a mim mesma que nunca mais tentaria reconhecer o amor antes que ele resolvesse se mostrar pra mim.

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A foto é da Chloé McLennan.

dont touch my mixtape: uma seleção de pai para filho, por guilherme gatis

por   /  07/01/2013  /  17:45

Pra começar o ano com música boa, convidei um amigo desses muito amados para fazer a seleção: Guiherme Gatis, que é jornalista, DJ e, desde julho, pai de Vicente, mais conhecido como Bigüi, o beautiful boy que chegou faz tão pouco tempo e já é tão amado!

Gui fez uma mixtape linda, linda e explicou tudo em detalhes (leiam logo abaixo).

Ouçam! ♥

All is love, da Karen O and the Kids

Bia, a mãe de Bigüi, dança muito bonitinho essa música/adora o filme/a trilha sonora. Não tem como não pensar nos dois dançando juntinhos, ele no sling e ela feliz da vida na sala lá de casa.

Into my arms, do Lemonheads

Essa tem uma relação parecida com a do Yo La Tengo (ver abaixo). Qualidade de vida é saber que, não importa o que aconteça, teremos abraços de segurança para cuidar da gente e nos proteger. Me esforço todos os dias para que os meus braços sejam o lugar seguro do meu filho.

Lin Quer, do Kassin

Apesar de Vicente ser ainda muito novinho, já fico pensando nos atropelos com sofás, fogões e adjacências. Cada vez mais descubro que a paternidade é um misto de viver o presente/sonhar com o futuro. Até livro a gente já tá comprando pra Bigüi, com medo deles esgotarem quando o menino estiver na idade certa pra ler.

Samba de Maria Luiza, de Tom Jobim

“De novo!” “Não fala que grava!”. Pronto. Eternizou a relação pais e filhos na música brasileira.

Porque é proibido pisar na grama, de Jorge Ben

Essa é a minha música predileta de Jorge Ben. Uma reflexão geral sobre a vida, das pequenas coisas às mais importantes. Agora que faço parte de uma família só minha, ela passou a ter ainda mais peso.

Bravura e brilho, de Siba

Bigüi já brinca comigo, do jeito dele. E acorda cedinho; às cinco, já estamos degolando dragões e banindo as naves do céu do nosso jeito. Desse tamanhinho de nada e o moleque já tem bravura e brilho.

Beautiful boy, de John Lennon

Ouvi essa música umas 400 vezes no dia que descobri que o filho que esperava era um menino – Vicente, meu beautiful boy.

Opus 40, do Mercury Rev

Essa música é inspirada em “Golden Slumbers”, dos beatles, que é uma das canções de ninar mais foda de todas. Ela tem uma pegada.

Do you realize?, do Rockabye Baby

Essa é a música mais foda de todos os tempos. Quero passar esse amor pela música dos Lips pro meu filho e, pra isso, boto ele pra ouvir direto. São dois investimentos emotivos que espero que funcionem e sejam perpetuados por Vicente: o amor por essa música e ao vermelho e branco, as cores do Náutico, nosso time de coração.

After the gold rush, de Neil Young

Adoro a voz de Neil Young. Esse disco sempre me acompanha nas viagens que faço para cidades do interior do estado [Pernambuco], por conta do trabalho. É a trilha sonora da volta pra casa, com Neil Young embalando a ansiedade de matar a saudade de Bigüi.

My little corner of the world, do Yo la Tengo

Essa é uma das músicas mais confortáveis que conheço. me transporta direto para meu quarto, meia luz, paz e tranquilidade. É mais ou menos esse o cenário/tranquilidade que tenho, hoje em dia, quando consigo juntar o sono de Bia e de Vicente. Ver os dois dormindo é das coisas mais tranquilas que vivo nos últimos tempos. É o meu pequeno cantinho do mundo.

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como pessoas cegas usam o instagram?

por   /  07/01/2013  /  17:13

Da fanpage do Instamission:

Como pessoas cegas usam o Instagram? Neste vídeo, Tommy Edison, que é cego desde que nasceu e faz o Blind Film Critic (http://blindfilmcritic.com/), explica todo o processo. O vídeo nos mostra como toda perspectiva é única e muito interessante!

Vejam o feed dele: http://instagram.com/blindfilmcritic

Via Kottke

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dont touch my mixtapes: feliz natal e triste natal

por   /  25/12/2012  /  13:12

Queridos, o Don’t Touch se despede de 2012 com duas mixtapes: Feliz Natal e Triste Natal!

Para cada mood, uma seleção musical que acaba com aquela depressão de escutar as mesmas músicas todo ano.

Espero que vocês curtam!

E desejo a todos um feliz ano novo, cheio de paz, alegria, amor, saúde, realizações e coisas boas! ♥

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dont touch my mixtape: fall in love, por carolina cecatto

por   /  20/12/2012  /  9:38

Lembram da promo Don’t Touch + Rdio?

Demorei, mas cheguei pra anunciar a ganhadora, que é a Carolina Cecatto!

Parabéns, Carol! Manda uma mensagem pra mim com seus dados?

Obrigada a todos que participaram!

E fiquem com a deliciosa seleção que a Carol fez: começa com Etta James, passa por Feist e Pearl Jam e termina com Weezer. No meio do caminho, vocês ouvem mais um monte de músicas lindas, lindas!

A foto é da Anna Arroyo.

Ouçam! ♥

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