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várias vidas na brevida de juliana amato

por   /  21/05/2013  /  17:01

Juliana Amato, 25, escreveu um dos melhores livros de estréia que já li, o “Brevida”. Gosto de surpresa, de não saber o que eu vou encontrar quando viro a página, e ela me deixou sem acreditar no que ia lendo quando inventou Crianço, a Mamãe Biscate, a Assistente Social e depois os juntou em contextos inimagináveis.

O jeito como ela escreve surpreende, incomoda, deixa a gente querendo mais. Se fosse um filme, ia precisar de continuação, por mais que elas sejam sempre arriscadas, na vida e na ficção.

Como o livro é curto, 65 páginas, o fim da leitura deixou aquela sensação de “e agora?”,  logo resolvida com o Google, que me levou ao blog dela, o Microclima.

Depois de devorá-lo, passei a ter o comportamento normal de quem acompanha blogs e fui lendo os posts na medida em que eles apareciam. Surgiram alguns intitulados Diário Aleatório. Um tempo depois, ela falou que o diário seria lançado na Feira Plana, que aconteceu em abril no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.

Em vez de papel, desta vez ela fez um site com os trechos do diário, que é “uma coleção de dia estranhos”, desses que a gente entende mais profundamente do que queria.

Ainda na vontade de ler mais coisas que ela escreve, fiz uma entrevista. Espero que vocês leiam e, também, comprem o livro, que é excelente! ♥

– Quando você descobriu que queria escrever?

Juliana Amato: Eu não sei muito bem. Na verdade, fazendo um pouco de charme, rs, acho que ainda nem descobri isso. Mas lembro bem de uma vez que escrevi dois poemas – eu devia ter uns 15 anos – que achei muito bonitos. Eu fiquei muito orgulhosa deles e saí mostrando para alguns amigos. Acho que, depois desses dois poemas – que eu nem sei de onde vieram – eu não parei. Comecei a freqüentar grupos, jornais independentes, cursos.

Antes disso, talvez minha mente escritora já pirava com as Barbies. Eu criava muita historinha.

E minha família sempre diz que, bem antes de saber ler, com um aninho, dois, sei lá, eu pegava os livros e ficava inventando historinhas com base nas figuras. Acho que toda criança faz isso, né? Mas, sabe como é, mãe é mãe.

– Você escreveu o “Brevida” para o concurso da Edith [editora que tem entre seus criadores o escritor Marcelino Freire] ou ele já tava pronto antes?

Já estava pronto. Eu escrevi ele logo que pedi demissão do restaurante [onde foi garçonete]. Daí até chegar o concurso passou, mais ou menos, um ano, um ano e meio. Eu ficava só mandando pra um monte de amigo.

– Você ganhou um concurso disputado, o Só Escritoras [feito pela Edith em 2011]. Imaginava?

Não imaginava. Porque era um concurso para mulheres, e eu não acho assim o “Brevida” muitomulher. Por um lado, pensei: “isso pode me diferenciar”, mas, por outro, achei que o monte de palavrão e o tema, meio delicado, poderiam fazer o “Brevida” ser desclassificado rapidão.

– De onde veio o Crianço?

Ah. Eu sei dizer exatamente de onde veio a Mamãe Biscate, mas o Crianço… Bem, ele veio do nome dele. Um dia eu pensei que o masculino de criança é crianço. Aí, logo em seguida, pensei que esse era um nome muito legal prum personagem. Mas como seria esse personagem chamado Crianço? Aí ele foi vindo…

– E a Mamãe Biscate então?

A Mamãe Biscate veio de observar algumas clientes que frequentavam o restaurante. Sabe aquelas mulheres mais maduras, meio malhadas, com luzes, perfume forte e superchiques, anéis e tal? Então.

Elas iam lá com seus esposos, de camisa polo e mocassins sem meia. Daí olhando para elas um dia eu pensei “Mamãe Biscate”.

– Quais são suas referências e influências? E o que você tá lendo agora?

Acredito que os textos que mais me impressionaram foram “O Monstro” e “As cartas não mentem jamais”, os dois do Sérgio Sant’anna. Acho incrível a atmosfera que ele cria. E Ana Cristina Cesar, e Hilda Hilst. Gosto dessas mulheres intensas e obsessivas com as palavras, com a comunicação.

Agora agora eu estou mais vendo. Descobri que gosto muito de escrever pensando em cenas, em situações – atmosfera. E gosto muito de cinema e de TV. Gosto do Eric Rohmer pelos temas, e pela construção da relação entre os personagens, ambígua. Gosto da Lucrecia Martel pela maneira como ela prende os personagens, como se eles não pudessem estar fazendo outra coisa, ou melhor – como se não houvesse nada a fazer. Gosto do Woody Allen, porque ele é engraçado demais, captando o ridículo de si mesmo, de nós mesmos. Gosto da Lena Dunham (descobri “Girls” e viciei), porque acho ela muito muito sincera. E da Miranda July, pelo inesperado.

De livros, gostei muito do “Hotel Mundo”, da Ali Smith, que li ultimamente. E também do “A Visita cruel do tempo”, da Jennifer Egan. E da Verônica Stigger e da Angélica Freitas. Putz, tudo mulher.

– Já fez outro depois do “Brevida”?

Não. Tenho me juntado com muita gente pra criar coisas junto, e participado de coletâneas e tal. Fiz o Diário Aleatório com a Thany Sanches e um livretinho chamado “Jo Quem Pô para Adultos”, com o Nelson Provazi. Mas tenho outras coisas em andamento, tudo no meio de uma multidãozinha.

Eu até já tenho um livro em mente, que quero muito escrever. Mas acho que ele só vai ficar pronto quando eu tiver uns 50, 60 anos. O tema é muito delicado.

– Qual é?

Não quero falar o tema, porque senão não acontece. Só digo que é sobre: casais – que, ok, já descobri e assumo, é uma leve obsessão.

– E o Diário Aleatório? Como os posts viraram o site?

Eu fui escrevendo dia a dia e ia colocar no Microclima. Mas pensei que eles poderiam se perder muito ali, já que fazem parte de uma coisa só, e o blog não iria reunir essa “coisa só”. Então sentei com a Thany e pensamos nisso. Em não ser linear, cronológico, em juntar com imagens que traduzissem esses textos. Ela foi a responsável por todas as montagens de texto com as fotos, que ficaram lindas. Eu só coloquei minha caligrafia. Lançamos pela cuco, um “coletivo editorial cinematográfico” que estamos montando. Foi bem esquisito ver todo mundo lendo esses textos e “curtindo”, mas foi muito importante escrevê-los.

– Você vive ou espera viver da sua literatura? Nesse meio tempo, você trabalha com literatura de alguma forma? Ou em uma coisa completamente diferente?

Não vivo dela, e não sei se espero viver dela um dia. Ainda não consigo imaginar ainda ficar escrevendo com prazo, com tema, com “compromisso”. Gosto muito de escrever e faço isso sempre que posso, penso em textos o dia todo, e gosto que isso seja um prazer.

No momento eu trabalho com edição de texto, tradução, revisão. E estudo roteiro. Não tem como fugir do texto.

[Juliana se formou em Letras pela USP, em 2010]

– Você escreve mais e/ou melhor quando tá feliz ou triste?

Quando eu estou.

– Quando você coloca um livro no mundo, espera o quê?

Não só com livros, mas qualquer novo texto que eu coloco no Microclima (ou mesmo na timeline do Facebook, rs). Bem, eu espero que as pessoas leiam, que gostem – claro – e que se sintam alguma sensação nova, diferente – que sintam uma possibilidade, talvez.

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cinemission

por   /  23/04/2013  /  10:35

Queridos, vocês conhecem o Cinemission? É o novo projeto da Contente!

Sigam > http://on.fb.me/126l7kJ

O Cinemission é um projeto de vídeos feito colaborativamente usando o aplicativo Vine.

Antes de apresentarmos o projeto, conheça o aplicativo: o Vine é um novo app de vídeos lançado pelo Twitter. Muita gente anda explicando o que é a ferramenta de uma forma bem simples: “é um Instagram de vídeos”.

Assim como quando o Instagram foi lançado e nós da Contente não desgrudávamos do aplicativo, com o Vine está acontecendo esse mesmo encantamento. Tanto que, com muito pouco tempo de uso, surgiu a ideia do Cinemission, um projeto de missões em vídeo. A nossa primeira missão faz uma homenagem ao Instamission: filme sorrisos! Simples assim!

Enxergamos infinitas possibilidades de interação e diversão com essa nova ferramenta e as missões serão apenas uma delas! Estamos muito, muito animadas e queremos começar essa nova aventura com vocês.

Vamos?

Baixem o aplicativo gratuitamente aqui: http://vine.co/. Em seguida procurem por Cinemission!

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dont touch my mixtape: músicas para dias atribulados, por juliana morganti

por   /  22/04/2013  /  16:22

A Juliana Morganti é uma dessas pessoas que chegam com um sorriso enorme no rosto e uma alegria daquelas, deixando a vida da gente mais leve e feliz. E quando ela resolve colocar umas músicas pra tocar, só melhora!

E foi por isso que pedi a ela uma mixtape pro nosso Don’t Touch.

Ela explica: Quando você me pediu pra fazer essa playlist eu estava no meio de um daqueles dias de trabalho que parecem intermináveis. Correndo para terminar uma apresentação importante. Com aquela dorzinha de cabeça de tanto olhar pro computador, fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo e precisando de um pouco inspiração. Depois que deu tudo certo com a apresentação (ufa!), eu fiz essa lista de músicas calminhas e gostosas que ajudam a passar por dias atribulados.

Na seleção, músicas de Yann Tiersen, The XX, Wilco, Caetano Veloso, Mallu Magalhães, Macy Gray, Luiz Melodia, Aloe Blacc e muito mais.

A foto é do Seditions.

Se eu fosse você, ouvia! ♥

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a tardinha cai

por   /  18/04/2013  /  9:57

Trabalho ouvindo música quase o tempo todo. E fiz uma mixtape com músicas pra ouvir no meio do expediente. Sabe quando dá aquela vontade de escutar um monte de coisa e se perder entre várias sensações? Mais ou menos isso.

Tem Dire Straits, Koop, John Coltrane, Rahsaan Roland Kirk, Chris Montez, Everly Brothers, Coconut Records, Cat Power, Hefner, Casiotone for the Painfully Alone, The Leisure Society, Blondie e Woodkid.

Se eu fosse você, ouvia! ♥

A foto é de Hannah Imlach.

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fratura exposta, por mariana lima

por   /  12/04/2013  /  9:30

Delicadeza e perversão, por Mariana Lima

Dois anos e meio depois, descobri que a ferida ainda existe. Tendo passado, pouco depois, por uma dolorosa paixão consumada, porém não correspondida, e acreditando estar agora amando novamente, imaginei que esse era assunto encerrado na minha caótica teia de pensamentos. Nem lembro a última vez em que falei seu nome na terapia. Mentira. Devo tê-lo usado, recentemente, como a única referência de relacionamento estável que tive na vida. Uso como exemplo, para mim e para os outros, de que sou capaz de reconhecer como é absolutamente maravilhoso amar e sentir-se amada.

Na semana passada, eis que um grande amigo, despretensiosamente, mencionou seu nome e o quão filho da puta você foi comigo, muito mais do que imaginei anteriormente, quando o sangue fervia e eu tentei te espancar. Há dois anos e meio. Contou alguns detalhes que eu gostaria de nunca ter escutado. Aquilo me quebrou na hora, sem piedade, e imediatamente imaginei estar num sonho, talvez fosse o vinho ou o jazz me anestesiando. Não comentei uma só palavra; com um sorriso tranquilo no rosto, só esperei que ele silenciasse. Pronto, acabou.

Fui para casa com um gosto amargo na boca, chorei. Percebi então porque ainda evito qualquer tipo de contato com você, porque odeio quando nos encontramos casualmente e você me abraça como se fôssemos íntimos, porque não consigo mais acreditar que posso ser amada. Por qualquer homem. Porque me reconheci egoísta tantas vezes, pensei em você e vi tanta mesquinhez. Merecíamo-nos. Você se arrependeu algumas vezes, investiu, eu ainda ensaiei, mas não havia mais nada forte o suficiente que nos mantivesse juntos. Descobri com aquela curta escuta que esta fratura, a primeira exposta, deixou a ferida com um frágil tecido de granulação que nunca se queratinizou. Não é rancor. É a memória sobre como somos delicados e perversos ao mesmo tempo. Isso me impediu de confiar e de me sentir segura novamente. Um dia, na cama, te disse “você é minha casa”. Segui perambulando sem teto até hoje.

Assumo, finalmente, que preciso de um novo lar, agora sozinha. E te perdoo. Isso não me deixa mais confortável na sua presença, o perdão não apaga as lembranças, boas ou ruins. Porém rogo aos mais altos comandos dos meus neurônios que, a partir de hoje, permitam a este tímido coração, o incansável, voltar a bater sem medo. Sem grandes pretensões. Formou-se a cicatriz. Desta vez é luto.

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A foto é de Lucyna Kolendo.