Favoritos

Posts da categoria "amor"

fratura exposta, por alaide cadima

por   /  28/08/2012  /  9:25

Talvez a culpa seja do Paulo Mendes Campos, por Alaide Cadima

“Amor, meu querido amor. Hoje acordei com aquela sensação de quando você está com o corpo muito quente e recebe um banho de água fria. Aquele espasmo que dá, que você é obrigado a gritar pra seu corpo não ter um colapso maior com o susto do choque térmico. Acordei com o susto, querendo gritar. Querendo desesperadamente gritar que não dá mais.

Ontem, no nosso jantar de comemoração de mais um ano juntos, percebi que não estamos mais juntos. Percebi que estamos caminhando pro mesmo lugar, mas não juntos.

E a culpa não foi nossa, talvez a culpa seja do Paulo Mendes Campos que escreveu aquela crônica falando que o amor um dia acaba. Ele cita tantas maneiras de o amor acabar que talvez minha alma tenha se identificado com alguma delas e simplesmente se deu conta de que o nosso também acabou.

Queria realmente que o nosso amor nunca tivesse acabado, queria puramente ter você como meu companheiro pra vida toda, queria chegar aos 75 anos brigando com você porque não toma o remédio que o médico lhe receitou.

Mas veja como a vida foi cruel comigo, mostrando pra mim que o meu amor por você acabou. A dor não é só sua. Mas preciso te dizer, acabou.”

______________________________________________________________________

A foto é de Katie Silvester

autoajuda do dia

por   /  22/08/2012  /  16:16

Projeto novo da Contente: Autoajuda do dia! | www.pinterest.com/autoajudadodia

De repente a internet se tornou um grande divã em que todos buscamos palavras de sabedoria para lidar com questões de amor, trabalho, amizade, dúvida, autoestima. Questões da vida, que tomam a cabeça e o coração da gente, diariamente.

Autoajuda, o termo que é sinônimo de nariz torcido e olhos revirados, também é algo que consumimos todo dia: nas frases pixadas na rua, nos murais por onde você pas

seia no Pinterest, nos cartazes compartilhados no Facebook, em fotos do Instagram.Estamos todos em busca de respostas, de consolo, de alívio, de qualquer coisa que possa deixar o dia a dia da gente mais leve. E a internet se tornou o lugar mais legal para a gente fazer isso.E é pela internet que a gente decidiu mergulhar nesse tema.O Autoajuda do dia, projeto que acontece no Pinterest, veio para organizar esse conteúdo e também lançar o convite: vamos falar em português sobre o que a gente sente, pensa, quer pra vida?Com vocês, Autoajuda do dia! ♥

Como participar:

Pinterest | www.pinterest.com/autoajudadodia
Instagram | @autoajudadodia

arte  ·  auto-ajuda  ·  autoajuda do dia  ·  contente  ·  design  ·  especial don't touch  ·  internet

fratura exposta, por raphaela ramos

por   /  14/08/2012  /  14:11

Antônio não é babaca, por Raphaela Ramos

Já tava farta de gente vazia, vulgar demais, banal demais. Mas Antônio não é babaca. Ele é denso, frágil, meio gordo, que não usa meia que cobre a canela.

Tinha babacas no pátio, no ponto, na porta. Eu era um tanto babaca antes do Antônio chegar.

Mas Antônio chegou, arrastando pelos pés uma bola de ferro e melancolia com cheiro de whisky pelo pátio, pelo ponto, pela porta (e me fez colecionar os silêncios etílicos que lançava de costas pra mim).

Antônio veio pra me tocar os dedos, fazer ler Foucault, Kundera, ouvir The Doors. Ele chegou pra contar que eu não tô sozinha no meu mundo onírico –e contou com um tom reservado de quem se cicatriza, inocente de quem ainda acredita no amor e fraco de quem não quer viver na defensiva.

Antônio é de feltro por dentro, mas os babacas não sabem. Ele morde o canto interno do lábio inferior do jeito mais bonito do universo, tem as unhas roídas de muitas esperas. Fala comigo com o tato de um Wolverine recatado, me toca o queixo pra eu nunca mais esquecer.

Meu amor por Antônio vive de esmolas (ostentar é coisa da paixão). Antônio não é meu e nem será, mas o perdoo –porque Antônio não é babaca.

______________________________________________________________________

A foto é de Heddaselder

fratura exposta, por vitória de melo bispo

por   /  06/08/2012  /  14:50

Eu quero ser o teu problema, por Vitória de Melo Bispo

Nada de amor heroico, bonito e comovente. Deixo as filosofias otimistas para quem acredita nelas. Eu quero ser a tua insegurança, o teu objeto de desejo que te faz achar que você só tem defeitos _e que certamente não me merece. Eu quero ser o amor intruso, entrão, inconveniente; invadir o teu pensamento quando um amor menos complicado teimar em se aproximar. Eu quero ser quem te faz procurar terapias; quero ser relatado a um psicólogo. Nada de rendas brancas, vestidos de noiva, taças cruzadas.

Eu quero ser quem te faz sair dos lugares comuns, abandonar jantares importantes e festas com seus melhores amigos. Eu quero ser a ligação às três da madrugada e te confundir inteira quando você achar que já não quer tanto assim. Também quero ser o telefone que não toca no dia seguinte. Eu quero ser tuas unhas roídas, tua mania constante de mexer no cabelo, tua síndrome das pernas inquietas. Eu quero ser a resposta monossilábica para tua declaração. Eu quero marcar um encontro, uma conversa, um café e, de última hora, desmarcar _e numa eventual nova possibilidade de encontro, ver você me esperar outra vez. Nada de fotos, flores, músicas de nós dois.

Eu quero ser o teu eterno caso, a lembrança que você lamenta. Eu quero deixar explícito o meu descaso e te ver, ainda assim, se importando comigo. Eu quero te desfilar como um troféu perante aqueles que um dia te quiseram e, em casa, te colocar no lugar mais ignóbil de minha estante. Eu quero ser as cartas que você não consegue jogar fora; a mentira que você não se cansa de acreditar; a saudade que emudece.

Eu quero ser os textos que você escreve de madrugada, tua tentativa desesperada de não enlouquecer. Quero ser a tua insônia, a tua insanidade. Teu susto, teu único assunto. Você Julieta, eu Romeu que não morreu. Eu quero rir da hipótese de um futuro nosso, ver você me odiar por um minuto e voltar a me amar com toda sua raiva logo depois. Eu quero ser as perguntas que você evita se fazer. Quero ser o seu medo de não aguentar.

Eu quero ser o teu problema, garota. Não por capricho. Não por um motivo pífio.

Eu quero ser o teu problema desde que você se tornou o meu.

______________________________________________________________________

A foto é de Diane Sagnier

fratura exposta, por s.

por   /  03/08/2012  /  9:00

Hidrografia, por S.

Quando me perguntam se você volta, respondo que sim. Mas queria poder dizer que estou triste somente porque você foi viajar. As pessoas me diriam que quatro meses passam rápido, que a gente até poderia trocar uns e-mails e conversar no Skype de vez em quando. Que não foi o fim definitivo. Na mesa do bar, provavelmente um desconhecido, contaria que esperou a namorada voltar do intercâmbio (“dez meses lá nos cafundós do Texas”) e que ainda ficaram juntos por mais uns anos. Eu diria que não, que não posso ficar te esperando e alguém terminaria o assunto com um clichê: “se for pra dar certo, vai dar”.

Uma amiga me prometeria que sairíamos todo final de semana, que eu nunca ficaria sozinha e que, inclusive, nem sentiria o tempo passar. Eu ficaria um tempo cogitando o número de meninas que você pegaria em cada país, mesmo sem saber exatamente o seu roteiro. A mesma amiga iria me dizer pra aproveitar esse tempo pra conhecer outros caras, mesmo sabendo que seria difícil pra mim.

Eu olharia suas fotos no Facebook sem tirar conclusão nenhuma, só notaria que o seu cabelo cresceu, que você aproveitou bem a temporada em Amsterdan, que as cervejas alemãs te agradaram bastante, que os festivais de Barcelona foram mesmo incríveis e que eu gostaria de estar lá com você. Procuraria algum roteiro barato para as férias de julho, continuaria procurando outro emprego, procurando você naqueles “outros caras” que eu invariavelmente acabaria conhecendo e indo à aula todas as noites. Exatamente como eu fazia quando você estava aqui. A não ser por aquela última vez em que eu faltei à aula pra te dar um “oi” e acabou sendo o “tchau” definitivo sem que soubesse.

Queria poder dizer que ficarei te esperando esses quatro meses e que em agosto estarei aqui, pra nos encontrarmos e conversarmos sobre tudo o que você viu por lá _e quem sabe ganhar um kit kat do freeshop. Só eu, você e o abraço mais apertado do mundo. Então eu faço questão de dizer pra todas essas pessoas – e, principalmente, pra mim mesma – que o tempo e a distância não têm nada a ver com isso. Para os separados pelo Oceano Atlântico há o e-mail, o Facebook, o telefone. Há o consolo de que os abraços de reencontro são os mais apertados do mundo. Queria viver e dizer isso tudo, mas o Atlântico não é nem o maior dos oceanos nem o menor dos meus problemas.

______________________________________________________________________

A foto é de Kristina Petrosiute

fratura exposta, por bruna castro

por   /  02/08/2012  /  8:30

Eu te amo hoje, por Bruna Castro

Eu achava que amor era algo construído com o tempo. Maduro. Que o amor podia ser aprendido, ensinado. Que o amor crescia com cada dificuldade. Com cada defeito descoberto ou revelado. Com cada fraqueza assumida. Achava que o amor era o que vinha depois da paixão. Aliás, me disseram “a paixão dura 8 meses. Se sobreviver, então é amor”.

Pode ser que seja assim, também. Mas resolvi jogar tudo isso no lixo e descobrir sozinha o que é amor pra mim. E, então, aprendi que a paixão pode durar 8 minutos e virar amor. Amor pode ser vivido em um dia, em uma noite. Amor pode durar 24 horas, uma semana, um mês, um ano e uma vida. É isso. Agora eu entendi. Entendi o que era aquilo que senti algumas vezes, no mesmo tempo do que deveria ser paixão, mas diferente. Acho que senti amor por pessoas por algumas horas, mas não me venha dizer que não era amor. Era sim.

______________________________________________________________________

A foto é de Elif Sanem Karakoc