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Por que não se fala da história de amor de Marielle?

por   /  17/03/2018  /  14:59

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Desde que soube da execução da Marielle, entrei em um looping de ler tudo, em todos os lugares. E de pensar em sua companheira. Que não teve sua dor estampada no jornal. A dor de uma mulher lésbica não sai no jornal.

Conversas com amigos e 2 posts me fizeram atentar pra essa questão. “Esse processo (…) reflete a lesbofobia presente nas relações sociais e na forma como nos percebem como abjeções, como vidas que não importam e que não têm o direito sequer de serem reconhecidas como legítimas e, portanto, podemos também ser apagadas, exterminadas. Ademais, ninguém fala da dor da sua companheira Mônica, ela não é ouvida, mas silenciada. É como se os nossos relacionamentos fossem nada, nossas dores fossem nada, o nosso amor fosse nada”, escreveu Simone Brandão Souza.

Imagina perder a mulher da sua vida em uma execução que mudou o Brasil e ninguém te citar? Ah, isso desvia o foco? Falar do amor de Marielle não desvia o foco. É mais uma violência. Não falar do amor de Marielle diminui inclusive a luta que a própria travava. Ela defendia a visibilidade lésbica – tema que lhe motivou a apresentar um projeto de lei na Câmara do Rio.

Por que não se fala da sexualidade de Marielle, se ela estava estampada nos posts, aos quais qualquer um facilmente tem acesso? Entrei no Instagram dela na quarta, quando o número era de 7.000 seguidores. Hoje, são mais de 70.000. Ninguém viu ali a matéria pronta? “A história de amor de Marielle em 10 fotos do Instagram”?. Faço por aqui mesmo.

“Muita gente ainda não entende que negar o nosso amor passa uma mensagem de que não somos tão dignas. Que a dor da companheira dela não é legítima como de outra esposa. Invisibilizar quem a gente é dói. Não reconhecer que existia uma amor tão real ali, como qualquer outro, é mais uma violência”, me diz uma amiga querida.

Mulher, negra, mãe, periférica, lésbica ou bissexual, quinta vereadora mais votada do Rio, socióloga, mestre em administração, defensora dos direitos humanos. Marielle é tudo isso. Marielle é um mundo inteiro. E a gente não pode nunca deixar de falar de amor. Toda forma de amor.

#mariellepresente

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Fotografar foi o início de uma liberdade, diz Chana de Moura

por   /  14/03/2018  /  10:10

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Chana de Moura é fotógrafa, gaúcha, tem 29 anos. Faz uso da fotografia para compreender como percebe e interage com os diferentes ambientes à nossa volta. Ela faz isso por meio de várias mídias, como a fotografia em si e também colagens, desenhos, gravuras e objetos. A natureza e o universo místico são duas de suas maiores fontes de inspiração. Em um bate-papo rápido ela mostra a profundidade de suas escolhas.

Mais: chanademoura.com.br e @chanademoura

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[Minha fotografia fala de] Reintegração. Creio que hoje em dia possuo um objetivo fotográfico mais definido do que o ato de fotografar significa em minha vida. Antes, pulsava em mim uma vontade louca de sair fotografando, de inventar cenas, procurar cenários e produzir um momento fotográfico. Hoje, eu fotografo elementos bem mais pontuais. Penso antes de fazer uma foto. Busco, através das imagens, compreender como é que eu e as outras pessoas percebem e interagem com os diferentes ambientes à nossa volta.

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Anseio compreender qual o papel da natureza e da paisagem em nossas vidas e porque agimos como se não fôssemos parte do mundo natural. Fotografo para expressar uma idéia ou, como no caso dos autorretratos recentes, pelo desejo de compreender-me enquanto um ser que habita este espaço comum com diversos outros seres de distintas espécies. Quando penso nisso, sempre lembro de uma fala de Sagan, nela ele ressalta a importância de sermos humildes. Veja bem: nós, humanos, surgimos no planeta quando 99,9% da terra já estava completa praticamente do jeito que a conhecemos hoje. Isso quer dizer que surgimos num último instante cósmico, que somos uma parte muito ínfima de um todo que veio antes de nós.

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Quando fotografo, principalmente os autorretratos, os quais chamo de “Mecanismos de reinserção”, busco justamente essa reintegração. Desejo um lampejo do que seria a vida se a humanidade não tivesse se afastado tanto do poder primordial, do que conhecemos como a natureza. Não é que eu romantize a ideia de natureza, achando que esta não se trata de um império hostil, é só que na natureza parece haver uma coerência de vida, algo que acredito ser impossível de encontrar vivendo na estrutura em que nós, pessoas, vivemos hoje. Sei que esse afastamento é, afinal de contas, um processo natural, que não quer dizer que também não sejamos natureza por termos nos afastado em determinados aspectos, apenas creio que a fotografia pode ser uma maneira de percebermos o mundo no qual estamos inseridos e também de interagirmos com o mesmo. Quando tento me “reintegrar”, na verdade estou buscando quase uma utopia de experienciar a vida como se nada jamais tivesse sido rompido.

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[Ser mulher neste meio] É maravilhoso! Sou eternamente grata ao universo por ter nascido mulher, essa condição é algo que permeia muito meu pensamento criativo. Sei que há situações bem complicadas em outros meios, mas no meio da arte que conheço, não presencio muita distinção por gênero. Sei que no cinema e que em outros ramos da fotografia é mais delicada a questão de ser mulher. Claro, essa é apenas minha experiência de vida… Já ouvi de amigas que passaram por situações bem severas: muitos homens assumem compreender mais do que as mulheres, principalmente as competências técnicas. Mas acredito meu caminho é um pouco paralelo: eu gosto muito de experimentar em fotografia, não me encaixo muito bem nas especificidades das questões técnicas, gosto delas para subvertê-las.  Por isso, possivelmente, nunca passei pela situação de alguém querendo me ensinar algo que eu já sei.

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A fotografia em minha vida representa uma grande constelação de apreensão de mundo. Fotografar foi o início de uma liberdade, uma forma de se opor à realidade objetiva (mas sem desconsiderá-la). Hoje ainda é um sinônimo de liberdade, mas também é um meio de estender as emoções, reorganizar o mundo, repensar estados do corpo e do espírito. É um método de voltar-me para fora e voltar-me para dentro, é um comunicar-se com o futuro e um comunicar-se com o passado. Também é uma forma de des-frustrar-me com o presente.  Ou seja, entender pelo reflexo e pela apropriação da vida, ser espelho: apreender em si e devolver ao mundo.

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#asmúsicasdeamor: Juliana Alves

por   /  13/03/2018  /  10:10

'Two towels' by Alec Sloth copy

Na #ainternetqueagentequer, a gente conhece pessoas porque elas têm blogs e colocam nele um pouco daquilo que mais gostam: um quadro, uma foto, um punhado de música, um look, uma frase. A Ju Alves fazia isso com o Azar o seu, querida, e foi por ali que eu a conheci um pouco. Depois, em uma festinha ou outra, em um happy hour tomando drinks. Sabe aquelas pessoas que, sempre que você vê, acaba pensando “por que a gente não é mais amiga?”. Pois é. A Ju é assim. Luminosa e cheia de bom gosto, good vibe que irradia por onde passa.

“Assim que tu me pediu a playlist eu pensei que não queria que ela contasse uma história só, mas várias, e que não falasse só de amor romântico, mas de amor fraterno, amor de amigo, amor de pai pra filho, etc. Só que a medida que eu ia ouvindo e escolhendo as músicas elas é que foram me levando por um passeio nostálgico pela minha vida amorosa, sabe? E no fim foi esse passeio que foi ‘escolhendo’ e montando a playlist. Naturalmente boa parte dela é trilha sonora do meu relacionamento atual (afinal já são sete anos de músicas de amor!), mas também tem umas lembranças no meio, de histórias de amor que foram construindo o caminho até aqui. porque acho que é isso, né? ‘First love, last love/ only love, it’s only love’ e ‘é sempre amor, mesmo que mude’ etc.”

A foto é do Alec Soth.

Quando a vida é uma euforia: o Carnaval de Joana Lira

por   /  23/01/2018  /  12:00

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Joana Lira é o Carnaval. Uma artista gráfica que personifica, no trabalho e na vida, a paixão pela maior de todas as festas. Ela é amor, suor, brilho e euforia. Euforia esta que é traduzida em suas aparições por Olinda. E que, por 10 anos, foi o fio condutor para que ela “vestisse” a folia do Recife com suas criações.

Sou apaixonada pelo Carnaval de Joana Lira muito antes de conhecê-la. Ao atravessar as pontes do Recife em meio a seus bonecos gigantes, vendo a cidade em outra dimensão, com um colorido de encantar. Ao olhar Joana de longe pelos blocos de Olinda, sempre maravilhosa em suas fantasias. Há poucos anos, nos encontramos em uma prévia do Eu Acho é Pouco ao som da bateria e de Lala K. Brincamos o dia todo com um espelho. E o que era admiração de longe se tornou um bloco de amor – de Carnaval e dia a dia.

Com muita alegria e um trabalho de seis anos pra colocar tudo de pé, Joana materializa seu legado com a exposição “Quando a vida é uma euforia”, que será aberta hoje no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Com curadoria de Mamé Shimabukuro, a mostra mistura obras documentais e imersivas sobre histórias e personagens da festa. Que sentimentos e emoções esses quatro dias suscitam? É o que a gente vai descobrir logo mais à noite. Convido vocês a conhecerem do Carnaval que é uma explosão para tantos de nós.

Antes disso, uma conversa com essa musa.

Joana Lira, exposição “Quando a vida é uma euforia”, carnaval 2010_JOSIVAN RODRIGUES_1 Joana Lira, exposição “Quando a vida é uma euforia”, carnaval 2009_JOSIVAN RODRIGUES_4

– Conta um pouco da tua relação com o Carnaval? Qual é a memória mais antiga que tu tem dessa festa na tua vida? E a mais inesquecível?

O Carnaval funciona pra mim como um combustível, uma injeção de vida. Mas não é qualquer Carnaval, tem que ser o carnaval de Pernambuco. Minha memória mais antiga é de ir pro Galo da Madrugada, ainda muito pequena, com meu pai. Sempre amei me fantasiar e sempre tive muitas fantasias, até hoje… rs. Tenho muitas memórias lindas, mas uma que me fez chorar foi me deparar, por puro acaso, numa noite já voltando pra casa, com o exuberante desfile do bloco Elefante de Olinda e poder ver de muito perto todo seu cortejo elegante e mágico. Parecia um sonho.

– Conta um pouco da tua trajetória como artista? Aquela coisa de se apresentar pra quem ainda não te conhece.

Nasci numa família cheia de dons artísticos e com gosto estético bem aguçado. Me formei em design gráfico em Recife em 1997, mesmo ano que fiz minha primeira exposição individual. Trabalhei com suportes diversos e pra mim isso sempre foi um encanto: estamparia, cerâmica, ilustrações de livros. Em 1999 me mudei pra São Paulo. Três anos depois, estava fazendo parte da equipe que criava a cenografia do carnaval do Recife, trabalho que desenvolvi por 10 anos e me jogou para o mundo. Com dele, lancei livro e participei de exposições dentro e fora do país. Fui convidada por grandes empresas a fazer linhas de produtos assinados de várias naturezas. Parcerias que conservo até hoje e que inclusive me apoiaram para eu poder realizar esta exposição. Já há algum tempo tenho repensado minha trajetória e tenho tido desejo de voltar a realizar meus projetos de artes visuais. Inclusive já comecei pôr em prática.

Joana carnavalesca - foto arquivo pessoal 10_low

Joana carnavalesca - foto Gilvan Barreto 1_low Joana carnavalesca - foto Gilvan Barreto 2_low

– E fazer o Carnaval do Recife por tantos anos, como foi a experiência? O que de mais precioso tu guarda disso?

Foi um aprendizado imenso, e ainda é, mesmo depois de já passados 7 anos que parei de fazer. Tem percepções que acontecem com a maturidade da vida e com o tempo. Antes eu acreditava que a maior mudança que este trabalho havia me dado era a de perceber que a força de um desenho é imensurável. Já hoje percebo que o que foi mais importante de verdade foi ter a oportunidade de criar obras onde pessoas de todas as classes sociais podiam ter acesso.

– Carnaval é euforia, mas também renovação e um monte de coisa mais. O que o Carnaval te ensinou e ensina?

Carnaval é tanto, né? É brincadeira, é transformação, é cultura, é todo mundo junto, é extravaso, é autoestima, é persona e personagem, é gastança de energia, é beijo na boca, é suor, é alma, é encontro, é riso, é cor, é aperto, é dor nas pernas, é reafirmação, é choro, é se deixar, é brilho, é paixão no talo, é comichão, é entender a dança da multidão… Como definir tanta emoção e aprendizado?

– Qual é seu roteiro imperdível em Olinda?

Faz anos que repito o mesmo roteiro. Este ano quero mesmo é me perder na multidão pra me achar de verdade.

Joana Lira, exposição “Quando a vida é uma euforia”, carnaval 2009_JOSIVAN RODRIGUES_1

Exposição: Quando a vida é uma euforia

Instituto Tomie Ohtake (rua Coropés, 88, Pinheiros, SP)

Abertura: 23/01, às 20h

Até 04/03 – grátis

De terça a domingo, das 11h às 20h (fechado no Carnaval do dia 10 ao dia 14 de fevereiro, ao meio-dia)

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Joana Lira, exposição “Quando a vida é uma euforia”, carnaval 2009_BETO FIGUEROA_3

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Joana Lira, exposição “Quando a vida é uma euforia”, carnaval 2009_JOSIVAN RODRIGUES_3

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Joana Lira, exposição “Quando a vida é uma euforia”, carnaval 2010_JOSIVAN RODRIGUES_3

Joana Lira, exposição “Quando a vida é uma euforia”, carnaval 2009_JOSIVAN RODRIGUES_3

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#asmúsicasdeamor: Sininho

por   /  10/01/2018  /  10:10

sino

Ter amizades de quase 20 anos é um presente. Além de toda a coisa de acompanhar a vida, estar junto em tantos momentos, dos triviais aos que são a base de quem a gente é, se essa amizade é muito pautada em música aí é que a coisa fica ainda mais legal. Sino é minha amiga desde que tinha 11 anos. Agora ela acabou de fazer 30. É tanta vida juntas que nem sei.

Pedi, e ela fez uma playlist tão maravilhosa! A seleção tem tantas das músicas da minha vida que chega me emociono.

Ela conta das escolhas: “Música pra mim é algo religioso que possui poder mágico de mudar as pessoas e as coisas. Eu ouvi todas essas canções no repeat. Elas me ajudaram a entender e a construir a ideia que tenho sobre o que é o amor. Da glória à desgraça. Da plenitude ao desespero. Algumas são recentes, outras roubei do meu pai, de uma tia que amava Sarita Montiel, de um filme que vi, da minha mulher, de um esbarrão no meio da rua, das tardes no meio dos discos da fonoteca do CPM. Achei e roubei muita música nessa vida e as tornei minhas. Fazer essa seleção foi um passeio nessas histórias que vi, vivi e imaginei.”

Sino é Sininho, ou Raquel Ferraz. Trabalha com inovação. E ainda vai chegar o dia em que ela vai fazer produção musical. Paixão por música e ouvido afiado ela tem de sobra.

A foto é da @floramac.

#asmúsicasdeamor + #trilhadonttouch

Mais:

#asmúsicasdeamor: Ju Morganti

#asmúsicasdeamor: Guilherme Gatis

#asmúsicasdeamor: Juliana Alves

#asmúsicasdeamor: Henrique Neto

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#asmúsicasdeamor: Lulina

#asmúsicasdeamor: Miá Mello

#asmúsicasdeamor: Alexandre Matias

#asmúsicasdeamor: Diego de Godoy

#bibliotecadonttouch: Julia Arraes

por   /  09/01/2018  /  10:10

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Julia Arraes não é minha prima, mas reza a lenda que os Arraes e os Arrais fazem parte da mesma família. Então nada melhor do que celebrar possibilidades quando a gente encontra alguém legal demais, né? Ela é uma jornalista super talentosa que  trocou Recife por São Paulo e São Paulo pelo Rio. Gosta de se cercar de amigos, do amor, dos livros e de muitas festas divertidas em casa (me divirto com seus stories! hehe).

Ela é a convidada de hoje no #bibliotecadonttouch.

Vamos conhecer alguns de seus livros preferidos?

O paraiso sao os outros Valter

“O paraíso são os outros”, de Valter Hugo Mãe.

Rainer Maria Rilke Cartas do poeta sobre a vida.

“Cartas do poeta sobre a vida”, de Rainer Maria Rilke. “Esse daqui tá sempre na bolsa e é quase terapia. um título não muito popular. são trechos de cartas que Rilke mandou ao longo da vida. ele fala, como ninguém, sobre trabalho, solidão, infância e, claro, sobre o amor.”

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Clarice Lispector.