Favoritos

Posts da categoria "escreve escreve"

1 ano!

por   /  28/09/2008  /  19:31

1.300 posts depois, o meu, o seu, o nosso querido don´t touch my moleskine completa um ano de vida!

e marilyn sopra as velinhas para esse libriano exagerado na quantidade de posts! haha

divirtam-se aí com os arquivos    =)

escreve escreve  ·  etc  ·  fotografia

sonha, coração

por   /  27/09/2008  /  19:12

era na encruzilhada, um apartamento que era meio casa, porque tinha um quintal a ceú aberto. era laje, bem antes de eu saber que laje pede samba. sempre tocava fagner por lá. eu achava engraçado ouvir “quem dera ser um peixe” e imaginava o que era o límpido aquário de alguém. passar a noite em claro dentro de ti eu viria a descobrir um pouco depois… haha

“borbulhas de amor” deve ter servido de trilha para a relação inteira, começo, meio e fim, que ela tinha com aquele namorado grisalho que atendia pelo nome do país. ele era meio esquisito, usava umas calças sociais, camiseta de botão. se brincar, até colar dourado, pendurado no meio da barriga. tentava ser simpático, mas eu implicava na maior parte do tempo. birrenta e ariana desde sempre.

mas da laje eu gostava. laje com fagner, os coroas tomando aquela cervejinha no sábado. ah, a cervejinha do sábado… aquele fazer nada ao som de uma vitrola cansada de tanto rodar, uns petiscos pra passar o tempo e não deixar ninguém passar do ponto, a vizinha que falava um oi e se inteirava da conversa, puxava uma cadeira e pedia um copo pra também entrar naquele clima. se tivesse praia antes, ainda melhor.

quando eles acabaram, lembro das noites que ela passou recortando a parte em que ele aparecia nas fotos. fotos em álbuns, fotos em caixas de sapato. do alto dos meus 10 anos, talvez, achava aquilo ali estranho. depois viria a descobrir que a palavra mais adequada era recalque.

se ela tivesse ouvido a mesma música com outros ouvidos, teria recebido o melhor conselho do mundo: “canta, coração, porque essa alma necessita de ilusão. sonha, coração, não te enchas de amargura”. anos depois, eu que entendi o recado e o motivo de eu ouvir essa música sem parar há tanto tempo.

amor  ·  escreve escreve  ·  música

mixtape #4: letícia féres

por   /  16/09/2008  /  18:56

letícia féres, ou zizi, chegou no gtalk por causa de heleninha. e por lá ficou, contando de ratos que invadem editoras a como zizi, a possi, é uma grande filósofa da humanidade

“o descontrole sutil das canções – vol. 1” é o maravilhoso nome da seleção que ela fez pro don´t touch my moleskine. a foto é de jacques henri lartigue

“acho que a definição do dicionário, como não poderia deixar de sersh, diz muito da seleçãozinha.  descontrole: falta de controle / falta de domínio / desequilíbrio / desorientação / desgoverno. porque o descontrole pode acontecer por alegria, ódio, amor às palavras… por falta do que fazer… ou por excesso do que fazer, néam?…”

e só tem pérolas na miguxtape da zizi: clementina de jesus com adoniran barnosa e carlinhos vergueiro, boris vian, ivon cury, bethânia e narinha e muito mais! uma coisa meio marcinha de carnaval, meio rádio de antigamente  =)

ouçam a miguxtape #4

especial don't touch  ·  fotografia  ·  mixtapes  ·  música

entrevista: bill callahan

por   /  10/09/2008  /  20:06

tem texto meu na ilustrada de hoje, sobre bill callahan: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1009200821.htm

aqui, a entrevista na íntegra   =)

* Você tem mais de 20 anos de carreira. Qual é o segredo para manter um trabalho tão constante, com a mesma essência?

Tenho um desejo de fazer. Como o desejo do sexo, o desejo da comida etc. É realmente natural para mim, não penso muito sobre isso. Está na minha cabeça quando acordo.

* Você já foi descrito como uma das mais importantes figuras do indie rock norte-americano nos anos 90. Como você se sente em relação a isso?

Não sinto que as coisas tenham mudado. Estou no centro do que eu faço. Quando me concentro para fazer uma música, sinto como se fosse a primeira vez, ou a décima vez, ou a quadragésima vez. O lugar e a sensação nunca mudam. Não acho que eu tenha nenhuma honra dentro da indústria. Quando escrevo, estou só. Quando estou no estúdio, toco, junto com a banda, para mim mesmo e para eles e para o engenheiro. Tocar ao vivo é como um sonho, talvez dure tanto quanto um sonho, e não existe nada antes ou depois. Você vai para um lugar onde as pessoas estão e toca, então acaba e as pessoas vão embora. Mas você tem a memória disso, como tem de um sonho. As pessoas vão embora com suas próprias nuvens de memória daquele sonho. Para algumas pessoas é como um sonho bom, para outras é um pesadelo.

* O que você conhece de música brasileira?

Tem muita coisa. Eu meio que tentei focar no Caetano Veloso e no Tom Zé porque eles têm muitos álbuns. Eu amo o “Transa”.

* O que mais influencia você na forma de você contar histórias em suas músicas?

Eu mesmo, acho. Quando você está começando, você presta muita atenção na forma como as pessoas fazem as coisas, como elas contam as histórias. Com o tempo, você acaba achando sua própria voz, seu próprio centro.

* Quais são suas principais influências? Cantores, bandas, escritores…

[O cantor de rap] Lil Wayne tem sido bastante inspirador ultimamente. A maneira como ele é destemido e faz o que quer fazer.

* É a sua primeira vez no Brasil? Você pensa em tomar caipirinhas e ver alguma apresentação de samba, ou tem outros planos?

Acho que não teremos tanto tempo. Acho que passaremos a maior parte do tempo que teremos na América latina dentro de um avião. Na maioria das vezes, o que gosto de fazer em outros países é beber um café ou uma cerveja numa calçada e observar todos os tipos de pessoas que passam, as esquisitas, bonitas, feias, engraçadas, gentis, confusas, solitárias, empolgadas.

* Como você se comporta no show? Qual é a melhor coisa de tocar ao vivo? E a pior?

O mais difícil é, talvez, o fato de você estar à mercê de forças que vão além do seu controle. Estar em turnê é uma coisa muito física, viajar muito pode destruir seu corpo e sua mente. A parte boa é que eu gosto de cantar, gosto de estar com uma banda que toca bem junto. E gosto de ver pessoas sorrindo na platéia.

mixtape #3: cardoso

por   /  09/09/2008  /  18:42

e o grande convidado de hoje é cardoso, uma lenda viva da internet. e lenda viva é muito bom, né? mas é bem isso mesmo, afinal ele criou o famoso cardosonline, aka COL.

nem lembro como o conheci _deve ter sido em mais uma dessas trocas de e-mail com as “pessoas da internet”  =) no longíquo 2005, entrevistei ele (e fiz um lide bem início da faculdade de jornalismo).

as palvras-chave pra miguxtape de cardoso, que ganhou o nome de “bubbling sensi”, são: manhã de sol, sábado de inverno, madrugada de verão, groove, breakbeat, bassline, kingston, bom fim, tóquio, lambsbread, sensimilla, kif, estrada secundária, aeroporto internacional, trem de passageiros.

entre os artistas escolhidos, estão nujabes feat. cise starr & akin from cyn, takako minekawa, stephen malkmus e algum desconhecido, que toca na última faixa. ele diz: “nenhuma idéia do que seja. se alguém souber, por favor, me mande um e-mail.”

quando eu falei pra ele que ia postar a miguxtape no dia 9/9, uma alegria: “Pô, 99 foi o melhor ano da minha vida, auge do COL e tudo o mais. Durante anos rolou essa piada nas internas, de que eu tava vivendo eternamente em 1999.”

então, back to 1999, ouçam a miguxtape #3

walter benjamin dá dicas para escrever

por   /  03/09/2008  /  21:39

I. Anyone intending to embark on a major work should be lenient with himself and, having completed a stint, deny himself nothing that will not prejudice the next.

II. Talk about what you have written, by all means, but do not read from it while the work is in progress. Every gratification procured in this way will slacken your tempo. If this regime is followed, the growing desire to communicate will become in the end a motor for completion.

III. In your working conditions avoid everyday mediocrity. Semi-relaxation, to a background of insipid sounds, is degrading. On the other hand, accompaniment by an etude or a cacophony of voices can become as significant for work as the perceptible silence of the night. If the latter sharpens the inner ear, the former acts as a touchstone for a diction ample enough to bury even the most wayward sounds.

IV. Avoid haphazard writing materials. A pedantic adherence to certain papers, pens, inks is beneficial. No luxury, but an abundance of these utensils is indispensable.

V. Let no thought pass incognito, and keep your notebook as strictly as the authorities keep their register of aliens.

VI. Keep your pen aloof from inspiration, which it will then attract with magnetic power. The more circumspectly you delay writing down an idea, the more maturely developed it will be on surrendering itself. Speech conquers thought, but writing commands it.

VII. Never stop writing because you have run out of ideas. Literary honour requires that one break off only at an appointed moment (a mealtime, a meeting) or at the end of the work.

VIII. Fill the lacunae of inspiration by tidily copying out what is already written. Intuition will awaken in the process.

IX. Nulla dies sine linea — but there may well be weeks.

X. Consider no work perfect over which you have not once sat from evening to broad daylight.

XI. Do not write the conclusion of a work in your familiar study. You would not find the necessary courage there.

XII. Stages of composition: idea — style — writing. The value of the fair copy is that in producing it you confine attention to calligraphy. The idea kills inspiration, style fetters the idea, writing pays off style.

XIII. The work is the death mask of its conception.

peguei do marginal revolution

mixtape #2: daniel poeira

por   /  02/09/2008  /  20:13

um dia daniel poeira apareceu lá em casa. era uma festinha inha que virou uma festa bem legal. ele chegou e disse: “oi, sou o daniel poeira, o do twitter”. direto de bh pra chez muá. conversamos aquelas coisas que se conversa quando você só havia trocado umas mensagens de 140 caracteres com a pessoa…

aí eu tava tomando gin tônica. ele viu, falou que apreciava demais o drink e começou a preparar uns dos melhores gin tônicas que eu já tomei!

várias conversas de gtalk depois, com direito à notícia de que ele vai ser pai (e, mesmo antes disso, já tinha feito a mais linda carta de pai pra filho), perguntei se ele queria fazer a miguxtape.

eis a explicação dele pra seleção:

Minha seleção gira em torno do universo do blues de Chicago, a versão mais elétrica e jazzística do blues que nasceu no norte dos Estados Unidos quando muitos negros que viviam nos estados rurais do sul foram
para Illinois procurar emprego nas indústrias e fábricas. Ali o som se modernizou, se urbanizou, ganhou uma roupagem mais refinada e mais dançante, que mais tarde chegou à Inglaterra e deu origem a bandinhascomo os Yardbirds, o Led Zeppelin e os Rolling Stones.

Eu gosto muito de todos os tipos de blues, mas o de Chicago particularmente é muito querido no meu coração por conseguir unir o sentimentalismo nada barato do blues rural a um clima mais positivo.
Ao invés de fazerem músicas se lamentando ou dizendo o quanto a vida é difícil, os blueseiros de Chicago faziam um som mais forte, elétrico, raivoso e confrontador. Ao invés de “a vida é difícil”, eles cantavam
“a vida é difícil, mas e daí? Vamos beber e namorar enquanto ainda nos resta algum tempo nessa bagaça”.

É mais ou menos por aí.

ouçam a miguxtape #2

amor  ·  especial don't touch  ·  mixtapes  ·  música

mixtape #1: larissa ribeiro

por   /  26/08/2008  /  18:17

“wild palms” é o nome da miguxtape de larissa ribeiro, also known as helena, minha companheira de madrugadas na varanda ao som de neil young =)

lara, que é futura acadêmica das letras e desde quase sempre fotógrafa sensacional, faz desenhos lindos, que são postados no www.iseesongs.wordpress.com

ela define a seleção, que tem patsy cline, cat stevens, leonard cohen e the louvin brothers, só pra citar alguns, com palavras-chave: cidade, brokenheart, estrada, rio mississippi, faulkner, into the wild, estrada, deep beautiful melancholy of everything that’s happened

pra ilustrar, ela escolheu uma foto de nicolai_g

depois de tanto blablablá, ouçam a maravilhosa miguxtape #1

amor  ·  especial don't touch  ·  fotografia  ·  mixtapes  ·  música