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entrevista: babe, terror

por   /  06/07/2008  /  23:15

babe, terror mora aqui do lado. mas foi a “new yorker” e o pitchfork que descobriram o cara e falaram coisas do tipo “parece animal collective”, ou, então:

On “Nasa Goodbye” Terror dials up a weird choir, juxtaposing sighs over a booming bass syllable that will give you hope that Danjahandz isn’t the only artist taking cues from Timbaland. Or think low-petrol TV on the Radio stripped of skillful execution but left with all of their wiliest lycan instincts. Terror adds something approximating a verse (sung, presumably, in Portuguese), but the star of the show is the deliberate, wordless tone-drip, an IV of night noises. Whoever, or whatever, “Nasa” is, consider he/she/it appropriately eulogized.

depois de ver dago twittando sobre isso, entrei no myspace, ouvi o som e mandei umas perguntas pra babe, terror, ou melhor, claudio, um cara lacônico que, quando perguntei por que ele escolheu esse nome, me respondeu: “gosto das duas palavras, aí juntei com vírgula”.

* o que é babe, terror? quem é o babe, terror?

babe, terror é uma banda que sou eu, claudio. sou compositor e uso principalmente minha voz e meu computador.

* qual é o tipo de som que você faz?

acho que eu faço algum tipo de psicodelia lo-fi. me disseram que faço pós-lo-fi, que seria quando a música caseira tenta ir para o espaço sideral e se perder. é claro que estou comprando isso.

* você mora em sp? já tocou em algum lugar?

moro em são paulo, em perdizes, quase na pompeía. nunca toquei ao vivo.

–> ele não tem selo, mas prepara um ep que deve ter, no máximo 80 cópias feitas em um esquema caseiro

* quais são suas influências? e aqui pode entrar mais do que bandas…

minhas influências reais são coisas (além música) das quais consigo falar muito mal, precisaria de um belo tempo pra isso. mas o que faço deve nascer de uma raiz que é o amor (prefiro o verbo amar a influenciar) por coisas como beach boys, pop barroco em geral, música negra drônica e suja, música negra extrema em geral, clube da esquina em transe até 1979 e flaming lips.

–> no myspace, dá para ver que ele curte Aaron Copland, Ariel Pink, Tião Carreiro, Beach Boys, Paulinho da Viola, J.S Bach. e que a música que ele faz soa como “Quatro noites da mais vasta claridade nuclear de um apocalipse do qual quem sobrou fomos eu e vc juntos na vila protegida por pinhieros plantados por um jardineiro assustador que ateou fogo nas crianças em 1905. Agora fala bem rápido.”

* e essas fotos? é você ou são referências?

são personagens das músicas. deixaram de ser quem eram, embora tenham trazido, claro, essas cores bonitas de fins de semana memoráveis e intermináveis na década de 80.

cof cof é o caralho

por   /  05/07/2008  /  15:42

se eu fosse atriz, seria joão gilberto. pediria para que pessoas gripadas, com tosse intermitente, se retirassem do local, ou engolissem a vontade até explodir _fora da sala de espetáculo, é claro. na verdade, avisaria na bilheteria: pessoas com problemas de tosse recorrente, assistam à peça por streaming, em um computador mais próximo de você. se, mesmo assim, um gaiato ou outro insistisse, avisaria antes de a peça começar: senhores que abafam a tosse para soltá-la no mínimo intervalo entre os atos, desapareçam daqui. não há concentração que resista a tantos problemas de saúde. não há bons atores que sustentem atenção exclusiva em uma sinfonia de tuberculosos.

* e peter brook não tocou meu coração, mesmo

lápis de cor

por   /  01/07/2008  /  20:19

no estojo, o mesmo que carrego desde o colégio, tem um lápis azul. não qualquer azul, mas um kobalt hell light cobalt blue 8200-144***. é uma cor tão bonita que até eu, que não sei desenhar, consigo criar paisagens que aliviam os olhos. basta riscar, riscar, riscar e continuar depois que o motorista pergunta “vai continuar desenhando mesmo com o carro em movimento?”

someone says

por   /  30/06/2008  /  3:23

quase sempre é tudo uma questão de it´s up to you. quase sempre é tudo uma questão de se convencer. sendo que demora até a gente ligar as coisas. porque uma parte da gente quer, outra rejeita. e no meio do caminho aparece o domingo.

prefiro pensar numa foto tirada numa primavera de uma cidade clichê. foto de primavera com cara de verão, daqueles que você passa na praia, com o vento batendo no rosto, os óculos protegendo da claridade, a roupa clarinha, a bolsa florida e a cara de uma felicidade que grita e diz “olha como eu sou simples”.

e você olha praquela foto como que pra reafirmar aquela felicidade sentida e desejada, felicidade que podia se prolongar pra sempre, quem dera que apenas por um clique feito aquele lá. foto pra qual você olha depois de um tempo na esperança de recuperar o sentimento a qualquer custo, mesmo que o custo machuque, maltrate, doa e te faça descrente.

mas você não se cansa de olhar, e qualquer descrença desaparece depois de uns segundos, porque parece que aquele pedaço, impresso em papel em 1923 e hoje rasgado e remendado com um durex que amarelou, continua a ter a mesma importância daquela tarde de verão-primavera. e é para o aconchego daquela foto, daquele dia e daquela história que você quer voltar.

* o conselho aí de cima é do hydrogen

eu 2.0

por   /  25/06/2008  /  15:32

eu 2.0: conheça sites e redes que ajudam você a melhorar sua imagem, organizar as finanças e cuidar da saúde

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conheça comunidades de nicho

‘personal amigo’ vai a bailes, caminhadas e shoppings

iphone 3g + tvs hd e full hd + dia dos namorados + caixas acústicas para home theater

por   /  25/06/2008  /  15:26

edição de 18/6/08

tela de tv: tv da philips tem luz traseira que muda conforme a imagem + aparelho da lg já vem com conversor digital + leitor de cartão sd embutido é diferencial da panasonic + samsung oferece modelo compacto de 19 polegadas + full hd: ganho na resolução pode ser imperceptível para o usuário

planos e aparelhos 3g ainda custam caro + em lojas, atendimento é devagar

edição de 11/6/08

que amor! recorre à internet para fazer declarações no dia dos namorados + vídeos e programas de bate-papo ajudam a achar par de última hora

tec-tec-tec + conheça a disney pelo google earth + rede facebook lança versão em português + cartão de memória ajuda a pegar ladrão

edição de 4/6/08

som: caixas acústicas são peças fundamentais para a boa performance do home theater

tec-tec-tec

entrevista: tomaz alves souza

por   /  23/06/2008  /  4:13

conheci tomaz na aula de inglês. ele era um menino calado, calado, você mal ouvia ele dizer “the book is on the table”. mas ele tinha uma camiseta que eu adorava. era bowie, na capa do low. não sei quantas vezes ele usou aquela camiseta pra ir pra aula. mas foi o suficiente pra que, um dia, eu criasse coragem pra puxar papo com ele. coisa do tipo “legal essa tua camiseta, hein”. a gente trocou umas poucas palavras, e eu, com a cara de pau característica da adolescência, pedi pra ele gravar uns discos de bowie pra mim. e ele gravou váaaaarios, com capinha colorida e tudo. foi aí que um monte de música de bowie entrou pro meu top five da vida.

eu sabia que tomaz tinha uma banda desde sempre, profiterolis. todo mundo em recife falava do profiterolis, era um mito quase, pois você nunca ouvia a banda tocar ao vivo. aí teve um dia que eles fizeram um show num hotel decadente em boa viagem. daqueles lugares cheios de espelhos, bar estilo coquetel e um piano de cauda no meio do salão. nem sei se isso foi antes ou depois da aula de inglês, mas sei que gostei do profiterolis desde aquele dia.

depois de um tempo, fui a vários shows da banda. fabão tocava balde, aquele mesmo, da área de serviço, no meio das músicas. era massa. e eu gostava era de cantar “esse licor de jenipapo já tá no papo”.

agora vocês param de ler e vão ouvir o myspace: www.myspace.com/profiterolis

ouviram? muito bom, né?

voltando. tomaz é o cara da camisa do bowie, dos cd-rs com canetinha e capa colorida, do profiterolis. mas tomaz também é o cara da trilha de “cinema, aspirinas e urubus”, filme de marcelo gomes. e, também, de várias outras trilhas, como a de “uma vida e outra”, de daniel moloko. tomaz fez o “tema de nara”, uma das músicas mais lindas que já ouvi.

outra pausa pro myspace: www.myspace.com/tomazalvessouza

por isso tudo, quis entrevistar esse menino. nos idos de janeiro, mandei umas perguntas pra ele. ele me respondeu rapidinho, mas eu num respondi de volta, relapsa com a outrora abarrotada caixa de entrada… segue aqui o que ele disse. e espero atualizar o post assim que ele responder o resto, se ele ainda lembrar disso… =)

1. como tu começou a fazer trilha pra cinema? o que tu já fez até agora na área?

tomaz – o primeiro convite eu recebi por intermedio de Daniel Aragão, diretor daqui de Recife, que me chamou pra fazer um teste para o “Cinema, Aspirinas e Urubus”. quando ele me chamou o pessoal ainda estava em fase de ensaios e preparação para viajar para a locação e filmar, mas precisavam de dois temas musicais para uma cena e eles já queriam testar a música nos ensaios. daí eu compus dois temas a partir de um trecho do roteiro, pq no caso eu não tinha acesso a nenhuma imagem do filme ainda.

depois, no decorrer da produção do filme, eu fui chamado para complementar outros momentos da trilha. até aquele momento as poucas pessoas que conheciam meu trabalho só sabiam do que eu já vinha fazendo pra banda/ Profiterolis, Daniel é um amigo próximo e a gente sempre conversou sobre música e cinema. acho que ele talvez fosse o único já envolvido com cinema que tinha a percepção de que eu também poderia desenvolver alguma coisa nesse outro meio, porque naquele época eu não tinha nenhum contato com o pessoal daqui que trabalha com cinema.

depois do Aspirinas surgiram outros convites, pelo fato mesmo de outros diretores e produtores terem tido contato com o que eu fiz pro Aspirinas. daí eu fiz a trilha para um documentário de curta-metragem “Véio”, dirigido por Adelina Pontual. depois fiz a trilha para um curta de Daniel Aragão, “Uma Vida e Outra”. no começo de 2007 eu fiz um primeiro trabalho de trilha para dança e escrevi e produzi a trilha do espetáculo “Conceição”, do Grupo Experimental, daqui de recife.

ainda no primeiro semestre de 2007 eu recebi dois convites da Símio Filmes daqui de Recife, e fiz a trilha do documentário “KFZ-1348”, de Marcelo Pedroso e Gabriel Mascaro, e juntamente com o grupo Chambaril eu fiz a trilha para o longa “Amigos de Risco”, de Daniel Bandeira.

2. é muito diferente compor para o profiterolis e para um filme?

tomaz – é bem diferente porque quando eu componho para cinema eu faço um trabalho que vai ser um elemento de um projeto maior, no caso o filme. eu preciso conversar com o diretor e discutir que tipo de música vai ser feita, em que momentos do filme é necessário algum comentário musical e vou tentando me aproximar do conceito geral que o diretor já tem para dar minha contribuição dentro do que ele espera alcançar com o filme. é claro que no processo de compor e produzir a trilha acontecem muitas conversas, até mesmo porque a parte da trilha num filme precisa ser pensada com cuidado, uma trilha que não esteja adequada ao filme ou que não se misture bem com a imagem e o ritmo da narrativa pode terminar prejudicando a percepção do todo. então fazer trilha termina sendo um trabalho muitas vezes de precisão, porque não convém o exagero, encher o filme de música, e no que diz respeito ao lado mais prático o compositor na maioria das vezes trabalha com o filme já em processo de montagem e edição, ele não participou diretamente do processo de feitura do filme. o diálogo termina servindo pra aproximar o compositor de um processo que já vem se desenvolvendo, mas que ele só pega do meio para o final.

já na banda eu sou o diretor hehehe, então termina sendo um trabalho muito mais pessoal, até mesmo porque no caso da profiterolis eu canto as músicas que escrevo e por mais que um canção tenha um formato limitado (letra, duração, etc), ela sempre carrega alguma carga de comentário pessoal. eu particularmente acho mais dificil compor para a profiterolis porque na banda eu termino sendo o crítico inicial e final do meu trabalho, no fim das contas eu preciso estar atento ao que venho fazendo para não me repetir ou fazer alguma coisa que não seja interessante no momento.

num filme a coisa é mais prática e num certo sentido eu não parto do zero, eu já parto de uma boa quantidade de informações, da imagem, do roteiro, do ritmo da montagem, fora que a música de filme precisa deixar espaços vazios porque não convém acentuar ou enfatizar algum dado que já está sendo apresentado pela imagem, senão, como eu disse, a musica termina deixando o filme muito “carregado” e as coisas não fluem com mais naturalidade.

numa banda, acontece de vc precisar contar uma estória inteira musicalmente no espaço de 3 minutos, a música precisa “resolver o problema” todo sozinha, pois não tem imagem, não tem dialogo, é um processo completamente diferente, ao mesmo tempo mais simples porque é mais curto e direto e também mais complicado porque precisa ser executado ao vivo e por ser mais curto precisa ser mais sintético e nem sempre é fácil conseguir resumir alguma coisa em 2 ou 3 minutos.

concerto para violoncelo em si menor, op. 104

por   /  13/06/2008  /  3:29

ela sempre ia, apesar de eu só saber que ela adorava vivaldi. mas a gente ia em vários. da salinha pequena a uma igreja imponente, sempre por volta das sete da noite, o que pra mim era tarde _afinal, tinha oito, dez, doze anos. foi ela que me levou pra aula de flauta, onde uma horda de crianças desafinadas tentavam acertar um simples dó ré mi. foi ela, também, que me levou na aula de canto com aquela professora cuja referência de agudo era rosana como uma deusa. e era ela com ela que eu falava de virtuosi, um menino insuportável, que devia ter uns três anos a mais que eu e sempre estava mais pra turma do meu irmão, sete anos mais velho, tamanha a desenvoltura com seu violino. queria saber o que a vida fez de virtuosi. porque do querido flautista que ela tanto adorava, a mesma vida num fez mais que um soft gigolô de luxo, com filho em, ops, longíquos países nórdicos. era ela que se emocionava com o que era simples. e demorei tanto pra perceber isso. a novela que ela num perdia. os artistas que ela achava um pão _tá, ela era de uma geração posterior, pra qual pão também já havia caído em desuso. ela gostava era de josé mayer. logo quem! achava ele um pedaço de mau caminho. e vai ver que era com ela que eu via minisséries probibidas para menores, como “as noivas de copacabana” _e eu só lembro que tinha miguel falabella no elenco. era ela que se preocupava com tudo e qualquer coisa. e era ela, também, que fazia aqueles biscoitos amanteigados amassadinhos com o garfo. tinha preto e branco. às vezes, misturado. com açuquinha por cima. até os que passavam do ponto tinham o melhor gosto de fim de tarde começo de noite que eu lembro até hoje. era ela pra quem eu dizia micobri e ganhava cabaninha flutuante. e quando na infância mais infância eu tinha medo de dormir no escuro, era ela quem segurava minha mão até eu cair no sono. e foi por ela que eu me emocionei tanto hoje, ouvindo dvorák. engraçado que toda vez que eu leio dvorák entendo a palavra amor. acho que preciso de umas aulas de tcheco pra deixar de fazer esse tipo de associação livre. ou, então, vai ver era o recado que eu precisava pra deixar a saudade vir assim, tão grande.

seriados da tv para a internet

por   /  21/05/2008  /  16:34

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