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Posts da categoria "#portfoliodonttouch"

#portfoliodonttouch: Os retratos de rua de Pedro Ferrarezzi

por   /  16/05/2016  /  20:20

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Fotografar gente desconhecida no meio da rua é uma coisa que eu adoro fazer – o @amoresanonimos e o @retratosanonimos são a prova disso. Encontrar quem domina esse tipo de fotografia, como o Pedro Ferrarezzi, faz o feed valer a pena, sabe como é?

Chamei esse fotógrafo de 26 anos pra mostrar algumas fotos e contar do seu processo. Espero que gostem!

Ah, o Pedro toma conta do @retratosanonimos durante esta semana. Acompanhem > www.instagram.com/retratosanonimos

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A maior parte das minhas fotos possui o elemento humano. Gosto de observar o comportamento das pessoas, a forma como elas se movem, como elas preenchem os espaços, o jeito como atravessam as sombras. Às vezes penso o que as pessoas para quem eu aponto a câmera ficam imaginando… Só sinto que elas estão perfeitamente encaixadas naquele determinado momento, com aquela luz e com aquele fundo. Queria ter o poder de fazer telepatia e mandar boas vibrações para o fotografado, não quero que ele pense que eu queria tirar sarro dele ou qualquer outra coisa parecida.

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Tenho outros trabalhos como fotógrafo, então não consigo me dedicar inteiramente a fotografia de rua. Acho que depende do mood do dia, tem dia que eu acordo querendo ser o Martin Parr e no outro o Cartier-Bresson (risos). O processo é sair na rua e fotografar bastante.

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Este ano faz 10 anos que comecei a me interessar pela fotografia (êêê!). Lembro que foi quando me inscrevi num curso de fotografia analógica em Campinas. Depois cursei durante três anos o curso de bacharel de fotografia no Senac. Hoje tenho um estúdio em Campinas com um trabalho totalmente diferente do de rua: www.mdemuto.com

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Quando eu vi eu já tava inserido na fotografia e sabia que era aquilo que eu queria/teria que fazer pra sobreviver, desde a primeira vez que tive contato com uma câmera. O que eu fiz até hoje? Ah, vi muuuuuita foto. (risos)

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Espero que as pessoas tenham prazer em olhar as imagens que faço, que não se ofendam e talvez se inspirem a fazer alguma coisa, sair por aí, conhecer alguém novo.

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Renata Ursaia em busca do desencaixe + #retratosanônimostakeover por @renataursaia

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#portfoliodontouch: Renata Ursaia em busca do desencaixe

por   /  15/03/2016  /  9:09

Renata Ursaia

Existe um hábito entre alguns amigos de quase nunca falar de trabalho quando a gente se encontra para passar réveillons em praias paradisíacas ou almoçar por horas em um sábado de chuva e sol. Acho interessante, já que vivemos todos em São Paulo, a cidade da pergunta “o que você faz?” logo nos primeiros minutos de conversa. Ao mesmo tempo, adoro quando a conversa sobre trabalho surge. Tenho tanto amigo talentoso que dá vontade de contar pro mundo o que eles fazem, sabe?

Há um tempo vinha querendo mostrar aqui o trabalho da Renata Ursaia, fotógrafa e artista cujo trabalho eu conhecia mais pelo site do que ao vivo – vi apenas uma residência artística que ela fez no Pivô, no centro de SP. Dia desses fiquei vendo os trabalhos dela e tem tanta coisa tão legal – vocês precisam conhecê-la! Na entrevista abaixo, misturo umas perguntas sobre o processo de trabalho dela, de onde vem a inspiração, pra onde ela quer ir, com fotos e vídeos.

Mais > www.renataursaia.com.br

Renata Ursaia - Brenda e Tampinha (2010)

Eu trabalho na margem estreita do “quase óbvio”. Procuro um deslocamento pequeno de ponto de vista, que faça com que as engrenagens do cotidiano apareçam sob um outro ângulo, e que alguma dúvida possa se instaurar neste processo. Uma ferramenta poderosa para esta desestabilização é o humor. Porque o humor trata desse desvio que transforma uma expectativa em outra coisa. Tem inclusive uma piada que ilustra bem isso (sério!): O cara que chegou no médico, desesperado, achando que tinha uma doença grave, porque todas as partes do corpo em que ele tocava doíam. O médico examinou e concluiu que o problema dele era o dedo, que estava quebrado. Bom, eu acho que o humor, a arte e o que eu tento com o meu trabalho é ser esse dedo quebrado; um desencaixe, que muda o sentido do que está ao redor.

Renata Ursaia - Vegas (2013)

Passo uma boa parte do tempo tentando esquematizar uma metodologia eficaz de criação. Mas claro que é quando eu me distraio disso por um momento, que as coisas costumam se mostrar. Então é um acordo difícil. Você vai mapeando algumas pistas, com fotos, anotações, livros, o que está chamando sua atenção no momento. Tentando articular questões internas e externas. Porque, de alguma maneira você tem que confrontar o que lhe é mais custoso para encontrar um caminho que seja legitimamente seu.

Eu sempre gostei de viajar. E comecei a fotografar nessas viagens que eu fazia na época da faculdade. Quando você é de fora, naturalmente já olha para as coisas de um jeito novo. Isso me ajudou. O vídeo me interessava desde antes do surgimento dessas câmeras que fazem as duas coisas. Gosto do ritmo que você consegue construir na edição, da possibilidade narrativa da câmera em movimento. É uma outra maneira de lidar com o tempo.

Eu comecei trabalhando como fotojornalista e também com documentário. Mas chegou uma hora em que me senti cercada pela variedade de assuntos, a simultaneidade dos acontecimentos e a falta de conexão entre eles. E percebi que precisava voltar toda minha atenção justamente para isso; para a brecha de sentido do cotidiano, o ponto onde os objetivos escapam… aquilo que eu estava falando sobre desencaixe.

Renata Ursaia - Excursão  

O meu desejo com o trabalho é que ele possa ecoar como um antídoto contra a funcionalidade a que se resume cada vez mais a vida das pessoas. Acho que a minha contribuição é no sentido de apontar para a beleza da inutilidade.

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#portfoliodonttouch  ·  amor  ·  arte  ·  especial don't touch  ·  fotografia  ·  vídeo

#portfoliodonttouch: A fotografia sentimental de Juliana Rocha

por   /  30/10/2015  /  11:00

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Juliana Rocha trocou Fortaleza pelo Rio de Janeiro para fazer jornalismo. Ainda na faculdade, se deu conta de que palavras não seriam suficientes para contar tudo o que ela queria. Encantou-se pela fotografia. Quando decidiu fazer fotos de sua Copacabana Sentimental para o Instagram, viu o número de seguidores ultrapassar os 20.000. A série também virou livro.

Agora, ela investiga o nu e todas as suas possibilidades. Quando junta o novo tema ao antigo, cria cenas idílicas, que nos fazem imaginar histórias para seus personagens. Sua vontade é envolver gente na mágica desse negócio que é fotografar. “É como se as fotos estivessem prontas, boiando em alguma outra dimensão, esperando que alguém apareça no momento exato pra trazê-las pro nosso mundo visível. Parece papo de maluco, mas às vezes eu sinto um magnetismo numa cena e eu fotografo como se tudo tivesse muito orquestrado… Nada pode ser mais apaixonante do que isso, sentir essa dança do universo”, diz ela em entrevista ao Don’t Touch.

Na entrevista abaixo, ela conta como começou a se expressar pela fotografia, como é seu processo criativo e muito mais.

Para acompanhar o trabalho dela > www.instagram.com/rochajuliana

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Eu entendo a fotografia como um buraco negro, rs. Pra mim, a mágica na fotografia é esse poder de se descolar do espaço e do tempo, é como criar uma nova realidade, um novo universo. Aí eu acho que vou me afundando nessa vontade de mostrar/descolar esses universos escondidos, de contar histórias misteriosas, de falar sobre a existência, sobre o medo, sobre as coisas que a gente não fala. Tem uma coisa de introspecção e delicadeza, de feminino e força, não sei. Provavelmente quem vê as fotos tem um olhar muito diferente.

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Eu adoro sair com a câmera por ai e poder fotografar o que me aparecer pela frente, se eu quiser. Mas às vezes algumas ideias pipocam na minha cabecinha e eu começo a pensar esteticamente em projetos e depois vou entendendo o que aquelas ideias significam e o que eu tô querendo dizer com aquilo. Parece um processo meio trocado, mas minha imaginação tem existência própria e ela supera todas as minhas intenções teóricas. Então sei lá, eu sigo obedecendo.

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Acho que eu me apaixonei pela ideia de poder dizer alguma coisa através de um clique. Não parece – eu acho –, mas eu sou muito tímida com minhas investidas artísticas, então acho que eu embuti na fotografia uma vontade reprimida de ser escritora. Aí eu sinto que tô sempre querendo contar uma história quando eu penso numa foto, mas eu realmente não me importo que a história seja clara, quanto mais misteriosa e inacabada, melhor.

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E tem uma mágica nesse negócio de fotografar, vai envolvendo a gente. É como se as fotos estivessem prontas, boiando em alguma outra dimensão, esperando que alguém apareça no momento exato pra trazê-las pro nosso mundo visível. Parece papo de maluco, mas às vezes eu sinto um magnetismo numa cena e eu fotografo como se tudo tivesse muito orquestrado… Nada pode ser mais apaixonante do que isso, sentir essa dança do universo.

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Sou de Fortaleza e foi lá que eu vivi até os 18. Mudei pro Rio pra fazer faculdade, cursei jornalismo na UFRJ. Mas no meio disso eu entendi que escrever sobre a realidade não daria conta dos meus anseios criativos, ai comecei a fotografar… No meio disso eu conheci o RIOetc,  no Carnaval de 2010 e é onde eu trabalho desde então. Hoje sou sócia e editora. E foi lá que eu aprendi quase tudo, como ser cara de pau pra pedir foto, transformar uma cena corriqueira da cidade em algo singular, pensar em enquadramentos e associar a cidade com as pessoas na velocidade da luz.

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Mas o RIOetc também não deu conta de meus anseios criativos, e aí eu comecei a fotografar a praia onde eu corria, com o objetivo de fazer uma série engraçadinha no Insta. Assim nasceu o Copacabana Sentimental, que virou um livro no fim do ano passado. Mas nasceu também uma vontade de extrair poesia dos momentos ‘perdidos’ dos nossos dias, dos momentos em que nós mergulhamos no ambiente e formamos um quadro maior, extrapolando nossos corpos… Sabe? Nasceu uma vontade de sempre estar contando uma história, ou de pelo menos estar sugerindo uma história. Hoje eu sinto que se eu parar de fazer isso, eu vou parar de amar o que eu faço. Nesse ano eu comecei a fotografar em filme e já consegui fazer uma pequena exposição com alguns estudos de nu. Foi no Complex Esquina 111 e eu chamei de ‘Beira’. Eu tô completamente apaixonada pelo mistério e pelo processo de voltar pro analógico e pretendo ser fiel.

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Eu adoraria que minhas fotos tivessem o poder acender qualquer chaminha nas pessoas, fazê-las mergulhar um pouco em si próprias, sentir alguma coisa, evocar alguma memória… Tenho medo de entrar na categoria ‘do que é bonito’, prefiro que o significado supere a estética, ou melhor, que a estética engrandeça o significado. Quando eu tava fografando a praia de Copacabana, essa era uma missão bem difícil, e as pessoas entendiam como foto de paisagem, mas nunca foi isso. Hoje, que eu fotografo coisas estranhas e uns nus estranhos, ficou mais claro, hahaha!

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#portfoliodonttouch: Paulo Fehlauer e a fotografia guiada por sensações

por   /  24/08/2015  /  17:00

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Paulo Fehlauer fotografa guiado por sensações. Ao menos quando tenta fazer um trabalho mais autoral, dissociado do Coletivo Garapa, que integra com Leo Caobelli e Rodrigo Marcondes.

Neste post, ele mostra as fotografias que nasceram no intervalo entre um trabalho e outro. E conta também da sua formação e de seu processo.

Antes, ele conta sua minibio: “Eu cresci em Palotina, no interior do Paraná. Depois passei por Curitiba, Campinas, São Paulo, Nova York e de novo São Paulo; comecei e larguei a engenharia de computação, fui pro jornalismo, pra fotografia, pro vídeo e agora também pra literatura. Trabalhei como repórter fotográfico na Folha, saí da máquina, criei o Coletivo Garapa e a Casa da Cultura Digital, moro na Barra Funda há seis anos e hoje divido uma casa com dois amigos, dois gatos, muitos livros e uma marcenaria”.

Mais em > garapa.org + redemunho.tumblr.com

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A maior parte do meu trabalho fotográfico é criada dentro do Coletivo Garapa, que tem uma pesquisa narrativa muito forte, que tensiona as fronteiras do documentário, da representação. Já as fotos que mostro aqui nascem no meio do caminho, nos intervalos, e se elas têm um traço em comum acho que é essa vertigem, esse espaço meio indefinido, em suspensão.

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Nesse meio do caminho eu me deixo levar sem muito foco, fotografo o que me chama a atenção, às vezes por motivos nada aparentes, guiado por sensações. Aí coloco tudo no catálogo e deixo decantar, às vezes por anos. Depois vou editando séries, inventando conexões entre as imagens. É um processo bem espontâneo, que serve até como um contraponto ao foco que nós temos no trabalho na Garapa.

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Eu comecei a fotografar durante o curso de jornalismo, por pura curiosidade. Eu gostava mesmo de escrever, mas esse interesse pela fotografia foi crescendo na medida em que eu descobria o potencial narrativo da imagem. A fotografia me colocava em contato com pessoas e lugares, e isso fez com que eu me envolvesse cada vez mais. Depois morei dois anos em Nova York explorando esse mundo, montando um repertório de referências, conhecendo muita gente, muitos trabalhos. Quando voltei ao Brasil em 2007 meu objetivo já era o de extrapolar as fronteiras, trabalhar com vídeo, texto, foto, web… Aí começamos o Coletivo Garapa, e desde então vivemos um processo intenso de pesquisa e criação. O curioso é que, hoje, depois de tanto tempo lidando com a imagem, eu começo a me voltar de novo para o texto, num projeto pessoal que vai resultar num romance. E aí é a fotografia que passa a influenciar a literatura.

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Eu penso que a expressão é uma forma de lidar com o tempo, com o absurdo e a repetição da vida cotidiana. É uma forma de deixar traços, não esquecer nem ser esquecido, de tomar conta da vida enquanto ela escapa por entre os dedos. E eu acho que isso só se dá a partir do encontro, que pode acontecer de muitas formas, entre elas por meio da expressão, da arte, da fotografia. Acho que é isso que eu espero, que as imagens ressoem de alguma forma, porque só assim o círculo se completa.

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O mundo dos sonhos de Cassiana Der Haroutiounian

#portfoliodonttouch: A noite sem filtros de Luara Calvi Anic

por   /  03/08/2015  /  19:00

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Antes do Instagram, existia o Flickr. Uma comunidade de apaixonados por fotografia, com dinâmica e estética próprias. Lugar perfeito para você se perder clicando de foto em foto e descobrindo mundos tão diferentes do seu. Em uma madrugada no Gtalk com o Claudio Silvano, o Flickr serviu de inspiração para mostrarmos pra mais gente porque aquele apanhado de “foto errada” nos parecia tão interessante. Surgia então o Oh Oh, zine filho único de pais separados, cujas fotos me pareciam tão lindas em 2010 quanto hoje > donttouchmymoleskine.com/oh-oh-zine.

Ver as fotos da Luara Calvi Anic me lembrou dessa época em que eu não largava o Flickr por nada. Ao mostrar sua casa, seus amigos e, principalmente, a noite paulistana com música boa de verdade – tocada pelos DJs da Selvagem (aqui tem uma mixtape deles feita especialmente pro Don’t Touch!), ela cria um mundo de desbunde e de ressaca, de tédio e fantasia.

Luara tem 32 anos, é jornalista, trabalha na revista Claudia, onde edita cultura e comportamento, e já passou por Trip, Tpm e Lola. Também toca a editora independente picnic anic. Na entrevista a seguir, ela conta sobre sua fotografia, 100% analógica.

Mais em > www.instagram.com/luaracalvianic + www.flickr.com/photos/luaracalvianic + www.facebook.com/picnicanicdog

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A primeira coisa que elas têm em comum é o fato de serem feitas com filme, o que traz uma tonalidade particular. Uso filme não por nostalgia, mas porque tenho a mesma câmera desde os 18 anos e gosto do quanto eu conheço seu funcionamento. Já tentei fotografar com digital, e certamente vou fazer isso de novo, mas essa possibilidade de clicar a mesma imagem 350 vezes, ou mais, me dá traz um certo desinteresse de editar e organizar aquele HD lotado. Com o filme tiro duas fotos da mesma imagem para garantir, quando chego nas 36 poses mando revelar, fico ansiosa com o resultado, e é uma sensação ótima quando vejo o que saiu.

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As fotos também têm em comum o fato de trazerem uma parte do meu cotidiano. Tem a festa Selvagem, que fotografo desde o começo (2011), meus amigos, tem algumas viagens, a minha casa.

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Conforme vou fotografando percebo que as fotos se agrupam de alguma forma. Aí vou criando categorias particulares na minha cabeça. Deve vir do jornalismo essa mania de agrupar as coisas para dar algum sentido à elas. Depois, transformo esses grupos em fotolivros que publico pela picnic anic, minha mini editora de mim mesma. Por exemplo, um deles tem apenas fotos da Selvagem, um outro chama Blue Velvet, que são fotos com uma tonalidade azulada. Agora estou preparando um com fotos que fiz na Croácia, de onde vieram parte dos meus antepassados.

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Eu comecei a fotografar quando comprei essa minha câmera. Na época, 2002, eu trabalhava na loja de artes da Livraria Cultura. Dava bastante tempo de olhar os livros, conversar com os clientes. Lá, eu tive contato com a maioria dos fotógrafos que gosto até hoje. Demorou para eu pegar a técnica, saiam aquelas fotos completamente desfocadas que no começo eu até achava legal mas depois começou a me incomodar a falta de domínio, não as fotos sem foco. Dessas eu continuei gostando. As coisas ficaram mais claras quando eu grudei em amigos fotógrafos para aprender um pouco de técnica.

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Como sou também jornalista, e diariamente preciso ter clareza para comunicar, com as fotos é o oposto: não pretendo comunicar nada específico. O que faço não é fotojornalismo. Então acho divertido quando quem vê fica intrigado. Por exemplo, essa foto do braço em uma cama é um homem ou uma mulher? Essa pessoa está no hospital? Sei lá, no jornalismo eu pesquiso, pergunto, tento entender e explicar da maneira mais clara possível. Na fotografia, não preciso explicar nada.

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#portfoliodonttouch: Corpo em deslocamento na fotografia de Patrícia Araújo

por   /  27/07/2015  /  19:00

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Patrícia Araújo busca desvendar o universo da intimidade. A fotógrafa cearense, radicada em São Paulo desde 2009, dedica-se a pesquisas em arte contemporânea e “investiga as relações do corpo diante de situações de borda (situações de fronteira) em contextos de viagens e deslocamentos”.

A série Patagônia, destaque deste post, mostra bem isso ao inserir pedaços de um corpo, ou de vários, em meio a cenas em que a natureza surge pronta para ser contemplada. Quais histórias emergem desse encontro?

Em entrevista para o Don’t Touch, a fotógrafa fala sobre a sua trajetória e o seu encantamento pela fotografia.

Mais em > patriciaaraujo.net + situacaodeborda.tumblr.com + edicoesaderiva.org

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Há algum tempo a fotografia vem tomando outro rumo no meu trabalho. Me dedico a pesquisas em arte contemporânea e cada vez mais venho trabalhando com outros suportes: vídeo, desenho, cartaz, performance, texto. A fotografia caminha lado a lado à essa produção como companheira do dia adia, registrando meu mundo afetivo, quase como um diário. Geralmente depois de alguns processos intensos de produção para algum trabalho eu também paro para olhar as fotos que foram feitas naquele período. Edito, entendo a história que desejo contar e transformo esses registros em pequenas publicações que costumo chamar de livros-diário.

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Comecei a fotografar “de cara” na redação de um jornal em Fortaleza. Passei 3 anos lá atuando como fotojornalista. Transitava da editoria de polícia a cultura e essa experiência foi muito importante para o meu amadurecimento como pessoa dentro desse mundo louco. Mudei para São Paulo em 2009 e aqui passei 2 anos na Folha de S. Paulo (na revista da Folha). Foi quando comecei a me dedicar quase 100% a retratos – que amo fazer!

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No mesmo período entrei no mestrado em artes visuais na ECA e resolvi me dedicar mais a pesquisa que estava fazendo. Hoje desenvolvo projetos em arte contemporânea em que investigo as relações do corpo diante de situações de borda (situações de fronteira) em contextos de viagens e deslocamentos. Desde 2010 me afastei um pouco do fotojornalismo “hard”, mas continuei e continuo atuando como freelancer na área de fotografia e vídeo. Hoje toco a Aterro Filmes, uma produtora de vídeo e foto, em parceria com o videomaker Raphael Villar. Também lancei este ano em parceria com o artista Haroldo Saboia a Edições à Deriva, uma editora de publicações independente.

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[Sobre a série Patagônia] Esse trabalho é um conjunto de fotografias trocadas por dois amantes apaixonados. Como cartas, eles trocavam fotografias em viagens e se fotografavam quando juntos. O livro é de autoria mista com fotografias minhas e outras apropriadas. Conta a história de um lugar que nunca existiu, do encontro de dois corpos em segredo e sussurros.

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[Sobre o que espera de resposta para suas fotos] Respostas, reações – sejam elas de que natureza for. A ausência de reação, a impossibilidade de troca ou embate é que me frustra. 



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