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Maria Beraldo: “A música só pode me salvar e não me afundar”

por   /  05/04/2018  /  9:00

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Existe algo de hipnotizante quando Maria Beraldo encara a câmera e começa a cantar. Tem força e mistério, como em “Cavala”. E também tem suavidade, uma aproximação de quem liga o computador, pega o violão e se diverte com aquilo que sabe fazer desde criança.

Cantora, compositora, clarinetista e claronista, Maria se prepara para iniciar a carreira solo, aos 29 anos. Vai até domingo (08/04), aliás, a campanha de financiamento de seu disco no Catarse (apoiem!).

Ela faz parte da banda de Arrigo Barnabé em “Claras e Crocodilos” e da Quartabê. Já gravou Moacir Santos, este ano lança um disco a partir da obra de Dorival Caymmi, além de assinar os arranjos de sopros de algumas faixas do novo CD de Elza Soares. Também vai lançar o primeiro álbum do trio Bolerinho.

Na entrevista abaixo falamos de música e de ser mulher, tópicos do nosso maior interesse.

Mais: @mariaberaldobastos_ + facebook.com/beraldomaria

– O que a música representa na tua vida?

Poxa, essa pergunta é coisa muito séria. Tão séria que eu acredito que vou levar a vida descobrindo e transformando uma possível resposta, mas tenho nesse momento uma sensação com relação a ela, que não é exatamente uma resposta.

No processo de produção do meu disco solo – que começou há alguns meses como produção, e como composição há uns 4 anos – eu percebi mais objetivamente a função emocional da música na minha vida. Tem uma coisa física de preenchimento emocional. De cuidar das minhas carências e preencher buracos de uma maneira muito objetiva. Sou muito passional e algumas pessoas são donas do meu humor, ou minha relação com essas pessoas. Descobri nesse processo como minha relação com a música também opera nesse âmbito. Conduz processos emocionais profundos e rasos, pode me salvar e me afundar. E me dar extremo e muito prazer.

Mas isso é uma divagação e pode parecer blablabla. Mas, ora, se não fosse isso eu não dedicaria minha vida a fazê-la – fazer-me.

A música é a maneira que eu tenho de dizer. É como aprendi a me expressar. É uma ferramenta de transformação pessoal muito potente e uma via de condução.

Faço música desde os 6 anos de idade tocando instrumentos e desde a barriga ouvindo e cantando. E vejo na música que faço em cada período da minha vida quem eu era naquele momento. Talvez a via mais transparente de mim.

Nesse sentido acredito que ela só possa me salvar e não me afundar.

Venho estreitando minha relação com ela e comigo.

E isso tudo porque aprendi os afetos em conexão com a música.

Meus pais são músicos, minha irmã também, e mais dois irmãos, todos esses músicos profissionais. Então pra mim muita coisa foi aprendida com essa via, esse meio de comunicação com as outras – que não exclui os homens – e comigo.

Me toca a música dos outros – quando me toca.

Me comunico profundamente através dessa coisa que ela é.

– Ser mulher na música significa….

Adoraria responder que ser mulher na música significa ser uma pessoa na música. Ou que ser mulher na música significa ser mulher na música, mas não chegamos nesse ponto ainda.

Ser mulher na música é uma luta. Me encontro cada vez mais como mulher – a mulher que eu quero ser a cada instante, não a que está descrita nas bulas – e cada vez mais como uma pessoa que se coloca como indivíduo na música – e isso me leva de volta ao coletivo automaticamente.

Acredito que toda mulher que busca sua autonomia na música é uma mulher de luta, e cada uma encontra sua maneira. Eu encontrei uma agressividade muito grande que é minha, combinada com uma doçura, e assim digo o que tenho pra dizer, busco o que tenho pra buscar. Tenho muitos sofrimentos como mulher no meu corpo, e meu corpo é feito de muitas mulheres que sofreram por suas vidas inteiras, e esse sofrimento talvez, de maneira exponencial, é pensando cronologicamente nas gerações de frente para trás. Sinto essa vibração em mim – parece que minha matéria encontra sua potência quando se dispõe a tal conexão com essas pessoas, as do presente que são feitas de muitas outras pelas linhas múltiplas dos tempos. Nada místico, nada premeditado, só foi acontecendo. Fui encontrando minha identidade em uma agressividade que eu não conhecia e que me leva a transformações. A doçura igual, mas ela eu já a conhecia e me cansei um pouco, mas permanece.

Me sinto muito acolhida pelas mulheres. Virei mulher na música num momento de glória – estamos finalmente mais atentas, mais juntas.

As dificuldades, os absurdos, os assassinatos, permanecem, mas sinto que estejamos criando ferramentas para irmos nos levantando. Juntas.

– No que você tá trabalhando agora?

Agora estou mergulhada no meu primeiro disco, “Cavala”. Estou terminando a produção dele junto com o Tó Brandileone, começando a mixar com o Ricardo Mosca e produzindo o clipe do single que antecederá o álbum.

Estou trabalhando muito no meu projeto de financiamento coletivo para este disco, na plataforma do Catarse: catarse.me/mariaberaldo

Estou ensaiando com a Quartabê – banda que tenho com Mariá Portugal, Joana Queiroz e Chicão – o nosso terceiro disco, desta vez a partir da obra de Dorival Caymmi, com apoio da Natura Musical.

Estou em fase de pré-lançamento do álbum do “Bolerinho”, meu trio com Luísa Toller e Marina Beraldo Bastos (sim, minha irmã). O disco já está pronto.
Fora isso existe o trabalho com Arrigo Barnabé para o qual vivo na espreita e o qual muito me nutre.

E para além tenho gravado discos de amigos como Rodrigo Campos, Marcelo Cabral, Rômulo Fróes, Manu Maltez e tenho ido ver meus amigos tocando, o que não é um trabalho mas participa dele.

– “Cavala” fala do encontro de duas mulheres. No mundo da música por muito tempo as grandes cantoras não falavam abertamente sobre sua sexualidade, e hoje a gente começa a ver uma mudança. Te dá vontade de falar sobre o assunto? Como é ser lésbica ou sapatão nesse universo?

Ser lésbica exige um posicionamento político. Ou você se omite ou você enfrenta a realidade e rompe muitos padrões sociais e sofre preconceitos.

Eu por muito tempo me reprimi muito, por conta de muitos fatores na minha criação, e também graças a essa mesma criação eu tive forças pra perceber e lutar contra essa repressão.

Encontrei muita força nessa luta – de enfrentar o que for preciso pra poder simplesmente ser, o que jamais poderia ser simples.

A música é um canal muito forte pra mim e encontrei na composição e nesse meu trabalho solo uma via de transformação e de libertação totalmente relacionada à minha sexualidade. Então meu trabalho solo fala disso, tem essa força política ligada ao fato de eu ser lésbica e dos sofrimentos que tive e tenho por isso.

Estão nesse trabalho também os prazeres e orgulhos que tenho e fui encontrando cada vez mais através dele.

Preciso afirmar minha sexualidade porque se eu não afirmo sou engolida pela heteronormatividade e isso me fez muito mal por muito tempo, então sai de dentro de mim em forma de grito.

Me sinto muito bem recebida desse jeito.

Sinto que ajudo muitas mulheres lésbicas com minhas músicas. As pessoas precisam de espelhos, de referências, precisamos saber que não estamos sozinhas porque somos seres de sociedade. Eu cresci sem referência de mulheres lésbicas que eu admirasse e que fossem assumidas. Cresci vendo essas mulheres – que eu admirava e que eram referência pra mim, por exemplo, professoras – omitindo o fato de serem casadas com outras mulheres, ou mesmo sua sexualidade independente de casamento. E isso pra mim sempre foi sofrido. Hoje recebo muitas mensagens nas redes sociais de pessoas que dizem que minha música as ajudou a sair do armário, pessoas totalmente identificadas com minhas músicas, acho que ela tem essa função de espelho, e dá força.

Isso consome muita energia. Para além dos haters que começam a aparecer, e dos amigos que manifestam em forma de preocupações cuidadosas visões que agridem totalmente minha natureza e o posicionamento político que preciso ter para sobreviver nessa sociedade homofóbica (sem perceberem que estão fazendo isso, é claro, mas consumindo muita da minha energia de luta), lido todos os dias com minhas dificuldades pessoais, com a minha remanescente homofobia que às vezes aparece, e me expor tem um custo muito alto, mas não tenho dúvidas de que vale muito à pena.

mb

– Me indica uma música que você ama desde sempre? E uma que você tá apaixonada recentemente?

Amo desde sempre “Três Estrelinhas” (Anacleto de Medeiros):

To apaixonada por “Consideration” (Rihanna e SZA):

Mais entrevistas com cantoras brasileiras:

O artivismo fundamental da Aíla

O climão de Letrux no melhor disco do ano

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#asmúsicasdeamor: Guilherme Gatis

por   /  02/04/2018  /  14:14

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Na mesma linha da playlist #asmúsicasdeamor: Sininho, essa outra vem com a alegria de uma amizade de muitos anos. Gui e Mateus gravavam pra mim fitas K7 com músicas de bandas que eu nunca tinha ouvido: Sonic Youth, Pavement, Weezer. Meu mundo adolescente mudou tanto depois disso! A gente fazia festas pra ninguém, ia na Non Stop, falava de tudo o tempo todo, compartilhava pipoca Karintó e salgadinho Torcida no recreio, jogava RPG e fazia aula de teatro. Nos achávamos diferentes dos outros, daquele jeito meio blasé de quem ainda sabe pouco da vida mas anda cheio de si. De algum jeito a gente já comemorava o fato de ter se encontrado.

Ele explica o que o fez escolher essas músicas. “Sempre fui daqueles que tinha essa visão estreita de que só se ama de um jeito, que o ‘tempo de amor’ já tinha passado, que já tinha atingido minhas cotas e que, daqueles arrebatamentos amorosos superintensos e melodramáticos da adolescência tardia, só restavam uma vaga lembrança que eu tentava encaixar sem sucesso em novas histórias. Mas, ainda bem, quando menos esperava ela veio, abriu a janela e a cortina sem dó, inundou tudo de luz, tirou o mofo e me apresentou um amor solar, desses bem novos, que vem desconstruindo e me levando pra caminhos totalmente diferentes, uma aventura que antes sequer me permitia participar. Daí quando chegou teu convite de pensar músicas de amor tudo o que quis foi transmitir, nas escolhas, esse verão do amor com reggaes, clichês de Pepeu e Alceu, Caetano dizendo que sim, quero um baby seu, com o prato de flores da Nação Zumbi ou com as meninas do Warpaint que tão bem cantaram sobre isso de enxergar noutra pessoa essa constante empolgação de uma música massa que a gente acabou de conhecer.”

Guilherme é pai de Vicente, jornalista, DJ e dono do Músicas de Sexta, em que, toda sexta, ele cria playlists temáticas.

#asmúsicasdeamor + #trilhadonttouch

Mais:

#asmúsicasdeamor: Ju Morganti

#asmúsicasdeamor: Juliana Alves

#asmúsicasdeamor: Sininho

#asmúsicasdeamor: Henrique Neto

#asmúsicasdeamor: Márcia Castro

#asmúsicasdeamor: Pérola Braz

#asmúsicasdeamor: Mariana Neri

#asmúsicasdeamor: Laís Sampaio

#asmúsicasdeamor: Laure Briard

#asmúsicasdeamor: Ivana Arruda Leite

#asmúsicasdeamor: Lulina

#asmúsicasdeamor: Miá Mello

#asmúsicasdeamor: Alexandre Matias

#asmúsicasdeamor: Diego de Godoy

O artivismo fundamental de Aíla

por   /  29/03/2018  /  15:15

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Escute “Lesbigay” e prepare-se: a música vai grudar na sua cabeça e vai te fazer querer ouvir muito mais do que Aíla tem para cantar. Ao vê-la ao vivo, a potência impressiona. Ela enche o palco inteiro,  e aí você entende que música boa te faz dançar enquanto fala de algumas das questões fundamentais desse mundo doido em que a gente vive.

Conversei com a cantora paraense em uma extensa entrevista, daquelas que dá vontade de trocar os emails por uma conversa ao vivo, sabe? Espero que gostem!

Mais Aíla: @ailamusic + YouTube + site oficial

As fotos são de Julia Rodrigues.

– Ouvindo seu disco lembrei daquela frase “Se não posso bailar, não é a minha revolução”. Você fez um álbum político do começo ao fim. Conta um pouco sobre ele, sobre como assuntos tão diversos como desmatamento a LGBTfobia te interessam?

De um tempo pra cá, eu senti que precisava falar do hoje, das coisas urgentes que nos cercam, que precisam ser ditas. Eu queria uma poesia mais política. Desde que comecei a idealizar esse novo trabalho, um pensamento que me movia muito era a possibilidade de fazer as pessoas dançarem muito, cantarem alto e refletirem ao mesmo tempo. Sempre imaginei aproximar canções pops, dançantes, desse discurso mais ‘artivista’. Com esse desejo, temas como feminismo, assédio, racismo, homofobia, ocupações, intolerância e resistência ganharam o centro do debate.

Arte é revolução. O maior sentido de fazer arte hoje, pra mim, é transformar o agora, é mover, fazer refletir, cutucar, contra-atacar. Somos responsáveis pela construção de espaços de debates, de diálogos. Apesar de vivermos em um mundo controlado pelo medo, pelo capital, pela repressão, nossa arte precisa ser um sopro de resistência e liberdade. Esse disco é um grito contra a intolerância, o preconceito, o ódio, o aprisionamento, a exclusão.

– Você cresceu na periferia de Belém. O que isso te deu de bagagem?

Acho que a minha origem, a Terra Firme, que é também um dos bairros mais populosos de Belém, tem total relação com as minhas inquietudes, as minhas lutas, as minhas ideologias, as minhas buscas… Tenho muito orgulho de ter vindo da “TF”, e mais feliz ainda de poder estimular outros artistas da periferia a apostarem nos seus sonhos e acreditarem que a arte pode sim fazer revolução.

Foto 2 Julia Rodrigues

– O que te formou musicalmente? O que te inspira a compor?

Desde sempre, fui estimulada a ouvir todo tipo de música, de todos os cantos. Ainda no Pará, pelos LPs e fitacassetes da minha mãe, Mutantes, Tropicália e Jovem Guarda a todo vapor. Pelas frequências das rádios, chegavam os sons quentes da América Central que se misturavam às referências locais, cumbia, calypso, lambada. Pelos carros-som e festas de aparelhagem, em altíssimo volume, ecoava o brega, o tecnobrega, que é o beat da periferia. Na adolescência, ouvi demais música brasileira e de artistas transgressores também: Elis, Cazuza, Cássia, Marina, Arnaldo. Minha formação musical tem muita relação com esse mix de referências, essa multiplicidade… Nos últimos anos, em busca de inspirações pro novo trabalho, conheci muita coisa nova, imergi na obra de uma banda brasileira de pós-punk da década de 80, chamada As Mercenárias, uma banda só de mulheres, com letras diretas, pops, curtas, e políticas, que muito me influenciou a começar a compor. A música “Rápido”, desse meu novo disco, flerta bastante com essa influência. Adentrei em universos de artistas brasileiros que muito me inspiram hoje, como o pernambucano Siba, a multiartista Karina Buhr, o grande Chico César e o próprio Lucas Santtana, que produziu esse meu disco mais recente. Sou fã de artistas que são agitadores políticos também. Um artista posicionado politicamente, nos tempos de hoje, é necessário, urgente, e faz todo sentido pra mim.

– Voltei de Belém ano passado encantando com o tanto de música maravilhosa que ouvi. Como ser de lá influencia a tua música? Quem são os artistas que te formaram, com quem você já trabalhou, com quem deseja trabalhar, o que a música paraense representa pro Brasil?

Belém é incrível mesmo, e é intensa musicalmente. Meu primeiro disco, o “Trelêlê” (2012), reflete muito o início da minha carreira, os tradicionais festivais de canção que eu participei pelo Pará, o convívio com compositores da região norte e todas as influências que me cercavam: carimbó, lambada, brega, guitarrada… A intenção era a de misturar a tradição popular musical do Pará com uma sonoridade mais moderna, muitos discos seguiram esse caminho na época. Naquele momento, tava rolando o “boom tropical” que o Pará viveu e exportou para o resto do Brasil (e exporta até hoje). Aí conheci pessoas queridas, parceiras pra vida toda, como Dona Onete. Fui a primeira cantora a gravar uma música dela, e tenho maior orgulho disso. Meu primeiro videoclipe, lançado em 2013, foi o primeiro videoclipe dela também, “Proposta Indecente”, música que reverberou demais. Em 2015, quando me mudei pra São Paulo, a intenção era de criar novas conexões e fazer circular mais o meu trabalho. Aí novas referências chegaram, novos caminhos. Então veio a vontade de compor sobre o agora… O meu lado ativista e inquieto acabou roubando a cena e fiz o disco “Em Cada Verso Um Contra-Ataque”. Sinto que me encontrei totalmente nesse trabalho, me conectei comigo de vez. Tem o Pará ali ainda, um outro Pará, que faz dançar, mas cutuca, que tem lambada, mas tem punk também. Um Pará que o Brasil precisa conhecer mais.

Nesse processo todo, já me conectei e trabalhei com muitos conterrâneos, como Banda Strobo, Gaby Amarantos, Felipe e Manoel Cordeiro, Mestre Solano, e tenho buscado me aproximar cada vez mais dos artistas da periferia, onde encontro fortes afinidades, como o rapper Pelé do Manifesto, que pouca gente conhece e tem muito a dizer.

São Paulo, SP, BRASIL 26.05.2016 : Aíla. (Foto: Julia Rodrigues)

– O que ser cantora, compositora, artista, melhor te ensinou e ensina sobre a vida? E quais foram as maiores dificuldades no caminho?


Ser mulher em um país culturalmente machista, em qualquer meio, já trás um peso e uma dificuldade maior pra se alcançar qualquer objetivo, e na música não é diferente. A figura da cantora sempre carregou o estereótipo de “musa”, “diva”, intocável, que só tem que ser “bonita”, cantar “afinada” e ponto. Então pra mim a quebra de padrões já começou daí, fui percebendo que precisava me colocar de outra maneira. Nesse segundo disco, por exemplo, comecei a buscar parceiras mulheres pra compor junto, além de ter também começado a compor as minhas próprias músicas. Em termos visuais, comecei a investir em figurinos mais conceituais, artísticos, esquisitos para alguns, mas que na verdade fogem da imagem “cantora-mulher-sexy”. Eu posso cantar, compor, ser performer, produzir discos, tocar, sei lá, qualquer coisa… Mas as pessoas sempre irão reduzir a minha função somente a “cantora”, isso mostra que não importa a multiplicidade de coisas que uma mulher pode ser, ela sempre será enquadrada na categoria mais aceita pra sociedade machista. Mas sinto que isso tá mudando, e isso tem total relação com a luta feminista, com as nossas mudanças de posturas. Eu, diariamente, luto pelo contrário, seja no palco, ou fora dele, de forma individual ou coletiva, como a ideia de criar o Festival MANA > Mulher, Arte, Narrativas, Ativismo < que aconteceu no ano passado em Belém, um festival de arte e feminismo, idealizado por mim e pela Roberta Carvalho, que é artista visual e minha mulher, e que nasceu com o intuito de debatermos o protagonismo das mulheres nas artes. É isso, precisamos agir pra passar por cima das dificuldades.

– Agora pausa pra uma pergunta de RH: como você se vê daqui a cinco anos? E daqui a 20? O que você quer fazer que ainda não fez?

Ah, não sei muito o que será de mim (pausa dramática, risos)… Mas acho que estarei sempre cheia de inquietudes, lutando por alguma coisa, cheia de vontade de mudar as coisas pra melhor, e isso irá me mover, com certeza. Sendo mais objetiva agora (meu lado escorpiana), daqui há 5 anos, me vejo com mais 2 discos lançados, uns 20 clipes pela internet, 2 turnês internacionais, uma pela América Latina e outra não sei por onde ainda, e já na minha casa própria. Daqui a 20 anos? Uau, difícil imaginar, mas se eu estiver viva (quero estar!), estarei com 50 anos, e já quero ter aumentado a família, meu amor do lado forever, uns 3 filhos, adotados também, uma fazenda orgânica, com toda nossa alimentação diária vinda de lá, minha mãe do ladinho, cheia de saúde. Uma vida de música a todo vapor. Muitas composições novas, parcerias inéditas. E, através da minha arte, fazendo ARTivismo!

– Ser artista no Brasil hoje é…

Resistência pura, mas é necessário seguir.

#asmúsicasdeamor: Juliana Alves

por   /  13/03/2018  /  10:10

'Two towels' by Alec Sloth copy

Na #ainternetqueagentequer, a gente conhece pessoas porque elas têm blogs e colocam nele um pouco daquilo que mais gostam: um quadro, uma foto, um punhado de música, um look, uma frase. A Ju Alves fazia isso com o Azar o seu, querida, e foi por ali que eu a conheci um pouco. Depois, em uma festinha ou outra, em um happy hour tomando drinks. Sabe aquelas pessoas que, sempre que você vê, acaba pensando “por que a gente não é mais amiga?”. Pois é. A Ju é assim. Luminosa e cheia de bom gosto, good vibe que irradia por onde passa.

“Assim que tu me pediu a playlist eu pensei que não queria que ela contasse uma história só, mas várias, e que não falasse só de amor romântico, mas de amor fraterno, amor de amigo, amor de pai pra filho, etc. Só que a medida que eu ia ouvindo e escolhendo as músicas elas é que foram me levando por um passeio nostálgico pela minha vida amorosa, sabe? E no fim foi esse passeio que foi ‘escolhendo’ e montando a playlist. Naturalmente boa parte dela é trilha sonora do meu relacionamento atual (afinal já são sete anos de músicas de amor!), mas também tem umas lembranças no meio, de histórias de amor que foram construindo o caminho até aqui. porque acho que é isso, né? ‘First love, last love/ only love, it’s only love’ e ‘é sempre amor, mesmo que mude’ etc.”

A foto é do Alec Soth.

#asmúsicasdeamor: Sininho

por   /  10/01/2018  /  10:10

sino

Ter amizades de quase 20 anos é um presente. Além de toda a coisa de acompanhar a vida, estar junto em tantos momentos, dos triviais aos que são a base de quem a gente é, se essa amizade é muito pautada em música aí é que a coisa fica ainda mais legal. Sino é minha amiga desde que tinha 11 anos. Agora ela acabou de fazer 30. É tanta vida juntas que nem sei.

Pedi, e ela fez uma playlist tão maravilhosa! A seleção tem tantas das músicas da minha vida que chega me emociono.

Ela conta das escolhas: “Música pra mim é algo religioso que possui poder mágico de mudar as pessoas e as coisas. Eu ouvi todas essas canções no repeat. Elas me ajudaram a entender e a construir a ideia que tenho sobre o que é o amor. Da glória à desgraça. Da plenitude ao desespero. Algumas são recentes, outras roubei do meu pai, de uma tia que amava Sarita Montiel, de um filme que vi, da minha mulher, de um esbarrão no meio da rua, das tardes no meio dos discos da fonoteca do CPM. Achei e roubei muita música nessa vida e as tornei minhas. Fazer essa seleção foi um passeio nessas histórias que vi, vivi e imaginei.”

Sino é Sininho, ou Raquel Ferraz. Trabalha com inovação. E ainda vai chegar o dia em que ela vai fazer produção musical. Paixão por música e ouvido afiado ela tem de sobra.

A foto é da @floramac.

#asmúsicasdeamor + #trilhadonttouch

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