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Trilha: Sapatão

por   /  29/08/2018  /  9:09

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Aproveitando o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, fiz uma playlist chamada Sapatão. É bom falar sapatão, né? Que seja uma cada vez mais uma palavra como outra qualquer, e não um xingamento.
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A foto linda é de @camillacattabriga.

Ouçam no @spotifybrasil.
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#trilhadonttouch #visibilidadelésbica

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A potência das fotografias de Helen Salomão

por   /  25/07/2018  /  7:30

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Muito impactada pelo trabalho da Helen Salomão, puxei uma conversa pra conhecê-la mais.

Acompanhem esta mulher! > @helesalomao

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Sempre fui apaixonada por arte, mas as pessoas diziam que a arte não era para mim, e eu levei essa afirmação muito a sério. Só decidi que iria me dedicar a ela quando me decepcionei com a profissão que eu almejava. Meu sonho era ser advogada, até eu entrar para estagiar como Jovem Aprendiz no fórum da minha cidade e perceber que naquele momento eu seria infeliz se escolhesse essa profissão. E então decidi me dedicar à arte.

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Comecei a estudar para passa na faculdade pública para cursar design. Nesse meio tempo já tinha comprado uma máquina semiprofissional e estudava sozinha fotografia. Comprei a máquina sem pretensões, só queria me aproximar da arte. Sem conseguir passa em design, entrei num curso de arte e tecnologia. Foi nesse curso que me tornei artista e me dediquei inteiramente à fotografia. E descobri que ela seria minha aliada para mostrar e discutir minhas ideologias, para ser uma artivista e poder ser o meio para que outras pessoas pudessem se mostrar e contar suas histórias.

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Minha fotografia é muito sentimento, é o momento que passo, junto com o espaço ou pessoa que compõe a foto. Minhas referências: a rua, as pessoas, a minha família.

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Abordo aquilo que está no meu cotidiano e a minha vida. Acredito que é importante retratar para além de um tema, sempre penso em mostrar o que me toca, o que pode ajudar o outro, a autoestima, a felicidade, o poder e por aí vai.

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Do Projeto Fotopoético Casa Corpo Pele Parede, que conta vivências de mulheres, focando nas experiências do seu corpo, marcadas na pele.

Débora Ester, 22 .
“Minha pele tem tendência a manchar por qualquer eventualidade. Seja uma espinha, cravo ou ferimento. Futucada ou não, ela sempre marca. Eu não tinha estrias, porém, durante a gravidez, elas começaram a aparecer. A pele em volta da barriga esticou bastante, além de aparecer aquela famosa listra negra fazendo divisão. Quando minha bebê nasceu, a barriga diminuiu, ficando bem flácida, mole e escura. Aos poucos, ela está voltando para o lugar e clareando. Ainda tenho vergonha de algumas manchas e, agora, das estrias, mas estou trabalhando minha autoestima para lidar e me aceitar. Faz 40 dias que minha Maria nasceu e o corpo está normalizando bem, a barriga murchou bastante e as estrias estão sumindo. Com tudo que aconteceu, amo demais meu corpo e amo ser eu, amo residir no corpo em que estou e aprender com as mudanças que acontecem nele.”

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[O que faz o seu trabalho reverberar?] É a minha verdade junto ao que retrato.

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[Ser mulher no meio da fotografia] É perceber que alguns homens ainda continuam falando e mostrando nossas particularidades sem nenhum cuidado, vendo os homens ainda fazendo mais jobs que nós e sentindo na pele o desrespeito por simplesmente ser mulher.

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Dona Maria.
Você é boa.
Você é bonita.
Você é importante.
Você é inteligente.
#historiasquenaoestavamnoslivros

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“Estamos aqui pra evoluir e rever nossos privilégios”, diz a fotógrafa Naiara Jinkss

por   /  17/04/2018  /  15:15

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A fotografia de Naiara Jinkss tem aquela força de quem conhece completamente o que registra. São cenas e olhares que a gente vê e tem a sensação de quase estar ali junto, tamanha a imersão dela no assunto. Ela fotografa a Belém onde nasceu, o mercado Ver o Peso em que seus avós se conheceram, a realidade de quem muitas vezes é excluído. Aos 27 anos, ela já é gigante, na fotografia e na percepção de mundo. “Acredito que a arte transforma vidas e que todos estamos aqui pra evoluir e rever nossos privilégios”, ela diz em entrevista ao Don’t Touch, que vocês leem logo abaixo.

Conheçam, sigam e prestigiem o trabalho dessa mulher: @nayjinkss

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O que é objeto da tua fotografia?

Busco fazer recortes do que é muitas vezes rejeitado. Quando a gente cria estereótipos a gente acaba segregando grupos, e aquela comunidade, lugar e/ou pessoa que é rejeitada, estereotipada, acaba sendo excluída. Quando fotógrafo busco estreitar ou estabelecer um laço, seja afetivo, seja social entre objeto fotografado e o espectador. “Quando a gente quebra os estereótipos, a gente aproxima as pessoas.”

O que a fotografia representa na sua vida?

Meu trabalho é a extensão do meu pensamento. Me aproxima de todo tipo de pessoa e faz com que eu quebre meus preconceitos também. Acredito que a arte transforma vidas e que todos estamos aqui pra evoluir e rever nossos privilégios. Acredito que não posso reter conhecimento, e sim que preciso repassá-los… É como eu tento mudar a realidade de onde eu venho e das pessoas que eu conheço.

@nayjinknss@nayjinknss3

Quantos anos você tem?

Tenho 27, praticamente na terceira idade.

O que cursou na faculdade?

Estudei artes visuais em Belém. E, em seguida, direção cinematográfica no Rio de Janeiro.

A fotografia é teu trabalho 100% hoje?

Sim, é algo bem difícil. Poucas vezes as pessoas ao redor compreendem meu processo de criação e entendem que isso é um trabalho como qualquer outro de carteira assinada.

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Quais são seus planos como fotógrafa: o que sonha em fotografar, onde quer chegar?

Tenho tantos planos, sonho em fotografar tantos lugares. Penso em visitar outros países e conhecer novas culturas. Desejo conhecer pessoas e ouvir suas histórias. Quero poder viver do meu trabalho e poder ajudar as pessoas através dele.

Pretendo fazer um mestrado pra poder dar continuidade aos meus estudos e para dar aula o mais rápido possível, porque acredito que reter conhecimento é egoísmo e ignorância. Penso em dar aula de educação não formal para pessoas de baixa renda ou em situação de risco. Tenho uma imensa vontade de desenvolver alguns projetos educacionais dentro do sistema penitenciário do Pará, vamos ver. Vontade não me falta.

Também gosto muito de fotografar músicos, mas sempre com foco no documental. Espero em algum momento fotografar meus ídolos e quem sabe fazer uma capa, né? Custa nada sonhar…

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Conta da tua relação com o mercado Ver o peso?

Minha relação com o Ver o Peso começou antes mesmo d’eu nascer. Foi lá que meus avós se conheceram, mas só vim saber disso anos depois, fazendo meu TCC.

A primeira foto que fiz do Ver o Peso pensei: Po, isso tá legal hein?!

Me fez pensar se jornalismo era mesmo pra mim (pois era o curso que planejei a vida inteira fazer). Desde aí, fui atrás da graduação que me oferta por mais tempo a disciplina fotografia – e encontrei artes visuais. Não sei o que teria sido de mim sem minha formação de artes.

O Ver o Peso é como uma pessoa. Que me olha, me entende e me dá conselhos. Gosto de chegar de madrugada, ouvir os barcos, as vozes ao fundo. O vento frio da madrugada e o pitiú que vem do Rio.

Sempre estou pelo Ver o Peso, é meu trabalho e meu lazer… Penso que todos deveriam vir aqui um dia.

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Você fotografa muito lá, né? Por que essa escolha, quais as histórias que mais te marcaram?

Acredito que nem sempre somos nós quem escolhemos algo, às vezes nos escolhem. Tenho tantas histórias que acho que daria um livro… Lembro quando sofri uma tentativa de assalto a mão armada. Gosto quando termino de fotografar e bebo cerveja com meus amigos de lá. Ou fumo. Já vi briga, já vi romance, já vi assalto… As situações se repetem mas mudam os protagonistas.

Quem são suas maiores referências? Tanto de fotografia internacional quanto de gente que você acompanha hoje?

Recentemente conheci um coletivo de fotógrafas chamado Mamana, e elas produzem um trabalho que também exige delas coragem, e aquela sensação de não saber o que está por vir. Mas olha, amo fotografia e o tem muitos outros fotógrafos que me inspiram, mas minha real referência vem da música, dos raps que eu ouço, que falam dos problemas sociais e do quanto não estamos atentos às urgências que exigem nossa atenção.

Quem são os fotógrafos que você admira?

João Ripper foi um dos caras mais especiais na minha formação e ainda é. O modo no qual ele se expressa e fala do seu trabalho e da humanização que as fotos transmitem. Existe sempre um respeito muito grande entre ele e o objeto fotografado, que torna seu trabalho único e sensível.

Também adoro Nan Goldin e Nair Benedicto, são fotógrafas únicas. Sempre após de ver as fotografias produzida por elas, me pergunto como elas conseguiram fazer tal registro.

Também preciso citar o Miguel do Rio Branco, que me ensinou a fotografar não mais pessoas desconhecidas e sim amigos. Se você quer fotografar aquilo que você sonha, você precisa estar seguro do que está fazendo e do lugar que está. Uma vez me disseram o seguinte: é sempre bom conhecer alguém que conhece a malandragem, assim você nunca tá sozinho, tá sempre ligado nas coisas. E é bem isso mesmo…

Tem alguém com quem você adoraria trabalhar?

Égua, tem com certeza. Gosto muito de poder desenvolver meus projetos voltados para fotografia de rua, documental. Mas sou apaixonada por música e cinema também, tenho vontade de produzir videoclipes para artistas no quais eu me identifico.
Tem alguns músicos, como o Elza Soares, Criolo ou Mano Brown.

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No que você tá trabalhando atualmente?

Trabalho com fotografia, me sustento com os freelas que arranjo e com vendas de fotografias também.

E como é o mercado em Belém?

Aqui é muito difícil, é uma selva com poucas opções. O mercado é competitivo e machista muitas vezes. Tive que me especializar fora de Belém por não ter opções de estudo voltadas para fotografia.

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Como é ser mulher nesse meio?

Embora minha família seja grande, admiro duas pessoas em especial, que são: minha mãe e minha avó. O modo no qual fui criada fez com que o fato de ser mulher fosse só um detalhe. Pra mim sempre foi muito nítido que eu precisava ser independente e buscar não depender de ninguém, principalmente de homens. Sempre fui estimulada a meter a cara nas coisas. Minha mãe e minha avó sempre falavam e conheciam Deus e o mundo, então acho que herdei um pouco dessa simpatia.

Mas isso não me livra de sofrer alguns preconceitos, né? Geralmente vindo do próprio meio, no caso de outros fotógrafos. Tem sempre quem diminua seu trabalho, mas acredito que existe espaço para todos. A outra coisa que acontece, mas compreendo e não me incomoda são cantadas, mas converso e tudo fica okay!

Você tem vontade de viver em outros lugares também?

Claro, acho que por tudo estar sempre em constante movimento, nós também precisamos nos movimentar. Conhecer outros hábitos, novas culturas, novas pessoas. Nos dando a oportunidade de crescer e compreender a particularidade de cada indivíduo.

Acha que o eixo Rio/SP é priorizado quando se fala de foto?

Com certeza, são duas metrópoles e muita coisa é produzida por lá. Acho muito competitivo também, mas acredito que existe espaço para todos.

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Maria Beraldo: “A música só pode me salvar e não me afundar”

por   /  05/04/2018  /  9:00

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Existe algo de hipnotizante quando Maria Beraldo encara a câmera e começa a cantar. Tem força e mistério, como em “Cavala”. E também tem suavidade, uma aproximação de quem liga o computador, pega o violão e se diverte com aquilo que sabe fazer desde criança.

Cantora, compositora, clarinetista e claronista, Maria se prepara para iniciar a carreira solo, aos 29 anos. Vai até domingo (08/04), aliás, a campanha de financiamento de seu disco no Catarse (apoiem!).

Ela faz parte da banda de Arrigo Barnabé em “Claras e Crocodilos” e da Quartabê. Já gravou Moacir Santos, este ano lança um disco a partir da obra de Dorival Caymmi, além de assinar os arranjos de sopros de algumas faixas do novo CD de Elza Soares. Também vai lançar o primeiro álbum do trio Bolerinho.

Na entrevista abaixo falamos de música e de ser mulher, tópicos do nosso maior interesse.

Mais: @mariaberaldobastos_ + facebook.com/beraldomaria

– O que a música representa na tua vida?

Poxa, essa pergunta é coisa muito séria. Tão séria que eu acredito que vou levar a vida descobrindo e transformando uma possível resposta, mas tenho nesse momento uma sensação com relação a ela, que não é exatamente uma resposta.

No processo de produção do meu disco solo – que começou há alguns meses como produção, e como composição há uns 4 anos – eu percebi mais objetivamente a função emocional da música na minha vida. Tem uma coisa física de preenchimento emocional. De cuidar das minhas carências e preencher buracos de uma maneira muito objetiva. Sou muito passional e algumas pessoas são donas do meu humor, ou minha relação com essas pessoas. Descobri nesse processo como minha relação com a música também opera nesse âmbito. Conduz processos emocionais profundos e rasos, pode me salvar e me afundar. E me dar extremo e muito prazer.

Mas isso é uma divagação e pode parecer blablabla. Mas, ora, se não fosse isso eu não dedicaria minha vida a fazê-la – fazer-me.

A música é a maneira que eu tenho de dizer. É como aprendi a me expressar. É uma ferramenta de transformação pessoal muito potente e uma via de condução.

Faço música desde os 6 anos de idade tocando instrumentos e desde a barriga ouvindo e cantando. E vejo na música que faço em cada período da minha vida quem eu era naquele momento. Talvez a via mais transparente de mim.

Nesse sentido acredito que ela só possa me salvar e não me afundar.

Venho estreitando minha relação com ela e comigo.

E isso tudo porque aprendi os afetos em conexão com a música.

Meus pais são músicos, minha irmã também, e mais dois irmãos, todos esses músicos profissionais. Então pra mim muita coisa foi aprendida com essa via, esse meio de comunicação com as outras – que não exclui os homens – e comigo.

Me toca a música dos outros – quando me toca.

Me comunico profundamente através dessa coisa que ela é.

– Ser mulher na música significa….

Adoraria responder que ser mulher na música significa ser uma pessoa na música. Ou que ser mulher na música significa ser mulher na música, mas não chegamos nesse ponto ainda.

Ser mulher na música é uma luta. Me encontro cada vez mais como mulher – a mulher que eu quero ser a cada instante, não a que está descrita nas bulas – e cada vez mais como uma pessoa que se coloca como indivíduo na música – e isso me leva de volta ao coletivo automaticamente.

Acredito que toda mulher que busca sua autonomia na música é uma mulher de luta, e cada uma encontra sua maneira. Eu encontrei uma agressividade muito grande que é minha, combinada com uma doçura, e assim digo o que tenho pra dizer, busco o que tenho pra buscar. Tenho muitos sofrimentos como mulher no meu corpo, e meu corpo é feito de muitas mulheres que sofreram por suas vidas inteiras, e esse sofrimento talvez, de maneira exponencial, é pensando cronologicamente nas gerações de frente para trás. Sinto essa vibração em mim – parece que minha matéria encontra sua potência quando se dispõe a tal conexão com essas pessoas, as do presente que são feitas de muitas outras pelas linhas múltiplas dos tempos. Nada místico, nada premeditado, só foi acontecendo. Fui encontrando minha identidade em uma agressividade que eu não conhecia e que me leva a transformações. A doçura igual, mas ela eu já a conhecia e me cansei um pouco, mas permanece.

Me sinto muito acolhida pelas mulheres. Virei mulher na música num momento de glória – estamos finalmente mais atentas, mais juntas.

As dificuldades, os absurdos, os assassinatos, permanecem, mas sinto que estejamos criando ferramentas para irmos nos levantando. Juntas.

– No que você tá trabalhando agora?

Agora estou mergulhada no meu primeiro disco, “Cavala”. Estou terminando a produção dele junto com o Tó Brandileone, começando a mixar com o Ricardo Mosca e produzindo o clipe do single que antecederá o álbum.

Estou trabalhando muito no meu projeto de financiamento coletivo para este disco, na plataforma do Catarse: catarse.me/mariaberaldo

Estou ensaiando com a Quartabê – banda que tenho com Mariá Portugal, Joana Queiroz e Chicão – o nosso terceiro disco, desta vez a partir da obra de Dorival Caymmi, com apoio da Natura Musical.

Estou em fase de pré-lançamento do álbum do “Bolerinho”, meu trio com Luísa Toller e Marina Beraldo Bastos (sim, minha irmã). O disco já está pronto.
Fora isso existe o trabalho com Arrigo Barnabé para o qual vivo na espreita e o qual muito me nutre.

E para além tenho gravado discos de amigos como Rodrigo Campos, Marcelo Cabral, Rômulo Fróes, Manu Maltez e tenho ido ver meus amigos tocando, o que não é um trabalho mas participa dele.

– “Cavala” fala do encontro de duas mulheres. No mundo da música por muito tempo as grandes cantoras não falavam abertamente sobre sua sexualidade, e hoje a gente começa a ver uma mudança. Te dá vontade de falar sobre o assunto? Como é ser lésbica ou sapatão nesse universo?

Ser lésbica exige um posicionamento político. Ou você se omite ou você enfrenta a realidade e rompe muitos padrões sociais e sofre preconceitos.

Eu por muito tempo me reprimi muito, por conta de muitos fatores na minha criação, e também graças a essa mesma criação eu tive forças pra perceber e lutar contra essa repressão.

Encontrei muita força nessa luta – de enfrentar o que for preciso pra poder simplesmente ser, o que jamais poderia ser simples.

A música é um canal muito forte pra mim e encontrei na composição e nesse meu trabalho solo uma via de transformação e de libertação totalmente relacionada à minha sexualidade. Então meu trabalho solo fala disso, tem essa força política ligada ao fato de eu ser lésbica e dos sofrimentos que tive e tenho por isso.

Estão nesse trabalho também os prazeres e orgulhos que tenho e fui encontrando cada vez mais através dele.

Preciso afirmar minha sexualidade porque se eu não afirmo sou engolida pela heteronormatividade e isso me fez muito mal por muito tempo, então sai de dentro de mim em forma de grito.

Me sinto muito bem recebida desse jeito.

Sinto que ajudo muitas mulheres lésbicas com minhas músicas. As pessoas precisam de espelhos, de referências, precisamos saber que não estamos sozinhas porque somos seres de sociedade. Eu cresci sem referência de mulheres lésbicas que eu admirasse e que fossem assumidas. Cresci vendo essas mulheres – que eu admirava e que eram referência pra mim, por exemplo, professoras – omitindo o fato de serem casadas com outras mulheres, ou mesmo sua sexualidade independente de casamento. E isso pra mim sempre foi sofrido. Hoje recebo muitas mensagens nas redes sociais de pessoas que dizem que minha música as ajudou a sair do armário, pessoas totalmente identificadas com minhas músicas, acho que ela tem essa função de espelho, e dá força.

Isso consome muita energia. Para além dos haters que começam a aparecer, e dos amigos que manifestam em forma de preocupações cuidadosas visões que agridem totalmente minha natureza e o posicionamento político que preciso ter para sobreviver nessa sociedade homofóbica (sem perceberem que estão fazendo isso, é claro, mas consumindo muita da minha energia de luta), lido todos os dias com minhas dificuldades pessoais, com a minha remanescente homofobia que às vezes aparece, e me expor tem um custo muito alto, mas não tenho dúvidas de que vale muito à pena.

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– Me indica uma música que você ama desde sempre? E uma que você tá apaixonada recentemente?

Amo desde sempre “Três Estrelinhas” (Anacleto de Medeiros):

To apaixonada por “Consideration” (Rihanna e SZA):

Mais entrevistas com cantoras brasileiras:

O artivismo fundamental da Aíla

O climão de Letrux no melhor disco do ano

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Projeto I’m Tired fala do impacto das microagressões cotidianas

por   /  03/04/2018  /  10:10

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O projeto I’m Tired (@theimtiredproject) “utiliza a fotografia, o corpo humano e as palavras escritas como ferramentas para falar do impacto duradouro que microagressões cotidianas, suposições e estereótipos causam em nossas vidas”. Criado por Paula Akpan e Harriet Evans, tem como objetivo tirar camadas de discriminação para relevar pensamentos e sentimentos que geralmente não são expressados, seja por medo de reação, seja por dúvida se outras pessoas também passam por isso. Forte, né?

Mais: theimtiredproject.com

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Autoamor e natureza na fotografia de Ieve Holthausen

por   /  03/04/2018  /  9:09

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Gosto de ver como trabalhos de mulheres diferentes se conectam. Conheci o da Ieve Holthausen por meio de uma indicação da Tuane Eggers, que já apareceu por aqui (A fotografia de sonhar acordado de Tuane Eggers). Ela também falou da Chana de Moura (Fotografar foi o início de uma liberdade). As três são do Sul – e se conectam com si mesmas e com a natureza para criar imagens em que a gente quer mergulhar, fazer parte.

Conversei com a Ieve sobre seu trabalho. Espero que gostem!

Mais: @ieveholthausen + ieve.org

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Penso que é o sagrado que é o objeto da minha fotografia. Entendi que de forma mais inconsciente ou intuitiva costumo buscar em meu trabalho fotográfico fazer uma louvação à natureza (que é Deus para mim) e aos sentimentos mais elevados, como o amor. Percebo que minhas fotos falam de conexão consigo ou com a natureza, de meditação, de transcendência, da potência das viagens interiores, buscando lembrar que somos consciência. E também falam de ser mulher, de nossa força, de nossa sensibilidade, da potência da união feminina e do autoamor e da libertação dos nossos corpos de mulheres – os portais que nos trouxeram até aqui.

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Acho que não estou muito inserida no meio da fotografia, visto que não participo de editais, concursos, eventos e não tenho quase nenhum contato com outros fotógrafos (exceto duas amigas) ou qualquer coisa assim. Fico meio escondida e não percebo a muito diferença entre ser homem e ser mulher nessas circunstâncias, embora saiba que exista bastante machismo nesse meio.

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A fotografia representa a linguagem que minha alma aprendeu a usar para se expressar. Tudo aquilo que não consigo expressar por palavras, pintura, desenho ou música. É a maneira de revelar e compartilhar um pouco do meu universo interior.

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Fotografar foi o início de uma liberdade, diz Chana de Moura

por   /  14/03/2018  /  10:10

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Chana de Moura é fotógrafa, gaúcha, tem 29 anos. Faz uso da fotografia para compreender como percebe e interage com os diferentes ambientes à nossa volta. Ela faz isso por meio de várias mídias, como a fotografia em si e também colagens, desenhos, gravuras e objetos. A natureza e o universo místico são duas de suas maiores fontes de inspiração. Em um bate-papo rápido ela mostra a profundidade de suas escolhas.

Mais: chanademoura.com.br e @chanademoura

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[Minha fotografia fala de] Reintegração. Creio que hoje em dia possuo um objetivo fotográfico mais definido do que o ato de fotografar significa em minha vida. Antes, pulsava em mim uma vontade louca de sair fotografando, de inventar cenas, procurar cenários e produzir um momento fotográfico. Hoje, eu fotografo elementos bem mais pontuais. Penso antes de fazer uma foto. Busco, através das imagens, compreender como é que eu e as outras pessoas percebem e interagem com os diferentes ambientes à nossa volta.

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Anseio compreender qual o papel da natureza e da paisagem em nossas vidas e porque agimos como se não fôssemos parte do mundo natural. Fotografo para expressar uma idéia ou, como no caso dos autorretratos recentes, pelo desejo de compreender-me enquanto um ser que habita este espaço comum com diversos outros seres de distintas espécies. Quando penso nisso, sempre lembro de uma fala de Sagan, nela ele ressalta a importância de sermos humildes. Veja bem: nós, humanos, surgimos no planeta quando 99,9% da terra já estava completa praticamente do jeito que a conhecemos hoje. Isso quer dizer que surgimos num último instante cósmico, que somos uma parte muito ínfima de um todo que veio antes de nós.

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Quando fotografo, principalmente os autorretratos, os quais chamo de “Mecanismos de reinserção”, busco justamente essa reintegração. Desejo um lampejo do que seria a vida se a humanidade não tivesse se afastado tanto do poder primordial, do que conhecemos como a natureza. Não é que eu romantize a ideia de natureza, achando que esta não se trata de um império hostil, é só que na natureza parece haver uma coerência de vida, algo que acredito ser impossível de encontrar vivendo na estrutura em que nós, pessoas, vivemos hoje. Sei que esse afastamento é, afinal de contas, um processo natural, que não quer dizer que também não sejamos natureza por termos nos afastado em determinados aspectos, apenas creio que a fotografia pode ser uma maneira de percebermos o mundo no qual estamos inseridos e também de interagirmos com o mesmo. Quando tento me “reintegrar”, na verdade estou buscando quase uma utopia de experienciar a vida como se nada jamais tivesse sido rompido.

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[Ser mulher neste meio] É maravilhoso! Sou eternamente grata ao universo por ter nascido mulher, essa condição é algo que permeia muito meu pensamento criativo. Sei que há situações bem complicadas em outros meios, mas no meio da arte que conheço, não presencio muita distinção por gênero. Sei que no cinema e que em outros ramos da fotografia é mais delicada a questão de ser mulher. Claro, essa é apenas minha experiência de vida… Já ouvi de amigas que passaram por situações bem severas: muitos homens assumem compreender mais do que as mulheres, principalmente as competências técnicas. Mas acredito meu caminho é um pouco paralelo: eu gosto muito de experimentar em fotografia, não me encaixo muito bem nas especificidades das questões técnicas, gosto delas para subvertê-las.  Por isso, possivelmente, nunca passei pela situação de alguém querendo me ensinar algo que eu já sei.

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A fotografia em minha vida representa uma grande constelação de apreensão de mundo. Fotografar foi o início de uma liberdade, uma forma de se opor à realidade objetiva (mas sem desconsiderá-la). Hoje ainda é um sinônimo de liberdade, mas também é um meio de estender as emoções, reorganizar o mundo, repensar estados do corpo e do espírito. É um método de voltar-me para fora e voltar-me para dentro, é um comunicar-se com o futuro e um comunicar-se com o passado. Também é uma forma de des-frustrar-me com o presente.  Ou seja, entender pelo reflexo e pela apropriação da vida, ser espelho: apreender em si e devolver ao mundo.

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Uma viagem pelo México

por   /  14/11/2017  /  8:08

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Fizemos recentemente missões super especiais no @instamission para promover a cultura mexicana. A ideia era falar do Taco Tuesday, movimento gastronômico que tem como desejo trazer a cultura mexicana para São Paulo. Como eles fazem isso? Oferecendo tacos e margaritas em dobro às terças-feiras entre setembro e dezembro. Nossa proposta contemplava uma missão cujo prêmio é uma viagem para o México, uma missão com influenciadores, um guia no @vailasp, além de uma breve pincelada sobre a arte mexicana aqui no @donttouchmymoleskine.

Pra começar, temos playlist. E aqui preciso contar da primeira vez que fui ao México, há uns 6, 7 anos. Fui pela Folha cobrir um evento do Google. Nos intervalos, bati perna, comi todas as delícias, vi uma lucha libre. Passando por uma loja de CDs, adorei a capa de um. Era da Paquita la del Barrio. Um CD triplo, que ouvi muito. Foi ela o ponto de partida dessa trilha, que é composta majoritariamente de mulheres mexicanas – ou que moraram lá, têm alguma relação. Há alguns homens também, porque “Amorcito corazón” é outra música que me acompanha há um tempo.

Vamos ouvir?

Agora vamos conhecer algumas maravilhosas fotógrafas mexicanas?

– Graciela Iturbide

“Aonde quer que nós vamos, queremos encontrar o tema que carregamos dentro de nós mesmos.” A frase é de Graciela Iturbide, um dos maiores nomes da fotografia mexicana. Nascida em 1942, ela percorreu o país para fotografar o papel e as condições das mulheres mexicanas na sociedade. Também fotografou a intimidade de Frida Kahlo em “El baño de Frida”, refugiados na Colômbia e no México, uma vendedora de iguanas que compôs uma imagem tão forte que virou icônica. “A câmera é só um pretexto para conhecer o mundo.”

Sobre Frida, ela disse em entrevista para o LA Times: “Foi muito intenso. O banheiro tinha sido fechado por ordem de Diego Rivera, certamente porque continha todas as coisas dela. E, de fato, havia cartas e outros objetos pessoais. Era muito interessante. Foi como entrar em um espaço proibido, congelado no tempo – com alguns cheiros terríveis. Imagine um banheiro fechado há 50 anos. Eu não era uma Frida-maníaca, nem o sou agora. Hoje em dia ela é praticamente ‘Santa Frida’. Mas lá eu aprendi que ela era uma mulher maravilhosa que suportava muita dor. Eu tenho uma imagem do Demerol – a morfina que ela costumava tomar. Ela teve muita dor. Mas ela continuou pintando. A pintura era sua terapia. Sinto que tenho que conhecê-la melhor.”

Mais em: gracielaiturbide.org

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– Eunice Adorno

Começamos com Eunice Adoro, nascida em 1982, jornalista e dona de um trabalho que mergulha na intimidade de mulheres das comunidades de Nuevo Ideal, Durango e Onda Zacatecas que abriram as portas de suas casas, deixando-a fotografar  seus espaços íntimos e seus eventos diários. “A cumplicidade mútua e os relacionamentos emocionais que se formam entre elas são parte dessa série de imagens em que a vida cotidiana nos distrai da ideia dominante da vida conservadora dessas mulheres. Essas comunidades isoladas foram, para mim, vidas extraordinárias. O mundo dessas mulheres parece fascinante, enigmático. Essa viagem foi para mim, em que eu mesma me isolei do meu mundo cotidiano e, partindo por estradas empoeiradas, encontrei a minha própria história”, diz ela sobre o projeto “Mujeres flores”.

Mais em: euniceadorno.com/work/works/mujeres-flores

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– Mariela Sancari

Mariela nasceu na Argentina em 1976, mas desde 1997 vive no México. Seu trabalho parte de investigações pessoais para desenvolver seus trabalhos. Aqui mostramos “Moisés”, uma série em que ela busca em desconhecidos a figura do seu pai, que se matou quando ela e a irmã gêmea tinham 14 anos. As adolescentes não chegaram a ver o corpo, era como se ele tivesse desaparecido. Restou só o silêncio. As irmãs entraram em negação e procuravam o pai pelas ruas. “Imaginávamos ele com uma nova família, ou como um homem sem casa, vivendo na rua. Eventualmente, decidi fazer essas fantasias virarem realidade”, disse ao Guardian.

Mais em: marielasancari.com

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– Ruth Pietro Arenas

Ruth Pietro Arenas conta as histórias de mulheres que migraram do México para os Estados Unidos na série “Safe heaven”. Ela fotografa intimidade, usa muita cor e faz um retrato de uma das questões mais importantes da contemporaneidade. “O que acontece uma vez que você atravessa a fronteira? Essas mulheres são corajosas. Com a situação social no México, a pobreza, essas mulheres decidiram atravessar, dizendo: ‘Se eu morrer, morro.’ Quando eles não têm mais nada a perder, elas conseguem a força para cruzar. E, uma vez que eles estão aqui, eles têm que ter grande força de vontade de cuidar de tudo.” Forte.

Mais em: lens.blogs.nytimes.com/2013/05/09/across-the-border-live-and-in-color

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