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Posts da categoria "especial don't touch"

A artista está entregue

por   /  19/05/2016  /  10:10

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Marina Abramovic acredita. Ou faz a gente acreditar no que ela acredita. Ao viajar pelo Brasil para investigar rituais ligados à espiritualidade, a artista mistura arte e fé em uma trama envolvente, seja pela diversidade dos rituais de que participa, seja por nos fazer refletir sobre os limites entre performance e misticismo. “Espaço além – Marina Abramovic e o Brasil”, filme de Marco Del Fiol, estreia hoje em cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Curitiba.

A ideia para o filme surgiu da vontade da artista sérvia, que em novembro completa 70 anos, de conhecer lugares e pessoas de poder. E nada melhor do que fazer isso no Brasil, onde ela veio pela primeira vez em 1989, e que deu origem ao trabalho “Objetos transitórios para uso humano”.

O filme mostra a viagem que a artista fez em 2012 pelos rincões do Brasil. Ela percorreu seis estados e mais de 6.000 quilômetros. Foi até Abadiânia, em Goiás, para conhecer o médium João de Deus, famoso por fazer operações espirituais, algumas delas até com intervenções físicas – nas cenas desse encontro, fica difícil continuar olhando para tela enquanto se vê um olho sendo raspado com uma faca de cozinha, ou uma barriga sendo aberta. Na Chapada Diamantina, tomou ayahuasca em um ritual xamânico. Na primeira dose, não sentiu nada. Ao ver que as outras pessoas que tinham tomado a mesma quantidade estavam se rastejando, pediu mais. E teve uma das piores experiências de sua vida. (Mas isso não a impediu de tomar ayahuasca em outra ocasião e gostar do processo.)

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Em uma comunidade no Paraná, tomou banho de ervas, purificou-se com cristais, teve o corpo coberto de lama. A certa altura, os xamãs pedem que ela tente quebrar um ovo, que representa os problemas, as angústias e os entraves de sua vida. E é aqui onde acontece um dos momentos mais fortes do filme. A artista está presente – e vulnerável. Ela se doa na tentativa de expurgar as dores pelo fim de um relacionamento. É uma figura forte, que desperta atração e curiosidade. E mais ainda, sabe criar empatia, nos colocando na pele dela, na vontade de buscar força fora da racionalidade para lidar com o que não conseguimos mais carregar. (Isso sem falar no senso de humor que aparece, por exemplo, quando ela sai do roteiro “estou aqui para encontrar a luz” e reclama do gosto de um alho que come cru em nome da saúde)

Marina tem uma vida inteira de entrega à performance. Entre as mais emblemáticas, estão a travessia que ela e o então parceiro Ulay fizeram na Muralha da China, a partir de direções opostas, até se encontrarem para terminar a relação (The Great Wall: Lovers at the Brink). Outra em que Ulay segura um arco e aponta uma flecha para ela, elevando a tensão a um grau absurdo (The Other: Rest Energy). E também a mais famosa, em que ela encara durante mais de 700 horas todas as pessoas que sentam à sua frente no MoMa – Museu de Arte Moderna de Nova York (The Artist Is Present). Foi aí, aliás, que Marina virou pop e viu os questionamentos à força do seu trabalho se alastrarem – o quanto de marketing existe em cada incursão?

A partir do momento em que a artista se coloca nua e entregue na tela, consegue gerar identificação. Também nos faz pensar na coerência de uma vida toda dedicada a olhar para dentro, ao mesmo tempo em que reforça o protagonismo da sua narrativa. Enquanto experimenta diversas formas de lidar com energia nas performances e nos rituais, convida generosamente todos nós a embarcamos na viagem. E nos estimula a manter uma vitalidade de sempre nos investigarmos. Fé ou arte? Fé e arte? Vale qualquer resposta que mexa com a gente.

Mais em > www.thespaceinbetweenfilm.com

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#portfoliodonttouch: Os retratos de rua de Pedro Ferrarezzi

por   /  16/05/2016  /  20:20

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Fotografar gente desconhecida no meio da rua é uma coisa que eu adoro fazer – o @amoresanonimos e o @retratosanonimos são a prova disso. Encontrar quem domina esse tipo de fotografia, como o Pedro Ferrarezzi, faz o feed valer a pena, sabe como é?

Chamei esse fotógrafo de 26 anos pra mostrar algumas fotos e contar do seu processo. Espero que gostem!

Ah, o Pedro toma conta do @retratosanonimos durante esta semana. Acompanhem > www.instagram.com/retratosanonimos

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A maior parte das minhas fotos possui o elemento humano. Gosto de observar o comportamento das pessoas, a forma como elas se movem, como elas preenchem os espaços, o jeito como atravessam as sombras. Às vezes penso o que as pessoas para quem eu aponto a câmera ficam imaginando… Só sinto que elas estão perfeitamente encaixadas naquele determinado momento, com aquela luz e com aquele fundo. Queria ter o poder de fazer telepatia e mandar boas vibrações para o fotografado, não quero que ele pense que eu queria tirar sarro dele ou qualquer outra coisa parecida.

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Tenho outros trabalhos como fotógrafo, então não consigo me dedicar inteiramente a fotografia de rua. Acho que depende do mood do dia, tem dia que eu acordo querendo ser o Martin Parr e no outro o Cartier-Bresson (risos). O processo é sair na rua e fotografar bastante.

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Este ano faz 10 anos que comecei a me interessar pela fotografia (êêê!). Lembro que foi quando me inscrevi num curso de fotografia analógica em Campinas. Depois cursei durante três anos o curso de bacharel de fotografia no Senac. Hoje tenho um estúdio em Campinas com um trabalho totalmente diferente do de rua: www.mdemuto.com

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Quando eu vi eu já tava inserido na fotografia e sabia que era aquilo que eu queria/teria que fazer pra sobreviver, desde a primeira vez que tive contato com uma câmera. O que eu fiz até hoje? Ah, vi muuuuuita foto. (risos)

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Espero que as pessoas tenham prazer em olhar as imagens que faço, que não se ofendam e talvez se inspirem a fazer alguma coisa, sair por aí, conhecer alguém novo.

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Vejam todos os posts da série:

Renata Ursaia em busca do desencaixe + #retratosanônimostakeover por @renataursaia

A fotografia sentimental de Juliana Rocha + #retratosanônimostakeover por @rochajuliana

Paulo Fehlauer e a fotografia guiada por sensações + #retratosanônimostakeover por @fehlauer

A noite sem filtros de Luara Calvi Anic + #retratosanônimostakeover por @luaracalvianic

Corpo em desclocamento na fotografia de Patricia Araújo + #retratosanônimostakeover por @patiaraujo

A busca pela pureza na fotografia de Bruna Valença + #retratosanônimostakeover por @brunavalenca

O mundo dos sonhos de Cassiana Der Haroutiounian

Playlist: Novas Brasil FM

por   /  03/05/2016  /  13:13

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Fiz uma playlist só com músicas brasileiras! Tudo começou com “Conchinha”, da Mãeana, que eu escuto pelo menos umas cinco vezes por dia. Depois veio “Transeunte coração”, da Ava Rocha, “Lugar para dois”, do Letuce, “Perfume do invisível”, da Céu.

Acrescentei “Maria da Vila Matilde”, o mantra empoderado do novo disco da Elza Soares. Juntei com faixas de Mahmundi, E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Letuce, Tiê, Thiago Pethit, Lulina, Ana Cañas, Paula Tesser, Selton, Clarice Falcão, Boogarins, Mombojó + Laetitia Sadier, Johnny Hooker, Felipe Cordeiro e terminei com Baiana System.

Resultado? Ouço essa seleção todo dia!

Querem ouvir também? Aproveitem e sigam donttouchmymoleskine no Spotify

A foto achei no Pinterest.

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A beleza do inesperado

por   /  25/04/2016  /  8:08

Herbie e Wayne

It’s a lot of fun to negotiate the unexpected

Wayne Shorter

É muito divertido negociar com o inesperado. Com essa frase, o saxofonista Wayne Shorter deu uma resposta à plateia que havia deixado a apresentação que ele fazia com o pianista Herbie Hancock na Sala São Paulo, há algumas semanas. Simplicidade, elegância e uma leve alfinetada em pessoas que pareciam ter ido ali mais porque era uma noite de gala do que pela música em si.

Ouvir duas lendas do jazz ao vivo é um presente – e também um privilégio. Esperar que elas toquem os clássicos pelos quais ficaram consagrados, uma bobagem e talvez uma pista sobre um entendimento esquisito em relação ao estilo musical cuja maior característica é a improvisação.

Lembrei de quando fui ao show de Bob Dylan, alguns anos atrás, e saí de lá incomodada porque demorava em média dois minutos pra reconhecer o que ele cantava. Eu queria o Dylan do “Blonde on blonde”, que virou minha obsessão adolescente, só saciada quando consegui comprar o CD em uma livraria no Rio. Queria cantar junto, me emocionar pelo que tinha vivido ao som dele. Mas não rolou.

Quando soube que o Lou Reed ia fazer um show experimental no Sesc, decidi não ir. Queria o Lou do Velvet, do “Transformer”, e não uma viagem com a qual eu não ia me conectar. Não preciso dizer o quanto me arrependo, né?

Esses três episódios me fizeram pensar em algumas coisas. A primeira é que a gente perde muito quando não se abre para o novo. Dã, frase clichê, obviedade, eu sei. Mas qual foi a última vez que você saiu de casa para ver um show de uma banda que nunca ouviu falar? Nos acostumamos a fazer o que já sabemos fazer, a sair de casa quando sabemos que o programa é garantido. Nos arriscamos pouco – e isso parece tão pouco com a ideia de juventude.

O segundo pensamento me vem quando penso que estamos vivendo o auge da falta de paciência. Um vídeo não carrega imediatamente? Que saco! Não recebo resposta para as mensagens que mandei no Whatsapp, o que será que aconteceu? O cliente pede um relatório às 17h e te liga às 18h cobrando? Normal, agência é assim mesmo. Queremos tudo agora, e isso me lembra uma frase que eu repito há um tempo: a sua urgência não é a minha urgência. E me lembra também um vídeo do Louis CK, em que ele fala como estamos vivendo uma época espetacular, mas ninguém está feliz.

O mundo disputa nossa intenção. A internet, nem se fala. Aliás, se o show tá “ruim” não tem problema sacar o celular com tela gigantesca pra dar uma olhadinha no Face (socorro!). Se não somos atendidos, ficamos agoniados, ou à flor da pele. Se o Herbie Hancock não toca “Rock it” nem o Wayne Shorter alguma que ele tocava com o Miles Davis, não quero ouvir. “Eu não paguei para ouvir esse som cabeçudo”, alguém poderia ter dito, e então saído da sala. Daquela sala linda, uma jóia de São Paulo, um templo em que você ouve exatamente o que os músicos querem que você ouça. Sair sem nem esperar o intervalo entre as músicas.

Que vergonha me deu na hora. Depois ficou só um lamento. A dupla fez um show difícil mesmo, eu demorei pra entrar na vibe sonora que eles propuseram. Quando entrei, foi uma daquelas viagens difíceis e deliciosas, que poucas vezes a gente faz. E ainda fiquei achando fantástico ouvir dois caras com seus 75 e 82 anos apostando até em uma pegada meio eletrônica, que dava vontade de dançar. Pra depois voltar para um fraseado* difícil de classificar. Gente que não parou no tempo, que inova, tenta, se arrisca, surpreende. Discurso que aparece tanto por aí, né? Mas que quando se tem a oportunidade de vê-lo ao vivo e em cores, corre-se o risco de desperdiçar. Ainda bem que eu fiquei até eles voltarem para um ou dois bis.

* Meu entendimento de jazz se limita a gostar e ouvir. Não sei falar dos aspectos técnicos, mas não resisti a usar esse verbo que entreouvi de um cara na platéia que não teve suas expectativas atendidas  :-)

A foto é da Ligia Helena.

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Do seu pai, o livro

por   /  13/04/2016  /  17:17

Do seu pai

Uma vez perguntei ao Pedrinho e à Lua Fonseca se eles não tinham medo de expor a vida na internet – em seus perfis no Instagram e também nos blogs Do Seu Pai e No drama mom, eles falam sobre ser pai e mãe e mostram o dia a dia de João, Irene e Teresa, seus filhos. Eles me deram uma resposta tão autêntica que só pude concordar. Falaram que compartilham porque a cada post se conectam com gente de verdade – e muitos desses contatos são transformadores.

Se vocês olharem os comentários dos perfis , vão perceber rapidamente essa potência. É a internet sendo um lugar especial, de construção, aprendizado, de todo mundo junto compartilhando alegrias e angústias.

Agora o Do Seu Pai está prestes a virar livro. A campanha de crowdfunding está no Catarse, e você pode apoiar com a quantia que quiser. Já garanti o meu! ♡

Mais em > www.catarse.me/doseupai

Abaixo, o convite do Pedrinho.

João, Irene e Teresa:

escrevo como quem engoliu uma brasa e tem no estômago um queimor de medo. A azia desconfortável da incerteza. Não sei se vai dar certo, mas preciso contar-lhes que estou fazendo uma tentativa muito importante, desde que comecei a rascunhar essas cartas aqui para vocês, no blog. Hoje, filhos, começo a pedir a ajuda de gente que vez por outra passa aqui – para ler e ver o que se passa na nossa família – para transformar este blog num livro. Gente que ora aqui, ora ali se reconhece em algum gesto nosso, alguma palavra nossa. O medo de não dar certo está bem aqui, no estômago. Mas nos braços, pernas, cabeça, peito, em todas as outras partes, tenho em mim o que este vídeo aí embaixo foi buscar: coragem. Amor, filhos, é quando o coração da gente bate no peito do outro e, ainda assim, estamos vivos. Para isso, para amar, é preciso coragem. Pois aqui estou: medroso e corajoso. Estou vivo, apesar de sentir meu coração batendo em cada pessoa que pode ajudar a realizar este livro – e sonho.

Do seu pai,
Pedro.

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As músicas de amor de Alexandre Matias

por   /  12/04/2016  /  19:19

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Com vocês, As músicas de amor de Alexandre Matias.

Já adianto: a seleção tá foda!

Alexandre Matias é jornalista e autor do Trabalho Sujo, que começou como um zine em um jornal de Campinas e se transformou em uma das principais referências de música e cultura pop no Brasil. Também foi editor do Link, do Estadão, da Galileu. Traduz livros, escreve também. Faz festas, podcasts, dá cursos, promove conversas. Resumindo, vive música sempre e ainda nos ajuda a filtrar o tanto de informação que existe no mundo.

Sobre a seleção, ele diz: “Abril é o mês do meu amor – e quando a Dani me chamou pra fazer uma playlist sobre músicas apaixonadas, eu não consegui pensar em outra coisa senão fazer uma seleção pra minha Mariana. Uma coleção de músicas que gostamos de ouvir juntos, de artistas que assistimos shows juntos, que equilibra o gosto 90s dela com coisas que conhecemos nesses quase dez anos juntos. É um dos presentes que preparei – hoje é o aniversário dela e sei que ela vai gostar. Te amo, meu amor ♡”

Ouçam – e sigam o donttouchmymoleskine no Spotify! ♡

Mais #asmúsicasdeamor:

Diego de Godoy

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#bibliotecadonttouch: Júlia de Carvalho Hansen

por   /  11/04/2016  /  8:08

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A convidada da vez da #bibliotecadonttouch é a Júlia de Carvalho Hansen, poeta, astróloga e uma das editoras da Chão da Feira.  Seu livro mais recente, “Seiva veneno ou fruto”, acaba de ser lançado.

“Minha lista de livros tem oito porque deitados chegamos ao infinito. É momentânea, n’outro dia talvez eu escolhesse outros, dada a transitoriedade dos nossos sentimentos e pensamentos. De todo modo, minhas escolhas são políticas, espirituais e afetivas. O que eu, em abril de 2016, volto a reler muitas vezes, buscando não só quem fui por já ter lido e relido, como quem serei porque começaria tudo outra vez. São os livros preferidos de alguém que lê buscando pela orientação da própria sensibilidade.”

A foto é da Ilana Lichtenstein.

Acompanhem!

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Quem já passou pela #bibliotecadonttouch:

Gabriel Pardal

Noemi Jaffe

Paula Gicovate

Liliane Prata

Emilio Fraia

Maria Clara Drummond