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Posts da categoria "#portfoliodonttouch"

#portfoliodonttouch: Paulo Fehlauer e a fotografia guiada por sensações

por   /  24/08/2015  /  17:00

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Paulo Fehlauer fotografa guiado por sensações. Ao menos quando tenta fazer um trabalho mais autoral, dissociado do Coletivo Garapa, que integra com Leo Caobelli e Rodrigo Marcondes.

Neste post, ele mostra as fotografias que nasceram no intervalo entre um trabalho e outro. E conta também da sua formação e de seu processo.

Antes, ele conta sua minibio: “Eu cresci em Palotina, no interior do Paraná. Depois passei por Curitiba, Campinas, São Paulo, Nova York e de novo São Paulo; comecei e larguei a engenharia de computação, fui pro jornalismo, pra fotografia, pro vídeo e agora também pra literatura. Trabalhei como repórter fotográfico na Folha, saí da máquina, criei o Coletivo Garapa e a Casa da Cultura Digital, moro na Barra Funda há seis anos e hoje divido uma casa com dois amigos, dois gatos, muitos livros e uma marcenaria”.

Mais em > garapa.org + redemunho.tumblr.com

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A maior parte do meu trabalho fotográfico é criada dentro do Coletivo Garapa, que tem uma pesquisa narrativa muito forte, que tensiona as fronteiras do documentário, da representação. Já as fotos que mostro aqui nascem no meio do caminho, nos intervalos, e se elas têm um traço em comum acho que é essa vertigem, esse espaço meio indefinido, em suspensão.

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Nesse meio do caminho eu me deixo levar sem muito foco, fotografo o que me chama a atenção, às vezes por motivos nada aparentes, guiado por sensações. Aí coloco tudo no catálogo e deixo decantar, às vezes por anos. Depois vou editando séries, inventando conexões entre as imagens. É um processo bem espontâneo, que serve até como um contraponto ao foco que nós temos no trabalho na Garapa.

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Eu comecei a fotografar durante o curso de jornalismo, por pura curiosidade. Eu gostava mesmo de escrever, mas esse interesse pela fotografia foi crescendo na medida em que eu descobria o potencial narrativo da imagem. A fotografia me colocava em contato com pessoas e lugares, e isso fez com que eu me envolvesse cada vez mais. Depois morei dois anos em Nova York explorando esse mundo, montando um repertório de referências, conhecendo muita gente, muitos trabalhos. Quando voltei ao Brasil em 2007 meu objetivo já era o de extrapolar as fronteiras, trabalhar com vídeo, texto, foto, web… Aí começamos o Coletivo Garapa, e desde então vivemos um processo intenso de pesquisa e criação. O curioso é que, hoje, depois de tanto tempo lidando com a imagem, eu começo a me voltar de novo para o texto, num projeto pessoal que vai resultar num romance. E aí é a fotografia que passa a influenciar a literatura.

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Eu penso que a expressão é uma forma de lidar com o tempo, com o absurdo e a repetição da vida cotidiana. É uma forma de deixar traços, não esquecer nem ser esquecido, de tomar conta da vida enquanto ela escapa por entre os dedos. E eu acho que isso só se dá a partir do encontro, que pode acontecer de muitas formas, entre elas por meio da expressão, da arte, da fotografia. Acho que é isso que eu espero, que as imagens ressoem de alguma forma, porque só assim o círculo se completa.

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Veja os demais posts da série #portfoliodonttouch:

A fotografia sentimental de Juliana Rocha + #retratosanônimostakeover por @rochajuliana

A noite sem filtros de Luara Calvi Anic + #retratosanônimostakeover por @luaracalvianic

Corpo em desclocamento na fotografia de Patricia Araújo + #retratosanônimostakeover por @patiaraujo

A busca pela pureza na fotografia de Bruna Valença + #retratosanônimostakeover por @brunavalenca

O mundo dos sonhos de Cassiana Der Haroutiounian

#galeriadonttouch: Daigo Oliva

por   /  20/08/2015  /  12:00

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Quais são as fotos preferidas dos fotógrados? Daigo Oliva (@daigooliva) responde para a #galeriadonttouch!

Daigo Oliva, 30, é editor-assistente da “Ilustrada”, da @folhadespaulo, e edita o blog sobre fotografia Entretempos.

A primeira é do Stephen Shore.

“Não são as fotos que eu mais gosto na vida. Fiz a seleção a partir de fotógrafos que usam a cor como um eixo de suas obras, e não apenas um elemento da cena. Fui desde os clichês clássicos de William Eggleston e Martin Parr até nomes mais novos como Ricardo Cases e Viviane Sassen. A ideia é pegar gente que trata a cor como um personagem, como algo que salta de imagem, mais do que assuntos, enquadramentos etc.”

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Luigi Ghirri

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Saul Leiter

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Martin Parr

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Ricardo Cases

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Viviane Sassen

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William Eggleston

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#galeriadonttouch: Filipe Redondo

por   /  19/08/2015  /  19:00

Richard Avedon, Allen Ginberg's family, 1970

Quais são as fotos preferidas dos fotógrafos? Filipe Redondo ( @filiperama) responde para a #galeriadonttouch!

Filipe Redondo é paulista, tem 32 anos, formou-se em jornalismo e começou sua carreira como fotógrafo na Folha de S. Paulo em 2006. Faz parte do coletivo Trëma, cujo trabalho mais recente vocês podem ver em #lagoadaconfusaowanderlandia.

A primeira é Allen Ginberg’s family, de #RichardAvedon, feita em 1970. “Na verdade são duas fotos que formam um mural. Cada vez que me deparo com essas fotografias perco um bom tempo admirando. São tantos personagens, poses, expressões diferentes a serem exploradas, e é tudo tão fluído, que fica difícil não imaginar sobre cada uma dessas pessoas.”

Jim Goldberg, 1983

 

 

Jim Goldberg, 1983. Foto do livro “Rich and Poor”. “A vontade de parecer algo que não é na fotografia e a sinceridade nas palavras é angustiante. Acho lindo, poesia pura. Pra mim, uma linda síntese sobre fotografia e sobre e a vida que levamos.” . “Tem uma frase do #RichardAvedon que eu li recentemente, sobre cachorros que pegavam emprestados pras fotos do álbum da família dele, “todas as fotografias do nosso álbum de família são construídas em algum tipo de mentira sobre quem éramos, e revelavam uma verdade sobre o que queríamos ser’. Acho isso maravilhoso, como a foto do #JimGoldberg, diz muito sobre nós…”

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São Paulo do alto

por   /  19/08/2015  /  16:05

Rene Burri

O fotógrafo Teju Cole sempre foi obcecado por esta foto do suíço René Burri, tirada em São Paulo nos anos 1960. No @nytimes, ele conta da busca que fez para encontrar o lugar exato em que ela foi feita.

‘‘The photograph isn’t what was photog­raphed, it’s something else,’’ Garry Winogrand once said. ‘‘It’s about transformation.’’ The photographic image is a fiction created by a combination of lenses, cameras, film, pixels, color (or its absence), time of day, season. When I’m moved by something, I want to literally put myself in its place, the better to understand what was transformed. This interests me as a writer and as a photographer: how do raw materials become something else, something worth keeping? ‘‘Those four guys just came from nowhere, and went to nowhere,’’ Burri said of the men in his photograph. The photograph he made of them came from nowhere and went everywhere. My seeing his point of view and taking a picture from the same spot 55 years later did not solve the mystery. But in discovering all that can be known about a work of art, what cannot be known is honored even more. We come right up to the edge, and can go no farther.

Mais em > Shadows in São Paulo

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#bibliotecadonttouch por Emilio Fraia

por   /  11/08/2015  /  10:00

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O convidado desta semana da #bibliotecadonttouch é o Emilio Fraia, editor e escritor, autor do romance “O verão do Chibo” (Alfaguara/ @editora_objetiva), em parceria com Vanessa Barbara, e da graphic novel “Campo em branco” (@companhiadasletras), com o ilustrador DW Ribatski.

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“Diario argentino”, de Witold Gombrowicz.

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“Como são breves as despedidas. Quer-se dizer alguma coisa, mas, bem na hora, se esquece o apropriado a dizer e não se diz nada, ou se diz alguma idiotice. Desperdir-se é horroroso, para quem parte e para quem fica.” . “Jakob von Gunten”, de Robert Walser.

 

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“Mas uma coisa sabemos: para que um mundo novo surja, é preciso primeiro que um mundo antigo morra.” . “O sermão sobre a queda de Roma”, de Jérôme Ferrari.

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“Você aposta num relacionamento, ele fracassa; você passa para outro relacionamento, ele fracassa também: e, talvez, o que você perca não sejam duas simples somas de números negativos, mas a multiplicação do que você apostou.” . “O sentido de um fim”, de Julian Barnes.

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“Um caso clínico”, de Anton Tchekhov.

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“Não era capaz de ver a si próprio como uma pessoa única, como todos fazem e precisam fazer, se não querem para si o desespero; seja a pessoa quem for, ela é única, vivo dizendo a mim mesmo, o que me salva.” . “O náufrago”, de Thomas Bernhard, encerrando a participação do @emiliofraia na #bibliotecaDTMM! Espero que vocês tenham gostado!

Woody Allen falando da vida e do cinema

por   /  04/08/2015  /  13:00

Damon Winter:The New York Times

 

Quanto menos penso em mim mesmo, melhor fico. Se começar a ler que sou maravilhoso ou horrível, essas coisas grudam na mente e causam perda de tempo. Não penso sobre isso e não leio críticos ou entrevistas comigo. É mais saudável assim.

O trabalho do artista, na minha visão, é mostrar as pessoas que tudo que vocês estão fazendo é insignificante e que tudo vai desaparecer um dia. Então, aproveitem a vida. Se há um lado positivo, acho que falhei em encontrar nos meus 45 filmes. A minha maior contribuição é tentar distrair as pessoas por duas horas, fazê-las esquecer como a vida pode ser terrível e dos problemas. Meus filmes são como um copo de água gelado em um dia quente de Verão.

Você aprende certas coisas e acredita que se tornou mais tolerante com as pessoas, menos rabugento e compreende que as pessoas têm os mesmos problemas e inseguranças que você tem. Então, ficamos melhor neste sentido, porque fica consciente do sofrimento alheio e tende a se importar mais com as pessoas. Mas não aprendemos muito. Falando de cinema, você aprende tudo que precisa ao fazer dois filmes apenas. No primeiro, eu não sabia fazer nada e (o montador) Ralph Rosenblum e (o diretor de fotografia) Gordon Willis me ensinaram tudo. Você aprende fácil e, quando tem uma boa ideia, as coisas tendem a fluir tranquilamente.

Woody Allen em entrevista a Rodrigo Salem, ontem na Ilustrada.

Mais em > “Meu sentimento é de que não influenciei ninguém”, diz Woody Allen

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