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p.s. eu te amo

por   /  15/12/2012  /  12:07

Querem ler uma história linda, do tipo que faz a gente chorar? ♥

Então leiam esta matéria d’O Globo, escrita por Mariana Filgueiras > http://oglobo.globo.com/rio/ps-eu-te-amo-6826279

‘P.S. Eu te amo’

RIO – Era uma noite de terça-feira insuspeita em Copacabana. No fim daquele dia, 23 de outubro, um grupo de frequentadores do sebo Baratos da Ribeiro faria exatamente o que faz há cinco anos: se espremeria entre as prateleiras abarrotadas da livraria para mais um encontro do Clube da Leitura, evento quinzenal em que leem trechos de livros e trocam impressões sobre contos próprios. Quando chegou a sua vez na roda, o dono do sebo e fundador do clube, Maurício Gouveia, tirou da gaveta um livro que guardava há dez anos escondido no acervo: um exemplar em italiano de “Nove contos”, do escritor americano J.D. Salinger.

Não tinha coragem de vendê-lo. Com as bordas amareladas e as páginas carcomidas, aquele “Nove racconti” guardava uma dedicatória em português na página de rosto que Maurício considerava mais bonita do que todo o livro do autor do clássico “O apanhador no campo de centeio”. Um homem comum — que poderia ser um médico, um vendedor de sapatos ou um trapezista de circo — declarava seu amor a uma mulher, em Milão, em 26 de dezembro de 1966. Maurício leu a dedicatória enorme, que começava com a frase “De tudo que vem de você, permanece em mim uma vontade de sorrir” e se encerrava com a oração “a vida é um contínuo chegar de esperanças”. Ao final, subiu o tom para ler o nome do santo: Sylvio Massa de Campos.

Foi quando um dos frequentadores do clube soltou um “opa!”. O jornalista George Patiño conhecia a família Massa, da qual Sylvio era o patriarca. Ele não vendia sapatos, trabalhava em circo ou morava em Milão: o matemático e escritor Sylvio Massa de Campos estava vivo, trabalhara a vida toda na Petrobras, tinha 74 anos e morava logo ali, no Leblon.

— Tem certeza? — perguntou Maurício.

— Trago ele aqui no próximo encontro — prometeu George.

Feito. No dia 6 de novembro, um senhor de cabelos brancos, sorriso fácil e porte altivo entrou no sebo acompanhado de duas filhas e três netos. Emocionado, recebeu das mãos de Maurício o livro perdido. Releu a dedicatória em voz alta, com pausas longas entre uma frase e outra, o que só aumentava o suspense na livraria, entrecortado pelo ruído dos netos inquietos. Depois de ser longamente aplaudido, contou aos novos colegas a história por trás daquela mensagem.

Em 1966, ele fazia mestrado em Matemática em Milão com uma bolsa do governo brasileiro. Lá, conheceu uma italianinha de nome Febea, que tinha concluído os estudos em Literatura em Londres, e acabava de retonar à Itália. Quando ela comentou que conhecia José Lins do Rego e João Cabral de Melo Neto, e que adoraria aprender português para ler Guimarães Rosa, Sylvio se apaixonou na hora: apesar de trabalhar com algoritmos, era na literatura que descansava seus teoremas. Prestes a terminar a pós-graduação, no entanto, logo voltaria ao Brasil. O amor foi construído à distância.

— Nosso namoro durou um ano, 136 cartas, nove livros, dois telegramas e um telefonema — contou Sylvio, para suspiro coletivo da plateia, e espanto das filhas, que não conheciam todos aqueles números. — Naquele tempo, dar um telefonema era uma fortuna. Esta dedicatória escrevi no dia do meu aniversário, já doido por ela. Eu nem sei como perdi o livro, acho que foi numa mudança nos anos 80.

Um ano depois, Febea veio morar no Brasil, e Sylvio montou um apartamento no Méier para ela. Tiveram duas filhas, Isabella e Gabriella — que a essa altura se debulhavam em lágrimas na livraria —, e viveram felizes para sempre. Até que um câncer levou Febea aos 41 anos de idade. Sylvio nunca mais se casou.

— A arte de viver é a arte de acreditar em milagres, disse o poeta italiano Cesare Pavese, e se hoje eu estou aqui é porque ele está certo. Febea foi a pessoa que eu amei mais profundamente em toda a minha vida. E ela está presente aqui, nessas cinco pessoas que fizemos, nossas duas filhas e três netos. Esse é o milagre — declarou Sylvio, lembrando, ao final, uma frase que ouvira do neto quando ele tinha 4 anos, e que levava como mantra de vida: “Vovô, nada é grave.”

Na rotina dos livreiros de sebos, dedicatórias anônimas aparecem com muita frequência. Mais até do que os exemplares usados de “O Xangô de Baker Street”, de Jô Soares, um campeão nacional em rotatividade. Os livros já chegam com cantadas, desculpas, felicitações, despedidas, malfazejos.

— O livro usado traz uma história que muitas vezes é mais interessante do que aquela que ele conta. Aqui na Baratos nós tínhamos uma caixinha para guardar os objetos encontrados dentro das páginas, como cheques, receitas médicas, ingressos de cinema, flores, contas, fotos… Daria uma exposição — comenta Maurício, que também guardou por algum tempo dois livros trocados entre amigos, com dedicatórias irônicas em que tentavam dissuadir o outro das suas convicções políticas (um era de direita; o outro, um anarquista convicto).

Mas acabou vendendo os exemplares. É da natureza da profissão: o livreiro não é um colecionador, mas um comerciante.

— Todo sebo começa do mesmo jeito, quando a pessoa precisa vender os próprios livros. Esta é a diferença de um livreiro para um colecionador. Só o livreiro tem coragem de se desapegar. Ele sabe que os livros que são de verdade voltam. Já encontrei livro que tinha sido meu em acervo que fui comprar. Todo lote sempre está cercado de histórias, seja uma morte, uma herança, uma mudança repentina de casa, de estilo de vida — explica Marcelo Lachter, que começou a vender livros usados há 14 anos e hoje é dono da Gracilianos do Ramo, um sebo virtual.

Mesmo defendendo o caráter comercial do ofício, Marcelo tem um “Nove racconti” para chamar de seu: há seis anos, guarda na gaveta um exemplar de “Recortes”, livro de ensaios de Antonio Candido publicado em 1993, na esperança de devolvê-lo à família do antigo dono. A história teve início em 2006, quando Marcelo recebeu o telefonema de uma moradora da Barra da Tijuca, interessada em se desfazer da biblioteca do marido, morto meses antes. Como era uma coleção especializada em Humanas, área com muita procura, Marcelo arrematou o lote todo. Antes de fechar negócio, no entanto, a viúva fez um pedido: caso ele encontrasse ali perdido um exemplar com uma dedicatória do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan ao marido, que devolvesse o título. Ambos tinham sido amigos de infância, perderam o contato e retomaram pouco antes de Malan tornar-se o braço forte de Fernando Henrique Cardoso.

Marcelo encontrou o livro e a dedicatória: “Meu melhor, apesar de distante, amigo. Espero que você goste deste ‘Recortes’, deste gênio literário e excepcional figura humana que é Antonio Candido. Precisamos ler coisas como estas para que não esqueçamos nunca de que há muito mais coisas na vida e no mundo que o nosso trabalho e nossas pequenas procupações cotidianas. Feliz aniversário, um abraço deste amigo e saudoso, Pedro Malan.” Mas perdeu a viúva de vista.

Outra história que aguarda um desfecho parecido é a de Nice Motta, de 46 anos, livreira há dez. Assim como Marcelo, Nice desistiu de uma loja física para se dedicar às vendas pela internet, suporte que salvou da falência milhares de livreiros no país, através do sucesso de sites como o Estante Virtual. Dona da Bola de Gude Livros, um acervo que ocupa 98% do seu apartamento na Vila da Penha, Nice é ainda mais romântica do que os colegas livreiros: ela embarga a voz cada vez que se depara com um fragmento de história perdida nos livros que compra e vende. É mais metódica também. Os objetos encontrados nos livros são reunidos numa caixa que ela guarda como um pequeno museu alheio.

Em meio aos objetos, há fotos, desenhos infantis, ingressos de espetáculos e até um passaporte para o Museu do Holocausto, na Alemanha. Há uma carta bem alegre: “Esta porra foi concebida pelo maior amigo putinho, mas com carinho. Uma beijunda e um abraçaralho deste que te escreve, com muito amor, 27/10/86, Edinho”); e uma muito triste (“À amiga Katia: cursei faculdade e não terminei, namorei cinco anos e não me casei, escrevi um livro e não publiquei. Minha vida segue em frente, sempre pela metade. Wagner, 73.”

Mas a pepita é um livro encontrado por ela em 2007: “O poder do jovem”, best-seller de autoajuda do parapsicólogo Lauro Trevisan. O exemplar tem duas dedicatórias. Uma escrita nas costas da primeira página: “Bruno, eu vi este livro e achei que você ia gostar. É coisa de mãe, fica tentando adivinhar o gosto do filho, eu queria te dar o mundo, mas é melhor você descobrir com a ajuda deste livro o seu mundo inteiro. Estou sempre aqui, filho, conte comigo, sua mãe, beijos, te amo, te amo e te amo, Rio, 15/03/02.”

Seria só uma mensagem emocionada, não houvesse a segunda, na página seguinte: “Rafael, este livro foi o último presente que eu dei para o Bruno, ele não chegou a ler. Como eu sei que ele te adorava, gostaria de dar a você, leia por ele e por você, com carinho, Clara, 15/03/06.”

— É muito emocionante pensar no amor desta mãe, que o filho morreu, e que ela teve o carinho de dividir o amor com o amigo do filho. Eu sou mãe, e sei como é inconcebível pensar na perda de um filho. Se ao menos eu pudesse repará-la em relação à perda do livro… — diz Nice, sonhando com um acaso que a coloque no caminho daquela mãe. — Trabalhar com livros é apaixonante. O livro não é só a história que o autor conta, mas a história que o antigo dono também conta.

No início deste ano, Nice encontrou outro volume de “O poder do jovem”, que ela ainda está pensando se vai para a caixinha ou não. A mensagem na folha de rosto diz o seguinte: “Para o meu querido neto Fábio conservar à sua cabeceira, e enfrentar a caminhada da vida sempre forte! E vencedor! 05/88, vovó Abigail Araújo.” Por enquanto, vai ficar lá.

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como escolho meus amigos

por   /  10/12/2012  /  12:47

Loucos e santos, de Oscar Wilde

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. 
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. 
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. 
Deles não quero resposta, quero meu avesso. 
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. 
Para isso, só sendo louco. 
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. 
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. 
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. 
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. 
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. 
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos. 
Quero-os metade infância e outra metade velhice! 
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. 
Tenho amigos para saber quem eu sou. 
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.

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bukowski fala de trabalho

por   /  22/10/2012  /  10:49

A questão do trabalho ronda minha cabeça constantemente. Acredito muito que dá pra gente ser feliz fazendo o que gosta. E adoro acompanhar o movimento de amigos e conhecidos que buscam realização profissional fora do que se espera sempre da gente: um emprego estável, com carteira assinada.

O mundo é tão grande e as possibilidades, tão infinitas, que vale a pena a gente refletir sobre o que quer de verdade. Vale a pena perder o medo e ir em busca daquele sonho que já dura um tempo.

Aí me deparei com uma carta do Bukowski falando sobre como o trabalho ruim e burocrático pode esvaziar as pessoas.

Ele escreveu isso em 1986, 15 anos depois do publisher John Martin oferecer um pagamento de US$ 100 por mês até o fim de sua vida, com uma condição: que ele largasse o emprego em uma unidade de correios e se tornasse escritor. Aos 49 anos, Bukowski fez isso. Dois anos depois, seu primeiro livro, “Post Office”, foi lançado.

Alguns anos depois, ele escreveu para Martin falando sobre a alegria de ter escapado de um emprego full time.

Vi no Letters of Note > http://www.lettersofnote.com/2012/10/people-simply-empty-out.html

8-12-86

Hello John:

Thanks for the good letter. I don’t think it hurts, sometimes, to remember where you came from. You know the places where I came from. Even the people who try to write about that or make films about it, they don’t get it right. They call it “9 to 5.” It’s never 9 to 5, there’s no free lunch break at those places, in fact, at many of them in order to keep your job you don’t take lunch. Then there’s OVERTIME and the books never seem to get the overtime right and if you complain about that, there’s another sucker to take your place.

You know my old saying, “Slavery was never abolished, it was only extended to include all the colors.”

And what hurts is the steadily diminishing humanity of those fighting to hold jobs they don’t want but fear the alternative worse. People simply empty out. They are bodies with fearful and obedient minds. The color leaves the eye. The voice becomes ugly. And the body. The hair. The fingernails. The shoes. Everything does.

As a young man I could not believe that people could give their lives over to those conditions. As an old man, I still can’t believe it. What do they do it for? Sex? TV? An automobile on monthly payments? Or children? Children who are just going to do the same things that they did?

Early on, when I was quite young and going from job to job I was foolish enough to sometimes speak to my fellow workers: “Hey, the boss can come in here at any moment and lay all of us off, just like that, don’t you realize that?”

They would just look at me. I was posing something that they didn’t want to enter their minds.

Now in industry, there are vast layoffs (steel mills dead, technical changes in other factors of the work place). They are layed off by the hundreds of thousands and their faces are stunned:

“I put in 35 years…”

“It ain’t right…”

“I don’t know what to do…”

They never pay the slaves enough so they can get free, just enough so they can stay alive and come back to work. I could see all this. Why couldn’t they? I figured the park bench was just as good or being a barfly was just as good. Why not get there first before they put me there? Why wait?

I just wrote in disgust against it all, it was a relief to get the shit out of my system. And now that I’m here, a so-called professional writer, after giving the first 50 years away, I’ve found out that there are other disgusts beyond the system.

I remember once, working as a packer in this lighting fixture company, one of the packers suddenly said: “I’ll never be free!”

One of the bosses was walking by (his name was Morrie) and he let out this delicious cackle of a laugh, enjoying the fact that this fellow was trapped for life.

So, the luck I finally had in getting out of those places, no matter how long it took, has given me a kind of joy, the jolly joy of the miracle. I now write from an old mind and an old body, long beyond the time when most men would ever think of continuing such a thing, but since I started so late I owe it to myself to continue, and when the words begin to falter and I must be helped up stairways and I can no longer tell a bluebird from a paperclip, I still feel that something in me is going to remember (no matter how far I’m gone) how I’ve come through the murder and the mess and the moil, to at least a generous way to die.

To not to have entirely wasted one’s life seems to be a worthy accomplishment, if only for myself.

yr boy,

Hank

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podemos amá-los do amor táctil

por   /  21/10/2012  /  16:06

My 6,128 favorite bookshttp://on.wsj.com/RbSI8Z

No matter what they may tell themselves, book lovers do not read primarily to obtain information or to while away the time. They read to escape to a more exciting, more rewarding world. A world where they do not hate their jobs, their spouses, their governments, their lives. A world where women do not constantly say things like “Have a good one!” and “Sounds like a plan!” A world where men do not wear belted shorts. Certainly not the Knights Templar.

I read books—mostly fiction—for at least two hours a day, but I also spend two hours a day reading newspapers and magazines, gathering material for my work, which consists of ridiculing idiots or, when they are not available, morons. I read books in all the obvious places—in my house and office, on trains and buses and planes—but I’ve also read them at plays and concerts and prizefights, and not just during the intermissions. I’ve read books while waiting for friends to get sprung from the drunk tank, while waiting for people to emerge from comas, while waiting for the Iceman to cometh. (…)

I’ve never squandered an opportunity to read. There are only 24 hours in the day, seven of which are spent sleeping, and in my view at least four of the remaining 17 must be devoted to reading.

I do not speed-read books; it seems to defeat the whole purpose of the exercise, much like speed-eating a Porterhouse steak or applying the two-minute drill to sex. I almost never read biographies or memoirs, except if they involve quirky loners like George Armstrong Custer or Attila the Hun, neither of them avid readers.

I avoid inspirational and self-actualization books; if I wanted to read a self-improvement manual, I would try the Bible. Unless paid, I never read books by or about businessmen or politicians; these books are interchangeably cretinous and they all sound exactly the same: inspiring, sincere, flatulent, deadly. Reviewing them is like reviewing brake fluid: They get the job done, but who cares?

I do not accept reading tips from strangers, especially from indecisive men whose shirt collars are a dramatically different color from the main portion of the garment. I am particularly averse to being lent or given books by people I may like personally but whose taste in literature I have reason to suspect, and perhaps even fear. (…)

Until recently, I wasn’t aware how completely books dominate my physical existence. Only when I started cataloging my possessions did I realize that there are books in every room in my house, 1,340 in all. My obliviousness to this fact has an obvious explanation: I am of Irish descent, and to the Irish, books are as natural and inevitable a feature of the landscape as sand is to Tuaregs or sand traps are to the frat boys at Myrtle Beach. You know, the guys with the belted shorts. When the English stormed the Emerald Isle in the 17th century, they took everything that was worth taking and burned everything else. Thereafter, the Irish had no land, no money, no future. That left them with words, and words became books, and books, ingeniously coupled with music and alcohol, enabled the Irish to transcend reality.

This was my experience as a child. I grew up in a Brand X neighborhood with parents who had trouble managing money because they never had any, and lots of times my three sisters and I had no food, no heat, no television. But we always had books. And books put an end to our misfortune. Because to the poor, books are not diversions. Book are siege weapons.

I wish I still had the actual copies of the books that saved my life—”Kidnapped,” “The Three Musketeers,” “The Iliad for Precocious Tykes”—but they vanished over the years. Because so many of these treasures from my childhood have disappeared, I have made a point of hanging on to every book I have bought and loved since the age of 21.

Books as physical objects matter to me, because they evoke the past. A Métro ticket falls out of a book I bought 40 years ago, and I am transported back to the Rue Saint-Jacques on Sept. 12, 1972, where I am waiting for someone named Annie LeCombe. A telephone message from a friend who died too young falls out of a book, and I find myself back in the Chateau Marmont on a balmy September day in 1995. A note I scribbled to myself in “Homage to Catalonia” in 1973 when I was in Granada reminds me to learn Spanish, which I have not yet done, and to go back to Granada.

None of this will work with a Kindle. People who need to possess the physical copy of a book, not merely an electronic version, believe that the objects themselves are sacred. Some people may find this attitude baffling, arguing that books are merely objects that take up space. This is true, but so are Prague and your kids and the Sistine Chapel. Think it through, bozos.

The world is changing, but I am not changing with it. There is no e-reader or Kindle in my future. My philosophy is simple: Certain things are perfect the way they are. The sky, the Pacific Ocean, procreation and the Goldberg Variations all fit this bill, and so do books. Books are sublimely visceral, emotionally evocative objects that constitute a perfect delivery system.

Electronic books are ideal for people who value the information contained in them, or who have vision problems, or who have clutter issues, or who don’t want other people to see that they are reading books about parallel universes where nine-eyed sea serpents and blind marsupials join forces with deaf Valkyries to rescue high-strung albino virgins from the clutches of hermaphrodite centaurs, but they are useless for people engaged in an intense, lifelong love affair with books. Books that we can touch; books that we can smell; books that we can depend on. Books that make us believe, for however short a time, that we shall all live happily ever after.

Via Manrepeller

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você sabe o que é real?

por   /  18/09/2012  /  10:02

Real, por Noemi Jaffe

atenção, atenção, você, que está perdido, angustiado, tenho a resposta para uma de suas perguntas mais difíceis! eu sei o que é o real! o real é: o ardor da pimenta, o pelo do gato,o frescor do vento, a raiva do vizinho, a inveja da moça mais bonita, a paranoia, as falsas impressões, as opiniões contraditórias, o desejo de ajudar alguém desconhecido, o desejo de esgoelar alguém conhecido, os elefantes cor de laranja, o buraco negro, o homem que cospe coelhos no conto do cortázar, o pipoqueiro que mora numa mansão aqui do lado da minha casa e o outro que pescou um peixe de trezentos quilos num riachinho de um bairro da periferia.

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A foto é do Porclaine Project, de Mariana Garcia e Cecy Young.

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