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podemos amá-los do amor táctil

por   /  21/10/2012  /  16:06

My 6,128 favorite bookshttp://on.wsj.com/RbSI8Z

No matter what they may tell themselves, book lovers do not read primarily to obtain information or to while away the time. They read to escape to a more exciting, more rewarding world. A world where they do not hate their jobs, their spouses, their governments, their lives. A world where women do not constantly say things like “Have a good one!” and “Sounds like a plan!” A world where men do not wear belted shorts. Certainly not the Knights Templar.

I read books—mostly fiction—for at least two hours a day, but I also spend two hours a day reading newspapers and magazines, gathering material for my work, which consists of ridiculing idiots or, when they are not available, morons. I read books in all the obvious places—in my house and office, on trains and buses and planes—but I’ve also read them at plays and concerts and prizefights, and not just during the intermissions. I’ve read books while waiting for friends to get sprung from the drunk tank, while waiting for people to emerge from comas, while waiting for the Iceman to cometh. (…)

I’ve never squandered an opportunity to read. There are only 24 hours in the day, seven of which are spent sleeping, and in my view at least four of the remaining 17 must be devoted to reading.

I do not speed-read books; it seems to defeat the whole purpose of the exercise, much like speed-eating a Porterhouse steak or applying the two-minute drill to sex. I almost never read biographies or memoirs, except if they involve quirky loners like George Armstrong Custer or Attila the Hun, neither of them avid readers.

I avoid inspirational and self-actualization books; if I wanted to read a self-improvement manual, I would try the Bible. Unless paid, I never read books by or about businessmen or politicians; these books are interchangeably cretinous and they all sound exactly the same: inspiring, sincere, flatulent, deadly. Reviewing them is like reviewing brake fluid: They get the job done, but who cares?

I do not accept reading tips from strangers, especially from indecisive men whose shirt collars are a dramatically different color from the main portion of the garment. I am particularly averse to being lent or given books by people I may like personally but whose taste in literature I have reason to suspect, and perhaps even fear. (…)

Until recently, I wasn’t aware how completely books dominate my physical existence. Only when I started cataloging my possessions did I realize that there are books in every room in my house, 1,340 in all. My obliviousness to this fact has an obvious explanation: I am of Irish descent, and to the Irish, books are as natural and inevitable a feature of the landscape as sand is to Tuaregs or sand traps are to the frat boys at Myrtle Beach. You know, the guys with the belted shorts. When the English stormed the Emerald Isle in the 17th century, they took everything that was worth taking and burned everything else. Thereafter, the Irish had no land, no money, no future. That left them with words, and words became books, and books, ingeniously coupled with music and alcohol, enabled the Irish to transcend reality.

This was my experience as a child. I grew up in a Brand X neighborhood with parents who had trouble managing money because they never had any, and lots of times my three sisters and I had no food, no heat, no television. But we always had books. And books put an end to our misfortune. Because to the poor, books are not diversions. Book are siege weapons.

I wish I still had the actual copies of the books that saved my life—”Kidnapped,” “The Three Musketeers,” “The Iliad for Precocious Tykes”—but they vanished over the years. Because so many of these treasures from my childhood have disappeared, I have made a point of hanging on to every book I have bought and loved since the age of 21.

Books as physical objects matter to me, because they evoke the past. A Métro ticket falls out of a book I bought 40 years ago, and I am transported back to the Rue Saint-Jacques on Sept. 12, 1972, where I am waiting for someone named Annie LeCombe. A telephone message from a friend who died too young falls out of a book, and I find myself back in the Chateau Marmont on a balmy September day in 1995. A note I scribbled to myself in “Homage to Catalonia” in 1973 when I was in Granada reminds me to learn Spanish, which I have not yet done, and to go back to Granada.

None of this will work with a Kindle. People who need to possess the physical copy of a book, not merely an electronic version, believe that the objects themselves are sacred. Some people may find this attitude baffling, arguing that books are merely objects that take up space. This is true, but so are Prague and your kids and the Sistine Chapel. Think it through, bozos.

The world is changing, but I am not changing with it. There is no e-reader or Kindle in my future. My philosophy is simple: Certain things are perfect the way they are. The sky, the Pacific Ocean, procreation and the Goldberg Variations all fit this bill, and so do books. Books are sublimely visceral, emotionally evocative objects that constitute a perfect delivery system.

Electronic books are ideal for people who value the information contained in them, or who have vision problems, or who have clutter issues, or who don’t want other people to see that they are reading books about parallel universes where nine-eyed sea serpents and blind marsupials join forces with deaf Valkyries to rescue high-strung albino virgins from the clutches of hermaphrodite centaurs, but they are useless for people engaged in an intense, lifelong love affair with books. Books that we can touch; books that we can smell; books that we can depend on. Books that make us believe, for however short a time, that we shall all live happily ever after.

Via Manrepeller

amor  ·  internet  ·  literatura

você sabe o que é real?

por   /  18/09/2012  /  10:02

Real, por Noemi Jaffe

atenção, atenção, você, que está perdido, angustiado, tenho a resposta para uma de suas perguntas mais difíceis! eu sei o que é o real! o real é: o ardor da pimenta, o pelo do gato,o frescor do vento, a raiva do vizinho, a inveja da moça mais bonita, a paranoia, as falsas impressões, as opiniões contraditórias, o desejo de ajudar alguém desconhecido, o desejo de esgoelar alguém conhecido, os elefantes cor de laranja, o buraco negro, o homem que cospe coelhos no conto do cortázar, o pipoqueiro que mora numa mansão aqui do lado da minha casa e o outro que pescou um peixe de trezentos quilos num riachinho de um bairro da periferia.

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A foto é do Porclaine Project, de Mariana Garcia e Cecy Young.

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palavras e cacarejos

por   /  06/09/2012  /  0:26

Michel Laub escreve no blog da Companhia das Letras cobre como a internet melhorou a média dos textos.

Para quem cresceu na cultura televisiva dos anos 80, é visível que a internet melhorou a média dos textos. A simples prática de redigir com frequência tornou mais eficiente a comunicação. Compare as manifestações de sua timeline com uma dessas cartas de sindicato ou avisos de condomínio que chegam pelo correio, como um museu em papel de termos e formas que não existem mais: ninguém abaixo de certa idade, com o mínimo acesso à informação e que não trabalhe no STF escreve daquele jeito. Para a elite letrada, a afetação bacharelesca morreu com o modernismo do século 20. Entre um público mais amplo, com a interação virtual do 21.

Aproveitando facilidades como os corretores automáticos, a mudança também acabou com o conceito de texto bom ou ruim baseado apenas em ortografia e gramática. Ou seja, aquilo que no passado se chamava “saber escrever”. Num paralelo com a ficção, o hábito das mensagens por email, dos posts e das conversas digitais cumpre o papel dos antigos primeiros anos de um escritor, durante os quais ele saía de um nível rudimentar de prosa — despindo-se das travas e do exibicionismo típicos dessa fase — para um grau mínimo de clareza na hora de dizer o que gostaria. Mas esse é só um passo inicial. Levar a tarefa adiante com particularidade, graça e inteligência, ou com o oposto consciente disso, é outra história.

Num texto de 2010, arrisquei previsões sobre como a internet mudaria (ou não) a ficção. As coisas andam rápido, e foi o tempo de relativizar alguns dos meus próprios argumentos. Não o principal deles: a necessidade de uma linguagem autônoma, que se diferencie da torrente de vozes nas redes sociais, o cacarejo teimoso e exaustivo que torna tudo uniforme e irrelevante — expressões raras que viram clichês em dois dias, a originalidade que nasce morta pela replicação imediata e sem crédito, o infinito de opiniões que se anulam umas às outras por excesso, o barateamento de atributos como a ironia (cada vez mais sinalizada e óbvia) e o cinismo (em geral ignorante e falso).

Leiam o texto completo > http://www.blogdacompanhia.com.br/2012/08/palavras-e-cacarejos/

terminando com a moda

por   /  04/09/2012  /  8:18

Terminando com a moda é um ótimo texto de Jana Rosa, publicado no Petiscos.

Leiam > http://juliapetit.com.br/colunas/jana-rosa/terminando-com-a-moda/

• A gente precisa conversar, já faz um tempo que eu tô adiando esse papo…
• Mas precisava ser nesse lugar tosco?
• Não fala assim desse bar, você sabe que é meu preferido, e só não gosta porque ele nunca tem clientes modernos e não sai nas revistas…
• Não gosto porque tá sempre cheio de pessoas feias e mal vestidas. Bom, vamos ao que interessa que tenho uma reunião às 18h, porque você me chamou aqui?
• Acho que você já sabe mais ou menos… é que… sei lá, eu mudei, tô muito diferente, não tá mais rolando pra mim.
• Eu sei, percebi que você ta ridícula usando mochila e sapatinho boneca de bico quadrado…
• Não seja cruel, por favor, já é muito difícil isso tudo. Não quero brigar com você, só acho que nós seguimos caminhos diferentes, não temos mais muito a ver. Acho melhor a gente dar um tempo.
• Não existe tempo, você sabe. Quer terminar comigo, termina logo.
• Não é isso. Não é terminar. É que acho que acabou o amor, você entende? Sei lá, peguei um pouco de bode, não me sinto mais a mesma de antes, acho que a gente não tem mais nada a ver.
• Isso é fase, você sempre fala isso e depois volta.
• Não, não é fase. Digo, não quero cortar relações com você, você foi tão boa pra mim. E como eu te amei, nossa, não tenho palavras pra verbalizar o quanto. Mas aquele amor já era, eu acho que preciso conhecer outras pessoas, não me sinto bem ao seu lado faz algum tempo.
• E vai fazer o que da vida sem mim? Vai voltar pro interior? Vai usar bolsa combinando com o sapato? Vai ser uma ninguém na semana de desfiles? Esquecida por todos, nunca mais vai ganhar um lançamento de esmalte?
• Talvez…
• Você é ridícula, nunca vai deixar de me amar. Isso é birrinha porque não te dei nada da Miu Miu.
• Não é.
• Ninguém termina comigo, sou eu que me canso das pessoas, começo a achá-las cafonas, datadas, gordas, desinteressantes. Sou eu quem descarto gente que me ama o tempo todo, tendências que eu mesma crio, roupas feias que digo que são bonitas por aí, as vezes em seis meses, as vezes em alguns anos. Me enjôo mesmo, não to nem ai, você é abusada demais de achar que vai me dar o pé.
• Não é o pé, é algo muito cordial, vamos ficar longe por um tempo, não tá mais rolando. É justamente isso que não gosto mais em você, como você trata tudo como um copo plástico. Eu não quero fazer parte disso, acho que sou apegada. É… sou apegada sim, eu ainda gosto de vestido de manga comprida de paetê!
• Que horror!!!
• E eu só sei andar em dois sapatos de salto, não quero mais mentir pras pessoas que não sinto dor no pé.
• Nossa, que loser!
• Pra falar a verdade, também nem tenho dinheiro pra arcar com suas extravagâncias, nunca comprei nada caro, tudo que eu tenho mais chique eu ganhei de presente, e… nem sei como dizer isso… mas pago aluguel e só consegui viajar pra fora porque parcelei a passagem em dez vezes e vou fazer uma parada no Canadá.
• Meu Deus, você é uma farsa!
• Farsa não, eu só não sou o que você esperava que eu fosse. Eu tentei, mas era tudo roupa emprestada, aquele smoking branco que usei naquele jantar, sabe, tive que devolver. E antes que você ouça da boca de outra pessoa, preciso te contar, odeio Paris.
• Não! Isso já não posso aceitar!
• E nunca fiz babyliss no salão.
• E arruma o cabelo como?
• Saio com ele molhado na rua…
• Meu Deus!
• Mas tem uma coisa que você precisa saber… odeio renda, acho que você passou dos limites! Ninguém aguenta mais, as pessoas riem de você pelas costas porque você não para com essa mania.
• O que? É só o que me faltava! Já chega! Você é péssima! Sou eu quem quer terminar com você agora, nunca mais apareça na minha frente. E se ousar, te coloco no standing pra ver desfile em pé. Se me encontrar na rua, atravesse sem me cumprimentar. Adeus!
• Não, calmaí! Não vai embora assim! E tudo que vivemos? Ei, não podemos ser amigas? Ei! Volta aqui!

Ai meu Deus… que imatura…

(Obrigada por compartilhar, Luiza Voll!)

fotografia  ·  literatura  ·  moda

atrás da porta, por mawá

por   /  20/08/2012  /  10:13

Atrás da porta, por Marina Wajnsztejn, para a Confeitaria Mag

O amor anda comedido. Parece uma coisa que todo mundo procura, em algum lugar do armário, mas tem vergonha de vestir no dia a dia. O amor parece algo que só os seus avós viveram e que talvez não tenha espaço para os dias de hoje. Os dias mais corridos e esbaforidos que a humanidade já viveu.

Mas será mesmo que é o dia a dia que não permite o amor?

Nessa tal geração de possibilidades perde-se a perspectiva do erro. Qualquer busca parece alcançável, uma espécie de “síndrome do Google”. Estamos cercados de acertos e de vontades substituídas. Não deu pra fazer o plano A? Plano B é melhor. E se plano B não
funcionar, plano C está aí. E vamos pulando de galho em galho sem passar pelo processo do sofrer. Sentir a dor virou coisa do passado. Aquele mesmo passado dos seus avós.

Quantas vezes você realmente errou nos últimos anos? Quais foram esses erros? Ao menos foram úteis? Muita gente guarda o erro no armário, ao lado do amor. E essa dupla dinâmica fica lá, sobrevivendo, nos encarando dia a dia enquanto nos vestimos. Aí fechamos a porta do armário, saímos de casa e só resta ao amor e ao erro curtir o clima de naftalina. Isso sim
é injustiça.

Da próxima vez que for se vestir, dê uma chance aos que estão atrás da porta. Pegue um punhadinho do amor e coloque no bolso direito. Depois pegue um punhadinho do erro e coloque no bolso esquerdo. Você vai ver que, durante o dia, como quem não quer nada, vai acabar colocando a mão no bolso.

Se a gente já fica feliz quando encontra dinheiro num bolso perdido, imagine encontrar o amor.

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A foto é do Big Happy Funhouse

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A Confeitaria Mag é uma revista independente sobre literatura, comportamento, artes e cultura, feita pelas queridas Fabiane Secches e Flávia Stefani Resende e formada por um coletivo de autores de lugares, formações e interesses diversos, mas com um denominador em comum: o amor pela comunicação, especialmente a escrita.

Vamos acompanhar? > http://confeitariamag.com/

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horrível letra de mão

por   /  02/08/2012  /  8:15

Horrível letra de mão, por Ana Guadalupe

quanto mais feia for a sua letra de mão
mais comoção devo sentir

em especial com as menores e mais redondas
deitadas como pedestre atropelado e deixado nas linhas
conhecidas como ‘letra do atrasado na escola’
ou ‘caligrafia de quem já nasceu com as teclas’
alguém que talvez precise usar régua pra alinhar as coisas
que talvez precise de ajuda e recuperação
que talvez precise de mim
talvez precise de mim

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A foto é de Traysaun Cooley-Dennis

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