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Posts da categoria "#bibliotecadonttouch"

#bibliotecadonttouch: Paula Gicovate

por   /  30/10/2015  /  15:00

Paula Gicovate por Jorge Bispo

A convidada da semana na #bibliotecadonttouch é a Paula Gicovate!

Ela nasceu em Campos dos Goytacazes em 1985 e mora no Rio de Janeiro desde 2004. Cursou Letras na Puc-Rio. Publicou dois livros de contos – “Sobre (o) Tudo que Transborda” e “D4” e, em 2014, lançou seu primeiro romance, “Este é Um Livro Sobre Amor” (Editora Guarda-chuva). Criou com três amigos o programa “Só Garotas” para o Multishow. Além de livros e roteiros, também escreve cartas de amor.

A foto é do Jorge Bispo.

Valter Hugo Mãe

“O Paraíso São Os Outros”, de Valter Hugo Mãe.

“Ganhei este livro de presente de aniversário no ano passado. É amor recente, mas este trecho mexe um tanto comigo”, diz ela.

Ana Cristina César

Mocidade independent , poema do livro “A teus pés”, de Ana Cristina César.

“Quem me conhece sabe da minha obsessão por Ana Cristina César, mas este poema é o mais especial. Tinha acabado de me mudar para o Rio, primeira semana da faculdade de letras. Numa tarde resolvi conhecer a biblioteca da PUC, peguei uns livros e entre eles estava ‘A Teus Pés’, da Ana Cristina, que tinha sido aluna de letras lá também. Abri o texto em uma página aleatória. Era esta. Nunca mais eu fui a mesma.”

Junot Diaz

“Junot Diaz é outro amor recente. Primeiro li ‘A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao’, que foi meu livro preferido do ano passado, e este ano eu peguei ‘É Assim que Você a Perde’, um livro de relatos sobre amor, perdas e traições. Este trecho – que está até marcado no meu livro, é tão bonito e tão triste. Como a vida é. Como os amores podem ser.”

Cortazar 2 Cortazar

“Instruções para chorar”, de Julio Cortázar.

Murakami Murkami1

“Kafka à beira-mar”, de Haruki Murakami.

“Transcrevi esta parte e andei com ela durante muito tempo na carteira. De vez em quando abria, lia, e ficava tudo bem de novo. ‘Kafka à Beira-Mar’ é um dos meus livros preferidos do Murakami, e este trecho é um soco na cara de beleza e lucidez.”

Na TV com Simone de Beauvoir

por   /  28/10/2015  /  15:00

simone

Já experimentou deixar de lado o feed do Face por uma manhã para aproveitar os vídeos longos do YouTube? Fiz isso essa semana e, entre outras coisas, assisti a uma entrevista da Simone de Beauvoir para a TV francesa, em 1975.

A feminist, whether she calls herself leftist or not, is a leftist by definition. She is struggling for total equality, for the right to be as important, as relevant, as any man. Therefore, embodied in her revolt for sexual equality is the demand for class equality. In a society where the male can be the mother, where, say, to push the argument on values so it becomes clear, the so-called “female intuition” is as important as the “male’s knowledge” – to use today’s absurd language – where to be gentle or soft is better than to be hard and tough, in other words, in a society where each person’s experiences are equivalent to any other, you have automatically set up equality, which means economic and political equality and much more. Thus, the sex struggle embodies the class struggle, but the class struggle does not embody the sex struggle. Feminists are, therefore, genuine leftists. In fact, they are to the left of what we now traditionally call the political left.

A while ago we were talking about how the MLF has helped women gain sisterhood. affection for each other, and so on. That might have created the impression that I think women are now better off. They’re not. The struggle is just beginning, and in the early phases it makes life much harder. Because of the publicity the word “liberation” is on the tip of the tongue of every male, whether aware of sexual oppression of women or not. The general attitude of males now is that “well, since you’re liberated. Let’s go to bed.” In other words, men are now much more aggressive, vulgar, violent. In my youth we could stroll down Montparnasse or sit in cafés without being molested. Oh, we got smiles, winks, stares, and so on. But now it’s impossible for a woman to sit alone in a café reading a book. And if she’s firm about being left alone when the males accost her, their parting remark is most often salope [bitch] or putain [whore]. There’s much much more rape now. In general, male aggressiveness and hostility has become so common that no woman feels at ease in this town, and from what I hear in any town in America. Unless, of course, women stay at home. And that’s what lies behind this male aggressiveness: the threat which, in male eyes, women’s liberation represents has brought out their insecurity, hence their anger resulting that they now tend to behave as if only women who stay at home are “clean” while the others are easy marks. When women turn out not to be such easy marks, the men become personally challenged, so to speak. Their one idea is to “get” the woman.

Vejam também!

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Escutar é se arriscar

por   /  14/10/2015  /  12:12

Silêncio

As pessoas não escutam porque escutar é se arriscar. É se abrir para a possibilidade do espanto. Escancarar-se para o mundo do outro – e também para o outro de si mesmo. Escutar de verdade é se entregar. É esvaziar-se para se deixar preencher pelo mundo do outro. E vice-versa. Nesta troca, aprendemos, nos transformamos, exercemos esse ato purificador da reinvenção constante. E, o melhor de tudo, alcançamos o outro. Acredite: não há nada mais extraordinário do que alcançar um outro ser humano. Se conseguirmos essa proeza em uma vida, já terá valido a pena.

Por que as pessoas falam tanto?

Mais um texto maravilhoso da Eliane Brum. A foto a @luizavoll tirou especialmente pra mim, em uma loja na Itália <3

 

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#bibliotecadonttouch por Liliane Prata

por   /  07/10/2015  /  10:10

Lili

A #bibliotecadonttouch desta semana é da Liliane Prata (@liliprata)!

Ela é jornalista e escritora. Autora de oito livros, entre juvenis e adultos (o mais recente é “Eu odeio te amar”), posta crônicas e vídeos no seu lilianeprata.com.br (adoro os vídeos dela, aliás!) e é editora da revista Claudia.

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“A redoma de vidro”, de Sylvia Plath

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“Plataforma”, de Michel Houllebecq

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“A paixão segundo G.H.”, de Clarice Lispector

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“Bonsai”, de Alejandro Zambra

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Trecho de crônica da Martha Medeiros

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“Capitães de Areia”, de Jorge Amado

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A imbecilidade organizada com a internet

por   /  07/10/2015  /  9:09

marias, javier

A internet tem coisas maravilhosas, mas há algo que é novidade: pela primeira vez a imbecilidade está organizada. Sempre houve imbecilidade; imbecis iam ao bar, tornavam públicas as suas imbecilidades, mas é agora que se organizam, com grande capacidade de contágio. E há um problema agregado: as pessoas se intimidam diante de internautas exaltados e se desculpam sem motivos. E as pessoas sofrem represálias. É truculência. E não há melhor forma de a truculência triunfar do que se intimidando e se amedrontando.

Javiér Marias, autor espanhol que eu adoro, em entrevista ao El País

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É debaixo deste silêncio que acontece o estouro

por   /  06/10/2015  /  19:19

Cassiana

Está tarde, por enquanto está tarde, faz tanto tempo desde a última vez que fomos até à entrada do rochedo, mais tempo ainda desde que mergulhámos na enseada e nos deparámos com o coral, com o brilho, com a coloração perfeita que fazia lembrar a transumância. Tenho pensado na palavra transumância. Tenho pensado muito naquele excerto do diário de Pavese que fala dos mitos e da atenção, dos símbolos, dos nomes. Nalgum momento, ele diz qualquer coisa como: estamos convencidos de que uma grande revelação só poderá sair da teimosa insistência numa mesma dificuldade. E também: sabemos que o modo mais seguro — e mais rápido — de nos espantarmos é fitarmos impávidos sempre o mesmo objeto. Segundo Cesare Pavese, é pela atenção e pela repetição que acontece o estouro do milagre. Ainda acredito em milagres.

Notas para um século surpreendente, texto da Matilde Campilho.

A foto é da Cassiana Der Haroutiounian.

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A vida muda num instante

por   /  06/10/2015  /  9:09

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Ao escrever sobre a vida sem John, ela alcançou uma síntese perfeita da catástrofe humana: “A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente”. (…)

O que fazer quando você é a que resta? Se você é uma escritora, escreve. Agarra-se às palavras na tentativa de compreender o impossível, agarra-se para não afundar. Agarra-se porque é preciso enfrentar as lembranças, sempre fragmentadas, e com elas construir uma memória que faça algum sentido na paisagem devastada que agora é você. Com 1 metro e 56 centímetros e meio de altura e a silhueta de quem poderá ser levada embora na primeira brisa, Joan Didion é uma escritora feroz. Examina a si mesma sem autopiedade ou pieguice e entrega-se ao leitor com todas as suas marcas. A grandeza de seu texto está na capacidade de entrelaçar a tragédia às pequenas delicadezas do cotidiano. Como ao perceber que, por muito tempo, escrevera vendo as roupas de Quintana secar ao sol.

As lembranças espreitam Joan atrás de cada porta, dentro de cada gaveta. Ela levanta a tampa da caixa de joias forrada de cetim e encontra lá dentes de leite. Abre a porta do guarda-roupa e vê três velhas capas de chuva de John, uma jaqueta de camurça dada a Quintana pela mãe de seu primeiro namorado e um bolero de angorá, há muito comido pelas traças, que sua mãe ganhara de seu pai depois da Segunda Guerra Mundial. Ela abre caixas e acha convites para casamentos de gente que há muito se separou, cartões de agradecimento de funerais de pessoas cujo rosto esqueceu. “Em teoria, essas lembranças servem para trazer de volta o momento”, escreve. “Na prática, servem apenas para demonstrar quão inadequadamente apreciei o momento quando ele aconteceu.”

Texto A mulher que restou, de Eliane Brum, sobre a escritora Joan Didion, que perdeu o marido e a filha em um intervalo de poucos meses.

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#bibliotecadonttouch por Mariano Marovatto

por   /  07/09/2015  /  11:00

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A semana na #bibliotecadonttouch vai ser do Mariano Marovatto (@marovatto)!

Cantor, compositor e escritor carioca. Entre suas produções mais recentes estão o disco “Praia” (Maravilha 8, 2013) e os livros: “As Duas” (Megamíni, 2014), “As Quatro Estações” (Cobogó, 2015) e “Casa” (7Letras, 2015). Atualiza regularmente o site www.marovatto.org

MM - Susan sontag, entrevista para a Rolling Stone

“A coisa mais terrível seria sentir que concordo com as coisas que já disse e escrevi – isso me tornaria ainda mais desconfortável, pois significaria que parei de pensar.” Susan Sontag no livro de entrevista para a Rolling Stone.

MM - Victor Heringer, Glória

“A ausência de Natália havia deixado um buraco em sua vida, que ele poderia tapar quando e como quisesse.” Victor Heringer em “Glória”

MM Ismar Tirelli Neto, Os Ilhados

“Os ilhados”, de Ismar Tirelli Neto

MM John Cage, Lecture on Nothing

“Lecture of nothing”, de John Cage

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Carta a D.

por   /  04/09/2015  /  10:00

Amores Anônimos

Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais de quarenta e cinco quilos e continuas bela, graciosa, desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.

Primeiro parágrafo matador de “Carta a D.”, de André Gorz.

A foto é de @marimguimaraes para o @amoresanonimos.

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Quando o Brasil não me espantar estarei morta

por   /  03/09/2015  /  12:00

 

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Quando o Brasil não me espantar estarei morta. Espanta-me o presidente da Câmara que conduz um culto evangélico, a bala perdida que entra na casa da minha amiga no Rio, as três horas que levo a vir de Guarulhos, e que ainda haja água em São Paulo. Espanta-me nunca ter passado mais de 24 horas em Salvador, não conhecer o sertão de Euclides, ter lido Nelson Rodrigues tão tarde. Espanta-me o Alto Rio Negro, a poesia de Caetano, o verbo do Rosa, o queixo de Noel. Espanta-me a juventude de Machado de Assis. Espanta-me a antiguidade de Monique Nix. Espanta-me ir ver o Metá Metá e dançar morna. Sobre o vale do Anhangabaú, continua a espantar-me tanta gente falar a mesma-e-outra língua, ando a aprendê-la, ela não pára. A propósito de Anhangabaú, espanta-me que em 2015 queiram prender Zé Celso. A propósito de justiça, espanta-me que o exército esteja na Maré e ainda haja Polícia Militar. Espanta-me que uma menina aborte clandestinamente enquanto mais um Boeing 777 volta de Miami. Espanta-me o olho arrancado, o olho por olho e o mau-olhado. Espanta-me de novo a cor da terra em Minas Gerais, o desconhecido que pergunta tudo jóia e me chama de amada. Espantam-me sempre as formas de Nuno Ramos para este estranho fruto de todos nós. Tudo me espanta além do bem e do mal, então difícil achar o que seja o “vosso comportamento”. O Brasil são tantos que nunca vai virar um imenso Portugal.

Alexandra Lucas Coelho, escritora portuguesa, em entrevista para Ronaldo Bressane.

Leiam em > www.ronaldobressane.com/2015/09/01/o-fado-e-foda

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