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Posts da categoria "amor"

a riqueza da solidão

por   /  12/01/2011  /  8:40

Mas não quero resposta, quero ficar só. Gosto muito das pessoas mas essa necessidade voraz que às vezes me vem de me libertar de todos. Enriqueço na solidão: fico inteligente, graciosa, e não esta feia ressentida que me olha do fundo do espelho. Ouço duzentas e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, abro todos os portões e quando vejo a alegria está instalada em mim.

Lygia Fagundes Telles (encontrei aqui)

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A foto é de Ali Bosworth

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do verbo esperar

por   /  06/01/2011  /  10:00

Esperar é desejar sem fruir, sem saber e sem poder. – André Comte-Sponville.

Esperar é antes de tudo, desejar sem fruir, já que por definição, é claro que não possuímos os objetos de nossas esperanças. Esperar enriquecer, ser jovem, ter boa saúde, etc. certamente não é já sê-lo. É situar-se na falta do que gostaríamos de ser ou possuir. Mas é também desejar sem saber: se soubéssemos quando e como os objetos de nossas esperanças iriam se realizar, nós nos contentaríamos, sem dúvida, em aguardá-los, o que, se as palavras têm sentido, é muito diferente. Enfim, é desejar sem poder, visto que, ainda por comprovação, se tivéssemos a capacidade ou o poder de atualizar nossas aspirações, de realizá-las aqui e agora, não nos privaríamos delas. Limitar-nos-íamos a agir, sem passar pelo atalho da esperança.

O raciocínio é impecável. Frustração, ignorância, impotência, são essas as características maiores da esperança.

Luc Ferry, Aprender a Viver – Filosofia para os Novos Tempos (Objetiva, pg, 273)

Do blog Palavra Aguda

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A foto é daqui

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cartas de amor

por   /  21/12/2010  /  14:09

Cristiane Lisboa imaginou cartas de amor trocadas entre Mona e Henry Miller

Ela explica > http://cristianelisboa.wordpress.com/

Thais Mol é figurinista, stylist, linda loira, magra, elegante e sincera. Criou a Mona, uma marca com peças especiais, sedas puras, tafetás encorpados e detalhes capazes de derreter corações. Em um Dia dos Namorados destes tantos que já se passaram ela me convidou para escrever uma troca de cartas entre Mona e Henry Miller. Pesquisei palavras que poderiam ter sido ditas entre eles ou algum outro casal com capacidade de raciocínio de tamanho igual do coração. Chorei um pouco. E foi.

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Uma dica da deusinia @baiana

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o que é o amor pra você hoje? por carpinejar

por   /  14/12/2010  /  13:41

O Carpinejar sabe falar de amor com toda a doçura do mundo!

Eu e ele fazemos parte do júri dos românticos do Sonho.com.vc, um portal de conteúdo para apaixonados. Por lá vocês acham dicas de filmes, músicas, roteiros a dois… E ainda podem mandar suas dicas e concorrer a uma viagem (com acompanhante, é claro) para Paris!

Vão lá > http://www.sonhodevalsa.com.br/

nervos muito sensíveis

por   /  08/12/2010  /  0:19

Washington, 5 de outubro de 1953, segunda-feira

Fernando,

Não tenho feito muitos amigos (salvo uma enfermeira da maternidade que gostou de mim e depois de quase oito meses de Paulinho nascido vem me visitar na folga — hoje toma chá comigo), e não tenho influenciado nenhuma pessoa. Tomo menos milk-shake e levo uma vida diária vazia e agitada. Passo o tempo todo pensando — não raciocinando, não meditando — mas pensando, pensando sem parar. E aprendendo, não sei o que, mas aprendendo. E com a alma mais sossegada (não estou totalmente certa). Sempre quis “jogar alto”, mas parece que estou aprendendo que o jogo alto está numa vida diária pequena, em que uma pessoa se arrisca muito mais profundamente, com ameaças maiores. Com tudo isso, parece que estou perdendo um sentimento de grandeza que não veio nunca de livros nem de influência de pessoas, uma coisa muito minha e que desde pequena deu a tudo, aos meus olhos, uma verdade que não vejo mais com tanta frequência. Disso tudo, restam nervos muito sensíveis e uma predisposição séria para ficar calada. Mas aceito tanto agora. Nem sempre pacificamente, mas a atitude é de aceitar.

Clarice Lispector, em Correspondências

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A foto é do Buenaventura

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só ao fechá-la é que se sabe

por   /  07/12/2010  /  18:27

Conselhos do Conselheiro, por João Cabral de Melo Neto
1.
Temer quedas sobremaneira
(não as do abismo, da banheira).
Andar como num chão minado,
que se desmina, passo a passo.
Gestos há muito praticados,
melhor sejam ressoletrados.
2.
A coisa mais familiar
já pode ser o patamar
onde um corredor conhecido,
que se caminha ainda tranquilo,
leva a uma certa camarinha
que ninguém disse o que continha.
3.
Uma porta qualquer que se abre
só ao fechá-la é que se sabe
que não foi afinal a porta
que só abre do lado de fora:
embora como porta se abra
é só de um lado sua bisagra.
4.
De cada cama em que se sobe
se descerás? É que se pode?
E cada cama em que se deita
não será acaso a derradeira,
que tem tudo de cama, quase:
menos a tampa em que fechar-se.
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Ganheio o poema da beloved Yana Parente
A foto é daqui
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456 amigos e uma paralisia

por   /  07/12/2010  /  17:32

Conferência íntima, por Samarone Lima

Me impressiona um pouco quando me convidam para esses avanços da Internet, o compartilhamento de fotos, de labirintos e pandemônios, e vejo que algumas pessoas têm 456 amigos numa tacada só, ou num arquivo, ou num sistema.

Eu ficaria paralisado, sem saber a quem recorrer, no caso de uma aflição, um cansaço, uma deselegância, esses chauvinismos dos dias desafortunados. Olho, louvo a disposição para tanta gente, mas fico lembrando da época em que eu recebia cartas, direcionadas apenas para mim, com o selo pregado, o papel, o carimbo dos Correios etc. As cartas tinham rosto. Era a caligrafia da pessoa, a força de suas mãos. Tenho caixas dessas cartas comigo.

Lembro também de telefonemas do tipo “não estou bem, preciso conversar ainda hoje contigo”, e tudo se providenciava para o encontro, porque o “ainda hoje”, dito por um amigo, é o maior dos mandamentos.

É que sou de uma civilização do papel, dos amigos de carne e osso e de uma dose importante de conversa fiada. O que tem me preocupado mais nesse meu mundo, não é que eu tenha muitos ou poucos amigos. O alarmante mesmo é que estou vendo menos os amigos que ganhei da vida. Há uma certa dispersão de minha parte, que se acomoda gentilmente com minhas viagens, projetos, escritos. Era preciso que a gente tivesse menos obrigações, menos pensamentos lá adiante. Eu queria viver com menos, deixar todo o supérfluo de lado.

Ultimamente, as promessas de cafés se avolumam, os “precisamos nos encontrar” se renovam, e às vezes me lembro do “olá como vai” do Paulinho da Viola, embora o meu sinal esteja aberto para tantas coisas lindas. Outro dia, desmarquei um almoço com um velho amigo e depois pensei que era ridículo não peitar as demandas, fazer da agenda somente um objeto quadrado e relegado, dizendo “espera aí, compadre, que nos vemos daqui a pouco, isso é o mais importante para hoje”.

Há pouco, fui olhar uma coletânea de textos lindos, de pessoas queridas, que me chegaram pelo e-mail ao longo dos últimos anos. Me deu uma saudade, mas atravessoume o sentimento da distância reparável, uma constatação sem dor da dispersão natural. Aconteceu. Algumas pessoas de que gosto muito eu raramente encontro, apesar de queridíssimas, de saber da importância. Outro dia, o velho e bom Lourival Holanda disse que eu era avaro de mim mesmo, e fiquei a pensar sem nostalgia nisso, à beira do Parque 13 de Maio.

Talvez eu esteja somente distraído, introspectivo, nesse dia chuvoso no Recife. Muitas vezes acontece isso. Estou tão distraído, que não vejo o melhor. Talvez nós humanos sejamos um pouco assim, distraídos e dados ao efêmero.

Então escrevo, buscando talvez alguma espécie de redenção.

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Ontem chegaram as fotos de Ivi que escolhi no saldão. Lindas, lindas! De presente, ela mandou a “Coletânea Antônio Maria de Crônicas – Volume 1”, que li de ontem pra hoje. Adorei encontrar textos tão lindos e resolvi colocar uns por aqui.

Unindo autores estreantes a veteranos, a Coletânea, cujo título homenageia um dos mais relevantes cronistas da literatura brasileira, mostra o que de melhor se tem feito no estilo, passeando pelas páginas dos jornais e postagens dos blogs. Xico Sá, Adelaide Ivánova, Ivan Moraes Filho, Raimundo Carrero, Débora Nascimento, Artur Carvalho, José Mário Rodrigues, Bruno Piffardini, Lulina, Ronaldo Correia de Brito, Vitória Lima, Helder Herik, Theresa Bachmann, Samarone Lima, Ana Quitéria e Homero Fonseca são os cronistas que participam deste primeiro volume da coleção. Durante o lançamento, o público divertiu-se com o recital feito pelo grupo performático Vozes Femininas. O livro será vendido nas livrarias Cultura e Imperatriz, pelo preço de R$15,00.

As ilustrações, como a deste post, são de Cecília Torres > http://flavors.me/zenzi

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