Favoritos

Posts da categoria "amor"

segredos

por   /  05/04/2010  /  8:06

Dentro de cada coração há um segredo guardado, um segredo que jamais será contado à melhor amiga, nem ao padre nem ao psicanalista. Não que seja algo que deva ser escondido, mas é uma coisa que não poderá, jamais, ser dividida com ninguém: é uma coisa só sua. Pode se tratar de um fato que aconteceu e que seria um escândalo se alguém soubesse, uma linda história de amor ou apenas um delírio de imaginação, mas dele ninguém vai saber, nunca.
Virou uma mania contar tudo que nos acontece; mas as mais graves, mais sérias, que vêm lá do fundo, essas não se conta a ninguém. A gente pensa que certos pensamentos só acontecem com mulheres muito bonitas e homens muito interessantes, gente que já percorreu o mundo e passou por todas as experiências: ledo engano. Na vida da mais humilde lavadeira da periferia podem ter acontecido coisas que fariam inveja à mais bela e elegante mulher da cidade, que talvez por cuidar tanto de sua beleza e de sua elegância nunca perdeu tempo olhando seu próprio coração.

Danuza Leão escreve sobre segredos, na Folha de ontem (para assinantes)

A foto é de Suzy Wimbourne

amor  ·  fotografia  ·  literatura

quase

por   /  02/04/2010  /  20:28

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Para os erros há perdão;
para os fracassos, chance;
para os amores impossíveis, tempo…
( Sarah Westphal )

Escrito por Marília; encontrei no Dias e Horas

A foto é de Meagan

amor  ·  literatura

uma das tantas ciladas do amor

por   /  10/03/2010  /  2:20

Na realidade, era muito pouco o que sabia Fermina Daza daquele pretendente taciturno que aparecera em sua vida feito uma andorinha de inverno, e de quem não saberia sequer o nome se não fosse a assinatura da carta. Apurara desde então que era filho sem pai de uma solteira laboriosa e séria, mas marcada sem remédio pelo estigma de fogo de um único mau passo juvenil. Descobrira que não era mensageiro do telégrafo, como supunha, e sim assistente bem qualificado e de futuro promissor, e achou que levara o telegrama a seu pai apenas como um pretexto para vê-la. Essa suposição a comoveu. Também sabia que era um dos músicos do coro, e embora nunca tivesse ousado levantar a vista para comprová-lo durante a missa, um domingo teve a revelação de que enquanto os outros instrumentos tocavam para todos o violino tocava só para ela. Não era o tipo de homem que tivesse escolhido. Seus óculos de menino enjeitado, sua postura clerical, seus recursos misteriosos haviam suscitado nela uma curiosidade difícil de resistir, mas nunca imaginara que a curiosidade fosse outra das tantas ciladas do amor.

Gabriel García Márquez, em “O Amor nos Tempos do Cólera”

A foto é de Charlie Engman: http://www.flickr.com/photos/37127597@N08/

amor  ·  fotografia  ·  literatura

as relações…

por   /  09/03/2010  /  1:45

– No hay nada para contar – repuse secamente-. He pasado quince días en la Costa Azul con alguien que me gustaba. Por diversos motivos, la historia no pasa de aquí.

¿ Es casado? – inquirió finamente.

– No. Sordo-mudo. Ahora, es preciso que deshaga mi maleta.

Françoise Sagan, em “Una Cierta Sonrisa”

A foto é de Melanie Rodriguez: http://www.flickr.com/photos/melanierodriguez/

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Ei, você, que chegou agora no novo Don’t Touch! Não esqueça de assinar o novo feed, em http://feeds.feedburner.com/donttouchmymoleskine/GshX, para receber as novidades postadas no blog   =)

amor  ·  fotografia  ·  literatura

a solidão da conversa interrompida (pelo celular)

por   /  07/03/2010  /  21:42

Há muitos, muitos anos, havia uma musica de Zé Rodrix que nos emocionava. Os primeiros versos diziam “eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks rurais”; e continuava dizendo coisas lindas, como “eu quero a esperança de óculos e um filho de cuca legal, eu quero plantar e colher com as mãos a pimenta e o sal”. Era com isso que sonhávamos, mesmo sem saber, ou era o que gostaríamos de querer; belos tempos.
Os anos passaram, e os sonhos, no lugar de se ampliarem, encolheram.
O que é que se quer hoje em dia? Menos, acredite, pois querer um celular novo que faz coisas que até Deus duvida é querer pouco da vida. Meu maior sonho é bem modesto.
Nada me daria mais felicidade do que um celular que não fizesse nada, além de receber e fazer ligações. Os gênios dessa indústria ainda não perceberam que existe um imenso nicho a ser explorado: o das pessoas que, apesar de conseguirem sobreviver no mundo da tecnologia, têm uma alma simples.
As duas mais dramáticas novidades trazidas pelos celular foram as odiosas maquininhas fotográficas e a impossibilidade de uma conversa a dois. Quando duas pessoas saem para jantar, é inevitável: um deles põe o celular -às vezes dois- em cima da mesa. O outro só tem uma solução: engolir, mesmo sem água, um tranquilizante tarja preta.
No meio de uma conversa palpitante, o telefone toca, e a pessoa faz um gesto de “é só um minuto”. Não é, claro. Vira um grande bate-papo, e não existe solidão maior do que estar ao lado de alguém que te larga -abandona, a bem dizer- para conversar com outra pessoa. No meio de um deserto, inteiramente sós, estamos acompanhados por nossos pensamentos. Com alguém ao lado falando num celular, lendo os e-mails ou checando as mensagens, não se pode nem ao menos pensar. É a solidão total, pois nem se está só nem se está acompanhado.

Danuza Leão, a eterna musa, em sua coluna de hoje na Folha. Para ler o texto completo, acesse o caderno Cotidiano (para assinantes)

A foto é de Hannah Huffman: http://www.flickr.com/photos/haeshu/

sobre felicidade, medo e educação

por   /  03/03/2010  /  12:10

Hace una semana escuché por la radio un programa dedicado a la felicidad. Allí dijeron que la felicidad se alcanza cuando algo que se deseaba logra conseguirse. Y que una gran felicidad llega cuando se consigue algo que se deseaba mucho. Aunque después, cuanda ya se ha conseguido, se termina la felicidad, porque la felicidad es, en realidad, el camino a la realización, y no la realización misma.

Mamá dice que si una persona tiene miedo de que le roben, le robarán sin falta. Que en la vida siempre te sucede precisamente aquello de lo que tienes miedo. Por eso nunca hay que tener miedo. Y en realidad es así. Cuando en clase tengo miedo de que me pregunten, irremediablemente me preguntan.

Y en el relato de Cortázar ‘Final del juego’, se dice ‘nos pareció maravillosa’. Estas palabras ejercen tal influencia sobre mí que alzo los ojos y pienso. En ocasiones me parece que vivir es maravilloso. Pero en ocasiones todo pierde interés y le pregunto a mamá: ‘Para qué vive la gente?’ Ella responde: ‘Para sufrir. El sufrimiento es la norma.’ Entonces papá recplica: ‘Es la norma para los idiotas. El hombre está hecho para la felicidad.’ Mamá comenta: ‘Has olvidado añadir que es como el pájaro para el vuelo. Y también que la compasión es humilliante para el hombre.’ Papá responde: ‘Por supuesto que es humillante, porque sólo los imbéciles y las imbéciles cuentam con la compasión. La gente inteligente cuenta consigo misma.’ Pero mamá dice que la compasión significa piedad, coparticipación en el sufrimiento, y que esto es lo que sostiene el mundo, y que también es una facultad que se da en muy poca gente, incluso entre la gente inteligente.

Es un desagradable este Zagoruiko. Todo lo que piensa lo dice, aunque la educación le sea dada al hombre precisamente para que sepa ocultar sus verdaderos sentimientos, en el caso de que éstos estén fuera de lugar.

Viktoria Tókareva, em “El Día Más Feliz (Relato de una Adolescente Precoz)”

* A foto lindíssima é de Christina Poku

amor  ·  fotografia  ·  literatura