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Posts da categoria "amor"

Mal-entendido em Moscou, de Simone de Beauvoir

por   /  02/07/2015  /  11:00

Simone de Beauvoir

“Mal-entendido em Moscou” é um livro de Simone de Beauvoir até então inédito no Brasil. Fala de amor e de envelhecimento. De estar com alguém, sentir plena cumplicidade e, por uma coisa mínima, pensar em jogar tudo fora – o que contribui pra um pensamento que eu tenho de vez em quando, de que não mudamos tanto assim com o passar do tempo. Temos angústias, medos e questionamentos que se repetem, são cíclicos, e nos assemelham a uma adolescente de 13 anos, não importa se já passamos dos 60.

O livro é um companheiro, desses que deixam saudade quando vão embora. Como as vozes dos narradores se intercalam, a gente consegue sentir bem o quanto o que nos aflige tantas vezes é exatamente igual ao que perturba o outro. Pena que na vida real a gente nem sempre consiga aprofundar tanto assim. Se você quiser acrescentar novas nuances à sua própria crise existencial, corra pra livraria e aproveite.

Deixo vocês com uns trechos:

Diziam isto constantemente: a senhora tem um ar jovem, vocês são jovens. Elogios ambíguos que anunciam futuros penoso. Manter a vitalidade, a alegria e a presença de espírito é continuar jovem. Logo, são próprios da velhice a rotina, a melancolia, a caduquice. Dizem: a velhice não existe, não é nada; ou então: é muito bonita, muito tocante; mas, quando a encontram, fantasiam-na em palavras mentirosas.

Seria lindo, pensava ele constantemente, se o passado fosse uma paisagem na qual se pudesse passear a seu bel-prazer, descobrindo pouco a pouco todos meandros e recantos. Mas não era o caso.

Ela disse a si mesma: “Vou ter tempo, todo o tempo do mundo para mim, que sorte!” Mas não é uma sorte quando não se encontra nada para fazer. E, além disso, ela se dava conta, a abundância de lazer nos empobrece.

Em Paris, somos ligados por uma rede de hábitos tão estreita que não sobra espaço para nenhuma interrogação. Mas, debaixo dessa carapaça, o que sobra entre nós de verdadeiro e vivo? Saber o que ele é para mim não me diz o que sou para ele.

Nicole se encontrava de mãos vazias, sem ter nada no mundo além de André, que de repente ela não tinha mais. Contradição atroz da raiva nascida do amor e que mata o amor.

Para saber mais sobre o livro, vale ler este texto do Estadão > O desencanto de Simone de Beauvoir está em livro inédito no Brasil

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O que é o amor pra você hoje? A volta!

por   /  17/03/2015  /  20:20

o_que_é_o_amor_pra_você_hoje

Em 2009 criei a série O que é o amor pra você hoje?, em que fazia a pergunta para qualquer pessoa que encontrasse por aí.

O primeiro a responder foi o Juscelino, garçom do Balcão. No meio do caminho, tivemos Xico Sá, Dudu Bertholini, Bruna Surfistinha, Thiago Pethit, Clarah Averbuck, Contardo Calligaris, Valesca Popozuda, Lulina, Nina Becker, Soko, Buchecha (sem Claudinho), Ash, Carpinejar e vários anônimos de cidades como São Paulo, Recife e São Franscisco.

Foi lindo demais fazer essa série. Me surpreendi com a generosidade das pessoas de abrirem o coração – em alguns momentos, chorei junto. Depois de um tempo perdi a vontade de fazer a pergunta…

Até a semana passada, quando conheci a Clarice Freire, autora do fenômeno literário Pó de Lua. A Clarice é uma dessas pessoas que transborda amor. Depois de conversar por horas, me emocionar em vários momentos e ainda conhecer com ela refugiadas de guerra (!), tive vontade de fazer a pergunta de novo.

Vocês veem a resposta logo abaixo!

E conseguem relembrar a série aqui > bit.ly/oqueeoamorpravocehoje

Ficou com vontade de responder também? Manda seu vídeo usando a hashtag #oqueeoamorpravocehoje

Don’t Touch apresenta: Go, Writers para amadores

por   /  02/03/2015  /  10:10

Go Writers DTMM

Seu coração virou confete neste Carnaval? Vem cá. Aproveita que é Ano Novo, que a roda do moinho voltou a girar e que tem coisa que só sai da gente por escrito. E voa pro Go, Writers. Edição especial para amadores, curadoria de textos do Don’t Touch My Moleskine, drink para abrir o peito e cadernos feitos à mão. Você vai aprender com a Cris Lisbôa que texto bom tem começo, meio, fim. E foi escrito por alguém com o coração na ponta dos dedos.

Vamos todos? Dia 12/03, em São Paulo.

Update: abrimos mais uma turma no dia 13/03!

Todas as informações em > bit.ly/dtmmgowriters

Sobre praticar tudo, bem ou mal, mas repetidamente

por   /  26/01/2015  /  8:08

Kurt

What I had to say to you, moreover, would not take long, to wit: practice any art, music, singing, dancing, acting, drawing, painting, sculpting, poetry, fiction, essays, reportage, no matter how well or badly, not to get money and fame, but to experience becoming, to find out what’s inside you, to make your soul grow.

Em 2006, um grupo de estudantes foi desafiado pelo professor a testar suas habilidades persuasivas, pedindo ao escritor Kurt Vonnegut para visitá-los. Foi essa a resposta que eles receberam.

[Via Letters of Note]

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Go, Writers de verão

por   /  20/01/2015  /  21:21

Go Writers

Começo de ano é o momento ideal pra gente tirar as vontades do papel, né? Então venho aqui recomendar a vocês o Go, Writers, curso de criação em escrita da musa Cris Lisbôa. Já fiz o módulo 1, o módulo 2 e tenho a alegria de fazer o módulo 3 todo mês, com uma turma super legal!

O curso acontece dias 26 e 27/01, conhecidos como próximas segunda e terça, das 18h às 22h, no Estúdio Mixirica, na Vila Madalena, SP.

Neste link vocês encontram informações sobre valor e horários > http://bit.ly/1Gr77cv

Também dá pra ir entrando no clima pelo evento no Facebook > https://www.facebook.com/events/746875432069289/

Ah, e sabe o melhor? Leitores do Don’t Touch têm 15% de desconto! É só mandar email pra laemcasa@produtoradevida.com.br. Professores da rede pública ganham bolsa integral.

Deixo aqui meus depoimentos sobre o curso: no Instagram e no blog.

Mais em > http://www.gowriters.com.br/

Depois me digam o que acharam!

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É ok não ter mais paciência para um monte de coisas

por   /  20/01/2015  /  19:19

@svedenbornphoto

I no longer have patience for certain things, not because I’ve become arrogant, but simply because I reached a point in my life where I do not want to waste more time with what displeases me or hurts me. I have no patience for cynicism, excessive criticism and demands of any nature. I lost the will to please those who do not like me, to love those who do not love me and to smile at those who do not want to smile at me. I no longer spend a single minute on those who lie or want to manipulate. I decided not to coexist anymore with pretense, hypocrisy, dishonesty and cheap praise. I do not tolerate selective erudition nor academic arrogance. I do not adjust either to popular gossiping. I hate conflict and comparisons. I believe in a world of opposites and that’s why I avoid people with rigid and inflexible personalities. In friendship I dislike the lack of loyalty and betrayal. I do not get along with those who do not know how to give a compliment or a word of encouragement. Exaggerations bore me and I have difficulty accepting those who do not like animals. And on top of everything I have no patience for anyone who does not deserve my patience.

Frase do José Micard Teixeira, autor português.

A foto é do @svedenbornphoto.

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Eu queria que o tempo não fosse uma contagem passando

por   /  27/11/2014  /  9:09

Luiza Potiens

Eu queria que o tempo não fosse uma contagem passando, eu queria que fosse todas as pessoas que amo, juntas, plenamente conscientes da maravilha de nos amarmos uns aos outros. Pelo meio das pessoas que amo, eu queria que o tempo fosse também algumas paisagens, água limpa, o sol, muitos livros, muitos quadros, muitos discos. Mangas, morangos, bananas, chocolates. Pássaros e cachorros pequenos do tamanho de bonecos que podemos embalar no colo.

Notas incompletas sobre assuntos do tempo, por Valter Hugo de Mãe.

A foto é da Luiza Potiens.

[Obrigada, Alessandra Leão, por compartilhar!]

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É importante não otimizar o tempo

por   /  24/11/2014  /  8:08

Can Dagarslani

Tem um preceito zen que diz que precisamos colocar espaço entre uma coisa e outra. Acredito nisso, espaço entre uma coisa e outra. Espaço físico, por exemplo. Desespero desses projetos arquitetônicos que se gabam de tornar minúsculos cubículos “funcionais”. Viver não é agrupar artefatos de modo funcional. Não é fechar a porta que esconde a cama e abrir a que desdobra uma mesa com cinco minúsculos banquinhos quando as visitas chegam. Me parece que uma casa deveria ser qualquer coisa além disso. Uma casa deve ser mais do que uma cova engenhosa para vivos. Espaço temporal, também. Colocar meses entre os acontecimentos. Espaço entre as pessoas parece um bem necessário. Espaço entre o trabalho e o outro trabalho. Entre o trabalho e o lazer. Não sair do trabalho direto para o bar. Colocar qualquer coisa entre duas atividades. Viver também não devia ser otimizar o tempo. É importante não otimizar o tempo. O fato de as coisas caberem não significa que elas deveriam estar lá. Agendas e apartamentos estão aí para provar a diferença.

Entre as coisas, por Juliana Cunha. Leiam o texto completo em > http://julianacunha.com/nonada/espaco

A foto é de Can Dagarslani.

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Falamos e falamos e falamos

por   /  17/02/2014  /  19:19

Conversações, por Ana Martins Marques

Falamos longamente nestas tardes
como num alpendre de palavras
o sol por trás
falamos longamente e sem cuidados
vamos descascando uma a uma nossas frases
e jogando os restos numa bacia cheia d’água
às vezes demoramos no silêncio
enquanto desmanchamos nas mãos
o sexo de uma flor
inventamos opiniões
discordamos por esporte
somos enigmáticos
como biscoitos da sorte
enfiando os pés descalços na terra
enquanto inventamos um passado um para o outro
falamos longamente e sem cuidados
mentimos como namorados
recitamos versos nossos
como se fossem de outros
somos ainda mais cínicos do que somos
debochamos do que mais amamos
falamos e falamos e falamos
enquanto comemos, fumamos e enchemos
de álcool
a distância entre nós.

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A foto é do Jodi Cobb para a National Geographic.

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Um dia só em que nada tivesse acontecido

por   /  10/02/2014  /  19:19

De presente, por Renata Borges

De presente, se eu pudesse, pediria um dia com você, um dia e uma noite. Um dia em que nada tivesse acontecido, um dia inteiro em que a gente não tivesse machucado um ao outro. Um dia ouvindo você rir até perder o fôlego, só mais uma vez. Eu sinto falta da sua risada e de você me abraçando.

Um dia só em que nada tivesse acontecido. Ou um dia só em que eu pudesse ser estúpida e fingir que não entendi que não dá, que chega, uma última vez, só mais uma vez.

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A foto é do Mr. Efes.

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