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Seja um arco-íris na nuvem de alguém

por   /  19/04/2016  /  8:08

Tão bonita essa fala da Maya Angelou, escritora, cineasta e ativista pelos direitos civis.

There is an African-American song, 19th century, which is so great. It says, “When it look like the sun weren’t going to shine anymore, God put a rainbow in the clouds. Imagine, and I’ve had so many rainbows in my clouds. I had a lot of clouds. But I have had so many rainbows. And one of the things I do when I step up on the stage, when I stand up to translate, when I go to teach my classes,  when I go to direct a movie, I bring everyone who has ever been kind to me with me. Black, White, Asian, Spanish-speaking, Native-American, gay, straight, everybody. I say, “Come with me, I’m going on the stage. Come with me, I need you now.” Long dead, you see, so I don’t ever feel I have no help. I’ve had rainbows in my clouds. And the thing to do, it seems to me, is to prepare yourself so that you can be a rainbow in somebody else’s cloud. Somebody who may not look like you, may not call God the same name you call God, if they call God at all, you see. And may not eat the same dishes prepared the way you do. May not dance your dances, or speak your language. But be a blessing to somebody. That’s what I think. 

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Do seu pai, o livro

por   /  13/04/2016  /  17:17

Do seu pai

Uma vez perguntei ao Pedrinho e à Lua Fonseca se eles não tinham medo de expor a vida na internet – em seus perfis no Instagram e também nos blogs Do Seu Pai e No drama mom, eles falam sobre ser pai e mãe e mostram o dia a dia de João, Irene e Teresa, seus filhos. Eles me deram uma resposta tão autêntica que só pude concordar. Falaram que compartilham porque a cada post se conectam com gente de verdade – e muitos desses contatos são transformadores.

Se vocês olharem os comentários dos perfis , vão perceber rapidamente essa potência. É a internet sendo um lugar especial, de construção, aprendizado, de todo mundo junto compartilhando alegrias e angústias.

Agora o Do Seu Pai está prestes a virar livro. A campanha de crowdfunding está no Catarse, e você pode apoiar com a quantia que quiser. Já garanti o meu! ♡

Mais em > www.catarse.me/doseupai

Abaixo, o convite do Pedrinho.

João, Irene e Teresa:

escrevo como quem engoliu uma brasa e tem no estômago um queimor de medo. A azia desconfortável da incerteza. Não sei se vai dar certo, mas preciso contar-lhes que estou fazendo uma tentativa muito importante, desde que comecei a rascunhar essas cartas aqui para vocês, no blog. Hoje, filhos, começo a pedir a ajuda de gente que vez por outra passa aqui – para ler e ver o que se passa na nossa família – para transformar este blog num livro. Gente que ora aqui, ora ali se reconhece em algum gesto nosso, alguma palavra nossa. O medo de não dar certo está bem aqui, no estômago. Mas nos braços, pernas, cabeça, peito, em todas as outras partes, tenho em mim o que este vídeo aí embaixo foi buscar: coragem. Amor, filhos, é quando o coração da gente bate no peito do outro e, ainda assim, estamos vivos. Para isso, para amar, é preciso coragem. Pois aqui estou: medroso e corajoso. Estou vivo, apesar de sentir meu coração batendo em cada pessoa que pode ajudar a realizar este livro – e sonho.

Do seu pai,
Pedro.

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As músicas de amor de Alexandre Matias

por   /  12/04/2016  /  19:19

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Com vocês, As músicas de amor de Alexandre Matias.

Já adianto: a seleção tá foda!

Alexandre Matias é jornalista e autor do Trabalho Sujo, que começou como um zine em um jornal de Campinas e se transformou em uma das principais referências de música e cultura pop no Brasil. Também foi editor do Link, do Estadão, da Galileu. Traduz livros, escreve também. Faz festas, podcasts, dá cursos, promove conversas. Resumindo, vive música sempre e ainda nos ajuda a filtrar o tanto de informação que existe no mundo.

Sobre a seleção, ele diz: “Abril é o mês do meu amor – e quando a Dani me chamou pra fazer uma playlist sobre músicas apaixonadas, eu não consegui pensar em outra coisa senão fazer uma seleção pra minha Mariana. Uma coleção de músicas que gostamos de ouvir juntos, de artistas que assistimos shows juntos, que equilibra o gosto 90s dela com coisas que conhecemos nesses quase dez anos juntos. É um dos presentes que preparei – hoje é o aniversário dela e sei que ela vai gostar. Te amo, meu amor ♡”

Ouçam – e sigam o donttouchmymoleskine no Spotify! ♡

Mais #asmúsicasdeamor:

Diego de Godoy

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#bibliotecadonttouch: Júlia de Carvalho Hansen

por   /  11/04/2016  /  8:08

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A convidada da vez da #bibliotecadonttouch é a Júlia de Carvalho Hansen, poeta, astróloga e uma das editoras da Chão da Feira.  Seu livro mais recente, “Seiva veneno ou fruto”, acaba de ser lançado.

“Minha lista de livros tem oito porque deitados chegamos ao infinito. É momentânea, n’outro dia talvez eu escolhesse outros, dada a transitoriedade dos nossos sentimentos e pensamentos. De todo modo, minhas escolhas são políticas, espirituais e afetivas. O que eu, em abril de 2016, volto a reler muitas vezes, buscando não só quem fui por já ter lido e relido, como quem serei porque começaria tudo outra vez. São os livros preferidos de alguém que lê buscando pela orientação da própria sensibilidade.”

A foto é da Ilana Lichtenstein.

Acompanhem!

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Quem já passou pela #bibliotecadonttouch:

Gabriel Pardal

Noemi Jaffe

Paula Gicovate

Liliane Prata

Emilio Fraia

Maria Clara Drummond

As músicas de amor de Diego de Godoy

por   /  07/04/2016  /  16:16

Diego de Godoy

O Don’t Touch ganha uma nova seção: As músicas de amor de ____________!

Para a estreia, convidei o Diego de Godoy, amigo que o karaokê me trouxe em 2015. Ele é diretor, roteirista e outras coisas. Gaúcho e colorado, sem exageros, e o maior fã de R.E.M. do hemisfério sul. Dirigiu recentemente a série “Work in progress – Por dentro do Balé da Cidade de São Paulo”, atualmente em exibição no canal Arte 1. “Vi 11 shows do R.E.M., Bowie me mandou um beijo no show, abracei o CD ‘Baltimore’, da Nina Simone, quando finalmente encontrei, e ver Leonard Cohen duas vezes foi a maior emoção da minha vida”, nos conta.

Sobre a seleção, ele diz: “Adoro uma música ‘lentinha’, dessas de FM da madrugada. Muitas destas da lista me arrepiaram, outras me viram chorar, de algumas eu ri, mas todas têm uma história. Algumas têm dona, outras eu gostaria que tivessem.”

Pra completar, uma foto estonteante do Joseph Szabo.

Ouçam – e sigam o donttouchmymoleskine no Spotify

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11 artistas brasileiros para ficar de olho em 2016

por   /  04/04/2016  /  15:00

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Don’t Touch + Glamurama apresentam: 11 artistas brasileiros para ficar de olho em 2016

Quem são os artistas que têm trabalhos impactantes, emocionam, propões reflexões e deixam hoje um legado para a história da arte brasileira? Quais os nomes em que a gente deve ficar de olho? Diante de tantas exposições, museus e galerias, sites, blogs e perfis no Instagram, em que prestar atenção e de quem acompanhar o trabalho? Fiquei com vontade de descobrir isso tudo e convidei dois amigos queridos que são curadores para darem seus palpites.

Ana Maria Maia é curadora de artes visuais e professora de história da arte. Nasceu em Recife em 1984 e vive e trabalha em São Paulo. Foi curadora adjunta do Panorama de Arte Brasileira do MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. Recentemente concluiu a pesquisa “Arte veículo”, que vai ser lançada em livro em breve. Diego Matos nasceu em Fortaleza em 1979. É pesquisador, curador e professor nas áreas de artes visuais e arquitetura. Trabalhou com o Vídeo Brasil coordenando o acervo e a pesquisa. Em 2015, fez uma exposição a partir desse material, “Quem nasce para aventura não toma outro rumo”, no Paço das Artes.

Para chegar a um recorte, ambos concordaram em reunir artistas que apostam no risco e na construção de suas histórias. “Tenho visto a volta da intuição como uma ferramenta de trabalho para os artistas, depois de uma geração completamente racional, projetual”, aponta Ana Maria. “Talvez esses artistas tenham nascido no momento em que o sistema brasileiro da arte precisou se organizar mais.” Ela fala que o artista tem que afinar o seu discurso, preparar um portfólio que seja mais eficaz, se colocar no mundo de uma maneira mais assertiva. “O risco e a dúvida têm mais espaço, eles sabem onde querem chegar. Esses artistas podem se colocar no olho do furacão de padrão sexual, de trabalho, política, crises, esgotamento de modelos. E é um ato de coragem absurdo fazer isso em um ambiente completamente instável.”

Dos escolhidos, conheço alguns, outros são novidade. Sou apaixonada pelo trabalho da Barbara Wagner, que conheci em “Brasília Teimosa”, série que retrata os frequentadores de uma praia no Recife, bem ao estilo Martin Parr. Adoro como o Cristiano Lenhardt cria narrativas a partir de elementos que a gente não espera. E, no ano passado, a Virgínia de Medeiros entrou para o time do encantamento depois que vi “Sérgio e Simone”, um vídeo em que ela nos apresenta à travesti Simone, que também é o pregador Sérgio.

Conheçam abaixo os 11 artistas!

Mosaico

01. Clara Ianni

Nasceu em São Paulo em 1987

Vive e trabalha em São Paulo

É representada pela Galeria Vermelho

claraianni.com

Clara Ianni  Beto Riginik for Artsy.

A artista explora de forma incisiva e rigorosa elementos que dizem respeito ao projeto de modernidade brasileiro que foi interrompido com o advento do regime militar. Para além, ela está sempre atenta às consequências desse regime de exceção que durou mais de 20 anos. Dessa forma, não por meio da simples denúncia, Clara evidencia ironicamente histórias e acontecimentos que não tiveram a devida atenção na história recente do país. Tem também investigado a ambiguidade do espaço moderno e arquitetônico brasileiro que teve seu apogeu nas décadas de 1950/1960. Como resultado formal, nos apresenta elegantemente desenhos, gravuras, fotografias ou vídeos que ilustram esse pensamento. Importante lembrar de seu trabalho em parceria com Débora Maria da Silva, um vídeo intitulado “Apelo”, apresentado na 31ª Bienal de São Paulo que retrata a violência promovida pelas forças coercitivas oficiais. (Diego Matos)

02. Cristiano Lenhardt

Nasceu em Itaara (RS) em 1975

Vive e trabalha em Recife

É representado pela Galeria Fortes Villaça

cristianolenhardt.com.br

cristiano foto por barbara wagner

Vejo no Cristiano um artista capaz de lidar amplamente com as armadilhas que o circuito da arte te impõe, justamente desconstruíndo e celebrando valores e intenções que sempre procuramos esconder. Por meio de uma observação aguda do meio urbano brasileiro, por vezes europeizado, por vezes rural, jeca ou cafona, reúne elementos para a construção de uma imagem potente em que as gambiarras ganham vez e a plasticidade das coisas banais ou ordinárias ganham protagonismo e são reconhecidos como entidades da beleza. Basta lembrarmos sua última exposição no Galpão Fortes Vilaça ou no vídeo “Superquadra Saci”, apresentado no 19º Festival de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil. (Diego Matos)

Cristiano Lenhardt - Litomorfose

03. Vitor Cesar

Nasceu em Fortaleza em 1978

Vive e trabalha em São Paulo

vitorcesar.org

VC

Vitor tem como trunfo a capacidade de sintetizar em sua condição de artista as suas reflexões acadêmicas e a sua produção prática como designer, transformando-as em ações artísticas que podem deflagrar ou estimular reflexões acerca do espaço público, bem como formalizar posicionamentos políticos por meio de instrumentos gráficos de rara qualidade plástica. Nos últimos 15 anos, o artista tem conseguido sobreviver ao circuito comercial das artes justamente por meio de uma reflexão que elucida às razões do espaço público ou privado, demonstrando de forma transparente as relações de poder que esses espaços definem. Não foi à toa que no 33º Panorama da Arte Brasileira, ele realizou uma das instalações de maior impacto nos espaços do Museu de Arte Moderna de São Paulo. (Diego Matos)

Vitor Cesar - Real Vitor Cesar new_sempre-algo-entre-nos-02

04. Martha Araújo

Nasceu em Maceió em 1943

Vive e trabalha em Maceió

É representada pela Galeria Jaqueline Martins

Martha Araujo

Martha Araújo pertence à geração 1970 e, mesmo estando em Maceió, de certa forma isolada de um debate que se vinha tendo sobre arte experimental nos centros do Brasil, fez interessantes proposições participativas. Suas instalações, sempre um misto de ambientes arquitetados com roupas e objetos para se vestir, situam a participação e o convívio sociais no meio termo entre algo simultaneamente lúdico e prazeroso, e, por outro lado, desafiador, conflituoso, até opressor em alguns casos. A obra dela ensina que é preciso negociar. Em tempos de revisão das narrativas da história da arte brasileira, o nome de Martha e de tantos outros artistas deve ser observado com toda a atenção. Os motivos para essas omissões podem corresponder a limitações geográficas (artistas em zonas periféricas do circuito), de gênero (ainda hoje grandes exposicões costumam ter mais homens do que mulheres representados, quem dirá nos anos 1970…), linguagem (poéticas experimentais requerem um esforço maior de documentação, além de desafiarem uma crítica apegada a convenções) etc. O fato é que as limitações existem e cabe a nós, hoje em dia, dedicarmos um esforço significativo para revisitar essas histórias consolidadas e identificar falhas/faltas graves, muito mais do que simplesmente ir em frente numa marcha de prospecção desenfreada e irresponsável de novos artistas. Apesar de estar produzindo há mais de 40 anos, Martha Araújo seria ainda uma “novidade” para grande parte da crítica e da história da arte. (Ana Maria Maia)

Martha Araujo

05. Daniel Santiago

Nasceu em Garanhuns (PE) em 1939

Mora em Recife

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Daniel, assim como Martha, fez uma carreira de vanguarda estando nas margens do circuito de arte brasileiro. Trabalha desde os anos 1960 no Recife e, à revelia de uma ausência de museus, mercado e público locais para práticas experimentais, desenvolveu um trabalho em linguagens como poesia visual, arte-classificada, arte-postal, art-door, intervenção urbana, performance e artes gráficas. Foi dupla de Paulo Bruscky na Equipe Bruscky & Santiago, de 1970 a 1990, aproximadamente. A química entre os dois era muito poderosa: Daniel é hábil com as palavras, tem aguçado senso poético além de uma formação de designer gráfico. Paulo traz a ironia e o senso estratégico de quem reconhece e lida muito bem com os circuitos (artísticos, políticos, sociais…) e suas regras do jogo. O convívio foi intenso e os projetos sempre imateriais, deixando muitas vezes apenas projetos e registros. Paulo fez um grande arquivo com essa memória e desde 2008, quando Cristina Freire fez sua retrospectiva no MAC-USP, seu trabalho individual foi consagrado junto a essa história. Daniel não guardou nada nem tem especial destreza com esse trânsito profissional. Talvez por isso tenha demorado um pouco mais para ser reconhecido e estudado. Ainda bem que isso hoje já está acontecendo. Um marco foi a mostra que Cristiana Tejo e Zanna Gilbert fizeram de sua obra no Mamam (Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães). (Ana Maria Maia)

06. Virginia de Medeiros

Nasceu em Feira de Santana (BA) em 1973

Vive e trabalha em São Paulo

É representada pela Galeria Nara Roesler

virginiademedeiros.com.br

Virginia de Medeiros - http-::residencyunlimited.org:programs:sergio-simone-a-film-by-virginia-de-medeiros:

O trabalho da Virginia de Medeiros é muito importante, principalmente pelo modo como ela encara situações de alteridade. Ela mergulha em uma relação com figuras cujo universo ela desconhece. É preciso tatear muito pra criar esse elo de confiaça com as travestis, com a turma do sadomasoquismo, com os catadores de lixo. Ela tem coragem de entrar nesses temas-tabu, assumir isso como um estilo de vida. Eu soube que ela está aplicando hormônimo masculino no corpo, como parte do mergulho nessa pesquisa. Ela não sabe o que se isso vai ser, se o que está acontecendo no corpo vai virar parte de um trabalho, mas é um jeito dela viver com verdade. (Ana Maria Maia)

Por outro lado ela também tem elementos que me fazem pensar na figura  da artista. Ela é uma mulher extremamente sedutora e bonita, que mexe radicalmente com a sua imagem no momento em que faz uso de hormônios, deixando transfigurar o seu corpo. Ela se torna uma unanimidade: para quem tem interesse em algo programático, ela desenvolve uma pesquisa, um método, mas também tem um lado intuitivo, espontâneo. O trabalho “Sérgio e Simone” ela não sabia o resultado que teria, se seria formalizado em um ou mais filmes. E o resultado é um filme labiríntico, recortado e processual, ora instalativo pra monocanal. (Diego Matos)

Virginia de Medeiros SM Virginia de Medeiros

07. Ana Mazzei

Nasceu em São Paulo em 1980

Vive e trabalha em São Paulo

É representada pela Galeria Jaqueline Martins

anamazzei.net

Ana Mazzei - http-::cultura.estadao.com.br:noticias:geral,ana-mazzei-oferece-olhares-multiplos-a-um-mundo-que-e-palco-de-encenacoes,1171920

É uma artista da mesma geração de outros com Virginia e Cristiano e que demorou muito a ter o trabalho mostrado em exposições geracionais, a entrar em galeria. Ela faz um trabalho em que experimentação de fato tem um papel. A geração anos 1960/1970 gera pra arte um discurso que celebra a experimentação. O que você fizer sem saber no que vai dar, cometendo risco, já seria louvável a priori. Mas é muito fácil encenar isso como uma coreografia, botar numa ordem de controle o próprio experimento. Recentemente fui ao ateliê de Ana e vejo que ela está cercada de coisas que ela não sabe onde vão dar. A experiência de arranjar um espaço, de relacionar isso com o entorno, é sempre uma experiência de descoberta. Depois de alguns anos trabalhando na sombra e agora com visibilidade, você vê que ela está rodeada por um universo de formas desconhecidas que vai fazendo sentido. Muita marcenaria, construção geométrica. Tenho gostado de vê-la em exposição. Gosto dessa sensação, principalmente com aqueles alunos mais resignados, que dizem que arte contemporânea não é pra ninguém, digo insiste, flerta, constrói um caso de amor com aquilo. O amor nem sempre nasce no primeiro olhar, né? Esses trabalhos que desafiam, que não se abrem direto, são os que a gente tem que voltar. (Ana Maria Maia)

Ana Mazzei Pausa-longa1

09. Daniel Lie

Nasceu em 1988, em São Paulo

Vive e trabalha em São Paulo

É representado pela Casa Triângulo

Daniel Lie

Artista muito jovem, que estudou na Unesp e teve seu trabalho impulsionado pela vivência no espaço da Casa do Povo, no Bom Retiro. Daniel investiga materiais perecíveis e seu apodrecimento. Faz instalações em que planta folhagens e frutas tropicais em sacos plásticos e os suspende com cordas para tomar o pé direito dos espaços expositivos e compartilhar seus estágios de desenvolvimento com o público. O artista não sabe muito bem qual será o resultado das experiências que promove, mas insiste justamente nessa zona cega entre a exuberância inicial e tudo o que pode nascer da mesma: manutenção e até retirada da obra do espaço, outras formas de vida, bichos, fungos, cheiros. Em paralelo às instalações, Dani constrói sua imagem também como um trabalho, recorrendo a maquiagens principalmente. Ele tem essa consciência dos jovens sobre a sua imagem e sobre o alcance da sua imagem nas redes sociais. Na era dos selfies, está lá Daniel fazendo uma espécie de transformismo, que não passa pela questão de gênero necessariamente, ele não é travesti, mas sim pela sua construção como personagem, usando maquiagem, cabelos, roupas estranhas. É um universo bem estranho. Ele agora está fazendo um programa de TV, “Podre show”, em que se mostra apodrecendo. (Ana Maria Maia)

Instagram: instagram.com/liedaniel

Daniel Lie 2

9. Ex-Miss Febem [Aleta Valente]

Nasceu no Rio de Janeiro

Vive e trabalha no Rio de Janeiro

instagram.com/ex_miss_febem

Ex Miss Febem

Há vários avatares de Instagram e Facebook que já não dá pra ignorar como construção de imagem. Não sei o que essas figuras vão fazer com isso, não sei o quanto elas próprias ou outras pessoas vão entender e gerar discurso. Tem uma menina que se intitula @exmissfebem, Aleta Valente, que parece que está se aproximando do circuito da arte através desse perfil. É um Instagram incômodo e ao mesmo tempo muito original, muito forte. De uma menina da periferia do Rio de Janeiro, de Bangu, que exerce uma visão feminista das coisas, provoca, é banida e volta, consegue seguidores. Tudo isso como evento de construir uma imagem, uma pauta, lidar com a recepção, a rejeição, participar de um imaginário coletivo. A princípio não sabia das expectativas de Aretha em relação ao circuito de arte. Logo depois vi que participou de eventos do Capacete, a principal residência artística do Rio de Janeiro, e foi mencionada por Lisette Lagnado em uma entrevista à Select. Independente disso, do início ou não de uma carreira e das chancelas que essa carreira pode vir a ter, tenho gostado de acompanhar o modo como o perfil @ex_miss_febem vem encaixando uma voz crítica e provocativa sobre o interesse coletivo no corpo individual e biográfico de uma garota. Resposta condizente com o fenômeno cultural da hiperexposição nas redes sociais. (Ana Maria Maia)

10. Michel Zózimo

Nasceu em Santa Maria (RS) em 1977

Vive e trabalha em Porto Alegre

michelzozimo.com

Michel Zozimo

Artista do Rio Grande do Sul que já teve certa visibilidade, participou de algumas exposições, do Rumos, da Bienal do Mercosul. Tem um trabalho que lida com a ciência, com a ideia do desconhecido dentro da ciência, como ela pode ser mistificada, inacessível e ao mesmo tempo retratar o onírico, o estapafúrdio. Ele está entre esses dois pólos e tenta explorar isso - foi muito influenciado pela ficção científica. Acho o trabalho bem interessante graficamente, seu uso de fotografia, montagem. Em um primeiro olhar você acha que é um trabalho gráfico, em que tudo é milimetrica e obsessivamente pensado. Por trás tem uma outra pesquisa como, por exemplo o garimpo e pesquisa em cadernos de ciência que vendiam em bancas de revista ou que eram de materiais escolares. Ele pega aquilo, faz um novo arranjo, cruza publicações possíveis. Acho o trabalho muito forte. (Diego Matos)

Tem uma coisa no trabalho dele que eu gosto, como quando ele aponta que a ciência tem misticismo. A gente costuma associar a ciência à verdade. Se o cientista diz que a gente tem que comer ovo, a gente come. Se amanhã não tem que comer, a gente não come. No momento em que a ciência vira misticismo, abre-se um campo para a arte virar verdade. Arte que seria o contrário, que a gente acha que é tudo invenção, arbitrariedade. Você fica com os critérios meio balançados quando vê o trabalho. (Ana Maria Maia)

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11. Barbara Wagner

Nasceu em Brasília em 1980

Vive e trabalha em Recife

barbarawagner.com.br

Barbara Wagner.

É uma das fotografas mais engajadas em mostrar de fato o Brasil contemporâneo: sem amarras contra o popular, sem distinção entre centro e periferia e sem os tabus sociais de gênero. Ao contrário, ela esgarça todas as fronteiras que nos são culturalmente impostas, basta ver sua última série para a revista ZUM do Instituto Moreira Salles. Ela nos revela o poder do corpo e de seu movimento (a expressão da figura humana comum e popular) dentro de determinados contextos sociais e urbanos. Sendo assim o dado comportamental é escancarado pelas imagens divulgadas por Bárbara e nos oferece um mosaico complexo da realidade cultural brasileira. Recorremos, por exemplo, ao livro “Brasília Teimosa” ou mesmo suas pesquisas recentes acerca de danças populares. (Diego Matos)

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Barbara Wagner

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Playlist: Despertar da consciência, parte 3

por   /  30/03/2016  /  9:09

Teresa C. Freitas

Despertar da consciência, parte 3! Começa com Maria Bethânia, tem várias músicas do Coral Filhos de Iemanjá, outras da Tenda de Umbanda Caboclo Caramã e Pai Cesário, além de Clara Nunes, Marisa Monte e mais um monte de gente.  Ideal para encher o dia de good vibes!

Pra combinar, uma foto linda da Teresa Freitas.

Ouçam no Spotify! 

As partes 1 e 2 da série Despertar da consciência também estão no Spotify, ouçam!

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#vitrinedonttouch: Sara ama Jorge

por   /  29/03/2016  /  9:09

#vitrinedonttouch apresenta o curta-metragem “Sara ama Jorge”, de Karina Buzzi.

O filme fala sobre essa pequena loucura diária que nos acomete: esperar respostas imediatas para todos os nossos anseios.

Karina explica o motivo pelo qual quis abordar esse tema em um filme:

Parece que se não é AGORA, há algum problema fantasma que fica circulando pelo nosso pensamento. E o problema na verdade nunca existe, é só nossa insegurança fantasiada. Acho que é uma coisa bem universal e contemporânea, a insegurança sobre a resposta do outro, especialmente em relacionamentos. Parece que criamos uma expectativa enorme em cima de nós mesmos, tentamos o tempo todo estar nos polindo de acordo com isso ou aquilo e se algo não acontece a maneira como esperamos, é como se a insegurança tomasse tudo como culpa nossa. Não fomos o suficiente, está faltando isso ou aquilo. Essa constante “será que estou fazendo certo?” que parece permear a cabeça de todo mundo, querendo encaixar em algum lugar. Talvez porque vivemos nessa sociedade que ainda não nos reconhece pelas diferenças, mas tenta enfiar todo mundo numa caixa só. O filme vem disso, desse sentimento. Acho que muita gente passou por uma cena similar alguma vez na vida. A gente fica criando um monstro na cabeça, achando que ele vive em terras firmes, e depois descobre que era só uma vassoura velha vestindo um lençol com buracos tentando assustar. Quando a luz acende a gente dá gargalhada do monstro, mas se não cuidamos ele volta, e volta, e volta, toda vez que deixamos ficar escuro dentro da gente mesmo, dando espaço pra essas inseguranças que vamos criando ao longo da vida.

Sara ama Jorge - JorgeSara ama Jorge - Sara

Mais Karina  no Don’t Touch > www.donttouchmymoleskine.com/castelo-dentro-do-peito

 

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#vitrinedonttouch: Edinara Patzlaff

por   /  24/03/2016  /  8:08

Edinara

#vitrinedonttouch apresenta Edinara Patzlaff, fotógrafa de 20 anos natural de Carlos Barbosa, cidade da serra gaúcha.

A minha relação com a fotografia é recente, diria ainda que muito imatura, contudo forte em todos os aspectos e intensa em relação à poética. Estudei moda por três anos e foi por meio dela que conheci a fotografia e me encantei. Troquei moda por fotografia por vários motivos, mas o principal foi ter notado que ela não seria suficiente para dizer tudo o que desejo dizer ao universo. A fotografia hoje me possibilita isso, me deslocar do tempo e do espaço criando uma nova realidade a cada minuto, traduzindo assim o que até então era visto como uma beleza sagaz em algo novo, desconhecido. A fotografia fala, na verdade às vezes ela grita. Fotografo tudo aquilo que existe em mim e que de alguma forma acredito que exista em todos (contudo muitas vezes isso leva uma tempo para aflorar). Gosto de pensar nas palavras delicadeza, força e plenitude pra inscrever nas minhas fotografias.

Para acompanhar o trabalho dela > www.instagram.com/edipatzlaff