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A vida amorosa da Chloë Sevigny

por   /  03/07/2015  /  18:00

 

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A atriz Chloë Sevigny fez um zine que é uma coleção de seus amores, do pai ao primeiro, passando pelas paixonites. Tão bonitinho!

Well, it’s titled No Time For Love. It’s a collection of photos of me with the boys/men I’ve loved through my life. From my father to my first true love to my biggest crush, etc. There’s also a small sampling of gossip about me that’s appeared on page six in the New York Post.

Mais em > Chloë Sevigny shares her love life in a new zine

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Últimas conversas

por   /  08/04/2015  /  9:09

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É impossível superar uma vida interrompida. Com morte por infarto ou velhice, a gente aprende a lidar. Com uma tragédia, criamos um espaço doído e intocável que se força e se esforça pra encontrar paz de vez em quando – e que entende que nunca vai conseguir sentir isso pra sempre de novo.

A minha tia morreu há mais de dez anos e nunca pôde ver quem eu me tornei. A cidade que escolhi para morar, a casa que transformei no melhor lugar do mundo, a profissão em que me formei, depois a que inventei. Não soube das minhas histórias de amor, das viagens que fiz, das que sonho fazer. Nunca ganhou um presente de Berlim ou Nova York, nem sabe das músicas que eu ouço hoje, dos filmes que vejo, quais livros já li daquela estante infinita.

Aprendi a disfarçar a dor. E tenho uma tristeza que me acompanha sempre desde o dia em que tudo acabou. Sei que ela não ia querer saber que eu sinto essas coisas e talvez seja por isso eu tento viver tão bem.

Tem dia que é foda.

Geralmente acontece quando alguém ou alguma coisa te lembra que não tem jeito, que aquela pessoa que você amava profundamente não vai viver de novo, por mais que a medicina, a ciência e a tecnologia avancem tanto. Acabou, finito, já era, zerou. O mundo dela nunca mais vai encontrar o seu.

Eduardo Coutinho foi um dos maiores cineastas do mundo. Morreu tragicamente há pouco mais de um ano, assassinado pelo filho, que sofre de esquizofrenia. Deixou de presente uma obra vasta, pequenos grandes tratados sobre o ser humano em sua essência. Sem filtro, só com verdade – até quando ela é mentira.

Muito antes de o Humans of New York existir (e ser uma das melhores coisas da internet hoje), Coutinho ouvia o que qualquer pessoa tivesse a dizer e extraía de cada uma sua melhor parte, ou a mais comovente. “Ser ouvido é uma das necessidades mais importantes do ser humano. Ser ouvido é ser legitimado”, diz ele em “Eduardo Coutinho. 7 de outubro”, filme que inverte os papéis e coloca o cineasta na frente das câmeras para ser entrevistado pelo documentarista Carlos Nader.

E ele ouvia com tanto interesse e tanto cuidado, sem preconceito ou julgamento. Tão raro, né? “É preciso amar pessoas e personagens. Com seus truques”, diz  ele em “Últimas conversas”, filme que estreia na vigésima edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários.

O desejo genuíno é a chave da ignição. E ele conduz, com suas perguntas lógicas e também com as absurdas. Ele que sabe escutar com interesse e paciência, o maior entrevistador do Brasil. Aquele que respeitava os silêncios – que tantas vezes fazia jorrar histórias e sentimentos de onde menos se esperava. Até mesmo em “um filme que deve dar errado”, como ele se refere ao “Últimas conversas”, montado por Jordana Berg e terminado por João Moreira Salles depois de sua morte. Entrevistando adolescentes, ele se questiona: “Se não estou curioso, falar pra que, pra quem?”. E do questionamento mais uma vez ele capta história comoventes.

Ver os filmes de Coutinho é um exercício gigante de empatia. É sentir a dor do outro, se colocar no lugar, querer entrar na tela e dar um abraço na maioria deles – no cara que canta “My way”, então, ai meu coração! É se ver em gente que não tem nada a ver com você. O cineasta universaliza a angúsita e a dor, nos coloca todos no mesmo lugar, transforma a tragédia em algo que faz com que a gente se entenda um pouco mais. Ele nos envolve na intimidade e na fragilidade do outro e nos faz melhor ao sair da sessão.

Viver é foda, puta que pariu, diria ele facilmente, jorrando palavrões, como sempre gostou. Vale a pena quando caras como ele criam um legado fascinante sobre a vida de gente comum. Ou quando você sai de um filme desses, pega o metrô pensando em vida e morte, e o shuffle do iPod toca “What a wonderful world”, música que você cantava para sua tia tentando fazer uma voz à la Louis Armstrong e acabava arrancando risadas deliciosas dela.

Tem dia que é foda.

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É Tudo Verdade – 20º Festival Internacional de Documentários

São Paulo e Rio de Janeiro de 09 a 19 de abril. Belo Horizonte de 29 de abril a 4 de maio, em Santos de 07 a 10 de maio e em Brasília de 27 de maio a 1 de junho.

www.etudoverdade.com.br

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Futuros amantes

por   /  13/02/2014  /  18:18

Apaixonar-se por um sistema operacional que habita seu computador e seu telefone é possível – e vai acontecer quando você menos esperar. Simplesmente porque se apaixonar pelo seu sistema operacional parte da mesma premissa de se apaixonar por uma pessoa de carne e osso: um conjunto de interesse, atenção, dedicação e tempo. Se vivemos cada vez mais grudados nas telas que nos cercam, vai ser natural flertar com essa disponibilidade constante (ou ao menos cogitá-la). A vontade de ficar junto e o tesão vão aparecer em seguida. Afinal, o que é o começo do amor se não a escolha de duas pessoas de construírem uma história juntas?

“Ela” é o novo filme de Spike Jonze (“Onde Vivem os Monstros”, “Quero Ser John Malkovich”, “Adaptação”) e conta a história de Theodore, um cara que acabou de se separar do amor da sua vida e que ganha a vida escrevendo cartas de amor para terceiros. Estimulado por uma propaganda que quase promete redenção, o personagem de Joaquin Phoenix compra um novo sistema operacional que não apenas vai organizar toda a sua vida (incluindo seus e-mails e contatos e até um futuro livro, que sonho!) mas evoluir com ele, por meio de troca e intuição. É assim que ele conhece Samantha, que é apenas a voz de Scarlett Johansson – e consegue ser sexy pra caramba.

O filme se passa numa Los Angeles de um futuro incerto. Não dá pra saber se o ano é 2040 ou 2200. Mas dá pra perceber que no futuro não vai existir engarrafamento, o metrô vai te levar até a praia e os aparelhos tecnológicos não vão ser tão high tech, e terão, sim, um ar bem retrô. Suas roupas também. Pode apostar numa calça de cós muito alto, meio desengonçada até. E numa casa extremamente clean e funcional. Na rua, muitos painéis coloridos, de onde sempre vai sair alguma imagem em movimento. Tudo muito bonito e agradável, como se a vida tivesse ganhado um eterno filtro de Instagram.

Em contraste com as mudanças, o amor permanecerá como sempre foi. Vai começar devagarinho e, de repente, vai ter mudado o dia, fazer com que a gente queira ser melhor. E vai tornar a vida mais leve e completa. De repente pode até surgir um ciúme bobo, uma insegurança, um medo de perder aquela conquista que a gente pensa que é replicável, mas percebe que acontece poucas vezes na nossa trajetória. Vem um medo danado, e a racionalidade diz pra gente acabar com tudo. Numa dessas, grandes amores se desfazem. Em outras, se renovam. E, no fundo, a gente entende que passa a vida querendo escapar da solidão para sentir o que tivemos quando o coração foi pleno e feliz.

Criada para evoluir, Samantha começa trazendo conforto e depois apresenta o risco. E nisso ela é como qualquer um de nós. Os questionamentos da relação homem x sistema operacional, também. Conseguimos lidar com as nossas mudanças e a do outro no meio do caminho, sem nos assustarmos? Ou travamos com a incerteza e o medo? A certa altura, quando é indagado pela amiga Amy (Amy Adams) se está apaixonado por um sistema operacional, Theodore hesita. E logo depois é confortado por ela:

Qualquer pessoa que se apaixone é uma aberração. É uma coisa louca de se fazer, uma forma aceitável de insanidade.

Se fomos e somos insanos, fico achando possível que a gente escute histórias de novas configurações de amor num futuro tão longe e tão perto, ainda mais se elas vierem embaladas pelo filtro de promessa de perfeição. Pra mim, é impossível pensar no amor sem toque e pele, mas vai que pra um monte de gente não é bem assim? Daí lembro da frase de uma amiga querida: a tecnologia vai matar o amor. E pergunto: a tecnologia vai matar o amor ou a tecnologia vai inventar novas formas de amor? Deixem suas apostas nos comentários!

“Ela” entra em cartaz nos cinemas do Brasil nesta sexta-feira (14/2). Aproveitem para ver antes “Her: Love In The Modern Age”, um documentário dirigido por Lance Bangs e que mostra as reflexões de gente como Olivia Wilde, James Murphy e Bret Easton Ellis sobre o filme > http://www.youtube.com/watch?v=ZSfUcWw9zto

* Escrevi este post como um publieditorial da Sony, distribuidora do filme, e do Creators Project/Vice, que fez o documentário. Espero que vocês gostem!

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Uma mensagem de Tarkovsky para os jovens

por   /  13/01/2014  /  8:08

Uma mensagem do cineasta Andrei Tarkovsky para os jovens:

I don’t know… I think I’d like to say only that they should learn to be alone and try to spend as much time as possible by themselves. I think one of the faults of young people today is that they try to come together around events that are noisy, almost aggressive at times. This desire to be together in order to not feel alone is an unfortunate symptom, in my opinion. Every person needs to learn from childhood how to be spend time with oneself. That doesn’t mean he should be lonely, but that he shouldn’t grow bored with himself because people who grow bored in their own company seem to me in danger, from a self-esteem point of view.

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pitchfork falando de cinema

por   /  10/07/2013  /  10:44

O Pitchfork lança hoje The Dissolve, um site dedicado a cinema.

“Existem muitos textos ótimos sobre cinema na internet, mas não existe ninguém fazendo o que o Pitchfork fez para a música, que são textos inteligentes, direcionados pela opinião, pela crítica e escritos para uma audiência que é apaixonada por filmes, mas não necessariamente quer saber deles a partir de uma visão acadêmica”, disse Keith Phipps, editor do Dissolve, ao Mashable.

Legal demais, hein?

Mais em > http://thedissolve.com/

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