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Posts da categoria "#vitrinedonttouch"

#vitrinedonttouch: Sara ama Jorge

por   /  29/03/2016  /  9:09

#vitrinedonttouch apresenta o curta-metragem “Sara ama Jorge”, de Karina Buzzi.

O filme fala sobre essa pequena loucura diária que nos acomete: esperar respostas imediatas para todos os nossos anseios.

Karina explica o motivo pelo qual quis abordar esse tema em um filme:

Parece que se não é AGORA, há algum problema fantasma que fica circulando pelo nosso pensamento. E o problema na verdade nunca existe, é só nossa insegurança fantasiada. Acho que é uma coisa bem universal e contemporânea, a insegurança sobre a resposta do outro, especialmente em relacionamentos. Parece que criamos uma expectativa enorme em cima de nós mesmos, tentamos o tempo todo estar nos polindo de acordo com isso ou aquilo e se algo não acontece a maneira como esperamos, é como se a insegurança tomasse tudo como culpa nossa. Não fomos o suficiente, está faltando isso ou aquilo. Essa constante “será que estou fazendo certo?” que parece permear a cabeça de todo mundo, querendo encaixar em algum lugar. Talvez porque vivemos nessa sociedade que ainda não nos reconhece pelas diferenças, mas tenta enfiar todo mundo numa caixa só. O filme vem disso, desse sentimento. Acho que muita gente passou por uma cena similar alguma vez na vida. A gente fica criando um monstro na cabeça, achando que ele vive em terras firmes, e depois descobre que era só uma vassoura velha vestindo um lençol com buracos tentando assustar. Quando a luz acende a gente dá gargalhada do monstro, mas se não cuidamos ele volta, e volta, e volta, toda vez que deixamos ficar escuro dentro da gente mesmo, dando espaço pra essas inseguranças que vamos criando ao longo da vida.

Sara ama Jorge - JorgeSara ama Jorge - Sara

Mais Karina  no Don’t Touch > www.donttouchmymoleskine.com/castelo-dentro-do-peito

 

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Woody Allen falando da vida e do cinema

por   /  04/08/2015  /  13:00

Damon Winter:The New York Times

 

Quanto menos penso em mim mesmo, melhor fico. Se começar a ler que sou maravilhoso ou horrível, essas coisas grudam na mente e causam perda de tempo. Não penso sobre isso e não leio críticos ou entrevistas comigo. É mais saudável assim.

O trabalho do artista, na minha visão, é mostrar as pessoas que tudo que vocês estão fazendo é insignificante e que tudo vai desaparecer um dia. Então, aproveitem a vida. Se há um lado positivo, acho que falhei em encontrar nos meus 45 filmes. A minha maior contribuição é tentar distrair as pessoas por duas horas, fazê-las esquecer como a vida pode ser terrível e dos problemas. Meus filmes são como um copo de água gelado em um dia quente de Verão.

Você aprende certas coisas e acredita que se tornou mais tolerante com as pessoas, menos rabugento e compreende que as pessoas têm os mesmos problemas e inseguranças que você tem. Então, ficamos melhor neste sentido, porque fica consciente do sofrimento alheio e tende a se importar mais com as pessoas. Mas não aprendemos muito. Falando de cinema, você aprende tudo que precisa ao fazer dois filmes apenas. No primeiro, eu não sabia fazer nada e (o montador) Ralph Rosenblum e (o diretor de fotografia) Gordon Willis me ensinaram tudo. Você aprende fácil e, quando tem uma boa ideia, as coisas tendem a fluir tranquilamente.

Woody Allen em entrevista a Rodrigo Salem, ontem na Ilustrada.

Mais em > “Meu sentimento é de que não influenciei ninguém”, diz Woody Allen

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Tributo a Nina Simone

por   /  06/07/2015  /  15:00

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I hope the day comes when I will be able to sing more love songs, when the need is not quite so urgent to sing protest songs. But for now, I don’t mind.

“Nina Revisited… a tribute to Nina Simone” é um tributo a uma das mais impressionantes cantoras da história. Traz interpretações de Mary J. Blige, User, Grace, Lauryn Hill (maravilhosa) e mais gente. É  bem bonito, umas horas é fiel às versões da própria Nina, em outras vai para lugares completamente diferentes.

Para ouvir (e ler sobre) > First listen: Nina Revisited, na NPR

Adendo: tinha adorado o documentário “What happened, Miss Simone?”, até esbarrar nesse texto e atentar para um dos óbvios argumentos, de que não se pode dar voz ao agressor confesso de uma mulher. Leiam em The irresponsability of ‘What happened, Miss Simone?’.

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A vida amorosa da Chloë Sevigny

por   /  03/07/2015  /  18:00

 

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A atriz Chloë Sevigny fez um zine que é uma coleção de seus amores, do pai ao primeiro, passando pelas paixonites. Tão bonitinho!

Well, it’s titled No Time For Love. It’s a collection of photos of me with the boys/men I’ve loved through my life. From my father to my first true love to my biggest crush, etc. There’s also a small sampling of gossip about me that’s appeared on page six in the New York Post.

Mais em > Chloë Sevigny shares her love life in a new zine

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Últimas conversas

por   /  08/04/2015  /  9:09

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É impossível superar uma vida interrompida. Com morte por infarto ou velhice, a gente aprende a lidar. Com uma tragédia, criamos um espaço doído e intocável que se força e se esforça pra encontrar paz de vez em quando – e que entende que nunca vai conseguir sentir isso pra sempre de novo.

A minha tia morreu há mais de dez anos e nunca pôde ver quem eu me tornei. A cidade que escolhi para morar, a casa que transformei no melhor lugar do mundo, a profissão em que me formei, depois a que inventei. Não soube das minhas histórias de amor, das viagens que fiz, das que sonho fazer. Nunca ganhou um presente de Berlim ou Nova York, nem sabe das músicas que eu ouço hoje, dos filmes que vejo, quais livros já li daquela estante infinita.

Aprendi a disfarçar a dor. E tenho uma tristeza que me acompanha sempre desde o dia em que tudo acabou. Sei que ela não ia querer saber que eu sinto essas coisas e talvez seja por isso eu tento viver tão bem.

Tem dia que é foda.

Geralmente acontece quando alguém ou alguma coisa te lembra que não tem jeito, que aquela pessoa que você amava profundamente não vai viver de novo, por mais que a medicina, a ciência e a tecnologia avancem tanto. Acabou, finito, já era, zerou. O mundo dela nunca mais vai encontrar o seu.

Eduardo Coutinho foi um dos maiores cineastas do mundo. Morreu tragicamente há pouco mais de um ano, assassinado pelo filho, que sofre de esquizofrenia. Deixou de presente uma obra vasta, pequenos grandes tratados sobre o ser humano em sua essência. Sem filtro, só com verdade – até quando ela é mentira.

Muito antes de o Humans of New York existir (e ser uma das melhores coisas da internet hoje), Coutinho ouvia o que qualquer pessoa tivesse a dizer e extraía de cada uma sua melhor parte, ou a mais comovente. “Ser ouvido é uma das necessidades mais importantes do ser humano. Ser ouvido é ser legitimado”, diz ele em “Eduardo Coutinho. 7 de outubro”, filme que inverte os papéis e coloca o cineasta na frente das câmeras para ser entrevistado pelo documentarista Carlos Nader.

E ele ouvia com tanto interesse e tanto cuidado, sem preconceito ou julgamento. Tão raro, né? “É preciso amar pessoas e personagens. Com seus truques”, diz  ele em “Últimas conversas”, filme que estreia na vigésima edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários.

O desejo genuíno é a chave da ignição. E ele conduz, com suas perguntas lógicas e também com as absurdas. Ele que sabe escutar com interesse e paciência, o maior entrevistador do Brasil. Aquele que respeitava os silêncios – que tantas vezes fazia jorrar histórias e sentimentos de onde menos se esperava. Até mesmo em “um filme que deve dar errado”, como ele se refere ao “Últimas conversas”, montado por Jordana Berg e terminado por João Moreira Salles depois de sua morte. Entrevistando adolescentes, ele se questiona: “Se não estou curioso, falar pra que, pra quem?”. E do questionamento mais uma vez ele capta história comoventes.

Ver os filmes de Coutinho é um exercício gigante de empatia. É sentir a dor do outro, se colocar no lugar, querer entrar na tela e dar um abraço na maioria deles – no cara que canta “My way”, então, ai meu coração! É se ver em gente que não tem nada a ver com você. O cineasta universaliza a angúsita e a dor, nos coloca todos no mesmo lugar, transforma a tragédia em algo que faz com que a gente se entenda um pouco mais. Ele nos envolve na intimidade e na fragilidade do outro e nos faz melhor ao sair da sessão.

Viver é foda, puta que pariu, diria ele facilmente, jorrando palavrões, como sempre gostou. Vale a pena quando caras como ele criam um legado fascinante sobre a vida de gente comum. Ou quando você sai de um filme desses, pega o metrô pensando em vida e morte, e o shuffle do iPod toca “What a wonderful world”, música que você cantava para sua tia tentando fazer uma voz à la Louis Armstrong e acabava arrancando risadas deliciosas dela.

Tem dia que é foda.

Eduardo Coutinho 01

É Tudo Verdade – 20º Festival Internacional de Documentários

São Paulo e Rio de Janeiro de 09 a 19 de abril. Belo Horizonte de 29 de abril a 4 de maio, em Santos de 07 a 10 de maio e em Brasília de 27 de maio a 1 de junho.

www.etudoverdade.com.br

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