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Posts da categoria "amor"

Deixa Ela em Paz

por   /  07/09/2016  /  10:10

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O Deixa Ela Em Paz (@deixaelaempaz) é um projeto de intervenção urbana e ativismo digital. Criado por Joana Pires e Manuela Galindo, tem como objetivo discutir o empoderamento de mulheres, enquanto se fortalece, também, como um espaço de formação. Para isso, colocou no ar uma campanha de crowdfunding. A gente pode contribuir com qualquer valor, basta acessar www.benfeitoria.com/deixaelaempaz.

Conversei com Joana sobre o projeto. “Fico pensando aqui em como responder tuas perguntas enquanto o meu juízo tá quase completamente dominado pelos últimos dias no Brasil e tudo o que isso significa e ainda vai significar para a gente, sabe? O Deixa Ela Em Paz é também uma parte desse processo, uma das outras partes, a parte de uma resistência feminina em meio a um mar bravio e duro, que afoga a gente caldo atrás de caldo no ressurgimento de uma onda conservadora na nossa história. E a gente sabe como não é fácil ficar submersa em meio a isso tudo, tentando encher o pulmão de ar. Mas como mar não tem cabelo (adoro essa expressão), o respiro vem das boias que a gente mesmo vai tentando ‘artesanar’. O Deixa Ela Em Paz como intervenção urbana surge assim, da necessidade de falar com mulheres sobre as realidades que dividimos no dia a dia, da minuciosa realidade de violência que todas vivemos e que pode ser vista no relacionamento silenciosamente abusivo, na discriminação salarial, na tentativa de silenciamento da nossa voz no ambiente de trabalho, na violência urbana, na agressão dentro de casa.”

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“Quando eu e Manuela começamos, buscamos falar com essas mulheres de forma simples e direta, como falávamos uma para a outra, criando espaço para reflexões que pudessem vir a se potencializar mesmo depois que as mulheres deixassem de ter contato direto com o nosso discurso. O primeiro passo era intervir uma pela outra, no espaço da cidade, demandar a paz da outra, num ato de solidariedade, empatia e força mútua. Saímos, primeiro no Rio de Janeiro, onde fizemos a primeira colagem e depois no Recife, com um grupo maior de amigas. Mas a impressão é de que o projeto começou com muito mais gente, porque foi da repercussão e da resposta que a gente recebeu que ele veio a se tornar uma ação continuada e um coletivo”, diz Joana,

“De lá pra cá, o aprendizado tem sido constante, principalmente no sentido de enxergar outras pessoas nas nossas ações. A partir do projeto tenho acesso a outras mulheres, às dimensões complexas do que outras mulheres vivem e que eu não vivo, e o que vivemos em comum. O que surgiu como uma intervenção urbana se tornou ativismo digital e se tornou espaço de formação, através do qual buscamos ajudar no empoderamento de outras mulheres, ao mesmo tempo em que aprofundamos nossas próprias lutas. Nosso grande desejo é poder nos dedicar exclusivamente a isso, ao projeto, a esses temas que nos tocam e tocam as vidas de tantas outras. Fazer mais e falar com cada vez mais pessoas. E fazer isso através da arte é a complementação de tudo. As mulheres estão cada vez mais articuladas, mais firmes na disputa pelos direitos que elas têm e precisam exercer. Esse momento que muitos identificam como uma nova onda do feminismo é a evidência disso. Precisamos abrir espaço para o nosso discurso, para a nossa representatividade e nossa articulação em rede tem sido um instrumento para alcançar essas demandas.”

Acompanhem > facebook.com/deixaelaempaz

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Seja um arco-íris na nuvem de alguém

por   /  19/04/2016  /  8:08

Tão bonita essa fala da Maya Angelou, escritora, cineasta e ativista pelos direitos civis.

There is an African-American song, 19th century, which is so great. It says, “When it look like the sun weren’t going to shine anymore, God put a rainbow in the clouds. Imagine, and I’ve had so many rainbows in my clouds. I had a lot of clouds. But I have had so many rainbows. And one of the things I do when I step up on the stage, when I stand up to translate, when I go to teach my classes,  when I go to direct a movie, I bring everyone who has ever been kind to me with me. Black, White, Asian, Spanish-speaking, Native-American, gay, straight, everybody. I say, “Come with me, I’m going on the stage. Come with me, I need you now.” Long dead, you see, so I don’t ever feel I have no help. I’ve had rainbows in my clouds. And the thing to do, it seems to me, is to prepare yourself so that you can be a rainbow in somebody else’s cloud. Somebody who may not look like you, may not call God the same name you call God, if they call God at all, you see. And may not eat the same dishes prepared the way you do. May not dance your dances, or speak your language. But be a blessing to somebody. That’s what I think. 

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Calendário Pirelli 2016

por   /  30/11/2015  /  17:00

Pirelli Calendar 2016 - November - PATTI SMITH

A cantora Patti Smith, a tenista Serena Williams e a atriz Amy Schumer são algumas das estrelas do Calendário Pirelli 2016. Elas foram fotografadas por Annie Leibovitz. Girl power é isso aí!

Pirelli Calendar 2016 - April - SERENA WILLIAMS PirelliPirelli Calendar 2016 - December - AMY SCHUMER

Abaixo, os vídeos dos bastidores:

Na TV com Simone de Beauvoir

por   /  28/10/2015  /  15:00

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Já experimentou deixar de lado o feed do Face por uma manhã para aproveitar os vídeos longos do YouTube? Fiz isso essa semana e, entre outras coisas, assisti a uma entrevista da Simone de Beauvoir para a TV francesa, em 1975.

A feminist, whether she calls herself leftist or not, is a leftist by definition. She is struggling for total equality, for the right to be as important, as relevant, as any man. Therefore, embodied in her revolt for sexual equality is the demand for class equality. In a society where the male can be the mother, where, say, to push the argument on values so it becomes clear, the so-called “female intuition” is as important as the “male’s knowledge” – to use today’s absurd language – where to be gentle or soft is better than to be hard and tough, in other words, in a society where each person’s experiences are equivalent to any other, you have automatically set up equality, which means economic and political equality and much more. Thus, the sex struggle embodies the class struggle, but the class struggle does not embody the sex struggle. Feminists are, therefore, genuine leftists. In fact, they are to the left of what we now traditionally call the political left.

A while ago we were talking about how the MLF has helped women gain sisterhood. affection for each other, and so on. That might have created the impression that I think women are now better off. They’re not. The struggle is just beginning, and in the early phases it makes life much harder. Because of the publicity the word “liberation” is on the tip of the tongue of every male, whether aware of sexual oppression of women or not. The general attitude of males now is that “well, since you’re liberated. Let’s go to bed.” In other words, men are now much more aggressive, vulgar, violent. In my youth we could stroll down Montparnasse or sit in cafés without being molested. Oh, we got smiles, winks, stares, and so on. But now it’s impossible for a woman to sit alone in a café reading a book. And if she’s firm about being left alone when the males accost her, their parting remark is most often salope [bitch] or putain [whore]. There’s much much more rape now. In general, male aggressiveness and hostility has become so common that no woman feels at ease in this town, and from what I hear in any town in America. Unless, of course, women stay at home. And that’s what lies behind this male aggressiveness: the threat which, in male eyes, women’s liberation represents has brought out their insecurity, hence their anger resulting that they now tend to behave as if only women who stay at home are “clean” while the others are easy marks. When women turn out not to be such easy marks, the men become personally challenged, so to speak. Their one idea is to “get” the woman.

Vejam também!

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O machismo disfarcado naquela piadinha do whatsapp

por   /  28/10/2015  /  11:00

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Já contei pra vocês que tenho uma coluna no portal MdeMulher? \o/

Meu texto mais recente é um relato de uma situação péssima que aconteceu enquanto eu fazia um curso. Escrever foi difícil, mas acabou servindo para várias coisas: primeiro, para desabafar, colocar pra fora o que ficou preso na garganta; segundo, pra descobrir centenas de pessoas que se identificaram com a situação e que não aguentam mais; terceiro, pra me dar certeza de que o silêncio nunca mais vai ser uma opção.

Espero que vocês gostem!

Para ler > O machismo disfarçado naquela piadinha do Whatsapp

#primeiroassedio

por   /  27/10/2015  /  20:00

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Quem usa Twitter e Facebook já deve ter se deparado com a hashtag #primeiroassedio, que surgiu na semana passada e já reúne milhares de histórias. Ler esses relatos traz muita dor e revolta. Ao mesmo tempo, nos dá força. Todas nós temos histórias assim pra contar. Elas ficaram escondidas por muito tempo, mas uma vez que começaram a ser expostas, acabaram nos deixando próximas, mais fortes, com a certeza de que nunca mais ficaremos caladas diante de absurdos.

A campanha foi criada pelo Think Olga, think thank feminista que eu admiro diariamente. Em um post no site, a Juliana de Faria, idealizadora do movimento, conta sobre seu #primeiroassedio e fala sobre os desdobramentos da campanha. Não deixem de ver a fala emocionante dela no TEDxSão Paulo (tem no fim deste post também).

Uma menina de 12 anos se inscreve no programa de televisão, pois ama cozinhar. Na internet, homens se sentem atraídos por sua aparência e, ignorando sua idade, resolvem tecer comentários de cunho sexual sobre a criança. o fato gera revolta nas redes sociais, mas não é preciso ir longe para encontrar histórias parecidas: basta pedir para que as mulheres olhem para o próprio passado.

Quando elas são convidadas a contar a história da primeira vez que sofreram assédio, descobrimos que esse comportamento é muito mais comum do que se imagina – e só é preciso imaginar pois esse terror vive escondido sob um manto de culpa e segredo tecido pelo machismo para acobertar os homens e culpar as vítimas. (…)

Nossa jornada contra a violência contra a mulher, via Chega de Fiu Fiu, nos mostrou que, enquanto mulheres, NÃO temos o controle da nossa vida sexual. Somos iniciadas por meio de um ritual bárbaro e sádico – e grande parte dos crimes, 65%, são cometidos por conhecidos. Ou seja, aqueles em que mais deveríamos confiar. Adentramos, então, nessa área tão delicada da vida de forma totalmente despreparada, cheias de dores, traumas e ansiedades.

Mas também descobrimos que anos de silêncio têm a capacidade de tornar as vozes ensurdecedores quando redescobertas. Nunca duvide do poder das redes sociais para provocar reflexão e empoderamento. A Internet é feita de pessoas e é a partir delas que as mudanças acontecem. Nesse caso, para o bem e para mostrar um problema que está longe de acabar, mas que felizmente a hashtag ajudou a mostrar que existe, sim, e muito, e que é preciso não ignorar as vítimas, mas responsabilizar quem colabora com a manutenção de sua existência – nem que seja com uma “brincadeira” no Twitter.

Leiam o texto completo > Hashtag Transformação: 82 mil tweets sobre o #primeiroassedio

Leiam também a entrevista que fiz com a Ju > Precisamos falar sobre feminismo

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