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“Transformo o que não aceito”, diz Cris Pagnoncelli em seus letterings

por   /  09/08/2018  /  8:08

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Quando trabalho e vida se misturam e se materializam em ilustrações, designs e letterings. Assim é o trabalho de Cris Pagnoncelli, que vocês conhecem mais na entrevista a seguir!

Acompanhem > @crispagnoncelli

Cris Pagnocelli 3

Sou designer, artista visual e profissional independente desde 2010. Me formei em design gráfico em Curitiba, e depois de 4 anos atuando em agências de design e publicidade, naquela correria insana, senti que havia perdido o que havia de mais original e prazeroso do processo: as técnicas manuais. Em 2009, armei uma fuga (talvez de mim mesma, talvez do que me prendia) e mudei para Barcelona, onde cursei uma pós em ‘Ilustração Criativa e Técnicas de Comunicação Visual’, mas acredito que não só o curso, e sim a vivência em outro país, foi o que me permitiu redescobrir outras coisas sobre mim. Sinto que nessa fase meu trabalho teve uma grande mudança não só visual, mas de propósito mesmo. Eu queria ter prazer e me enxergar no que eu tava fazendo / criando / colocando no mundo. Na época eu estava com 24 anos. E os anos seguintes foram de muita busca. Experimentei técnicas novas, estudei coisas diferentes, me conheci melhor. Não digo que foi fácil – talvez os anos mais difíceis da minha vida, mas sem dúvida, o autoconhecimento foi essencial pra estar na fase que me encontro hoje: um pouco mais em paz com tudo o que faço e feliz de colocar minha voz no mundo, talvez por isso eu tenha encontrado no lettering um caminho que gosto de explorar em várias mídias e formatos. Eu gosto de desenhar coisas novas, de me desafiar, de estar sempre me reinventando.

Cris Pagnocelli 1

A arte é a forma mais sincera da nossa liberdade de expressão e coragem. Escolher abordar um tema nas nossas criações exige que a gente se posicione, acredite em algo e defenda até o fim (ou pelo menos, até ser convencido do contrário). Sou muito aberta a novas ideias e estou sempre buscando o equilíbrio das coisas à minha volta. Acredito que através das minhas ilustrações, designs e letterings eu posso comunicar e principalmente transformar aquilo que não aceito. Sei que não posso mudar tudo, mas até o momento que eu puder, vou utilizar a arte e o design como um veículo de informação das pautas que acredito.

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Nos últimos anos coloquei muito da minha vivência pessoal em meu trabalho. Foi algo muito natural. Ao pedalar na rua, e perceber a falta de respeito e espaço com os ciclistas, passei a defender e falar mais sobre bicicleta. Ao perceber o quanto me calei e aceitei coisas que antes pensava serem normais no mundo de agência, entendi que poderia ir ainda mais além sendo independente e traçando meu próprio caminho. E sempre falei sobre isso. Acho que as pessoas se identificam. Trabalhar sozinha nunca foi fácil, mas encontrei belas parcerias no meio do caminho e isso com certeza foi o que me fortaleceu. E acredito que essa coragem de falar sobre o que eu queria falar, de me abrir, de compartilhar, ensinar e aprender com outras pessoas autônomas me trouxeram ainda mais visibilidade. Em tempos de tanta individualidade, acho bem importante bater nessa tecla de que sozinhos a gente não chega tão longe quanto estando lado a lado com quem nos inspira e fortalece.

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Nunca foi fácil ser mulher em qualquer meio. E o meio da comunicação é bastante machista e predominantemente masculino. Sempre trabalhei e convivi com muitos homens. Mas talvez por ter minha mãe como referência eu nunca me senti inferior ou incapaz sendo minoria. Eu cresci acreditando que eu poderia ser o que eu quisesse. E minha mãe sempre foi uma grande líder. Uma vez ouvi de um superior que eu nunca seria uma (líder), pois era emotiva demais, chorava fácil (e choro até hoje). Guardei isso e toda vez que lembro dessa frase, tenho a certeza de que me tornei a mulher que eu já sabia que queria ser, que não necessariamente queria ser líder de alguém mas que saberia e gostaria de liderar. E sigo nesse processo. Construindo espaços de fala, lutando ao lado de outras mulheres e homens que admiro, resistindo. Para que um dia todas nós tenhamos a mesma força e auto estima dos homens. A gente não foi criada pra se impor, pra liderar (muito pelo contrário), mas a mudança está acontecendo e somos parte dela.

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Sirlanney e seus ótimos quadrinhos feministas

por   /  06/07/2018  /  8:00

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A Sirlanney faz aquele tipo de quadrinho que você lê e se identifica na hora. Ela fala de pensar em mandar uma mensagem de amor a cada 5 minutos, de ser stalker, de trabalhar sob pressão, de destruir o patriarcado. Suas histórias são ácidas e certeiras, e é muito legal acompanhar seu perfil no Instagram. (Aliás, obrigada, @instadage, pela indicação!)

Na entrevista abaixo vamos conhecer um pouco mais dessa mulher que nasceu no interior do Ceará em 1984 e publica seus textos e desenhos na internet, em zines e revistas há 15 anos.

Mais > @sirlanney + www.sirlanney.com

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– Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na ilustração e o que você mais gosta de desenhar?

Eu adorava desenhar quando era criança, como todo mundo, mas não parei de deseenhar quando cresci. Era algo que sempre me deixava satisfeita… Ver que eu podia fazer minha própria interpretação do mundo no papel. Mas o que eu amo fazer é contar histórias, escrever mesmo. Ilustração é só uma parte do que eu faço, porque o que eu acho que faço mais é contar histórias através dos desenhos. Então eu estudei artes plásticas, aprendi diferentes técnicas, li os grandes mestres e os nem tão grandes assim… E continuo estudando todos os dias, é um trabalho sem fim.

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– O que a arte representa na sua vida?

A arte é o ponto central da minha vida, é o que eu escolhi fazer agora e no futuro. Mas antes já era o que embalava meu coração frágil, desde que eu posso lembrar. A arte sempre foi o que eu podia me agarrar enquanto buscava o sentido da vida.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Geralmente é o que mais me incomoda. Aquele assunto que tá mal resolvido para mim ou para o mundo. Patriarcado, política, direita, esquerda, capitalismo, ego, altruismo, nova era, minha falta de habilidade com o Excel… Qualquer coisa que fique martelando na minha cabeça! Aí eu preciso parir um quadrinho para arrancar isso de mim.

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– Como é ser mulher no seu meio?

Já foi pior, mas ainda é chato. Não posso negar o salto que demos nos últimos anos no sentido de sermos consideradas, sermos lidas e termos obrigado a sociedade enxergar que somos top. Mas sempre que pego uma revista ou qualquer publicação sobre quadrinhos ou ilustração e vejo lá o clube do bolinha, ainda firme e forte, reviro os olhos.

Sy

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Por que não se fala da história de amor de Marielle?

por   /  17/03/2018  /  14:59

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Desde que soube da execução da Marielle, entrei em um looping de ler tudo, em todos os lugares. E de pensar em sua companheira. Que não teve sua dor estampada no jornal. A dor de uma mulher lésbica não sai no jornal.

Conversas com amigos e 2 posts me fizeram atentar pra essa questão. “Esse processo (…) reflete a lesbofobia presente nas relações sociais e na forma como nos percebem como abjeções, como vidas que não importam e que não têm o direito sequer de serem reconhecidas como legítimas e, portanto, podemos também ser apagadas, exterminadas. Ademais, ninguém fala da dor da sua companheira Mônica, ela não é ouvida, mas silenciada. É como se os nossos relacionamentos fossem nada, nossas dores fossem nada, o nosso amor fosse nada”, escreveu Simone Brandão Souza.

Imagina perder a mulher da sua vida em uma execução que mudou o Brasil e ninguém te citar? Ah, isso desvia o foco? Falar do amor de Marielle não desvia o foco. É mais uma violência. Não falar do amor de Marielle diminui inclusive a luta que a própria travava. Ela defendia a visibilidade lésbica – tema que lhe motivou a apresentar um projeto de lei na Câmara do Rio.

Por que não se fala da sexualidade de Marielle, se ela estava estampada nos posts, aos quais qualquer um facilmente tem acesso? Entrei no Instagram dela na quarta, quando o número era de 7.000 seguidores. Hoje, são mais de 70.000. Ninguém viu ali a matéria pronta? “A história de amor de Marielle em 10 fotos do Instagram”?. Faço por aqui mesmo.

“Muita gente ainda não entende que negar o nosso amor passa uma mensagem de que não somos tão dignas. Que a dor da companheira dela não é legítima como de outra esposa. Invisibilizar quem a gente é dói. Não reconhecer que existia uma amor tão real ali, como qualquer outro, é mais uma violência”, me diz uma amiga querida.

Mulher, negra, mãe, periférica, lésbica ou bissexual, quinta vereadora mais votada do Rio, socióloga, mestre em administração, defensora dos direitos humanos. Marielle é tudo isso. Marielle é um mundo inteiro. E a gente não pode nunca deixar de falar de amor. Toda forma de amor.

#mariellepresente

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Jemima Kirke e a honestidade da vida real

por   /  10/08/2017  /  9:09

Jemima Kirke, a Jessa do seriado “Girls”, em uma entrevista tão honesta para o StyleLikeU. O projeto convida mulheres a se despirem em frente a uma câmera – e quando elas fazem isso é tão menos sobre a roupa e tão mais sobre mostrar de verdade, olhando pra dentro, pra toda vulnerabilidade que todas nós carregamos. Fiquei encantada.

“Uma das razões pelas quais fui contratada para o ‘Girls’ era a minha personalidade – e algum tipo de brilho que eles queriam. Não era uma habilidade que eu tinha. Isso me fez me sentir uma merda, e também inflou meu ego.”

Quando perguntada se tem alguma insegurança em que ainda está trabalhando, ela fala: maternidade. “Para muitas pessoas parecia que estava tudo certo na minha vida. A culpa me atingiu no segundo momento em que ela saiu de mim. Eu era sua mãe. ‘Meu deus, o que acabei de fazer? Eles vão me dar um bebê’. (…) Eu não estava pronta para ficar em casa todas as noites. E não tinha paciência porque ainda era muito autocentrada.”

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Deixa Ela em Paz

por   /  07/09/2016  /  10:10

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O Deixa Ela Em Paz (@deixaelaempaz) é um projeto de intervenção urbana e ativismo digital. Criado por Joana Pires e Manuela Galindo, tem como objetivo discutir o empoderamento de mulheres, enquanto se fortalece, também, como um espaço de formação. Para isso, colocou no ar uma campanha de crowdfunding. A gente pode contribuir com qualquer valor, basta acessar www.benfeitoria.com/deixaelaempaz.

Conversei com Joana sobre o projeto. “Fico pensando aqui em como responder tuas perguntas enquanto o meu juízo tá quase completamente dominado pelos últimos dias no Brasil e tudo o que isso significa e ainda vai significar para a gente, sabe? O Deixa Ela Em Paz é também uma parte desse processo, uma das outras partes, a parte de uma resistência feminina em meio a um mar bravio e duro, que afoga a gente caldo atrás de caldo no ressurgimento de uma onda conservadora na nossa história. E a gente sabe como não é fácil ficar submersa em meio a isso tudo, tentando encher o pulmão de ar. Mas como mar não tem cabelo (adoro essa expressão), o respiro vem das boias que a gente mesmo vai tentando ‘artesanar’. O Deixa Ela Em Paz como intervenção urbana surge assim, da necessidade de falar com mulheres sobre as realidades que dividimos no dia a dia, da minuciosa realidade de violência que todas vivemos e que pode ser vista no relacionamento silenciosamente abusivo, na discriminação salarial, na tentativa de silenciamento da nossa voz no ambiente de trabalho, na violência urbana, na agressão dentro de casa.”

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“Quando eu e Manuela começamos, buscamos falar com essas mulheres de forma simples e direta, como falávamos uma para a outra, criando espaço para reflexões que pudessem vir a se potencializar mesmo depois que as mulheres deixassem de ter contato direto com o nosso discurso. O primeiro passo era intervir uma pela outra, no espaço da cidade, demandar a paz da outra, num ato de solidariedade, empatia e força mútua. Saímos, primeiro no Rio de Janeiro, onde fizemos a primeira colagem e depois no Recife, com um grupo maior de amigas. Mas a impressão é de que o projeto começou com muito mais gente, porque foi da repercussão e da resposta que a gente recebeu que ele veio a se tornar uma ação continuada e um coletivo”, diz Joana,

“De lá pra cá, o aprendizado tem sido constante, principalmente no sentido de enxergar outras pessoas nas nossas ações. A partir do projeto tenho acesso a outras mulheres, às dimensões complexas do que outras mulheres vivem e que eu não vivo, e o que vivemos em comum. O que surgiu como uma intervenção urbana se tornou ativismo digital e se tornou espaço de formação, através do qual buscamos ajudar no empoderamento de outras mulheres, ao mesmo tempo em que aprofundamos nossas próprias lutas. Nosso grande desejo é poder nos dedicar exclusivamente a isso, ao projeto, a esses temas que nos tocam e tocam as vidas de tantas outras. Fazer mais e falar com cada vez mais pessoas. E fazer isso através da arte é a complementação de tudo. As mulheres estão cada vez mais articuladas, mais firmes na disputa pelos direitos que elas têm e precisam exercer. Esse momento que muitos identificam como uma nova onda do feminismo é a evidência disso. Precisamos abrir espaço para o nosso discurso, para a nossa representatividade e nossa articulação em rede tem sido um instrumento para alcançar essas demandas.”

Acompanhem > facebook.com/deixaelaempaz

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Seja um arco-íris na nuvem de alguém

por   /  19/04/2016  /  8:08

Tão bonita essa fala da Maya Angelou, escritora, cineasta e ativista pelos direitos civis.

There is an African-American song, 19th century, which is so great. It says, “When it look like the sun weren’t going to shine anymore, God put a rainbow in the clouds. Imagine, and I’ve had so many rainbows in my clouds. I had a lot of clouds. But I have had so many rainbows. And one of the things I do when I step up on the stage, when I stand up to translate, when I go to teach my classes,  when I go to direct a movie, I bring everyone who has ever been kind to me with me. Black, White, Asian, Spanish-speaking, Native-American, gay, straight, everybody. I say, “Come with me, I’m going on the stage. Come with me, I need you now.” Long dead, you see, so I don’t ever feel I have no help. I’ve had rainbows in my clouds. And the thing to do, it seems to me, is to prepare yourself so that you can be a rainbow in somebody else’s cloud. Somebody who may not look like you, may not call God the same name you call God, if they call God at all, you see. And may not eat the same dishes prepared the way you do. May not dance your dances, or speak your language. But be a blessing to somebody. That’s what I think. 

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Calendário Pirelli 2016

por   /  30/11/2015  /  17:00

Pirelli Calendar 2016 - November - PATTI SMITH

A cantora Patti Smith, a tenista Serena Williams e a atriz Amy Schumer são algumas das estrelas do Calendário Pirelli 2016. Elas foram fotografadas por Annie Leibovitz. Girl power é isso aí!

Pirelli Calendar 2016 - April - SERENA WILLIAMS PirelliPirelli Calendar 2016 - December - AMY SCHUMER

Abaixo, os vídeos dos bastidores: