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Don’t Touch My Mixtape: 2 anos de Selvagem

por   /  26/11/2013  /  19:15

Sair pra dançar é uma das coisas que mais gosto de fazer. E, toda vez que uma noite é incrível, o mérito é não apenas da minha predisposição para a pista, mas essencialmente de alguma banda ou de algum DJ que consegue me surpreender.

Vi a dupla Selvagem pela primeira vez no meio do ano. A segunda vez foi sábado passado, no Bar Secreto. E confirmei: o som que eles tocam é sensacional!

Na próxima quinta (28/11), o Selvagem comemora dois anos de existência, com uma festa no Madame Satã. Augusto Olivani e Millos Kaiser, que formam a dupla, convidaram uma outra dupla pra animar a pista: os escoceses Optimo.

Alguma dúvida de teremos mais uma noite maravilhosa?

Aproveitando a ocasião, pedi a eles um set especial para o Don’t Touch!

Let’s dance? ♥

A foto é do Jeff Luker.

 

A Selvagem faz festa de 2 anos nesta quinta, no Madame Satã. A dupla Optimo completa a noite > https://www.facebook.com/events/765698120123681/

Selvagem é tanto o nome da dupla formada pelos DJs Millos Kaiser e Trepanado como da festa que fazem no eixo Rio-São Paulo. Na capital paulista, eles organizam mensalmente uma festa dominical no Centro de São Paulo, no Paribar, localizado na Praça Dom José Gaspar, que é considerada uma das melhores da cidade (vide eleição no Guia da Folha em 2012), além de produzir eventos nos quais já contaram com nomes como Justin Strauss (lenda nova-iorquina, o DJ preferido de Basquiat e Keith Haring), Paul Thomson (baterista do Franz Ferdinand), JD Twitch (Optimo), Andy Blake (World Unknown), Severino (Horse Meat Disco) e Eric Duncan (Rub N Tug); no Rio, a Selvagem tem uma residência mensal produzida em parceria com a Comuna, na qual seus DJs tocam por mais de seis horas em festas conhecidas por acabarem só de manhã. A Selvagem promove uma mistura musical livre-associativa que refuta um único gênero musical, preferindo a ideia de que existe música boa e ruim em qualquer estilo, seja disco, rock, eletrônico, funk, soul ou jazz.

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o melhor carnaval

por   /  17/01/2013  /  9:12

O melhor Carnaval é o de Pernambuco!

Há um ano rolou um texto na MTV Iggy sobre o assunto. E nas vésperas da folia, o texto voltou a circular.

Aqui a versão original > http://www.mtviggy.com/articles/goodbye-rio-hello-recife-a-taste-of-brazils-best-hidden-carnival/

Abaixo, a traduzida!

Pra esquentar, músicas de Carnaval > https://soundcloud.com/olinda

Adeus Rio, Olá Recife: Um Gostinho do Melhor Carnaval Escondido do Brasil
Largue seu amante e festeje com Pac-Man

Por Marlon Bishop
Traduzido por Gustavo Maia

Esqueça o Rio, seus enormes carros alegóricos e plumas, suas dançarinas peitudas vestidas com pedaços de tecido pequenos e estrategicamente posicionados, seu Sambódromo exclusivo e sua estrondosa bateria de samba. É um carnaval para as câmeras, para panfletos de agências de viagem, para turistas acima do peso do Arkansas (EUA). Pergunte a quem sabe o que é bom e eles lhe dirão: o Carnaval mais real do Brasil é o do Recife.

Recife é uma das grandes cidades do Nordeste do Brasil, um município antigo, originalmente construído por plantadores de açúcar da Holanda na saliência mais oriental da América do Sul, a parte que encaixa como uma peça de quebra-cabeça no canto do Leste da África. Carnaval no Recife – e em Olinda, sua cidade-irmã colonial – é um carnaval de rua. Não há áreas exclusivas separadas por cordas ou ingressos caros, apenas um monumental caos humano, milhões de pessoas enlouquecendo juntas ao pôr do sol. Velhos e novos, ricos e pobres, hippies e playboys, negros e brancos, todos se misturam nas ruas de pedra – bebendo cerveja direto da garrafa, beijando desconhecidos e dançando até que suas sandálias Havaianas se partam.

“Nos últimos 40 anos o Carnaval do Rio tem sido uma janela para vender uma imagem pobre e até racista do Brasil no exterior. Tudo sobre aquela celebração é calcado nos interesses da televisão comercial. Já na Bahia, o Carnaval é repleto de segregação causada por razões econômicas e socais”, afirma o administrador de rádio e DJ de tecnobrega do Recife, Patrick Torquato. “Mas o Carnaval do Recife é rico com uma mágica inexplicável, você só tem entende se experimentar. Os sons, as cores. É o Carnaval mais multicultural, o que melhor representa a mistura cultural do Brasil.

Primeiro vamos desmistificar um pouco toda a “coisa” do Carnaval. Sim, ele é relacionado com a tradição celebração católica da Quaresma nos dias que antecedem a Quarta-Feira de Cinzas e blá, blá, blá. Mas a verdade é que o Carnaval é um Halloween de quatro dias que não para no abafado calor tropical, sem a parte do “doces ou travessuras” (trick-or-treating), com bandas gigantes de marchinha e percussão. Algumas pessoas vestem fantasias tradicionais de Carnaval que envolvem pequenas sombrinhas multicoloridas, mas a maioria se veste de personagens como Batman, Pac-Man, Capitão América, Princesa Toadstool (aquela do Super Mario), o M&M verde e Osama Bin Laden.

A festa começa cedo, com os primeiros blocos ou troças carnavalescas invadindo as ruas lá pelas 8h da manhã. Durante o dia, o lugar para se estar é Olinda – a pitoresca cidade colonial com becos sinuosos e casas coloridas. Vendedores ambulantes vendem cerveja, copos gigantes de Red Bull e Whisky e cocos gelados para a essencial hidratação do meio da festa. Já que as ruas ficam lotadas além da capacidade, saiba: se entrar na multidão, você não terá nenhuma escolha a não ser seguir o fluxo, esmagado contra pelo menos mais um milhão de pessoas. Quando os blocos passam, tocando frevo em tubas e trombones ou maracatu em enormes tambores de madeira, quem estiver no meio da festa será levado na “procissão”, quer queira quer não.

Festas de dança improvisada menores brotam em qualquer lugar em que haja alguém com um tamborim ou um megafone e uma música para cantar. Enquanto isso, crianças pequenas nos terraços te ensopam com armas de água, desconhecidos de melam de tinta e pelo menos um indivíduo com mau gosto te ataca com um vibrador preso a uma vara de pescar. Aqueles que não acabam seus namoros imediatamente antes do Carnaval, uma tradição brasileira, se agarram aos seus parceiros até serem afastados por um homem vestido de crocodilo. Em um canto, Barack Obama e a Mulher Maravilha juntam os lábios de forma selvagem atrás de uma barraca de empanada.

Quando a noite cai, Olinda fica mais vazia e dá lugar ao Recife Antigo, que recebe multidões para enormes shows a céu aberto. A programação varia de grandes nomes da música brasileira, como Ney Matogrosso e Lenine, a atrações estrangeiras como Angelique Kidjo, ou ainda nomes ascendente como o rapper paulista Criolo. Mas nada supera a energia de quando o Nação Zumbi toca. Nação Zumbi é a antiga banda de apoio do já falecido Chico Science, uma lenda local que misturou hard rock e hip-hop com maracatu tradicional e mudou para sempre o curso da música brasileira. Quando clássicos dos anos 90 explodem nas caixas de som, as “rodas-punk” se espalham pelo horizonte e os dreadlocks (penteado rastafári) giram no ar.

Em palcos menores espalhados pela cidade, novos e inovadores artistas se apresentam, também de graça. Da “cena amazônica” de tecnobrega, Waldo Squash e sua Gang do Electro se apresentaram enquanto adolescentes gays pintados com tintas fluorescentes mostravam suas danças coreografadas. O grupo colombiano de hip hop-cumbia Sistema Solar “botou pra torar” e o Bixiga 70 “abalou as estruturas” ao revisitar músicas de Afro-funk brasileiro.

“Gerações mais novas precisam tanto ser educadas na traição e empurradas para frente pela vanguarda musical. Manter a relação entre o tradicional e o inovador é o poder da música brasileira em geral”, diz o DJ Patrick Torquato. “E os recifenses fazem isso muito bem.”

Um dia de Carnaval parece uma semana e a coisa toda parece uma vida inteira. No final, seu corpo e mente estão destroçados, implorando por descanso. Mas em todo o hedonismo, excesso e celebração existe uma sensação de renascimento coletivo, de recomeço. Isso é, até a festa do ano seguinte.

(Todas as fotos são de Beto Figueiroa. Para ver mais das suas incríveis fotografias de Carnaval, visite a página do Flickr dele)

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