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Precisamos falar sobre o feminismo

por   /  31/10/2014  /  15:15

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Não tinha me dado conta de como o feminismo deve ser uma questão cotidiana*, até o dia em que fazia uma aula de alongamento na academia e três caras entraram para fazer um serviço no ar-condicionado e ficaram secando as mulheres da turma. Foi uma situação desconfortável, pra não dizer nojenta, e eu me senti invadida. Uma parte ficou no deixa disso, eu resolvi reclamar com a coordenação, que prontamente falou que aquilo não ia mais acontecer. Passei o resto do dia pensando nesse tipo de armadilha que tantas vezes cruza o nosso caminho, em como a gente pode cair facilmente (do tipo se achar gostosa porque o cara tá olhando) e, principalmente, no quanto a gente precisa entender melhor várias questões e aprender a se afirmar cada vez mais.

Faz pouco mais de seis meses que voltei para o Facebook, depois de ficar um ano longe. Para não ficar saturada, decidi por menos ruído, mais informação. Entrei em alguns poucos grupos, número suficiente para que eu acompanhe as discussões que acontecem neles. Vi minha relação com a rede mudar. Feminismo era um assunto que me interessava pelas bordas, eventualmente. Depois que entrei no grupo Talk Olga, isso mudou. Comecei a acompanhar as histórias que as garotas postam, a ler um monte. Passei a usar com frequência a palavra empoderamento – e a vibrar cada vez em que ouço uma história desse tipo.

Jamais achei que um grupo no Facebook fosse capaz desse tipo de transformação. Por isso, decidi entrevistar a Juliana de Faria, jornalista, criadora da Olga, um dos melhores sites feministas que você vai encontrar na internet, e moderadora desse grupo no Facebook que é capaz de fazer mudanças na vida de várias mulheres. A entrevista é longa, do jeito que eu gosto. Espero que vocês gostem também! E, desde já, sugiro que acompanhem os canais: www.thinkolga.com e www.facebook.com/groups/talkolga

* Isso soa bobo, eu sei, me deixou com receio de postar, mas foi essa situação que aconteceu recentemente que me despertou com mais intensidade pro movimento. Já tinha passado por outras situações opressoras, tinha me incomodado e sentido nojo, claro, mas foi nesse dia que a questão deixou de ser uma coisa que vem e vai e se firmou mesmo. Pra não ficar com uma abertura rasa, deixo vocês com outra pessoa que entende muito do assunto, a Aline Valek, que fez um compilado sobre o que as feministas defendem e um FAQ feminista.

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Qual é a primeira lembrança que você tem em relação ao feminismo?

Sempre compartilhei da luta do feminismo se partimos do significado básico do termo (do Aurélio, movimento com o intuito de conquistar a equiparação dos direitos políticos e sociais de ambos os sexos). Lembro até de defender o direito ao aborto em discussões com colegas de escola, quando ainda era pré-adolescente. Mas por muito tempo reneguei a credencial de feminista por acreditar que o feminismo me renegava. Na minha ignorância, acreditava que algumas das minhas ações, como me interessar por moda e beleza e ter me casado no papel, já me excluíam do movimento. Foi graças a debates na internet que me aprofundei no assunto, entendendo então que feminismo também significa liberdade e empoderamento. Criei uma definição do meu feminismo: lutar para ampliar o leque de opções das mulheres. E que elas possam tomar suas próprias decisões, livres de pressões externas, sem ter que pedir desculpas pelos caminhos que escolherem.

E como e quando o feminismo virou uma causa para você?

Eu estudei jornalismo e, depois de cansar de fazer matérias sobre qualquer assunto que caía no meu colo, decidi me especializar em uma área. Estudei moda, em Londres. Fiz dois cursos na Central Saint Martin’s, de marketing de moda e styling. Este último me fez perceber que eu não tinha o menor jeito com roupas (haha). Lembro de uma aula em que tínhamos que reconhecer os tecidos pelo toque e, nossa, eu tinha uma dificuldade para distinguir o que era seda e do que era sintético (haha). Claro que me perguntava se eu estava fazendo a escolha certa. Mas tão logo entendi que moda é uma coisa ampla, e a parte social e antropológica dela era o que me interessava. Por isso que digo que sempre gostei mais de mais falar sobre as mulheres que vestem as roupas do que as roupas que vestem as mulheres. A partir daí, comecei a trabalhar em redações de revistas femininas. Conheci mulheres inspiradoras, apaixonadas pelo que faziam e aprendi muito. Mas também senti que meu interesse pelo feminino ultrapassava a barreira dessas publicações. Notei que minhas sugestões de pautas já não faziam mais sentido para aquele espaço. Muitas delas eram rejeitadas por não conversar com a linha editorial das revistas. Um exemplo era a minha vontade de falar sobre assédio sexual. Decidi criar meu próprio projeto. Se não poderia escrever sobre o que me interessava nessas revistas, criaria um blog próprio, onde teria mais liberdade. E poderia também ser uma opção de leitura para outras pessoas, caso houvesse esse interesse. E o feminismo pautou muito a criação desse espaço, que é a OLGA, e a escolha dos assuntos que eu trataria. Ali, fui desconstruindo um monte de conceitos que oprimem as mulheres, pressões sociais que deixam nossa vida mais difícil. Assim como criando campanhas e projetos cujo objetivo é empoderar mulheres em diversos áreas — de violência de gênero à liderança no trabalho. Não foi um projeto que nasceu com um conceito totalmente pronto. Aprendi e ainda aprendo muito sobre feminismo conforme vou caminhando. Mas a essência dele, de querer criar conexões mais verdadeiras com as mulheres, será sempre a mesma.

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Você trabalhou em revistas femininas, espaços que não costumam oferecer uma visão mais completa e complexa da mulher. O que mais te incomodava nessa época?

A limitação de assuntos. As revistas femininas não deveriam ser chamadas assim porque suas páginas trazem matérias sobre moda, beleza e sexo. Isso é dizer que mulher só se interessa por esses assuntos. Na minha visão, essas publicações deveriam tratar de todos os assuntos — política, economia, cinema, música, arquitetura, carros, futebol — mas com um viés feminino e feminista. Já temos exemplo de publicações que fazem isso muito bem. Lá fora, Rookie Mag, Libertine, Frankie Mag, The Gentlewomen. Aqui, gosto de citar a revista digital Capitolina, que é voltada para adolescentes e não restringe seu conteúdo a boyband e virgindade. Elas falam sobre crise de ansiedade, ciência, homossexualidade, roubos em museus (!), medo da morte, violência doméstica, fantasias sexuais, racismo, quadrinhos, ditadura. Eu acho que as femininas estão no caminho da mudança. Muito vem sendo feito, de verdade, como a capa da Nova com a Preta Gil. De novo, a Nova apoiou a campanha Não Mereço Ser Estuprada, o que foi muito legal também. Mas elas ainda pagam um preço pelo seu histórico — e também pelas chamadas de capa, que insistem na fórmula antiga da “barriga chapada” e “as formas como enlouquecer seu homem”.

Você conseguia de alguma forma driblar as limitações e falar de temas que te interessavam, que mostravam um pouco daquilo em que você acredita?

Eu trabalhei no Modaspot, o extinto portal de moda da Editora Abril, e a diretora de redação era a Eliana Sanches, uma chefe muito incrível que me dava carta branca para pirar. Por ser um site, havia mais espaço (literalmente) para escrevermos sobre o que quiséssemos. Fazia sim o feijão com arroz (tendências, passarelas, o look do dia da celebridade), mas tive também a oportunidade de escrever matérias que debatiam o transgênero, por exemplo. Também criticamos a exposição das crianças no mundo da moda. Mas faço a mea culpa: já escrevi sim coisas das quais me envergonho por pura automatização da reprodução de discursos machistas. Por isso brigo muito para que nós, jornalistas, paremos para refletir sobre a mensagem que colocamos para o mundo. As palavras têm força e temos que tomar cuidado com a escolha de cada uma delas. Quando dizemos que uma atriz foi FLAGRADA sem maquiagem, o termo traz um peso de que ela estava cometendo um crime, sabe? Outra coisa: temos que escutar as leitoras, mas escutar para valer e não atrás de uma janela de vidro, durante uma pesquisa de mercado feita pelo marketing. A conversa entre criador de conteúdo e consumidor de conteúdo precisa ser horizontal e não vertical.

Foi quando suas pautas começaram a ser rejeitadas que você decidiu criar um blog, né? Conta como surgiu o Think Olga?

Sim, exato. A OLGA nasceu dessa vontade de poder criar um conteúdo sobre mulheres, para mulheres, que não fosse condescendente, baseado em clichês. Além disso, queria que fosse um espaço para evidenciar as desigualdades de gêneros — do gap salarial à baixa participação das mulheres como fontes em matérias — e criar soluções para elas. É um sonho e uma responsabilidade imensa, que não vem acompanhada de apoio financeiro.

Falar com a mulher de uma maneira livre de estereótipos é uma das premissas do projeto. Quais são as outras?

Gosto da frase da jornalista e ícone feminista Gloria Steinem: “A verdade vai te libertar. Mas antes vai te irritar”. E o feminismo é a conquista de poder pela informação. Uma mulher bem informada – dos seus direitos, das suas possibilidades e principalmente de realidades tristes e injustas – é uma mulher com mais força para lutar e para buscar alternativas e mudanças. E a OLGA nasceu a partir desse desejo de criar uma conversa mais honesta, mais acessível com as mulheres. De criar conteúdo livre de estereótipo, de linguagem paternalista e pressões sociais. O projeto acabou indo além e se desdobrando em diversos outros braços: workshops, encontros, palestras, exposições, projetos colaborativos, um grupo de debate com mais de dois mil membros e até um ebook. Trabalho em diversas plataformas, mas sempre com o mesmo objetivo: empoderar mulheres pela informação.

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Como você articula a rede de mulheres que fazem pesquisas, escrevem textos e ilustram os posts?

Temos algumas colaboradoras voluntárias fixas, como a advogada Gisele Truzzi, que responde dúvidas judiciais das leitoras e até fez um FAQ sobre violência e assédio online (www.thinkolga.com/2014/04/01/f-a-q-juridico-violencia-virtual/).

A Bárbara Castro, socióloga e doutora em Ciências Sociais, é conselheira do projeto e traz a visão acadêmica para dentro do projeto [ela já foi entrevistada para o blog da Contente; A armadilha do faça o que você ama]. A Luíse Bello, também diretora de comunicação da Olga, e a Gabriela Loureiro têm uma presença se alternam na criação de conteúdo. Esse é o núcleo duro. Mas como a maioria dos nossos projetos, a Olga também funciona de forma colaborativa. Publicamos quadrinhos, ilustrações e textos de quem quiser colaborar. As portas estão abertas!

A internet é recheada de textos que dizem como a gente deve ser, o que fazer. Como despertar a atenção para um conteúdo que é diferente disso – sempre mais aprofundado, falando de temas “difíceis”?

Acho que se eu tivesse uma fórmula, seria mais um dos textos que dizem o que a gente deve fazer e ser para atingir o sucesso. Hehe. Não sei, Dani, mas acredito que a internet abraça todo tipo de pessoa, inclusive quem dá preferência para textos mais aprofundados e complexos. Não tenho regras para despertar a atenção do público: apenas vou lá e faço o que acredito estar certo. A Chega de Fiu Fiu, por exemplo, foi rejeitada quando ofereci como pauta para uma revista. Mas quando a coloquei na internet, sem qualquer trabalho de assessoria de imprensa ou de relações públicas, ela viralizou. Felizmente, existiam várias outras pessoas que queriam ler, falar, discutir sobre o assunto. É claro que nunca terei a mesma audiência do Buzzfeed, afinal, meu conteúdo fala com um nicho. Mas vejo vantagens em falar com nicho — os leitores são muito mais engajados e participativos. Trabalhei vários anos em redações e recebi meia dúzia de e-mails de leitores. Na Olga, tenho um contato frequente e direto com o público, o que fortalece meu trabalho, me dá direções de onde devo mirar. É importante ter esse feedback instantâneo, principalmente para sabermos onde erramos e como podemos acertar numa próxima vez.

Você já tem um modelo de negócios? Como vê a Olga crescendo?

A Olga não é uma empresa. Ela é um movimento cujo objetivo é empoderar mulheres e o ativismo é a sua base. Ou seja, sinto que mudamos o mundo de fora (mobilizando pessoas) para dentro (criando pressão social em órgãos públicos, empresas privadas etc) com ações sem fins lucrativos. Mas debaixo do guarda-chuva da Olga pretendo sim lançar um braço que incentive mudanças e transformações feitas de dentro para fora também. Ou seja, buscar parcerias com marcas, empresas e agências que estão na liderança de produção de produtos para as mulheres e assim poder, por meio de consultorias, criar conexões mais humanas com o feminino.

Por que o feminismo ainda é um tema que não interessa a tanta gente? Quais são as armadilhas que travam as mulheres em relação ao feminismo?

Na verdade, acredito que o feminismo nunca foi tão popular. Nunca vimos tantas celebridades — pessoas imersas em uma indústria ainda muito machista que fatura em cima de padrões de beleza — se declarando feministas. A internet está repleta de produtores de conteúdo feminista de qualidade. E até mesmo jornalistões das antigas e meios de comunicação conservadores já não hesitam mais em usar o termo “feminismo”. Fico feliz em notar que ultrapassamos a barreira do medo de falar sobre o assunto. Mas, sim, acredito que existam ainda armadilhas que travam as mulheres em relação ao movimento. Basta ver campanhas como “mulheres contra o feminismo”. E acredito que essa aversão nasce da ignorância do que é o feminismo. Há muitas estereótipos e informações equivocadas sobre o movimento, muitas delas espalhadas por páginas machistas, com o objetivo de minar o ativismo. O feminismo busca simplesmente oportunidades iguais para homens e mulheres. Como alguém pode ser contra isso?

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Beyoncé citar o feminismo ajuda a mudar um pouco isso? Quais outras iniciativas do tipo você gostaria de ver como notícia?

Ajuda muito. Existem algumas pessoas que acreditam que existe “feminismo certo” e “feminismo errado”. Mas como podemos julgar o ativismo alheio se o movimento não tem mesmo nada de absoluto? Publicamos um texto chamado Flawed: Uma feminista Imperfeita (www.thinkolga.com/2014/08/28/flawed-uma-feminista-imperfeita/), da Fabi Secches, em que ela analisa as críticas às ações da Beyoncé. Ela diz: “O feminismo é um conceito em formação e transformação e estamos nos formando e transformando junto com ele.” E ela aplaude o ode que Beyoncé faz à escritora Chimamanda Ngozie Adichie. “Se as críticas dizem que Beyoncé é privilegiada demais, certamente Chimamanda Ngozi Adichie não é. Negra, nascida em um país pobre como a Nigéria, a escritora precisou enfrentar um mundo machista, racista e com recursos limitados para se tornar a autora premiada e consagrada de hoje. Ainda assim, poucos a conhecem. Especialmente se compararmos a quem conhece e acompanha o trabalho de Beyoncé. Portanto, ter levado a voz de Adichie a pessoas e ambientes onde ela provavelmente jamais chegaria, para mim, já é algo para se aplaudir de pé.” Então sim, ver um telão gigante escrito FEMINIST no palco do VMA, da MTV, é uma grande conquista. Queria eu, quando jovem, ver meus ídolos se declarando feministas assim abertamente. Isso me ajudaria a ter contato ainda mais cedo com um movimento que luta contra desigualdades. E ok, o universo pop está superando o medo da palavra. O próximo passo é ver essas celebridades registrarem ainda mais apoio às lutas do feminismo, como aborto, a luta contra a violência de gênero, o gender gap. E é algo que, aos poucos, estamos vendo — de Sheryl Sandberg falando de mulheres na liderança de empresas à Emma Watson representando a ONU Mulheres.

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Você já tinha sofrido assédio bem antes da Olga. Com a repercussão das campanhas, também. O que mais te enoja em tudo isso e quais providências você costuma tomar?

O assédio é uma violência que humilha, traumatiza e amedronta a mulher. Ele não surge da valorização e sim das relações de poder de gênero, da necessidade de impor na mulher um desejo sexual independente de consentimento. Acho aterrorizante perceber como não temos direito aos espaços públicos, mas nossos corpos são sim vistos como públicos. Como se qualquer homem tivesse o direito a usá-lo da forma que bem entender, em qualquer lugar, a qualquer hora. É lamentável o fato de que nós, mulheres, não podemos experimentar cidade da mesma forma que homens — temos medo de ir a certos espaços à noite, de passar em frente a locais com grande concentração de homens, que pensamos duas ou três vezes nas roupas que vamos usar para escapar dessa violência. Jamais, na história da sociedade, um homem precisou ter essas mesmas preocupações. Sempre tive muito medo de responder a assédios — mesmo porque eles começaram quando eu ainda era criança, aos 11 anos. E não foram apenas assédios verbais (que considero uma violência também bastante dolorida para a mulher). Aos 13, um desconhecido na rua puxou meu braço e me empurrou na parede, dizendo que “eu era muito bonita e que queria me comer”. Por sorte, ele estava bastante bêbado, então tive forças para me desvencilhar. Mas e se não tivesse forças? Nós nunca sabemos quando um assédio pode virar estupro ou até mesmo um outro tipo de violência. Quem nunca respondeu a um assédio e, em seguida, ouviu um xingamento ou até mesmo sofreu uma violência física? Mas sinto que graças a campanhas contra o assédio, as mulheres se sentem mais corajosas para responder, buscar ajuda, denunciar para policiais. E também convido a todas que quiserem denunciar qualquer violência contra a mulher a entrar no mapa Chega de Fiu Fiu (www.chegadefiufiu.com.br) e compartilhar sua história. Nossa proposta com a ferramente é de registrar os locais problemáticos do Brasil. E ao conhecer esses pontos críticos, podemos entender o motivo que os levam a assim ser: é uma rua com iluminação escassa? É uma casa noturna com segurança falha? Somente compreendendo tais questões é que podemos buscar mudanças – e não apenas no setor privado, mas também no público.

Quais as histórias mais difíceis que você já ouviu depois de ter aberto esse espaço?

Antes do mapa, abri um espaço na própria Olga para publicar depoimentos de mulheres vítimas de assédio sexual. O recorte era esse. Mas rapidamente as denúncias já se ampliaram para outros tipos de violência de gênero: violência doméstica, machismo no trabalho, gaslighting (www.papodehomem.com.br/porque-as-mulheres-nao-estao-loucas/), racismo, gordofobia, homofobia, abuso sexual na infância e estupro. Foi um espaço em que elas acharam para poder relatar o que sofriam, botar pro mundo os horrores que viviam. Já recebi milhares de depoimentos sobre violência contra a mulher. No grupo de discussão da Olga, também tenho contato com muitas histórias de partir o coração. Confesso que até hoje eu me emociono com esses depoimento, choro, passo raiva, sinto meu coração acelerar. Vivo alternando entre o otimismo (pois acho que estamos avançando muito na conversa sobre violência contra a mulher) e o pessimismo (pois às vezes acho que a única solução para um mundo que permite que mulheres sejam abusadas desde a infância é explodi-lo em milhões de pedacinhos).

Você se dá conta de como ajuda a transformar a vida de várias mulheres?

Espero que a OLGA esteja mesmo cumprindo com o que se pretende, que é empoderar mulheres. E faço também a pergunta ao contrário: será que essas mulheres se dão conta de como me ajudam a transformar a minha vida?

Daqui a 10 anos, o que espera para você, para a Olga, para a causa?

Espero que as mulheres passem a ser tratadas como seres humanos — por revistas, pela publicidade, pela política, pelos homens. Seres humanos de direitos, de desejos e vontades próprias. Será que é querer muito? :-)

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O vazio na fotografia de Ana Teresa Bello

por   /  21/10/2014  /  9:09

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Viver o Instagram há quatro anos, diariamente, é um grande exercício sobre o olhar. Tanto o meu, quanto o do outro, principalmente. Adoro descobrir fotos que me dizem alguma coisa. Adoro acompanhar os amigos e conhecidos, claro, mas gosto ainda mais de acabar parando no perfil de alguém e, de repente, me impressionar com as imagens reunidas ali.

Existe uma coisa nessa descoberta que me lembra a internet do fim dos anos 1990, quando a gente ficava amigo das pessoas porque elas gostavam da mesma banda que a gente ouvia sem parar ou porque elas tinham lido os autores que nos faziam nos sentir menos sozinhos no mundo. Parece que naquele tempo existiam menos narrativas de uma vida perfeita, e mais conversa. Menos contatos, e mais afinidades.

Há um tempo, conheci o Instagram da Ana Teresa Bello. Ana é decoradora e é apaixonada por fotografia. É dona da Amy, “uma felina cheia de personalidade, colecionadora de arte e afeto, carioca da Gávea e apaixonada por São Paulo”.

Passei a acompanhar o dia a dia dela e me surpreendo com o olhar que ela tem para cada foto. Pedi pra ela escolher algumas pra postar aqui. Ficamos entre a Islândia e o vazio, que ganhou. Fiz umas perguntas, e ela devolveu com um texto que diz muito sobre o que a fotografia representa na vida dela.

No Instagram > @anatbello

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Foi muito difícil responder essas perguntas, porque é sempre complicado para mim falar o que me motiva a fazer alguma coisa. Sempre fui melhor de imagem do que de fala, talvez por isso trabalhe com interiores e por isso a fotografia tenha me tomado desta forma. No meio do processo de descrever o que eu gosto de fotografar, fiquei pensando no que eu não gosto de fotografar, no sentido da possibilidade de filtrar em um frame o que eu quero mostrar para o outro, o que eu escolhi ver.

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E isso me encanta, poder selecionar apenas uma parte de alguma coisa maior e registrar aquele universo tão particular e tão meu, mas que ao mesmo tempo pode ser também um lugar comum para o outro, um sentimento ou uma imagem que ele possa reconhecer. Acho que no fundo toda vez que faço uma foto eu pense nisso, em algo que o outro também ache interessante e que de alguma forma o faça se transportar para aquela situação. Uma forma de dividir e exercitar meu olhar.

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Já faz 10 anos que trabalho com interiores e neste tempo todo fui aprendendo a selecionar, de um infinito universo de opções, aquilo que acho melhor para cada projeto. É sempre um imenso quebra cabeça de possibilidades e, de alguma forma, levo esse olhar para as minhas fotografias.

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Costumo brincar que as melhores fotos são aquelas que eu ainda não fiz, aqueles lugares que costumo passar com frequência, que sempre enquadro imaginariamente, aquela cena… Algumas eu volto e registro, outras ficam só na lista de pendências fotográficas.

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O vazio tem me interessado muito nos últimos anos, tanto em fotografia quanto em literatura, música e arte. É um interesse que tem muito a ver com o que eu observo da nossa geração, um comportamento individualista e muitas vezes indiferente ao outro. Gosto da brincadeira de pensar no vazio tanto em termos de proporções, como também de situações.

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Como te disse, tenho bastante dificuldade em observar todo este processo por estar muito envolvida por ele. Não tenho distanciamento suficiente para entender como estas imagens se relacionam, por estarem muito presentes em mim. Mas o vazio está ali, e fotografá-lo é uma forma de preenchê-lo, de dar uma história para ele.

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No começo o que me estimulava a fotografar eram os espaços vazios, as linhas, as simetrias ou a ausência delas, tudo muito relacionado à arquitetura. Depois, aos poucos, fui achando interessante quando a relação com a escala humana aparecia de alguma forma, e hoje em dia acho fundamental este elemento para a composição de uma imagem. Nada como ir treinando o olhar…

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Termino com uma frase de Bergson, um filósofo que eu admiro e que estudei por muito tempo: “O olho só vê o que a mente está preparada para compreender”. E eu espero que o meu olhar ainda me ensine muitas coisas.

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1 dor profunda de amor

por   /  11/07/2014  /  9:09

hony

O Humans of New York me emociona a cada post.

O de ontem foi de cortar o coração:

“We were twenty-five and twenty-eight, but we acted like fifteen year olds. Fighting over little things, storming off, breaking up for a week and then getting back together. But developmentally, we were fifteen year olds. We’d been in the closet our whole lives, so we didn’t have any practice with relationships. He still hadn’t come out to his family and a lot of his friends. We were on one of our ‘little breaks’ when he died suddenly from a seizure. And nobody in his family or circle knew I existed. It took me four months to find out that he died. I thought he’d just decided never to talk to me again. His family never found out about me. Or him, for that matter.”

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31 links sobre a derrota do Brasil na Copa

por   /  10/07/2014  /  13:13

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The story behind the sweetest moment of Brazil-Germany World Cup match > http://mashable.com/2014/07/09/brazil-germany-world-cup-sweet-moment/

An open letter to the brazilian team > http://www.buzzfeed.com/javiermoreno/forca-brasil

As capas dos jornais sobre a maior humilhação do futebol brasileiro > http://kempao.com.br/as-capas-dos-jornais-sobre-a-maior-humilhacao-da-historia-do-futebol-brasileiro/

Brazil Soccer WCup Netherlands Argentina

Um vexame para a eternidade. No Correio Braziliense, por João Valadares > https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10201482396096865&set=a.1364111637900.45458.1684891905&type=1

Tristeza agora tem fim: 2014 está longe de ser 1950. Por Xico Sá > http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2014/07/09/tristeza-agora-tem-fim-2014-esta-longe-de-ser-1950/

Brasil após a Copa: aprender com Picasso e galinhas estranguladas. Por Leandro Beguoci > http://trivela.uol.com.br/brasil-apos-copa-aprender-com-picasso-e-galinhas-estranguladas/

Palavras de mudança. Por Janio de Freitas > http://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2014/07/1483655-palavras-de-mudanca.shtml

O fim do sonho do hexa. Ótimo infográfico da ESPN > http://espn.uol.com.br/infografico/o-fim-do-sonho-do-hexa/

Desmarcar a Fifa, o maior legado da Copa no Brasil > http://blogdojuca.uol.com.br/2014/07/desmascarar-a-fifa-o-maior-legado-da-copa-no-brasil/

Eles tratam o 7 a 1 como se fosse um resultado normal, mas a história da seleção nos mundiais foi manchada > http://espn.uol.com.br/post/424443_eles-tratam-o-7-a-1-como-se-fosse-um-resultado-normal-mas-a-historia-da-selecao-nos-mundiais-foi-manchada

Brazil World Cup humiliation by Germany should serve as a call to arms > http://www.theguardian.com/football/blog/2014/jul/09/brazil-world-cup-humiliation-germany-should-serve-call-arms

Why Germany crushed Brazil > http://www.bloombergview.com/articles/2014-07-09/why-germany-crushed-brazil

Brazil is going to be just fine > http://online.wsj.com/articles/world-cup-brazil-is-going-to-be-just-fine-1404917404

The most shocking result in World Cup History > http://fivethirtyeight.com/datalab/the-most-shocking-result-in-world-cup-history/

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Marina Abramovic made Brazil cry > http://marinaabramovicmadebrazilcry.tumblr.com/

Brasil e Alemanha eterno > http://brasilalemanhaeterno.com/

Sad brazilians > http://sadbrazilians.tumblr.com/

When the world expected Brazil to burn brazilians turned to laughter > https://sports.vice.com/article/when-the-world-expected-brazil-to-burn-brazilians-turned-to-laughter

O melhor do Twitter na Copa. No Popload > http://www.popload.com.br/o-melhor-do-twitter-na-copa-edicao-imagina-na-russia/

27 World Cup memes to help Brazil laugh the pain away > http://mashable.com/2014/07/08/brazil-world-cup-memes/?utm_cid=mash-com-fb-main-link

Brazil’s historic loss against Germany in memes > http://www.huffingtonpost.com/2014/07/09/brazil-germany-memes_n_5570381.html?utm_hp_ref=tw

Pornhub pleads users to stopo uploading videos of Brazil getting fucked by Germany  in the World Cup > http://www.independent.co.uk/sport/football/worldcup/pornhub-pleads-users-to-stop-uploading-videos-of-brazil-getting-fked-by-germany-in-the-world-cup-9594287.html

Colombianos fazem vídeo para tirar sarro do Brasil > http://trivela.uol.com.br/colombianos-fazem-video-para-tirar-sarro-brasil-depois-da-goleada-para-alemanha/

25 momentos em que a Alemanha foi Brasil na Copa > http://trivela.uol.com.br/fugimos-da-rivalidade-para-dar-25-motivos-carisma-de-que-alemanha-e-o-brasil-na-copa/

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Eles sabem como é perder uma Copa em casa. Na Época > http://epoca.globo.com/vida/copa-do-mundo-2014/noticia/2014/07/eles-sabem-como-e-bperder-uma-copab-em-casa.html

Alemanha, o país do futebol > http://super.abril.com.br/esporte/alemanha-pais-futebol-752840.shtml?

“Reagir à derrota é a marca de uma grande nação”, diz Dilma > http://www.cartacapital.com.br/sociedade/reagir-a-derrota-e-a-marca-de-uma-grande-nacao-diz-dilma-8872.html

A contusão de Neymar revela o que temos de pior > http://blogdamilly.com/2014/07/07/a-contusao-de-neymar-revela-o-que-temos-de-pior/

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#OcupeEstelita, 17/06/2014

por   /  18/06/2014  /  11:11

Não tenho palavras pra expressar o que sinto diante do que está acontecendo no Recife. Ultraje, impotência, revolta, incredulidade são algumas coisas que passam na minha cabeça. As cenas vividas ontem pelos integrantes do movimento #OcupeEstelita são inacreditáveis. Reuni aqui textos, fotos e vídeos que tentam nos dar uma dimensão do caos que tomou conta da cidade. Obrigada a todos que lutam bravamente nessa terra que a gente tanto ama e que tanto nos decepciona. Força e muita resistência!

Do Mídia Capoeira: No dia do segundo jogo do Brasil na Copa do Mundo, o Governo do Estado tentou se utilizar da atenção das pessoas para o futebol e realizou a retirada das pessoas que ocupavam a área do Cais José Estelita. Mais de 20 dias depois da ocupação, os desrespeitos à legislação urbanística do Projeto Novo Recife já são de conhecimento público. O Ministério Público Federal já se posicionou contra a operação (http://www.prpe.mpf.mp.br/internet/Ascom/Noticias/2014/Nota-de-repudio-Reintegracao-de-posse-Cais-Jose-Estelita), assim como a imprensa nacional começa a denunciar (http://blogdojuca.uol.com.br/2014/06/o-novo-recife-e-o-movimento-ocupeestelita/). Assistam às cenas chocantes do vídeo gravado, editado e divulgado pelo movimento #OcupeEstelita

Anistia Internacional: Poucas horas antes do Brasil entrar em campo, a Polícia Militar de Pernambuco desocupou o Cais José Estelita, em Recife. A Anistia Internacional Brasil condena uso excessivo da força pela PM na desocupação do local. “Lamentável a desocupação violenta hoje, no Cais José Estelita, em Recife (PE), rompendo todos os acordos feitos com o poder público. O que está em jogo nisso é o projeto de cidade que a população quer e a participação da sociedade na escolha da ocupação de áreas nobres nas cidades”, afirma Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional Brasil. Leia a nota pública > http://bit.ly/1lvW5Ig

Ivan Moraes Filho, jornalista: “O que querem fazer no terreno é o que estão fazendo com a gente aqui” Eu não lembro quem foi que disse isso enquanto driblávamos (muitas vezes sem sucesso) balas de borracha e bombas de efeito moral, ontem, durante os protestos do #ocupeestelita. Nada mais perfeito. A violência de quem reprime reuniões pacíficas, prende e fere pessoas que querem discutir uma cidade mais humana e justa. É a mesmíssima violência de quem utiliza o poder pra empurrar goela abaixo de uma cidade inteira projetos que ferem a nossa mobilidade, conforto, o direito à moradia. De quem descumpre acordos. A mesma de quem acha natural “cumprir ordens” que machucam a pele e a cidadania das pessoas. De quem acha que empresas e dinheiro valem mais do que pessoas. A violência e  covardia de quem escolhe sempre os mesmos alvos para serem atacados e pagarem as contas do “progresso” e do “desenvolvimento”. De quem passa por cima os processos legais sem constrangimento. A mesma violência inconsciente da jovem jornalista que pergunta a um ativista armado com um telefone celular se ele levou três tiros durante um “confronto” com policiais protegidos por armaduras e escudos. E tantas outras violências cotidianas que não ganham manchetes de jornais ou mesmo posts raivosos no feicebuque. Violências tantas vistas e sofridas por um bocado de gente que se acordou assustado numa manhã de terça-feira, num simbólico dia de jogo da seleção na Copa do Mundo. Que experimentou as formas mais óbvias de violência. Tiros, bombas, espadas, gás de pimenta, chicotes, escudos e cacetetes. Mas que não se deixou ferir. Um dia depois de tantas atrocidades não resta dúvida que o povo, desta vez, venceu a batalha.

Liana Cirne Lins, advogada, militante do Direitos Urbanos e professora da Faculdade de Direito do Recife – UFPE: Últimos minutos do dia que entrou para a história de Pernambuco como a ruína do estado democrático de direito e o fim da credibilidade das instituições estatais. O estado de exceção é o estado de Pernambuco. Desde a manhã está evidente para todos que o objetivo da ação policial nunca foi a desocupação do imóvel, tanto assim que não apenas não houve tentativa de desocupação amigável, como minha presença na qualidade de advogada para promover a desocupação voluntária foi impedida. O objetivo sempre foi a repressão violenta do Movimento Ocupe Estelita. Eu gostaria de não ter vivido o dia de hoje. Eu gostaria de não ter visto o que vi. Eu gostaria de não ter ouvido os gritos que ouvi e os barulhos de bombas e balas sendo disparadas. Eu gostaria de não ter perdido minha crença nas instituições jurídicas. Eu gostaria de não ter chorado, completamente impotente, na frente dos ativistas que eu desejava proteger e de costas para a polícia de choque que nos acuava. Eu gostaria de não ter visto Milton Petruczok sendo arrastado pelo pescoço, Cristina Lino Gouvêa sendo levada nua e imóvel com pontapés nas costas. Eu gostaria de não ter visto o sangue nas dezenas de feridos. Eu gostaria de eu mesma não ter sido agredida com um cacetete por um policial do GATI enquanto desempenhava meu papel de advogada. Eu gostaria de viver numa democracia. Mas hoje eu não tive nada do que eu gostaria de ter. E também hoje Ocupar Estelita ganhou um significado radicalmente maior. É mais do que uma luta pelo direito à cidade e contra uma prefeitura corrupta e um consórcio de empresas sem limites morais como a Moura Dubeux e a Queiroz Galvão. É agora também uma luta contra um governo do estado mentiroso e traidor, contra um judiciário que colocou em xeque sua imparcialidade. É uma luta contra um estado que faz as vezes de milícia do poder econômico. Estou indo dormir muito mais pobre do que acordei. Perdi sonhos e estou embrutecida pela brutalidade que testemunhei. Vou dormir com as dores físicas que senti na pele e com as dores morais que senti na alma. Mas vou dormir certa de que acordarei curada, porque nossa luta é um caminho sem volta. E nesse caminho os sonhos serão refeitos. E serão cada vez mais belos.

Kleber Mendonça Filho, cineasta, diretor de “O Som ao Redor”: Blitz de publicidade paga em jornal, TV de horário nobre, YouTube e Facebook, ação agressiva em dia de jogo do Brasil, sócio fala-mansa fazendo turnê em debates na imprensa sem revelar nada, escavadeiras a postos. É uma estratégia de guerra, toda desenhada. E o Movimento para o Recife só ganha força.

Chico Barros, juiz: Como juiz, não costumo exercer juízo de valor sobre a atuação de outros tribunais, mas como professor de Direito Processual desta vez usarei o permissivo da LOMAN: em pleno processo de negociação entre as partes, não há espaço para medidas adjudicatórias desse impacto. O Tribunal de Pernambuco foi precipitado, infeliz e contrário a tudo que hoje se estuda sobre a Justiça restaurativa. Contrário às recomendações internacionais sobre o tema, contrário aos programas do CNJ e assim por diante. No mais, como juiz, como professor, como cidadão, como pessoa humana, abomino a violência (tanto à direita quanto à esquerda).

Juka Kfouri, jornalista: O projeto “Novo Recife” é um projeto imobiliário que está destruindo uma área histórica da capital pernambucana para erguer as torres mais altas da cidade, num processo cheio de ilegalidades, já denunciado pelo Ministério Público Federal. Durante o processo o prefeito Geraldo Júlio (PSB) suspendeu o alvará de demolição e a reintegração de posse da área – ocupada pelos manifestantes. Hoje, se aproveitando do jogo do Brasil, a tropa de choque esteve no local às 5h. Muita bomba de efeito moral, muita bala de borracha, muita gente machucada e hospitalizada. Toda a ocupação foi feita de maneira pacífica e festeira. Xico Sá escreveu um texto lindo sobre o episódio. Como se pode ver numa das fotos abaixo, há um quadro com a programação que estava sendo feita no local: produção de malabares e brinquedos de papelão. Foi para remover esse pessoal perigosíssimo que o governador mandou a tropa de choque, com gás de pimenta, bala de borracha e bomba de efeito moral. O obra está embargada – segue uma foto de um post da prefeitura nas redes sociais, afirmando que o alvará continua suspenso. Não obstante as empreiteiras já enviaram para o local tratores, escavadeiras e funcionários para derrubar os galpões históricos.

João Valadares, jornalista: Hoje, dia 17 de junho de 2014, eu, João Lyra Neto, governador de Pernambuco, no gozo de minhas atribuições legais, autorizo todo e qualquer pernambucano a não cumprir os acordos firmados com o meu governo. Hoje, eu autorizo todo e qualquer pernambucano a não me respeitar e não confiar na palavra empenhada pelos meus secretários. No meu governo, acordos públicos são fechados e não cumpridos. Hoje, em Pernambuco, fica instituído o dia da desmoralização pública da minha gestão. As comemorações, por minha ordem, já foram iniciadas.
Revoguem-se todas as disposições em contrário.

Outra de João Valadares: A ação do Batalhão de Choque hoje, no Recife, foi autorizada por uma caneta magoada, preterida e cheia de tinta. O governador João Lyra, escanteado pelo presidenciável Eduardo Campos do processo eleitoral no quintal socialista, mostrou o que é capaz de fazer. Bastaram dois meses para virar o inimigo íntimo número 1 do ex-governador. Ironia que, na semana passada, ao avaliar a vaia tomada por Dilma na abertura da Copa, Eduardo Campos soltou um “a gente colhe o que a gente planta”. A ação desastrosa do Choque hoje ocorreu justamente no momento em que o prefeito do Recife, Geraldo Julio, autorizado por Campos, se movimentava para tentar negociar uma saída. No momento em que manobrava nos bastidores para transformar o limão numa limonada. O recurso seria julgado esta semana. Burrice política crônica do governador em antecipar a ação truculenta do Choque? Não acredito. O Choque fez o que sempre fez: desceu a porrada. Foi preparado para isso. Agora, o PSB no Recife é o PT do ano passado. A discussão e divergência são públicas. A roupa suja também. O prefeito declarou publicamente que foi surpreendido, a secretária Cida Pedrosa alegou no facebook que os acordos não foram respeitados. Comparou a ação da polícia de Lyra aos tempos da ditadura. No dia em que a Justiça concedeu a reintegração de posse, um dos secretários mais fortes de Geraldo Julio chegou a ligar para o secretário de Defesa Social de Pernambuco pedindo para que segurasse a execução da ordem. De nada adiantou. A caneta cheia de mágoa do governador é bem mais forte.

Juliana Cesar, advogada feminista e ativista de direitos humanos: O Consórcio Novo Recife concordou em suspender a reintegração enquanto está sendo conduzida a negociação na Prefeitura do Recife. Além disto, um acordo – noticiado na imprensa – estabeleceu que a reintegração, quando viesse a ocorrer, seria anteriormente discutida com todas as partes envolvidas, inclusive representantes da ocupação, para que ela fosse feita da maneira menos conflituosa possível. SECRETÁRIOS ESTADUAIS E OFICIAIS DA PM estavam presentes nesta reunião. Ontem à noite FALEI COM UM UM SECRETÁRIO ESTADUAL sobre um boato de reintegração e, após contato com a SDS, isto me foi TERMINANTEMENTE NEGADO. Este é o grau de confiabilidade deste Governo e a prova do desrespeito que ele possui com os direitos humanos, bem como do valor que dão às suas próprias palavras. GOVERNO VIOLENTO, COVARDE E SEM PALAVRA!

Leonardo Cisneiros, integrante do Direitos Urbanos e professor da UFRPE: João Lyra, cabra safado, sem vergonha! No interior, homem sem palavra não é homem! Choque perseguindo e encurralando manifestantes até no Pina! Fiquei encurralado entre um segurança armado de um restaurante e uns 20 caras do Choque. Paguei de transeunte, ia conseguir sair, mas um cachorro fardado me reconheceu e levei umas porradas de cassetete só por isso…

Nação Zumbi: Recife desfigurado e desmoralizado. Perdendo identidade e resgatando o coronelismo com força total. Resgate cultural do coronelismo. É o único resgate cultural que interessa ao governo do estado de Pernambuco neste momento. A Nação Zumbi não tem medo de governo ou prefeitura de Recife. Já discordamos anteriormente sobre a política empregada nas áreas culturais nas redes. Agora recente também discordamos da maneira com que foram feitas as ações relacionadas á ‪#‎ocupaestelita‬. Entendemos que temos o direito de discordar e o exerceremos se acharmos necessário. A distribuição inteligente de espaços da nossa cidade nos interessa e queremos um Recife/Olinda para todos. Cidades com boa infra-estrutura. Sabemos que temos um importante posicionamento político e gostamos de deixar isso bem claro apesar de não sermos chatos com isso. Sem medo de retaliações pelas partes envolvidas é isso que pensamos. Mais uma vez viemos dizer que discordamos de instituições e não pessoas.

Pierre Lucena: Como confiar em alguém que em um dia senta em uma mesa para negociar e no outro manda a PM para bater? Infelizmente a reação do Estado às manifestações do ano passado foi o reforço da repressão policial, quando deveria ser na melhoria da prestação de serviços e no aumento da transparência. Quem pensa que este tipo de atitude autoritária de empresas que mandam na cidade não estava na pauta da revolta popular, é porque realmente não entendeu nada da crise urbana que vivemos. #‎OcupeEstelita‬

Ana Paula Portella: Foi uma armadilha. Das mais perversas e nojentas, digna dos governos mais autoritários. Espalharam o boato sobre a reintegração, o que nos levou a checar a informação com o governo do estado, quando fomos tranquilizados e informados de que o acordo estava mantido. Os professores desse tipo de técnica ainda estão vivos na memória desse país. Liana Cirne Lins explica tudo aqui, direto do ‪#‎resisteestelita‬

Marcelo Pedroso, cineasta: A bravura da resistencia contra a covardia do Estado encontra foco no acampamento. A estrutura ja estava armada na noite de ontem, mesmo depois de horas de bombardeio e tiros! Quem puder ajudar, leve mantimentos, agua potaval, comida, produtos de higiene, extensao, fios eletricos, ferramentas e vinagre.

Chico Ludemir: O que vivemos hoje assim que o sol raiou no Cais José Estelita foram atos de terrorismo. A policia, a partir das 5h da manhã acordou a ocupação com seu cavalos e batalhão de choque. Em menos de uma hora tudo que havia no Cais já encontrava-se destruído. Para isso, usaram de força extrema, desmedida e, diante da resposta pacífica dos manifestantes, foram covardes e desumanos.

Carolina Leão, jornalista: O direito à cidade é o direito não à cidade arcaica e nostálgica de um passado, ou à da ideologia burguesa enquanto organismo econômico e social gerido por um aparato político-institucional, mas à vida urbana, à centralidade renovada, aos locais de encontro e de trocas, à informação, aos ritmos da vida e empregos do tempo (Manoel Rodrigues Alves).

Moacir dos Anjos, curador: As construtoras passam por cima de leis, embargos e acordos, com a participação ativa do Governo do Estado (PSB), via PM, e a Prefeitura (também PSB) ainda quer sair de bom-moço, como se não tivesse nada a ver com isso. Entendi mal ou é isso mesmo? Se é assim, é uma total desmoralização da autoridade do prefeito.

Leo Falcão, cineasta: It’s a clear undemocratic act against the law and the population, in a combined action of private economic power, an accessary Government and a negligent major media. For that, we ask the International community of media, social and political activists to share this violence practiced against the Brazilian people, who so far has fought only with arguments, art, joy and courage.

Pedro Caldas Ramos, 15 anos: Na maioria dos dias acordo as quatro da manhã, me arrumo, saio de casa, falo com o vigia. Na maioria dos dias ando pela Rua João Lira, onde vejo o céu quase claro, ando pela Rua da Aurora. Na maioria dos dias vejo o nascer do sol de dentro do Capibaribe, na maioria dos dias vejo um céu de Michelangelo. Vejo também o Recife Antigo, com seus prédios com mais histórias que um livro sagrado. Vejo o Recife acordar, vejo o mais belo. Não sou contra as causas dignas mesmo com seus problemas, NÃO GOSTO DOS PRÉDIOS, não queria morar em um apartamento, mesmo sendo ele antigo, NÃO GOSTO DOS PRÉDIOS, grande e acolhedor como uma casa, NÃO GOSTO DOS PRÉDIOS. Não imagino o nascer do sol atrás dos prédios, não imagino um Recife sem as quatro pontes que passo, não imagino o Recife cinza, imagino e verei sempre o Recife mais belo. O Recife que sempre me surpreende. O céu nunca igual, a água nunca igual, os prédios nunca iguais. Lutemos então pela nossa paisagem! Pois quero viver e dizer a sessenta anos “A CIDADE” é igual, a sessenta anos ela me surpreende, quero passar o resto dos meus dias me impressionando com a beleza do nascer do sol atrás da Prefeitura! ‪#‎OcupeEstelita‬ ‪#‎ResisteEstelita‬

A batalha pelo Cais José Estelita, por Renan Truffi > http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-batalha-pelo-cais-jose-estelita-8652.html

Conflito no centro histórico do Recife deixa 10 feridos, por Daniel Carvalho > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/171675-conflito-no-centro-historico-do-recife-deixa-dez-feridos.shtml

MPPE recebe denúncias de violência policial em reintegração de posse no Recife > http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2014/06/mppe-recebe-denuncias-de-violencia-policial-em-reintegracao-no-recife.html

Nota de repúdio do Ministério Público Federal > http://www.prpe.mpf.mp.br/internet/Ascom/Noticias/2014/Nota-de-repudio-Reintegracao-de-posse-Cais-Jose-Estelita

PM retira à força ocupantes do Cais José Estelita > http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-06/urgente-pm-retira-forca-ocupantes-do-cais-jose-estelita#.U6BNDHutBjI.twitter

Reintegração de posse no Recife termina com 4 detidos e 3 feridos > http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/06/1471756-reintegracao-de-posse-no-recife-termina-com-4-detidos-e-3-feridos.shtml

Repressão em “reintegração de posse” no Ocupe Estelita > https://www.facebook.com/media/set/?set=a.401288810009457.1073741866.285490214922651&type=1

#OcupeEstelita vai recorrer ao CNJ e reivindica soltura de jovem preso em reintegração > http://ne10.uol.com.br/canal/cotidiano/grande-recife/noticia/2014/06/18/ocupeestelita-vai-recorrer-ao-cnj-e-reivindica-soltura-de-jovem-preso-em-reintegracao-494254.php

Pra acompanhar:

Direitos Urbanos > https://www.facebook.com/groups/direitosurbanos/

Movimento #OcupeEstelita > https://www.facebook.com/pages/MovimentoOcupeEstelita/320033178143669?fref=photo

O outro compilado de links que fiz aqui > http://donttouchmymoleskine.com/ocupeestelita/

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Não existe papo em SP

por   /  10/06/2014  /  17:17

Queridos, desde maio tenho uma coluna na ótima revista VIP!

Super legal, né? Tô animada!

A primeira, intitulada Não existe papo em SP, acabou de ir pro ar e começa assim:

Não existe papo em SP. A não ser que você queira ser fiel à frase de efeito que vendeu para o seu novo editor. Porque na primeira tentativa fora da sua zona de conforto, uma coisa vai ficar muito clara: a contradição está logo ali, na segunda esquina.

Minha tese vem do gosto pela rua (e aí você inclui bares, exposições, achar a festa certa para dançar muito) e perceber o quão difícil é conhecer pessoas novas, sobretudo porque a gente tende a se fechar no maravilhoso grupo de amigos que fizemos ao longo da vida, né? O espaço para o novo fica reduzido, quase inexistente. Até que um dia você resolve convidar uma amiga que tem uma atitude oposta à sua timidez, escolhe um ou dois lugares e começa o trabalho de campo.

Leiam a coluna completa > http://vip.abril.com.br/colunas/comportamento/nao-existe-papo-em-sp/

#OcupeEstelita

por   /  03/06/2014  /  15:15

Recife ferve – e nos dá a esperança de que tudo pode mudar, desde que gente muito articulada se junte para protestar, reclamar, mostrar alternativas e ocupar a cidade. Reuni alguns links pra gente ficar por dentro. Acrescentem sugestões nos comentários!

- Pra começar, uma bela foto de Eric Gomes e um vídeo do Trem do Forró no #OcupeEstelita > https://www.youtube.com/watch?v=KJdzvac7Y8k&feature=youtu.be

- Pra acompanhar todo dia:

Direitos Urbanos > https://www.facebook.com/groups/direitosurbanos/

#ResisteEstelita > https://www.facebook.com/pages/Resiste-Estelita/656041921137604?ref=stream

- Uma foto linda de Leonardo Cisneiros.

- Carta ao prefeito do Recife, Geraldo Júlio. Assinem! > http://www.change.org/pt-BR/peti%C3%A7%C3%B5es/carta-ao-prefeito-do-recife-geraldo-j%C3%BAlio

- Na Carta Capital: O que a imprensa do Recife não conta sobre o Estelita, por Mariana Moreira e Mariana Martins > http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/cronica-de-uma-morte-anunciada-a-cobertura-do-ocupeestelita-em-pe-3964.html

- No blog do Alex Antunes: Smells Like Mangue Bitch > https://br.noticias.yahoo.com/blogs/alex-antunes/smells-mangue-bitch-233815698.html

- No blog Brasil, da Folha: Entenda a “guerra” que agita o Recife às vésperas da Copa do Mundo > http://brasil.blogfolha.uol.com.br/2014/05/30/entenda-a-guerra-que-agita-o-recife-as-vesperas-da-copa-do-mundo/

- Na Vice: O Recife colocou seus últimos espaços públicos à venda e parte da população local não está gostando nada disso. > http://www.vice.com/pt_br/read/o-recife-colocou-a-venda-seus-ultimos-espacos-publicos-e-parte-da-populacao-local-nao-esta-gostando-nada-disso

- Na Folha: Terras públicas para quem?, por Raquel Rolnik. “O movimento “Ocupe Estelita” contesta a legalidade do leilão e denuncia a ausência de estudos de impacto, entre outros pontos. Mas, principalmente, reivindica espaços públicos de diálogo que permitam a negociação de propostas alternativas, já que se trata de intervenção em local estratégico da cidade. O que acontece no Recife é apenas um exemplo da longa história do ocaso das terras públicas no Brasil. A decisão sobre o que fazer nesses terrenos, por que, como e pra quem é fundamental para nossas cidades e merece debate público amplo, aberto e transparente.” > http://www1.folha.uol.com.br/colunas/raquelrolnik/2014/06/1463510-terras-publicas-para-quem.shtml

- PCR suspende alvará de demolição dos armazéns do Cais José Estelita > http://www2.recife.pe.gov.br/pcr-suspende-alvara-de-demolicao-dos-armazens-do-cais-jose-estelita/

- A imprensa classe média, por Érico Andrade. “Para a imprensa é preciso dizer que queremos mais do que a suspensão do Novo Recife sem deixar de dizer, contudo, que já somos vitoriosos porque a especulação imobiliária e o desrespeito ao planejamento urbano, bem como o desrespeito às leis que regem a cidade começam a ser combatidas. As armas dos Direitos Urbanos são, sabemos: as leis, a consistência dos argumentos sólidos e técnicos e, principalmente, a participação de milhares de pessoas que se encarregam de publicizar o direito ao contraditório que a imprensa se nega a mostrar.” > http://direitosurbanos.wordpress.com/2014/06/03/a-imprensa-classe-media/

- No Estadão: Projeto imobiliário de R$ 800 milhões se torna alvo de guerra jurídica no Recife > http://m.estadao.com.br/noticias/brasil,projeto-imobiliario-de-r-800-milhoes-se-torna-alvo-de-guerra-juridica-no-recife,1174016,0.htm

- Uma foto de H.d. Mabuse.

- Pequeno guia para entender as críticas e propostas do #OcupeEstelita > https://midiacapoeira.wordpress.com/pequeno-guia-para-entender-as-criticas-e-propostas-do-ocupeestelita/

- Um texto de João Vale:

Hoje a cidade foi Refundada.
Como disse Jampa, temos um novo Marco Zero.
Não mais o marco zero do português colonizador.
Mas dos cidadãxs exercendo seus direitos.

10.000 pessoas em fluxo
abençoam esse nascimento.

Acabou-se, Consórcio Novo Recife.
A partir de amanhã nós
vamos debater mesmo
não mais a reintegração de Posse
mas a RETIRADA de vocês 
das decisões sobre a cidade.

EVOÉ, UM RECIFE NOVO SURGIU
Obrigado Moura Dubeux, Queiroz Galvão e construtoras!
Vocês ajudaram a cidade a se RE-CONHECER!

A HISTÓRIA SE ABRIU NOVAMENTE
A UTOPIA ESTÁ BRINCANDO DE NOVO

- O projeto Novo Recife é ilegal? Liana Cirne Lins responde.

- O #OcupeEstelita defende que o cais fique abandonado? Ana Paula Portella responde.

- O projeto Novo Recife vai garantir o acesso da população ao interior do Cais José Estelita? Cristina Lino Gouvêa responde.

- O “Novo” Recife é um projeto que integra a cidade? Mateus Alves responde.

- Esclarecimentos sobre o projeto Novo Recife, por Belize Câmara > http://direitosurbanos.wordpress.com/2012/12/29/esclarecimentos-sobre-o-projeto-novo-recife-por-belize-camara/

- Qual o problema da verticalização?, por Leonardo Cisneiros > http://direitosurbanos.wordpress.com/2014/03/23/qual-o-problema-da-verticalizacao/

- Sobre o Novo Recife e o modo de “fazer de otário” toda uma cidade, por Renato Feitosa > http://ombudspe.org.br/artigos/sobre-o-novo-recife-e-o-modo-de-fazer-de-otario-toda-uma-cidade/

- Foto tirada do Direitos Urbanos > https://www.facebook.com/photo.php?fbid=769734759713293&set=gm.604673339630249&type=1

- Nossos filhos merecem uma cidade que respeite a sua história. Negocia, prefeito! > http://vimeo.com/96808315

- Contra-editorial ao Jornal do Commercio, por Edilson Silva > https://www.facebook.com/groups/direitosurbanos/permalink/604056536358596/

- Uma fala de Cristiano Ramos: “Para além de ocupação, reintegração e destinação, o Estelita será sempre um desses momentos mágicos – igualmente encantadores e terríveis – que nos servem como fenda da fechadura, janela a revelar afetos insuspeitos e demonstrar que algumas estupidezes eram ainda maiores do que imaginávamos. Depois dele (ou melhor seria dizer “com ele”, já que não nos deixará?), teremos vontade quase irrefreável de alguns abraços, mas também precisaremos trocar de calçada muitas vezes, por saber que alguns diálogos (que ainda tentávamos) são praticamente impossíveis, além de extremamente perigosos. Estelita, candeia de tanta ternura; Estelita, seta que não nos deixará esquecer as possibilidades da ignorância e da truculência – horrendamente travestidas de informação e modernidade.”

- O sucesso do #OcupeEstelita e nossos vinte centavos, por Ivan Moraes Filho: “E estando lá, junto, cada um pôde dar sua contribuição, da maneira que achou conveniente. Não é pouca coisa ver tanta gente feliz num mesmo lugar com pouquíssima estrutura e nenhuma produção profissional. Num evento sem seguranças contratados, sem polícia e sem nenhum incidente que pudesse ser considerado como ponto negativo. Uma coisa linda de se ver é a capacidade que ainda temos de aprender e de conviver uns com os outros. O bloqueio da mídia foi vencido. A má vontade do poder público começa a ser superada diante da repercussão nacional e internacional do que acontece no Recife. Não há como ficar mais claro do que está: sobre o Cais, o que se quer é que toda a sociedade possa participar do debate sobre o que será construído na área através de um processo transparente e democrático.” > http://www.bodega.blog.br/anacronicas/o-cais-jose-estelita-sao-nossos-vinte-centavos/

- No Le Monde Diplomatique: A cidade que luta para não se tornar invisível. “Há alguns anos, Recife passa por um processo agressivo de transformação urbana. Nos acostumamos com o surgimento de um novo espigão em cada esquina: bairros formados tradicionalmente por casas mudam de maneira drástica com a demolição destas para a construção de prédios compridos. Comunidades inteiras são desalojadas sem o mínimo planejamento social. O que antes era uma rua de quintais, terraços e jardins, hoje é uma paisagem inóspita de muros altos, fachadas espelhadas e muitas vagas na garagem. Com a conivência do poder público, multiplicam-se os projetos imobiliários que visam apenas a geração de lucros e ignoram a dimensão humana. Assistimos à transformação do Recife amarelado de Renato Carneiro Campos, do Recife de cadeiras na calçada de Manuel Bandeira, do Recife cheio de gente de Alcir Lacerda, numa metrópole em que progresso contradiz identidade. Vemos a reprodução de um modelo de desenvolvimento urbano que espelha o fracassado sucesso de grandes cidades feitaspara poucos, como Dubai ou Miami: as grandes construtoras dominam o nosso solo, capitalizando a paisagem e segregando a urbe.” > http://www.diplomatique.org.br/acervo.php?id=3068

- Lia de Itamaracá no #OcupeEstelita. Emocionante!

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