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Posts da categoria "amor"

#vitrinedonttouch: 100 lugares para dançar

por   /  03/12/2015  /  9:00

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100 lugares para dançar é uma cartografia dançada de cidades imaginadas, sonhas e esquecidas. Quem nos conta é Marina Guzzo, uma das dançarinas do projeto. Ao lado de Vinícius Terra, ela explorou cidades como Santos, São Paulo e Rio de Janeiro, criando 100 minivídeos que podem ser vistos em 100lugaresparadancar.org.

Eles explicam:

Trata-se de um estudo de improvisação, no qual a superfície do corpo – feita das roupas, das cores e dos cabelos – contornam a dança que é concebida no instante da sua execução. É do encontro com as pessoas, prédios, muros, barcos, containers, bares, escadas, águas, ruínas e sonhos que essa dança
desvenda a cidade. São detalhes, informações, experiências, memórias e civilidades que comunicam  a sensação de morar/dançar em  Santos, em seus não-lugares, cheios de danças instantâneas e efêmeras. Lugares onde o corpo (des)especula, vira um espectro, sorve, sucumbe e se dissolve entre a memória do futuro e o risco do passado. Como artistas encontramos a possibilidade de dar visibilidade a contradição da falta de espaços e possibilidades culturais da cidade, em oposição à pujança econômica e especulativa do mercado. Talvez porque somos estrangeiros, talvez porque ainda há muito que conhecer, talvez porque a dança tem espaços impensáveis. Vamos atrás deles, com a câmera e o corpo na mão.

A Marina completa:

Eu me apaixonei por Santos. Mas não foi logo de cara. Foi uma paixão construída aos poucos, devagar.  Cheguei como estrangeira, com o olhar de viajante aprendido ao longo da vida. Foram vários encontros, espaçados, desapercebidos, estranhos. Mas quando encontrei o porto pela primeira vez, senti os ventos do mundo. E como foi bonito perceber, de repente, que eu estava apaixonada, e que tudo já não era como antes. Mudou o jeito de chegar na cidade, de trabalhar aqui, de viver, de desejar estar mais perto, de entender e olhar as pessoas. Mudou o jeito que eu penso e faço arte. Mudou também o jeito que eu falo ou escrevo sobre arte. E principalmente para que serve a arte. Para mim, a arte serve para inventar coisas que não existem, para pensar diferente, para sentir diferente. Em cidades que são, ao mesmo tempo lindas e horríveis. Cheias de ilusões e ruínas (dessas mesmas ilusões). Dançar nesses 100 lugares, para tantas pessoas, com as pessoas, me fez ser menos estrangeira, mais humana. A paixão ajuda a mudança acontecer. Embora seja um trabalho sobre lugares, foram nas relações humanas os espaços de maior crescimento. Trabalhei com gente que eu amo, que admiro, que respeito. Como é difícil misturar amor e trabalho. Não devia ser fácil? Mas foi difícil… E muito lindo. Porque juntar gente diferente, interessante, de opinião, com potência e orquestrar tudo isso num período de tempo curto não é tarefa simples. Eu faria tudo de novo, se fosse me dada a chance. Porque a paixão não nos deixa escolhas. Destrói e constrói tudo em seu páthos e faz a vida ter mais sentido.

O projeto é de 2011 e, desde então, saiu de Santos, ganhou São Paulo, Rio e até Frankfurt, em 2013, quando foi encenado na Feira do Livro. Na internet, sempre atemporal, a gente se perde por horas assistindo aos vídeos.

Divirtam-se! > 100lugaresparadancar.org

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O que fazer quando uma ideia dá errado – ou chega ao fim

por   /  01/12/2015  /  18:05

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Vocês viram o especial de conteúdo que fizemos recentemente na Contente? Como matar um projeto.

Falar do que deu errado é um assunto que rende tanto que começamos a entrevistar algumas pessoas que admiramos para criarmos a versão YouTube do especial. O primeiro convidado é o Facundo Guerra, empresário argentino radicado no Brasil. Com seu trabalho, ele muda a rotina de São Paulo, seja com seu recente Mirante 9 de Julho, seja com o Cine Joia. Na trajetória de sucesso, ele não esconde os momentos em que tudo deu errado. Vejam abaixo.

E leiam! > www.comomatarumprojeto.com.br

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O machismo disfarcado naquela piadinha do whatsapp

por   /  28/10/2015  /  11:00

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Já contei pra vocês que tenho uma coluna no portal MdeMulher? \o/

Meu texto mais recente é um relato de uma situação péssima que aconteceu enquanto eu fazia um curso. Escrever foi difícil, mas acabou servindo para várias coisas: primeiro, para desabafar, colocar pra fora o que ficou preso na garganta; segundo, pra descobrir centenas de pessoas que se identificaram com a situação e que não aguentam mais; terceiro, pra me dar certeza de que o silêncio nunca mais vai ser uma opção.

Espero que vocês gostem!

Para ler > O machismo disfarçado naquela piadinha do Whatsapp

#primeiroassedio

por   /  27/10/2015  /  20:00

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Quem usa Twitter e Facebook já deve ter se deparado com a hashtag #primeiroassedio, que surgiu na semana passada e já reúne milhares de histórias. Ler esses relatos traz muita dor e revolta. Ao mesmo tempo, nos dá força. Todas nós temos histórias assim pra contar. Elas ficaram escondidas por muito tempo, mas uma vez que começaram a ser expostas, acabaram nos deixando próximas, mais fortes, com a certeza de que nunca mais ficaremos caladas diante de absurdos.

A campanha foi criada pelo Think Olga, think thank feminista que eu admiro diariamente. Em um post no site, a Juliana de Faria, idealizadora do movimento, conta sobre seu #primeiroassedio e fala sobre os desdobramentos da campanha. Não deixem de ver a fala emocionante dela no TEDxSão Paulo (tem no fim deste post também).

Uma menina de 12 anos se inscreve no programa de televisão, pois ama cozinhar. Na internet, homens se sentem atraídos por sua aparência e, ignorando sua idade, resolvem tecer comentários de cunho sexual sobre a criança. o fato gera revolta nas redes sociais, mas não é preciso ir longe para encontrar histórias parecidas: basta pedir para que as mulheres olhem para o próprio passado.

Quando elas são convidadas a contar a história da primeira vez que sofreram assédio, descobrimos que esse comportamento é muito mais comum do que se imagina – e só é preciso imaginar pois esse terror vive escondido sob um manto de culpa e segredo tecido pelo machismo para acobertar os homens e culpar as vítimas. (…)

Nossa jornada contra a violência contra a mulher, via Chega de Fiu Fiu, nos mostrou que, enquanto mulheres, NÃO temos o controle da nossa vida sexual. Somos iniciadas por meio de um ritual bárbaro e sádico – e grande parte dos crimes, 65%, são cometidos por conhecidos. Ou seja, aqueles em que mais deveríamos confiar. Adentramos, então, nessa área tão delicada da vida de forma totalmente despreparada, cheias de dores, traumas e ansiedades.

Mas também descobrimos que anos de silêncio têm a capacidade de tornar as vozes ensurdecedores quando redescobertas. Nunca duvide do poder das redes sociais para provocar reflexão e empoderamento. A Internet é feita de pessoas e é a partir delas que as mudanças acontecem. Nesse caso, para o bem e para mostrar um problema que está longe de acabar, mas que felizmente a hashtag ajudou a mostrar que existe, sim, e muito, e que é preciso não ignorar as vítimas, mas responsabilizar quem colabora com a manutenção de sua existência – nem que seja com uma “brincadeira” no Twitter.

Leiam o texto completo > Hashtag Transformação: 82 mil tweets sobre o #primeiroassedio

Leiam também a entrevista que fiz com a Ju > Precisamos falar sobre feminismo

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#bibliotecadonttouch por Liliane Prata

por   /  07/10/2015  /  10:10

Lili

A #bibliotecadonttouch desta semana é da Liliane Prata (@liliprata)!

Ela é jornalista e escritora. Autora de oito livros, entre juvenis e adultos (o mais recente é “Eu odeio te amar”), posta crônicas e vídeos no seu lilianeprata.com.br (adoro os vídeos dela, aliás!) e é editora da revista Claudia.

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“A redoma de vidro”, de Sylvia Plath

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“Plataforma”, de Michel Houllebecq

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“A paixão segundo G.H.”, de Clarice Lispector

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“Bonsai”, de Alejandro Zambra

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Trecho de crônica da Martha Medeiros

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“Capitães de Areia”, de Jorge Amado

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A imbecilidade organizada com a internet

por   /  07/10/2015  /  9:09

marias, javier

A internet tem coisas maravilhosas, mas há algo que é novidade: pela primeira vez a imbecilidade está organizada. Sempre houve imbecilidade; imbecis iam ao bar, tornavam públicas as suas imbecilidades, mas é agora que se organizam, com grande capacidade de contágio. E há um problema agregado: as pessoas se intimidam diante de internautas exaltados e se desculpam sem motivos. E as pessoas sofrem represálias. É truculência. E não há melhor forma de a truculência triunfar do que se intimidando e se amedrontando.

Javiér Marias, autor espanhol que eu adoro, em entrevista ao El País

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Entrevista: Rafael Mantesso, autor do “A dog named Jimmy”

por   /  06/10/2015  /  13:13

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Rafael Mantesso tem um desses perfis de Instagram (@rafaelmantesso) que nos fazem disparar  onomatopeias a cada post. Ele criou a conta depois de se divorciar da ex-mulher. Na separação de bens, ela ficou com os móveis e quase todo o resto. Ele, com o cachorro, que leva o nome da marca de sapatos preferidas dela: Jimmy Choo. Olhando diariamente o focinho expressivo do cão e dando vazão à sua vontade de desenhar, ele começou um passatempo que virou um perfil blockbuster, com quase 400.000 seguidores. Em setembro, os posts viraram livro, “A dog named Jimmy”, reunindo cenas clássicas e imagens inéditas- e já é um best-seller na Amazon.

“Comecei o perfil por conta do blog que eu tinha na época (Marketing na Cozinha). Na época a ideia era ter mais um canal além de Twitter e Facebook pra divulgar o site. Quando eu comecei a fazer fotos do Jimmy o objetivo era mostrar em primeiro lugar que aquele perfil era de uma pessoa de verdade (as pessoas achavam que eu pegava foto de internet e que era tudo fake) e em segundo mostrar que a raça bull terrier é incrivel”, lembra ele em entrevista ao Don’t Touch.

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Ele não imaginava, entanto, que o perfil do cão no Instagram seria um divisor de águas na sua vida – e até para a raça. “Nunca um bull terrier teve tanta visibilidade. Eu recebi ano passado um email do presidente do Kennel Club de Londres, que criou a raça há séculos, me agradecendo pelo trabalho, dizendo que eu inverti a curva da raça na Inglaterra ano passado. Isso não tem preço.”

O segredo para ter um perfil com 394.000 seguidores? Fazer com vontade. “E não pensar muito nos seguidores. Ser original também conta. Existem 100 milhões de perfis de cachorro, de bull terrier uns 500 mil. Se for pra fazer o que alguém já faz prefiro não fazer nada.” As alegrias são diárias e chegam por e-mails e comentários, em fotos de outros cachorros e até de tatuagens que fazem com as ilustrações do Rafael. “Esse sorriso que as pessoas dão do outro lado é a maior recompensa.” Apesar do sucesso estrondoso, Rafael não vive exclusivamente do perfil. Faz o festival Fartura Gastronomia e cuida da comunicação do Instituto Ata, do qual é cofundador. “O Jimmy é a melhor parte do meu dia”, confessa.

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