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Posts da categoria "amor"

o legado de leonílson

por   /  14/03/2013  /  8:06

Daigo Oliva tem Leonílson tatuado na pele. E assim começa sua reportagem sobre o artista:

Nascido em Fortaleza, mas criado em São Paulo, o genial artista completaria 56 anos se estivesse vivo. Vítima da Aids, em 1993, faleceu precocemente aos 36. Visceral, vibrante, poético, irônico, sonhador… Faltam adjetivos para classificar Leonílson.

O traço simples, por muitas vezes infantil, tinha o poder de comunicar usando poucas linhas e palavras soltas. Tudo era um suporte artístico para Leó, como era carinhosamente chamado. Dos papéis de cadernos e agendas, dos bordados vazios que dizem tanto e as pinturas de rios, vulcões e corações dilacerados por sentimentos que exploram a boca e o olhar, Leonílson construiu um universo particular que o projetou como um dos nomes mais importantes da arte contemporânea brasileira.

Mas o artista não pode ser compreendido apenas através de sua obra. Deve ser lido também a partir de sua família, suas anotações, suas gravações, seu humor, suas brincadeiras e seus amigos.

Daigo é fotógrafo, também escreve e é um dos autores do blog Entretempos, da Folha de S.Paulo. Foi lá que ele publicou o texto, que é acompanhado de uma ótima entrevista com Lenice de Fátima Dias Fonseca da Silva, irmã de Leonílson.

Leiam > http://bit.ly/Wm3M5T

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romance virtual

por   /  05/03/2013  /  8:11

Romance Virtual é uma reportagem de Emily Witt, publicada na revista Piauí deste mês, que fala sobre sites de relacionamento como o OK Cupid, em que milhares de pessoas tentar se achar para ter uma relação. Para isso, elas preenchem questionários com perguntas como “Você acha que fumar é repugnante?” ou “Deixando de lado quaisquer planos para o futuro, o que é mais interessante para você neste momento: o sexo ou o verdadeiro amor?”.

No texto, a repórter conta suas experiências, aventuras e frustrações e fala como o namoro pela internet destruiu a noção que ela tinha de si mesma como alguém que conhece, compreende e consegue se expressar em palavras.

Abaixo, um trecho:

Fui a uma palestra do escritor Ned Beauman, que comparou a experiência no OkCupid com as ideias do astrônomo Carl Sagan, quando falava dos limites da nossa capacidade de até mesmo imaginar um tipo de vida extraterrestre não baseada em carbono. Isso sem falar que nem iríamos perceber se esse tipo de vida estivesse nos enviando sinais.  Você sai jogando a rede no OkCupid para tentar pegar aquilo que você acha que quer – mas e se não formos capazes nem sequer de enxergar os sinais que estão nos enviando, e muito menos de interpretá-los?

O OkCupid dava uma impressão muito forte de ser aquele banco de dados com que Kremen havia sonhado: escolha ilimitada. Mas isso tem suas desvantagens. Como escreve a socióloga Eva Illouz emO Amor nos Tempos do Capitalismo, “a experiência do amor romântico se relaciona a uma economia da escassez, o que por sua vez permite a novidade e a emoção”. Em contraste, “o espírito que preside a internet é a economia da abundância, na qual a pessoa precisa escolher e maximizar suas opções, e é obrigada a usar técnicas de eficiência e custo-benefício”. No começo foi até divertido, mas, depois de alguns meses, os problemas começaram a aparecer. Acabei achando bem verdadeiro o que Beauman diz sobre a nossa incapacidade de avaliar o que poderia ser atraente.

Leiam a reportagem completa > http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-77/questoes-tecnoafetivas/romance-virtual

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o fim do namoro

por   /  06/02/2013  /  8:34

Namorar é cada vez mais difícil. Pelo menos é o que diz um artigo do New York Times que fala como a palavra “encontro” deveria ser eliminada do dicionário, uma vez que o que temos hoje é um ciclo de SMS, mensagens no Facebook, likes no Instagram. Saber o que eles significam é um grande desafio, que traz à tona outro problema: com tantas opções curtíveis por aí, cada vez menos pessoas querem estabelecer relações de verdade, com todas as alegrias e, principalmente, as grandes dificuldades que elas trazem.

Alex Williams, que escreveu o texto, acrescenta mais um problema: essa coisa de stalkear a vida alheia faz com que a gente ache que conheça as pessoas, quando na verdade apenas sabemos o que elas estão fazendo, que banda estão ouvindo ou qual filme acabaram de ver.

“We’re all Ph.D.’s in Internet stalking these days,” said Andrea Lavinthal, an author of the 2005 book “The Hookup Handbook.” “Online research makes the first date feel unnecessary, because it creates a false sense of intimacy. You think you know all the important stuff, when in reality, all you know is that they watch ‘Homeland.’ ”

O artigo fala ainda como a ascensão da mulher no mercado de trabalho muda a dinâmica do poder econômico entre homens e mulheres.

Resumindo: é bronca!

Leiam o texto na íntegra > http://www.nytimes.com/2013/01/13/fashion/the-end-of-courtship.html

A Folha traduziu uns trechos > http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1221377-jovens-subvertem-regras-da-seducao-com-nao-encontros.shtml

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uma viagem pela coréia do norte

por   /  03/02/2013  /  13:56

A Juliana Cunha está viajando pelo mundo e escrevendo relatos preciosos dos novos lugares que vai conhecendo. Ela passa 70 dias na Ásia e vai contando tudo no seu blog, o Já Matei por Menos.

Tenho acompanhado com muito gosto. E acho que todo mundo devia conhecer um pouco mais da Coréia do Norte por meio das impressões e observações dela no post We will always have Pyongyang.

Destaco um trechinho:

Mesmo não sendo obrigados a andar com guias, tivemos dois tradutores que nos acompanharam na maior parte dos passeios já que pouca gente lá fala inglês e você precisa agendar suas idas aos museus e até a alguns restaurantes. Não existe isso de estar passando na frente de uma galeria e dar uma entradinha. Um dos tradutores tinha mais ou menos a minha idade. Era o primeiro contato dele com turistas. Ele falava português, jogava boliche super bem e virou meu amigo. Sabe aquela pessoa com quem você trocaria altos e-mails e convidaria para uma estadia gratuita na sua casa? Pois ela nasceu no lado errado da Guerra Fria e você nunca mais vai saber notícias dela.

Leiam > http://julianacunha.com/blog/2013/01/23/we-will-always-have-pyongyang/

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como viver sem ironia

por   /  19/01/2013  /  10:46

Como viver sem ironia é um texto de Christy Wampole que tem circulado muito por aí e ganhado muitos likes.

Só agora parei pra ler o texto, que é excelente. Guardem 10 minutinhos do dia e leiam, vai ser bom!

A revista Serrote fez a tradução > http://www.revistaserrote.com.br/2013/01/como-viver-sem-ironia-por-christy-wampole/

Como viver sem ironia, por Christy Wampole

Se a ironia é o éthos de nossa época – e ela de fato é –, então o hipster é o nosso arquétipo do estilo de vida irônico.

O hipster assombra todas as ruas da cidade e cidades universitárias. Manifestando uma nostalgia por épocas que ele mesmo jamais viveu, esse arlequim contemporâneo se apropria do que há de mais ultrapassado no que diz respeito à moda (bigodes, shorts minúsculos), quinquilharias (bicicletas de marcha única, toca-discos portáteis) e hobbies (produção artesanal de bebidas, tocar trombone). Ele cultiva a esquisitice e o constrangimento e passa por várias etapas de autoavaliação antes mesmo de tomar qualquer decisão. O hipster é um pesquisador das formas sociais, um estudioso do que é cool. Ele estuda implacavelmente, escavando em busca daquilo que não foi ainda descoberto pelo público geral. Uma citação ambulante, suas roupas referem-se a algo muito além de si próprias. Ele tenta negociar o antigo problema da individualidade, não por meio de conceitos, mas a partir de coisas materiais.

É um alvo fácil para piadas. No entanto, rir do hipster é só uma forma diluída de sua própria aflição. Ele não é mais que um sintoma e uma das manifestações mais extremas do estilo de vida irônico. Para muitos americanos nascidos nas décadas de 1980 e 1990 – membros da Geração Y –, caucasianos de classe média em particular, a ironia é o modo primário para se lidar com a vida. Basta habitar um espaço público, virtual ou concreto, para ver o quanto esse fenômeno se encontra disseminado. A publicidade, a política, a moda, a televisão: quase todas as categorias da realidade contemporânea exibem essa vontade de ironia.

Tomemos como exemplo uma propaganda que se anuncia como propaganda, faz piada com o próprio formato e tenta atrair seu público-alvo para rir dela e com ela. Ela já reconhece, preventivamente, o próprio fracasso em produzir algo com sentido. Nenhum ataque pode ser feito contra ela, pois ela própria já se mostrou vencida. O molde irônico funciona como um escudo contra a crítica. O mesmo vale para o estilo de vida irônico. A ironia é o modo mais autodefensivo que existe, pois permite que a pessoa evite a responsabilidade das suas escolhas, estéticas ou não. Viver ironicamente é esconder-se em público. É uma forma, flagrantemente indireta, de subterfúgio – que significa etimologicamente “fugir em segredo” (subter + fúgio). De algum modo, tornou-se insuportável, para nós, lidar com as coisas de maneira direta.

Como isso aconteceu? Em parte, a situação deriva da crença de que essa geração tem pouco a oferecer em termos de cultura, de que tudo já foi feito, ou de que um compromisso sério com qualquer crença acabará substituído por uma crença oposta – de maneira que o compromisso inicial vire risível, na melhor das hipóteses, ou desprezível, na pior. Esse estilo de vida irônico funciona como uma desistência preventiva e assume a forma de reação, em vez de ação.

A vida na era da internet sem dúvida colaborou para que uma sensibilidade irônica florescesse. Nesse meio, uméthos pode ser disseminado de modo rápido e amplo. Nossa incapacidade de lidar com o que temos à mão é evidente em nosso uso de tecnologia digital e em nossa dependência cada vez maior dela. Ao priorizarmos o remoto em vez do imediato, o virtual sobre o real, somos absorvidos nas esferas pública e privada por aparelhinhos que nos levam a outros lugares.

Além disso, os ciclos de nostalgia tornaram-se tão curtos que tentamos até mesmo injetar o momento presente com sentimentalismo quando usamos, por exemplo, certos filtros digitais para deixar as fotos com um aspecto “apagado”, uma aura de historicidade. A nostalgia exige tempo. Não se pode acelerar o processo que dá sentido às lembranças.

Embora tenhamos adquirido novas habilidades (lidar com mais de uma tarefa ao mesmo tempo, conhecimento tecnológico), elas vieram às custas de outras habilidades: a arte da conversação, a arte de olhar para as pessoas, a arte de ser visto, a arte de estar presente. Nossa conduta não é mais governada pela sutileza, finesse, graça e atenção, todas essas qualidades que as décadas passadas prezavam mais que agora. Predominam, no momento, a introversão e o narcisismo.

Nasci em 1977, no final da Geração X, e tornei-me adulta nos anos 1990, uma década que, perfeitamente encaixada entre duas ruínas arquitetônicas – do Muro de Berlim em 1989 e das Torres Gêmeas em 2001 – parece agora ser relativamente sem ironia. O movimento grunge falava sério quanto à sua estética e atitude, com uma postura hostil à autoridade, semelhante à do movimento punk. Em minhas lembranças, que talvez sejam nostálgicas demais, o feminismo chegava a um ápice sem precedentes, as preocupações do ambientalismo ganhavam atenção mundial, e as questões de raça agora eram tratadas de modo mais aberto: todos esses movimentos continham em si as mesmas eletricidade e euforia que tocam as gerações quando testemunham uma mudança secular ou milenar.

Mas o ano 2000 veio e partiu sem nenhum desastre. Tínhamos esperança durante a década de 1990, mas a esperança é uma emoção muito vulnerável; precisávamos de um mecanismo de autodefesa, algo que toda geração tem. Para a Geração X, esse mecanismo assumia a forma de uma apatia diligente, o esforço ativo de não dar a mínima. Nosso arquétipo era o vagabundo que passava pela vida com preguiça, vestido de roupas de flanela, sozinho e incompreendido em seu quarto. E, quando nos entediávamos com a apatia, sentíamos uma raiva ou melancolia vaga, comendo antidepressivos como se fossem doces.

A partir desse ponto privilegiado de referência, um grupinho irônico parece ser confortável demais, desmiolado demais e complacente demais. O estilo de vida irônico é um problema de primeiro mundo. Para quem tem uma formação relativamente boa e segurança financeira, a ironia funciona como um tipo de cartão de crédito cuja conta nunca precisa ser paga. Em outras palavras, o hipster pode fazer investimentos frívolos em falso capital social sem precisar pagar de volta um único centavo sincero. Ele não é dono de nada do que possui.

É óbvio que os e as hipsters produzem uma irritação distinta em mim, uma que, até muito recentemente, eu não sabia explicar. Eles me provocam, porque são, como vim a perceber, uma versão amplificada de mim, apesar da distância com que os observo.

Eu também exibo tendências irônicas. Uma das dificuldades que tenho, por exemplo, é a de dar presentes sinceros. Em vez disso, dou o que no passado só seria aceito em “inimigos secretos”: uma pintura kitsch de alguma lojinha, uma caneca de café com imagens espalhafatosas do Texas, bonecos de plástico de luchadores mexicanos. Presentes bons para dar risada na hora, mas que valem pouco a longo prazo. Existe algo na responsabilidade de escolher um presente pessoal e significativo para um amigo que faz com que esse ato seja íntimo demais, importante demais. De certo modo, não consigo suportar a possibilidade de que um amigo não goste de um presente que eu tenha escolhido com sinceridade. O simples ato de perceber esse meu comportamento autodefensivo me fez pensar profundamente sobre o quanto esse posicionamento irônico podia ser potencialmente tóxico.

Em primeiro lugar, ele marca uma aversão profunda ao risco. Como resultado do medo e da vergonha preventiva, a vida irônica revela um amortecimento, uma resignação e uma derrota culturais. Se a vida tornou-se um mero apanhado de objetos kitsch, uma série infinita de piadas sarcásticas e referências à cultura pop, uma competição para ver quem consegue ser mais apático (ou, pelo menos, um espetáculo dessa competição), parece que, coletivamente, demos um passo em falso. Será que essa é a causa de nosso vazio e mal-estar existenciais? Ou seria um sintoma?

Ao longo da história, a ironia já serviu a propósitos úteis, como fornecer uma vazão retórica a tensões sociais de que não se falava. Mas nosso modo irônico contemporâneo é, de algum modo, mais profundo; ele já vazou do reino da retórica para o da própria vida. O éthos irônico pode levar a uma vacuidade e uma insipidez da psique individual e coletiva. Historicamente, os vácuos acabam preenchidos por alguma coisa – e, com muita frequência, alguma coisa perigosa. Fundamentalistas nunca são irônicos; ditadores nunca são irônicos; as pessoas que mexem com coisas na esfera política, independentemente dos lados que escolhem, nunca são irônicas.

Onde podemos encontrar exemplos da vida não irônica? Como ela é? Modelos não irônicos incluem crianças muito novas, pessoas de mais idade, pessoas muito religiosas, pessoas com sérias deficiências físicas ou mentais, pessoas que sofreram, e as que moram em lugares econômica ou politicamente complicados, onde a seriedade é o estado de espírito governante. Meu amigo Robert Pogue Harrison, numa conversa recente que tivemos, falou desse modo: “Sempre que o real se impõe, ele tende a dissipar a neblina da ironia”.

Observe uma criança de quatro anos de idade em sua vida cotidiana. Você não verá a menor indicação de ironia em seu comportamento. Ela ainda não assumiu, por assim dizer, o véu da ironia. Ela gosta do que gosta e declara seus gostos sem dissimulação. Não está particularmente consciente dos juízos dos outros. Não se esconde por trás de uma linguagem indireta. Os modelos mais puros da vida não irônica, no entanto, encontram-se na natureza: os animais e plantas são isentos de ironia, que existe somente onde habita o humano.

O que significaria vencer o empuxo cultural da ironia? Afastar-se do irônico representa dizer o que se pensa, pensar o que se diz e considerar a seriedade e a declaração direta como possibilidades expressivas, apesar dos riscos inerentes. Significa assumir o cultivo da sinceridade, da humildade e do autoapagamento, rebaixando o frívolo e okitsch em nossa escala coletiva de valores. E pode incluir também fazer um inventário honesto de si próprio.

Começa assim: dê uma olhada ao seu redor, em casa. Você se vê cercado de coisas de que gosta mesmo ou coisas de que gosta só porque são absurdas? Ouça o que você diz. Pergunte a si mesmo: Eu me comunico essencialmente por piadas internas e referências à cultura pop? Que porcentagem das coisas que falo tem sentido? O quanto me valho de linguagem hiperbólica? Eu me faço de indiferente? Olhe suas roupas. Quanto do seu guarda-roupa poderia ser descrito como peças de fantasia, derivativas ou reminiscentes de algum arquétipo de estilo específico (a secretária, o mendigo, a coquette, ou você quando era criança)? Em outras palavras, suas roupas fazem referência a alguma outra coisa, ou só a si próprias? Você tenta deliberadamente parecer nerd, estranho ou feio? Em outras palavras, o seu estilo é um antiestilo? A pergunta mais importante: como você se sentiria se sofresse uma mudança interna, em silêncio, off-line e sem que os outros vissem?

Ao longo das últimas décadas, vimos algumas tentativas de banir a ironia. Os movimentos, nas artes, do que é definido de modo frouxo como Nova Sinceridade vêm brotando desde que os anos 1980 se posicionaram como uma resposta ao cinismo, ao afastamento e à meta-referencialidade do pós-moderno (a Nova Sinceridade vem sendo associada recentemente aos livros de David Foster Wallace, aos filmes de Wes Anderson e à música de Cat Power). Mas nenhuma dessas tentativas vingou, como comprova a nova era da Ironia Profunda.

O que as futuras gerações farão com esse sarcasmo feroz e com o cultivo descarado da besteira? Será que ficaremos satisfeitos em deixar um arquivo cheio de vídeos de pessoas fazendo coisas idiotas? Será que um legado irônico é, de fato, um legado?

Com certeza, a vida irônica é uma resposta provisória aos problemas do excesso de conforto, do excesso de história e do excesso de opções, mas minha convicção firme é a de que esse estilo de vida não é viável, e oculta em si muitos riscos sociais e políticos. Deixar que um amplo segmento da população anule sua voz cívica, por meio do padrão de negação que descrevi, é sugar as reservas culturais da comunidade como um todo. As pessoas podem escolher continuar a se esconder atrás do véu da ironia, mas essa escolha significa render-se às entidades comerciais e políticas que ficarão mais que satisfeitas em assumir o papel de pais para cidadãos autoinfantilizados. Por isso, em vez de rir do hipster – um hobbie favorito, especialmente entre os hipsters –, tente determinar se as cinzas da ironia não se assentaram sobre você também. É preciso algum esforço para espaná-las.

Tradução de Adriano Scandolara

Christy Wampole é professora-assistente de língua francesa na Princeton University. Sua pesquisa tem como principal foco a literatura e o pensamento francês e italiano dos séculos 20 e 21. “How to Live Without Irony” foi publicado originalmente no blog Opinator, do The New York Times, dia 27 de novembro de 2012 (opinionator.blogs.nytimes.com/2012/11/17/how-to-live-without-irony).

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você não está criando o novo iphone

por   /  11/01/2013  /  9:08

Nem sempre você está criando o próximo iPhone no seu trabalho, mas seu chefe age como um Steve Jobs. Gustavo Mini faz uma ótima análise sobre a exaltação de termos como inovação, liderança e convergência e propõe uma abordagem de trabalho mais leve:

O lado obcecado, nervoso e intempestivo dos gênios é frequentemente usado por líderes não tão geniais assim para justificar comportamentos inapropriados, exagerados e insalubres. É essa maluquice de compor um ambiente de trabalho no qual pessoas dão o sangue pela empresa, trabalham doze horas por dia, perdem mais quatro em deslocamento, aguentam reuniões tensas, pressões inúteis, processos contraproducentes como se estivessem criando o próximo iPhone.

Mas em 99,9% dos casos elas não estão trabalhando no próximo iPhone, muito embora alguns líderes se transformem em simulacros de Jobs – e muitas vezes citam seus exemplos – pra tentar convencer suas equipes de que as bizarrices pelas quais passam no dia-a-dia valem a pena. E assim, muita gente acaba vivendo em versões reais do absurdo seriado The Office, com Michael Scotts que se acham Steve Jobs. Bom, essa é a essência dos Michael Scotts.

Lembra quando o Daft Punk cantava “Harder, Better, Faster, Stronger”? Pois então. Acho que isso é uma mentalidade do passado. A música foi lançada em 2001, deve ter sido composta no século anterior. Talvez seja hora de apostar em um mantra contrário, mais afinado com as necessidades contemporâneas: softer, worser, slower, weaker. O seu chefe não vai gostar, mas sua família, seus amigos, seu coração e sua sanidade vão.

Leiam o texto completo: http://www.oesquema.com.br/conector/2013/01/09/softer-worser-slower-weaker.htm

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direto de ny: depois de sandy

por   /  30/10/2012  /  15:15

#Sandy #Frankenstorm passou e está tudo bem! Por aqui foi só um dia de chuva e vento forte.

A internet caiu à noite, mas voltou pela manhã. Nem luz faltou!

Agora saindo pra ver a rua, encontramos essa árvore caída bem na esquina (e um monte de gente instagramando a mesma cena).

Já tem gente cortando o tronco e em pouco tempo a rua ficará livre.

Obrigada, cosmos e Brooklyn!

E todo mundo que ficou aí torcendo pra que tudo ficasse bem ♥

direto de ny: antes de sandy chegar

por   /  29/10/2012  /  19:37

O vento continua forte, mas nada mudou muito até agora.

Por volta do meio-dia, saímos pra comprar mais água e comida.

Acima, a vista da rua, no Brooklyn Heights.

Parada pra fazer uma refeição decente: fomos ao Building on Bond, que estava aberto, mas com cardápio reduzido.

O restaurante estava quase lotado; todo mundo matando um hambúrguer com fritas antes de Sandy chegar.

No Wallgreens, as estantes de água, suco e refrigerante pareciam saqueadas. Deu pra comprar umas garrafas.

Mas já entendi que um cálculo foi errado: compramos apenas um pack de cerveja… I’ve already drank half of my supplies! (referência:  @jeremyscahill no Twitter)

As prateleiras de chocolate tavam ainda piores. Ô povo junkie! (me sinto em casa)

Na saída, um cachorro muito fofo fazia focinho de preocupado.

Acima, o que temos de comida pra esses dias. Como se pode ver, a preocupação com elementos nutritivos norteou as compras…

direto de ny: furacão sandy

por   /  29/10/2012  /  18:00

Estamos aqui, diretamente de Nova York, dentro de casa, à espera do furacão Sandy!

Se tudo o que a mídia está dizendo for verdade, vejo vocês daqui a uns dias, porque a cidade vai inundar, uma falha de eletricidade pode durar semanas, não sei pra onde vai dar pra ir, já que o transporte público pode demorar dias pra voltar (desde ontem à noite metrôs e ônibus já não funcionam).

A situação é tensa, viu?

Mas tô preferindo pensar que os americanos são hiperbólicos e que vai ser só um susto.

Hoje de manhã ainda deu pra andar pelo bairro (Brooklyn Heights), comprar umas coisas no Wallgreens (não tinha mais lanterna, só umas velas enormes) e perder dois guarda-chuvas em um intervalo de dez minutos.

O vento tá forte (teve uma hora que até dei uma seguradinha numa árvore), e a previsão é que Sandy chegue somente em oito horas.

Já que num dá pra fazer nada da programação intensa que tínhamos preparado, vamos ficar na internet, né?

Vou ficar postando umas coisas por aqui (relacionadas e não relacionadas ao furacão). E lá no Twitter (@daniarrais) coloco mais coisas sobre a Frankenstorm.

Pra começar, um texto do David Carr, colunista do New York Times, sobre como a TV faz um looping de antecipação desde sexta-feira. Em certa altura do texto, ele fala:

“Worse than Irene” was trending on-air Monday, as was, “Get out now!” “Monster storm” is becoming a trademark of Sandy coverage, in part because it makes a natural event sound like a movie and partly owing to its size, duration and area of impact. Makes you wonder what will be left in the bank of hyperbole for tonight when Sandy actually makes landfall.

Leiam o texto > http://nyti.ms/UaSkEZ