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Posts da categoria "amor"

Crush Songs, de Karen O

por   /  03/09/2014  /  22:22

Karen O

Sabe música que a gente ouve o dia inteiro no repeat? A nova da Karen O é assim.

“Day go by” faz parte do disco “Crush Songs”, que será lançado no próximo dia 09/09.

Tô apaixonada

Karen O 2

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#OcupeEstelita, 17/06/2014

por   /  18/06/2014  /  11:11

Não tenho palavras pra expressar o que sinto diante do que está acontecendo no Recife. Ultraje, impotência, revolta, incredulidade são algumas coisas que passam na minha cabeça. As cenas vividas ontem pelos integrantes do movimento #OcupeEstelita são inacreditáveis. Reuni aqui textos, fotos e vídeos que tentam nos dar uma dimensão do caos que tomou conta da cidade. Obrigada a todos que lutam bravamente nessa terra que a gente tanto ama e que tanto nos decepciona. Força e muita resistência!

Do Mídia Capoeira: No dia do segundo jogo do Brasil na Copa do Mundo, o Governo do Estado tentou se utilizar da atenção das pessoas para o futebol e realizou a retirada das pessoas que ocupavam a área do Cais José Estelita. Mais de 20 dias depois da ocupação, os desrespeitos à legislação urbanística do Projeto Novo Recife já são de conhecimento público. O Ministério Público Federal já se posicionou contra a operação (http://www.prpe.mpf.mp.br/internet/Ascom/Noticias/2014/Nota-de-repudio-Reintegracao-de-posse-Cais-Jose-Estelita), assim como a imprensa nacional começa a denunciar (http://blogdojuca.uol.com.br/2014/06/o-novo-recife-e-o-movimento-ocupeestelita/). Assistam às cenas chocantes do vídeo gravado, editado e divulgado pelo movimento #OcupeEstelita

Anistia Internacional: Poucas horas antes do Brasil entrar em campo, a Polícia Militar de Pernambuco desocupou o Cais José Estelita, em Recife. A Anistia Internacional Brasil condena uso excessivo da força pela PM na desocupação do local. “Lamentável a desocupação violenta hoje, no Cais José Estelita, em Recife (PE), rompendo todos os acordos feitos com o poder público. O que está em jogo nisso é o projeto de cidade que a população quer e a participação da sociedade na escolha da ocupação de áreas nobres nas cidades”, afirma Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional Brasil. Leia a nota pública > http://bit.ly/1lvW5Ig

Ivan Moraes Filho, jornalista: “O que querem fazer no terreno é o que estão fazendo com a gente aqui” Eu não lembro quem foi que disse isso enquanto driblávamos (muitas vezes sem sucesso) balas de borracha e bombas de efeito moral, ontem, durante os protestos do #ocupeestelita. Nada mais perfeito. A violência de quem reprime reuniões pacíficas, prende e fere pessoas que querem discutir uma cidade mais humana e justa. É a mesmíssima violência de quem utiliza o poder pra empurrar goela abaixo de uma cidade inteira projetos que ferem a nossa mobilidade, conforto, o direito à moradia. De quem descumpre acordos. A mesma de quem acha natural “cumprir ordens” que machucam a pele e a cidadania das pessoas. De quem acha que empresas e dinheiro valem mais do que pessoas. A violência e  covardia de quem escolhe sempre os mesmos alvos para serem atacados e pagarem as contas do “progresso” e do “desenvolvimento”. De quem passa por cima os processos legais sem constrangimento. A mesma violência inconsciente da jovem jornalista que pergunta a um ativista armado com um telefone celular se ele levou três tiros durante um “confronto” com policiais protegidos por armaduras e escudos. E tantas outras violências cotidianas que não ganham manchetes de jornais ou mesmo posts raivosos no feicebuque. Violências tantas vistas e sofridas por um bocado de gente que se acordou assustado numa manhã de terça-feira, num simbólico dia de jogo da seleção na Copa do Mundo. Que experimentou as formas mais óbvias de violência. Tiros, bombas, espadas, gás de pimenta, chicotes, escudos e cacetetes. Mas que não se deixou ferir. Um dia depois de tantas atrocidades não resta dúvida que o povo, desta vez, venceu a batalha.

Liana Cirne Lins, advogada, militante do Direitos Urbanos e professora da Faculdade de Direito do Recife – UFPE: Últimos minutos do dia que entrou para a história de Pernambuco como a ruína do estado democrático de direito e o fim da credibilidade das instituições estatais. O estado de exceção é o estado de Pernambuco. Desde a manhã está evidente para todos que o objetivo da ação policial nunca foi a desocupação do imóvel, tanto assim que não apenas não houve tentativa de desocupação amigável, como minha presença na qualidade de advogada para promover a desocupação voluntária foi impedida. O objetivo sempre foi a repressão violenta do Movimento Ocupe Estelita. Eu gostaria de não ter vivido o dia de hoje. Eu gostaria de não ter visto o que vi. Eu gostaria de não ter ouvido os gritos que ouvi e os barulhos de bombas e balas sendo disparadas. Eu gostaria de não ter perdido minha crença nas instituições jurídicas. Eu gostaria de não ter chorado, completamente impotente, na frente dos ativistas que eu desejava proteger e de costas para a polícia de choque que nos acuava. Eu gostaria de não ter visto Milton Petruczok sendo arrastado pelo pescoço, Cristina Lino Gouvêa sendo levada nua e imóvel com pontapés nas costas. Eu gostaria de não ter visto o sangue nas dezenas de feridos. Eu gostaria de eu mesma não ter sido agredida com um cacetete por um policial do GATI enquanto desempenhava meu papel de advogada. Eu gostaria de viver numa democracia. Mas hoje eu não tive nada do que eu gostaria de ter. E também hoje Ocupar Estelita ganhou um significado radicalmente maior. É mais do que uma luta pelo direito à cidade e contra uma prefeitura corrupta e um consórcio de empresas sem limites morais como a Moura Dubeux e a Queiroz Galvão. É agora também uma luta contra um governo do estado mentiroso e traidor, contra um judiciário que colocou em xeque sua imparcialidade. É uma luta contra um estado que faz as vezes de milícia do poder econômico. Estou indo dormir muito mais pobre do que acordei. Perdi sonhos e estou embrutecida pela brutalidade que testemunhei. Vou dormir com as dores físicas que senti na pele e com as dores morais que senti na alma. Mas vou dormir certa de que acordarei curada, porque nossa luta é um caminho sem volta. E nesse caminho os sonhos serão refeitos. E serão cada vez mais belos.

Kleber Mendonça Filho, cineasta, diretor de “O Som ao Redor”: Blitz de publicidade paga em jornal, TV de horário nobre, YouTube e Facebook, ação agressiva em dia de jogo do Brasil, sócio fala-mansa fazendo turnê em debates na imprensa sem revelar nada, escavadeiras a postos. É uma estratégia de guerra, toda desenhada. E o Movimento para o Recife só ganha força.

Chico Barros, juiz: Como juiz, não costumo exercer juízo de valor sobre a atuação de outros tribunais, mas como professor de Direito Processual desta vez usarei o permissivo da LOMAN: em pleno processo de negociação entre as partes, não há espaço para medidas adjudicatórias desse impacto. O Tribunal de Pernambuco foi precipitado, infeliz e contrário a tudo que hoje se estuda sobre a Justiça restaurativa. Contrário às recomendações internacionais sobre o tema, contrário aos programas do CNJ e assim por diante. No mais, como juiz, como professor, como cidadão, como pessoa humana, abomino a violência (tanto à direita quanto à esquerda).

Juka Kfouri, jornalista: O projeto “Novo Recife” é um projeto imobiliário que está destruindo uma área histórica da capital pernambucana para erguer as torres mais altas da cidade, num processo cheio de ilegalidades, já denunciado pelo Ministério Público Federal. Durante o processo o prefeito Geraldo Júlio (PSB) suspendeu o alvará de demolição e a reintegração de posse da área – ocupada pelos manifestantes. Hoje, se aproveitando do jogo do Brasil, a tropa de choque esteve no local às 5h. Muita bomba de efeito moral, muita bala de borracha, muita gente machucada e hospitalizada. Toda a ocupação foi feita de maneira pacífica e festeira. Xico Sá escreveu um texto lindo sobre o episódio. Como se pode ver numa das fotos abaixo, há um quadro com a programação que estava sendo feita no local: produção de malabares e brinquedos de papelão. Foi para remover esse pessoal perigosíssimo que o governador mandou a tropa de choque, com gás de pimenta, bala de borracha e bomba de efeito moral. O obra está embargada – segue uma foto de um post da prefeitura nas redes sociais, afirmando que o alvará continua suspenso. Não obstante as empreiteiras já enviaram para o local tratores, escavadeiras e funcionários para derrubar os galpões históricos.

João Valadares, jornalista: Hoje, dia 17 de junho de 2014, eu, João Lyra Neto, governador de Pernambuco, no gozo de minhas atribuições legais, autorizo todo e qualquer pernambucano a não cumprir os acordos firmados com o meu governo. Hoje, eu autorizo todo e qualquer pernambucano a não me respeitar e não confiar na palavra empenhada pelos meus secretários. No meu governo, acordos públicos são fechados e não cumpridos. Hoje, em Pernambuco, fica instituído o dia da desmoralização pública da minha gestão. As comemorações, por minha ordem, já foram iniciadas.
Revoguem-se todas as disposições em contrário.

Outra de João Valadares: A ação do Batalhão de Choque hoje, no Recife, foi autorizada por uma caneta magoada, preterida e cheia de tinta. O governador João Lyra, escanteado pelo presidenciável Eduardo Campos do processo eleitoral no quintal socialista, mostrou o que é capaz de fazer. Bastaram dois meses para virar o inimigo íntimo número 1 do ex-governador. Ironia que, na semana passada, ao avaliar a vaia tomada por Dilma na abertura da Copa, Eduardo Campos soltou um “a gente colhe o que a gente planta”. A ação desastrosa do Choque hoje ocorreu justamente no momento em que o prefeito do Recife, Geraldo Julio, autorizado por Campos, se movimentava para tentar negociar uma saída. No momento em que manobrava nos bastidores para transformar o limão numa limonada. O recurso seria julgado esta semana. Burrice política crônica do governador em antecipar a ação truculenta do Choque? Não acredito. O Choque fez o que sempre fez: desceu a porrada. Foi preparado para isso. Agora, o PSB no Recife é o PT do ano passado. A discussão e divergência são públicas. A roupa suja também. O prefeito declarou publicamente que foi surpreendido, a secretária Cida Pedrosa alegou no facebook que os acordos não foram respeitados. Comparou a ação da polícia de Lyra aos tempos da ditadura. No dia em que a Justiça concedeu a reintegração de posse, um dos secretários mais fortes de Geraldo Julio chegou a ligar para o secretário de Defesa Social de Pernambuco pedindo para que segurasse a execução da ordem. De nada adiantou. A caneta cheia de mágoa do governador é bem mais forte.

Juliana Cesar, advogada feminista e ativista de direitos humanos: O Consórcio Novo Recife concordou em suspender a reintegração enquanto está sendo conduzida a negociação na Prefeitura do Recife. Além disto, um acordo – noticiado na imprensa – estabeleceu que a reintegração, quando viesse a ocorrer, seria anteriormente discutida com todas as partes envolvidas, inclusive representantes da ocupação, para que ela fosse feita da maneira menos conflituosa possível. SECRETÁRIOS ESTADUAIS E OFICIAIS DA PM estavam presentes nesta reunião. Ontem à noite FALEI COM UM UM SECRETÁRIO ESTADUAL sobre um boato de reintegração e, após contato com a SDS, isto me foi TERMINANTEMENTE NEGADO. Este é o grau de confiabilidade deste Governo e a prova do desrespeito que ele possui com os direitos humanos, bem como do valor que dão às suas próprias palavras. GOVERNO VIOLENTO, COVARDE E SEM PALAVRA!

Leonardo Cisneiros, integrante do Direitos Urbanos e professor da UFRPE: João Lyra, cabra safado, sem vergonha! No interior, homem sem palavra não é homem! Choque perseguindo e encurralando manifestantes até no Pina! Fiquei encurralado entre um segurança armado de um restaurante e uns 20 caras do Choque. Paguei de transeunte, ia conseguir sair, mas um cachorro fardado me reconheceu e levei umas porradas de cassetete só por isso…

Nação Zumbi: Recife desfigurado e desmoralizado. Perdendo identidade e resgatando o coronelismo com força total. Resgate cultural do coronelismo. É o único resgate cultural que interessa ao governo do estado de Pernambuco neste momento. A Nação Zumbi não tem medo de governo ou prefeitura de Recife. Já discordamos anteriormente sobre a política empregada nas áreas culturais nas redes. Agora recente também discordamos da maneira com que foram feitas as ações relacionadas á ‪#‎ocupaestelita‬. Entendemos que temos o direito de discordar e o exerceremos se acharmos necessário. A distribuição inteligente de espaços da nossa cidade nos interessa e queremos um Recife/Olinda para todos. Cidades com boa infra-estrutura. Sabemos que temos um importante posicionamento político e gostamos de deixar isso bem claro apesar de não sermos chatos com isso. Sem medo de retaliações pelas partes envolvidas é isso que pensamos. Mais uma vez viemos dizer que discordamos de instituições e não pessoas.

Pierre Lucena: Como confiar em alguém que em um dia senta em uma mesa para negociar e no outro manda a PM para bater? Infelizmente a reação do Estado às manifestações do ano passado foi o reforço da repressão policial, quando deveria ser na melhoria da prestação de serviços e no aumento da transparência. Quem pensa que este tipo de atitude autoritária de empresas que mandam na cidade não estava na pauta da revolta popular, é porque realmente não entendeu nada da crise urbana que vivemos. #‎OcupeEstelita‬

Ana Paula Portella: Foi uma armadilha. Das mais perversas e nojentas, digna dos governos mais autoritários. Espalharam o boato sobre a reintegração, o que nos levou a checar a informação com o governo do estado, quando fomos tranquilizados e informados de que o acordo estava mantido. Os professores desse tipo de técnica ainda estão vivos na memória desse país. Liana Cirne Lins explica tudo aqui, direto do ‪#‎resisteestelita‬

Marcelo Pedroso, cineasta: A bravura da resistencia contra a covardia do Estado encontra foco no acampamento. A estrutura ja estava armada na noite de ontem, mesmo depois de horas de bombardeio e tiros! Quem puder ajudar, leve mantimentos, agua potaval, comida, produtos de higiene, extensao, fios eletricos, ferramentas e vinagre.

Chico Ludemir: O que vivemos hoje assim que o sol raiou no Cais José Estelita foram atos de terrorismo. A policia, a partir das 5h da manhã acordou a ocupação com seu cavalos e batalhão de choque. Em menos de uma hora tudo que havia no Cais já encontrava-se destruído. Para isso, usaram de força extrema, desmedida e, diante da resposta pacífica dos manifestantes, foram covardes e desumanos.

Carolina Leão, jornalista: O direito à cidade é o direito não à cidade arcaica e nostálgica de um passado, ou à da ideologia burguesa enquanto organismo econômico e social gerido por um aparato político-institucional, mas à vida urbana, à centralidade renovada, aos locais de encontro e de trocas, à informação, aos ritmos da vida e empregos do tempo (Manoel Rodrigues Alves).

Moacir dos Anjos, curador: As construtoras passam por cima de leis, embargos e acordos, com a participação ativa do Governo do Estado (PSB), via PM, e a Prefeitura (também PSB) ainda quer sair de bom-moço, como se não tivesse nada a ver com isso. Entendi mal ou é isso mesmo? Se é assim, é uma total desmoralização da autoridade do prefeito.

Leo Falcão, cineasta: It’s a clear undemocratic act against the law and the population, in a combined action of private economic power, an accessary Government and a negligent major media. For that, we ask the International community of media, social and political activists to share this violence practiced against the Brazilian people, who so far has fought only with arguments, art, joy and courage.

Pedro Caldas Ramos, 15 anos: Na maioria dos dias acordo as quatro da manhã, me arrumo, saio de casa, falo com o vigia. Na maioria dos dias ando pela Rua João Lira, onde vejo o céu quase claro, ando pela Rua da Aurora. Na maioria dos dias vejo o nascer do sol de dentro do Capibaribe, na maioria dos dias vejo um céu de Michelangelo. Vejo também o Recife Antigo, com seus prédios com mais histórias que um livro sagrado. Vejo o Recife acordar, vejo o mais belo. Não sou contra as causas dignas mesmo com seus problemas, NÃO GOSTO DOS PRÉDIOS, não queria morar em um apartamento, mesmo sendo ele antigo, NÃO GOSTO DOS PRÉDIOS, grande e acolhedor como uma casa, NÃO GOSTO DOS PRÉDIOS. Não imagino o nascer do sol atrás dos prédios, não imagino um Recife sem as quatro pontes que passo, não imagino o Recife cinza, imagino e verei sempre o Recife mais belo. O Recife que sempre me surpreende. O céu nunca igual, a água nunca igual, os prédios nunca iguais. Lutemos então pela nossa paisagem! Pois quero viver e dizer a sessenta anos “A CIDADE” é igual, a sessenta anos ela me surpreende, quero passar o resto dos meus dias me impressionando com a beleza do nascer do sol atrás da Prefeitura! ‪#‎OcupeEstelita‬ ‪#‎ResisteEstelita‬

A batalha pelo Cais José Estelita, por Renan Truffi > http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-batalha-pelo-cais-jose-estelita-8652.html

Conflito no centro histórico do Recife deixa 10 feridos, por Daniel Carvalho > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/171675-conflito-no-centro-historico-do-recife-deixa-dez-feridos.shtml

MPPE recebe denúncias de violência policial em reintegração de posse no Recife > http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2014/06/mppe-recebe-denuncias-de-violencia-policial-em-reintegracao-no-recife.html

Nota de repúdio do Ministério Público Federal > http://www.prpe.mpf.mp.br/internet/Ascom/Noticias/2014/Nota-de-repudio-Reintegracao-de-posse-Cais-Jose-Estelita

PM retira à força ocupantes do Cais José Estelita > http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-06/urgente-pm-retira-forca-ocupantes-do-cais-jose-estelita#.U6BNDHutBjI.twitter

Reintegração de posse no Recife termina com 4 detidos e 3 feridos > http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/06/1471756-reintegracao-de-posse-no-recife-termina-com-4-detidos-e-3-feridos.shtml

Repressão em “reintegração de posse” no Ocupe Estelita > https://www.facebook.com/media/set/?set=a.401288810009457.1073741866.285490214922651&type=1

#OcupeEstelita vai recorrer ao CNJ e reivindica soltura de jovem preso em reintegração > http://ne10.uol.com.br/canal/cotidiano/grande-recife/noticia/2014/06/18/ocupeestelita-vai-recorrer-ao-cnj-e-reivindica-soltura-de-jovem-preso-em-reintegracao-494254.php

Pra acompanhar:

Direitos Urbanos > https://www.facebook.com/groups/direitosurbanos/

Movimento #OcupeEstelita > https://www.facebook.com/pages/MovimentoOcupeEstelita/320033178143669?fref=photo

O outro compilado de links que fiz aqui > http://donttouchmymoleskine.com/ocupeestelita/

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2 clipes pra hoje: Metronomy e Lee Ranaldo

por   /  20/05/2014  /  16:16

Um do Metronomy, que eu continuo ouvindo todos os dias. Depois do clipe de “Love Letters”, dirigido pelo Michel Gondry, e o de “I’m Aquarius”, chega a vez de “Reservoir”.

E outro do Lee Ranaldo, pra gente ficar com saudade do Velvet Underground.

“A movie of a song in a dream of a movie.” Directed by Fred Riedel, the basic concept plays off particular images of the Velvet Underground as filmed by Andy Warhol in the late 60s, casually rehearsing at the Factory, performing (as The Exploding Plastic Inevitable) on St Marks Place with projections and dancers, and even Warhol’s famous ‘Screen Tests’. The character of “The Projectionist” is played by legendary NYC avant-garde filmmaker Ken Jacobs (with whom both myself and Fred studied back in the 70s). Among the dancers can be spotted former SY drummer Bob Bert. Longtime SY associate, director David Markey, is among those behind the camera on this piece. Shot at Sonic Youth studio Echo Canyon West as well as at live gigs in New York City and Los Angeles.

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Os conselhos de Patti Smith

por   /  19/05/2014  /  17:17

Para começar a semana, um vídeo da Patti Smith falando coisas da maior importância.

“Build a good name. Keep your name clean. Don’t make compromises, don’t worry about making a bunch of money or being successful. Be concerned about doing good work. Protect your work and if you build a good name, eventually that name will be its own currency. Life is like a roller coaster ride, it is never going to be perfect. It is going to have perfect moments and rough spots, but it’s all worth it.”

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Testamento de partideiro

por   /  11/05/2014  /  15:00

Uma música para o domingo: “Tempo de partideiro”, de Candeia.

Mas se houver tristeza que seja bonita
De tristeza feia o poeta não gosta
E um surdo marcando o choro de cuíca
Viola pergunta, mas não tem resposta
Quem rezar por mim que o faça sambando
Porque um bom samba é forma de oração
Um bom partideiro só chora versando
Tomando com amor batida de limão

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A festa é minha e eu choro se eu quiser

por   /  22/01/2014  /  8:08

Escreveram o livro que traduz com perfeição várias sensações que experimentamos todos os dias ao usar o Instagram, o Facebook, o Twitter e qualquer outra rede que vier a surgir e que nos faça pensar que, quanto mais mostrarmos nossas vidas perfeitas, mais seremos felizes.

“A Festa é Minha e Eu Choro Se Eu Quiser” é o primeiro livro de Maria Clara Drummond, escritora e jornalista carioca de 27 anos. Em pouco mais de 80 páginas, ela faz uma crônica do que eu tenho chamado de Vazilândia (talvez fosse mais legal traduzir o termo pro inglês: Emptyland. Mais cool, né? Mas não).

Vazilândia é um universo nada obscuro, do qual qualquer um pode fazer parte. É o mundo da aparência e da falsa conexão, onde importa se vestir a partir das mesmas referências, frequentar os mesmos lugares, viajar para destinos badalados, frequentar estréias e vernissages muito cool, postar o seu dia a dia no Instagram, se alimentar de likes, comentários e número de amigos ou seguidores e chegar em casa e se sentir uma merda. Sozinho, oco, perdido, sem saber o que importa de verdade ou o que quer da vida.

No livro, Maria Clara conta a história de Davi, um jovem cineasta carioca que aceita um emprego em publicidade em São Paulo, passa a frequentar as melhores festas, vai a Cannes e se sente completamente sem rumo, usa drogas legalizadas e outras não pra escapar da dureza que é acordar e não saber porque decidiu atuar com tanta destreza em um filme cujo roteiro está completamente desamarrado. Em certo momento, o personagem diz:

Na verdade, o objetivo disso tudo é: beber durante a noite para tentar esquecer a angústia ou ao menos deixá-la em segundo plano. No dia seguinte, dormir muito e só acordar no meio da tarde. Aí só falta metade do dia em consciência, e logo posso voltar a dormir ou beber. Mas não importa. De tudo o que eu faço o objetivo principal sempre é escapar.

Estamos conectados o tempo todo, viajando na nossa própria viagem de que nossa vida editada uma hora vira vida de verdade. Será? E aí vem outro trecho:

Quanto mais você se aproxima de ser um adulto bem-sucedido mais você se afasta da felicidade. E aí, cara, chega num ponto que não tem mais jeito, babou. Você não vai abrir mão das suas regalias. São as festas, são as meninas, os amigos badalados que te querem sempre por perto, é ouvir toda hora você é o máximo! De pessoas que também são consideradas o máximo e ser exaltado primeiro no microcosmo da Incógnito e, logo depois, no Rio de Janeiro todo, e ouvir que pessoas de São Paulo já sabem quem você é e querem estar sempre por perto, é receber uma proposta de trabalho em São Paulo por um salário muito melhor, em um cargo muito melhor e com muito mais oportunidades de ganhar mais e mais dinheiro e conhecer mais e mais gente e assim você vai crescendo seu status e sua suposta felicidade, que na verdade já deixou de ser felicidade há muito tempo, lá na sua primeira conquista, e agora é só um turbilhão de acontecimentos instagramados que vão se multiplicando, porque você sabe que se parar por um minuto você não volta do seu buraco interno jamais.

Ops… Parece que foi você que escreveu isso em um daqueles dias em que está mais pra baixo? Também tive essa sensação. E toda vez que sinto isso, penso: não dá pra achar que o problema é o Instagram ou o Facebook, mas sim as conexões de verdade que a gente deixa de fazer com as pessoas, né? E pra falar disso, seria necessário um outro livro – ou um outro post!

Rápido, preciso e atual, “A Festa é Minha e Eu Choro Se Eu Quiser” é um livro que fala sobre a bolha de que muitos de nós fazemos parte de vez em quando. Aproveitei pra conversar com a Maria Clara sobre essas coisas todas.

Qual foi o clique que te deu pra escrever esse livro?

Sempre gostei de escrever, mas nunca ficava satisfeita com nada – e olha que eu sempre escrevi obsessivamente. Quando tentava contos, sentia que ficavam frios e sem alma. Também escrevia algo similar a uma prosa poética, mas, na maioria das vezes, tinha alma em excesso e o resultado era muito melodramático – além de ser muito difícil editar textos tão pessoais. Com a carreira de jornalista engatilhada, o sonho de escrever um romance ficava cada vez mais adormecido.

No dia 1º de janeiro, assim que cheguei em casa da minha festa de réveillon, sentei no computador e escrevi: “Cara. Melhor réveillon da minha vida. Mas, mesmo assim, ano que vem passo em casa, quieto.” Era um desabafo, porque de fato eu passo quase todos meus réveillons em casa, dormindo, e este eu passei em uma superfesta na casa de uma amigo, me divertindo horrores. Mas aí, sem muito planejamento, surgiu esse personagem e todo o círculo de amigos dele e suas respectivas personalidades. Escrevi praticamente o capítulo 1 inteiro neste dia, de uma vez só – mas é lógico que, ao longo dos seis meses que passei me dedicando ao romance, ele foi reescrito inúmeras vezes. O livro foi criado espontaneamente – sua estrutura foi sendo desenvolvida na medida que ele ia sendo escrito, na base de muitos testes.

Da série perguntas carregadas de suposição: como foi escrever uma história baseada na vida de 90% dos seus amigos e conhecidos?

Praticamente nada que existe de factual do livro foi baseado na vida de pessoas que eu conheço, somente alguns detalhes que serviam de inspiração para uma ficção nascer dali. Por exemplo, poucos dias antes do réveillon, fui à Comuna (bar que eu e meus amigos frequentamos no Rio) e, no bar, desabafei para um amigo: Não estou aguentando minha existência. Ele pegou a cerveja dele e disse: Ninguém aqui aguenta, tá todo mundo fingindo. E aí ele foi dançar e eu fiquei olhando aquele grupo de pessoas, aparentemente tão alegres. Fiquei com esse diálogo na cabeça (que reproduzi no livro) e dali surgiram várias cenas e pensamentos para a história. Muitas das reflexões foram baseadas em conversas com amigos sobre nossa geração.

Alguém ficou chateado? Ou a reação mais constante foi do tipo: “uow, é exatamente isso! O que a gente faz agora”?

Não, a reação foi positiva. Alguns disseram que ficaram meio perturbados e envergonhados de se identificarem com o Davi, mas foi uma perturbação boa, uma reflexão.

Como é viver em um mundo em as coisas só existem se forem postadas?

Acho que a chave para essa pergunta esta no parágrafo de conclusão do livro: inveja de nós mesmos. Aparentemente todos nós vivemos uma vida incrível, somos bonitos (todo mundo é lindo no selfie), inteligentes, frequentamos festas e exposições. Mas, no fundo, sabemos que não somos tão ~ legais ~ assim e daí vem a crise. Creio que a obrigatoriedade do sucesso que sempre existiu na sociedade norte-americana tenha se globalizado com as redes sociais, a ponto de virar pecado fracassar. Procuramos aparentar sucesso e felicidade, mais do que ser – e quando passamos a vida olhando para fora ao invés de olhar para dentro fica mais e mais difícil alcançar o que seria a felicidade.

Desaprendemos a falar a real uns para os outros em troca dessa exaltação de que somos o máximo o tempo inteiro?

Quando temos amizades verdadeiras, como as de infância, existe esse momento de falar A REAL. No entanto, muitas vezes essas amizades ocupam menos espaço na nossa vida, dando lugar a amizades do trabalho ou que sejam de alguma forma importante para o networking.Em cidades mais cosmopolitas, como São Paulo, isso acontece com frequência: tem uma frase da Tina Brown, que foi editora da Vanity Fair e da New Yorker, que simboliza bem esse espírito: “You don’t make friends, you make contacts”.  No Rio de Janeiro, que é uma cidade bem provinciana, é menos comum. Você encontra seus amigos de infância no Baixo Gávea: um surfista que ainda mora com a mãe, um CEO milionário, um artista hypado… E tá tudo certo.

É difícil para quem cresceu tendo tudo e podendo tudo lidar com frustração?

Sim, com certeza. Isso já foi bem explorado por vários artigos que tentam dissecar os chamados Millennials. Especificamente no Brasil, a minha geração foi criada em um momento econômico bom, o que torna as suas expectativas ainda mais irreais – isso somado à felicidade dos outros mostrada em redes sociais e revistas de lifestyle torna a combinação ainda mais explosiva. Uma frustração normal da vida toma ares de fracasso que só você passa – os outros estão lá, felizes e bem sucedidos.

Depois de escrever o livro, você pensou em tomar uma decisão “drástica”, do tipo ficar longe de redes sociais?

Amo Facebook. Gosto de discutir sobre política e outros temas relevantes com uma gama imensa de pessoas que eu normalmente não conversaria e que tem pontos interessantes a acrescentar – aprendo a partir dos links que os outros postam, sites e assuntos que eu não teria acesso de outra forma. A linguagem de internet é descontraída, mesmo quando o assunto é sério. Isso me agrada. Normalmente, não perco meu tempo vendo vídeos virais, nem tenho muita paciência para humor de internet – de vez em quando surgem uns ótimos e é bom, mas a maioria acho sem graça. Em geral, uso o Facebook como plataforma para fóruns de discussão sobre assuntos variados.

Odeio Instagram. Perdi meu iPhone e tive que ficar dois meses sem o aplicativo e foi ótimo. Me senti bem mais leve. Instagram é superficial e desperta o pior das pessoas: inveja, competitividade, narcisismo. Atualmente uso pouco essa rede social e pretendo usar cada vez menos.

O Instagram não te trouxe nada de bom?

Acho que não. Por vezes acho divertido (estou viajando e estou gostando de tirar fotos e deixá-las mais bonitas), mas tendo a relacionar o Instagram com ansiedade. Ansiedade de se mostrar feliz, de ter a sensação de ser querida, e é uma sensação falsa, porque likes não contabilizam amor. Já ouvi alguém dizer: “acho que ela não é muito querida, ela não tem muitos likes”. Outro dia, falava com uma amiga sobre como me senti mais leve quando estava sem Instagram e ela disse: “mas aí as pessoas podem esquecer que você existe, é ruim para o marketing pessoal” – ela disse isso a sério e creio que muita gente pensa assim.

Às vezes o Instagram pode ser útil para se começar um primeiro contato com alguém que você admira, pois cria-se uma conexão de forma mais leve que no Facebook, onde normalmente você precisa conhecer a pessoa para virar amigo. Dessa forma, fico feliz de ter algum tipo de relação com essas pessoas que não conheço, mas admiro o trabalho (principalmente se essas pessoas me seguirem também), mas como o instagram não permite muitas interações por texto (onde me saio melhor – sou meio ruim com imagens e isso deve influenciar minha implicância com o aplicativo) normalmente esse tipo de contato permanece superficial, na base de likes. Então, sou meio indiferente em relação às benesses do Instagram.

O que a internet te trouxe de mais assustador até hoje?

Acho a internet ótima, o problema é alguns tipos de rede social que fazem com que seja muito tentador se comparar com os outros a partir de critérios aleatórios como likes, seguidores etc. Isso torna as pessoas mais narcisistas, autoconscientes, competitivas e invejosas. Mas nada que um pouco mais de terapia e introspecção não resolva. Qualquer problema do mundo moderno (tanto oriundo das redes sociais ou os que eu trato no livro) pode ser resolvido com uma boa dose de introspecção, silêncio, autoanálise, leitura. Menos selfie, mais Freud e Jung – as pessoas podem até começar a ler sobre esses dois pensadores em um texto de internet para então migrar para um livro.

E de mais surpreendente?

Acho internet ótima para relações pessoais, é mais fácil você se aproximar de pessoas com quem você tenha afinidades. Você tem a chance de ler sobre assuntos que normalmente não leria – eu não tinha o menor interesse sobre feminismo até minha timeline ser inundada por posts dessa espécie e só a partir daí que comecei a pesquisar sobre o assunto. Tem mil ensaios interessantes disponíveis na web. É lógico que um artigo de internet pode ser insuficiente comparado a texto mais extenso que você encontra em um livro, mas é um bom ponto de partida para você começar a desenvolver uma espécie de curadoria intelectual (ex: não me interesso sobre fenomenologia, mas descobri que amo semiótica e vou me aprofundar no assunto).

Quem você quer que te leia? Vale fazer uma citação genérica do tipo “jovens de 30 anos que moram em São Paulo” ou nominal: “aquele cara que tem a família perfeita no Instagram”.

Imagino que meu livro seja mais atraente para jovens (de qualquer canto do mundo), entre 20 e 35 anos, mas nada impede que um adulto de 55 anos leia e se identifique com o Davi.

“A Festa é Minha e Eu Choro Se Eu Quiser”, de Maria Clara Drummond

Editora Guarda-Chuva

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