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entrevista: bill callahan

por   /  10/09/2008  /  20:06

tem texto meu na ilustrada de hoje, sobre bill callahan: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1009200821.htm

aqui, a entrevista na íntegra   =)

* Você tem mais de 20 anos de carreira. Qual é o segredo para manter um trabalho tão constante, com a mesma essência?

Tenho um desejo de fazer. Como o desejo do sexo, o desejo da comida etc. É realmente natural para mim, não penso muito sobre isso. Está na minha cabeça quando acordo.

* Você já foi descrito como uma das mais importantes figuras do indie rock norte-americano nos anos 90. Como você se sente em relação a isso?

Não sinto que as coisas tenham mudado. Estou no centro do que eu faço. Quando me concentro para fazer uma música, sinto como se fosse a primeira vez, ou a décima vez, ou a quadragésima vez. O lugar e a sensação nunca mudam. Não acho que eu tenha nenhuma honra dentro da indústria. Quando escrevo, estou só. Quando estou no estúdio, toco, junto com a banda, para mim mesmo e para eles e para o engenheiro. Tocar ao vivo é como um sonho, talvez dure tanto quanto um sonho, e não existe nada antes ou depois. Você vai para um lugar onde as pessoas estão e toca, então acaba e as pessoas vão embora. Mas você tem a memória disso, como tem de um sonho. As pessoas vão embora com suas próprias nuvens de memória daquele sonho. Para algumas pessoas é como um sonho bom, para outras é um pesadelo.

* O que você conhece de música brasileira?

Tem muita coisa. Eu meio que tentei focar no Caetano Veloso e no Tom Zé porque eles têm muitos álbuns. Eu amo o “Transa”.

* O que mais influencia você na forma de você contar histórias em suas músicas?

Eu mesmo, acho. Quando você está começando, você presta muita atenção na forma como as pessoas fazem as coisas, como elas contam as histórias. Com o tempo, você acaba achando sua própria voz, seu próprio centro.

* Quais são suas principais influências? Cantores, bandas, escritores…

[O cantor de rap] Lil Wayne tem sido bastante inspirador ultimamente. A maneira como ele é destemido e faz o que quer fazer.

* É a sua primeira vez no Brasil? Você pensa em tomar caipirinhas e ver alguma apresentação de samba, ou tem outros planos?

Acho que não teremos tanto tempo. Acho que passaremos a maior parte do tempo que teremos na América latina dentro de um avião. Na maioria das vezes, o que gosto de fazer em outros países é beber um café ou uma cerveja numa calçada e observar todos os tipos de pessoas que passam, as esquisitas, bonitas, feias, engraçadas, gentis, confusas, solitárias, empolgadas.

* Como você se comporta no show? Qual é a melhor coisa de tocar ao vivo? E a pior?

O mais difícil é, talvez, o fato de você estar à mercê de forças que vão além do seu controle. Estar em turnê é uma coisa muito física, viajar muito pode destruir seu corpo e sua mente. A parte boa é que eu gosto de cantar, gosto de estar com uma banda que toca bem junto. E gosto de ver pessoas sorrindo na platéia.

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