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fratura exposta, por flávio martins

por   /  25/07/2010  /  20:51

Holanda, por Flávio Martins

Foi numa quarta feira.  Depois de quase um ano sem olhar na minha cara, ela veio falar comigo.  O sentimento antigo despertou. Decidimos conversar,trocar idéias. Saber como tudo estava.

Fazia um tempo que eu havia traído a confiança dela. Meu medo não me deixava continuar, eu não tinha passado por coisas o suficiente pra saber o que eu queria, na verdade. Eu não conseguia acreditar em mim mesmo quando dizia que “é dessa vez” ou “agora acabou. De verdade”. E se nem eu podia acreditar nas minhas palavras, quem mais poderia?

Ela tinha mudado, eu também. Depois de um ano separados, passamos uma tarde juntos. Aquele sentimento de amor novo, passeio na praia e tudo o mais. Fazia tempo que eu não me sentia tão bem, sem medo. Talvez eu finalmente houvesse aprendido que não tinha que ter medos e, se por acaso tivesse, era pra enfrentá-los, fugir deles.

Quando estávamos juntos, costumávamos falar que dali a um tempo,uns 10 ou 15 anos, iríamos nos encontrar na Holanda. Sem querer, de bem com a gente mesmo, pronto pra se apaixonar de novo.  Era curioso, pois aquelas idas e vindas nossas nos fizeram saber que aquilo, que acontecia àquela hora, não ia durar tanto assim. Ela me amava e eu tinha medo de decepcioná-la.

A tarde ia se encerrando, era hora de voltar. Faltava uma semana pra eu viajar, vou passar um ano fora. E ela disse que não queria mais me ver. Disse que não sabia se dava pra me esperar. Eu entendi. Um ano em outro país é muita coisa. Não podia impedi-la, não podia prometer nada. Não depois de tudo que havia acontecido. Apesar de o meu coração gritar, esbravejar, espernear o contrário, a razão falou mais alto.

Já passamos um ano separados, outro não seria difícil. Depois de tantas idas e vindas, se fosse pra ficarmos juntos, ficaríamos.

E ali, naquela rua, se encerrou a conversa. Depois de um beijo,sua mão soltou-se da minha e ela se foi. Eu queria voltar correndo, queria que ela voltasse correndo. Eu queria correr, gritar, não deixá-la ir assim. Sabendo que eu não a veria novamente. Mas ela foi.  Eu fui.  Não sei o que vai ser nesse ano fora. Não sei o que vai ser quando eu estiver longe.

Eu só espero poder voltar e encontrar a Holanda aqui.

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A foto é de Olya Virich

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

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