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fratura exposta, por yana parente

por   /  30/06/2010  /  10:02

Começa agora mais uma seção do Don’t Touch: Fratura Exposta. Essa vai ser colaborativa. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

Quem começa é Yana Parente, o melhor presente que 2010 me deu!

O conto de Fratura

Toda fratura acontece no corte, no rasgo, na separação entre carne e osso. Neste momento se configura não a simples quebra, mas a conformação de algo muito definitivo, mesmo desprendido; duas coisas que se largam e se firmam ausentes ainda lado a lado. Na terra da literalidade absoluta, a Fratura Exposta rompe a pele evidenciando não só os tecidos, mas aquele espaço que existia pra acomodar, aquele que agora existe só como ausência. Ela é menos o drama de rompimento que a evidência da falta.

Uma maneira de se conhecer Fratura é percebê-la na lacuna, no partido que assim permanece. Não precisa gastar a vista analisando o trauma, prevendo as situações de risco e opções de tratamento… erros comuns. Há quem não seja especialista, olhe com humanidade, admiração até, e apenas diga: Fratura acontece!

Foi num ambiente assim favorável que Fratura Exposta soube a exata gravidade de seu caso. Ela antes era triste porque julgava-se um defeito, uma emergência. E ninguém é feliz na urgência. Ganhando maturidade precoce através de uma saudável aceitação, de repente percebeu que o entorno inteiro, além de suas próprias partes, pararam de lhe cobrar a cura, a junção, e se acostumaram com o fato de existir algo sofrido que anda e funciona. A quebra, antes assustadora, vira a comprovação de que existe o corte para o novo, todo o possível, que mesmo não acontecendo está lá. Com o tempo, Fratura se acomoda de uma forma tão (im)perfeita que nem o sobrenome lhe agrava o caráter… só lhe atesta charmosa dramaticidade.

Finalmente, nada em Fratura pretende esconder o espaço aberto. Ela descobriu com alguma dor que é dele que ela precisa pra viver, e é exposta que ela se mostra para os outros e para si mesma, deixando claro as lamentações e todas as possibilidades de emenda, desejadas ou não. Acomodada num corpo são, dentro de um quarto pequeno, Fratura envelhece como potência de união, mas vive satisfeita com esse vazio que leva adiante.

Para a presença ausente dos primeiros meses de SP.

A foto é de Alexander Rios

6 Comentários Deixe seu Comentário

  • gabriela • 30.06.2010 @ 12:00 responder

    Texto muito bonito. estou encantada.

  • pérola • 30.06.2010 @ 16:46 responder

    certA :)

  • Marina L'Amour • 30.06.2010 @ 18:03 responder

    Texto maravilhoso, feito Yanita.

  • raphaella • 30.06.2010 @ 20:35 responder

    duas palavras: oh my!

  • Caru • 8.07.2011 @ 03:30 responder

    Amo essa Fratura desde sempre!

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