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#portfoliodonttouch: A juventude pelo olhar de Pedro Pinho

por   /  12/03/2015  /  16:16

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Pedro Pinho fez nossos melhores retratos como pessoa jurídica. Eu e a Lu ficamos impressionadas com a rapidez com que ele faz o trabalho, cheio de leveza e bom humor. Esse rapaz de 24 anos consegue deixar seus retratados completamente à vontade, mesmo quando eles sofrem de vergonha crônica na frente da câmera, como é o meu caso, hehe.

No ano passado, o Pedro passou alguns meses no Texas para estudar fotografia. Aproveitou pra fazer muitos retratos lindos. Coloco alguns aqui, intercalando com uma conversa que tivemos. Espero que vocês gostem!

Acompanhem > www.pedropinho.com + www.pdrpinho.tumblr.com

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Eu nunca gostei de fotografar paisagem, objeto, animal… Meu negócio é e sempre foi gente. É muito difícil pra mim entender os motivos que me levam a fotografar determinadas pessoas, mas sempre acontece. Eu cresci desse jeito, sempre tinha alguém que eu ficava obcecado e fotografava de novo e de novo, de todos os jeitos possíveis. Sei cada ângulo de várias das minhas amigas de infância. Agora, eu cresci e essa obsessão não passou. Alguém sempre me desperta esse desejo de fotografar sem parar. Não sei se é empatia, desejo, ou até medo. De certa forma, me relaciono com essas pessoas através da minha lente, olhando e retratando o que acontece.

Comecei aos 14 e hoje, aos 23, continuo olhando pra juventude como um fio condutor de tudo o que faço. Já não me sinto tão jovem assim, olho pra pessoas mais novas com a sensação de ter acabado de passar por tudo aquilo. Ao mesmo tempo, sou muito novo e ainda não tenho resposta pra nada. É importante pra mim retratar tudo isso enquanto não estou tão distante do meu objeto.

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Cada foto tem que ser vista com a minha presença não-declarada ali. Eu estou dentro desse momento, olhando, pensando, me relacionando. Todos são pessoas que eu conheço, com algum sentimento envolvido. É sempre interessante pra mim olhar as fotos e pensar no que essas pessoas sentem por mim, se estavam confortáveis ou não, se tinham algo no olhar… Da mesma forma que, como fotógrafo, olho para essas pessoas, elas olham de volta, conscientes de que estou ali. Fotografar algo sempre é dar importância e, quando o objeto é uma pessoa, algo acontece entre fotógrafo e fotografado. Alguns se deixam ver de forma mais profunda, talvez por alguma recíproca aos meus sentimentos. São as fotos que eu olho por mais tempo e gosto mais.

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To Be Young, Texas, 2014 [fotos acima]

Sem querer ser pseudo-poético e falar de coisas abstratas demais, o projeto aborda o que resta em nós após a transformação para a “vida adulta”. As memórias apagadas, os fragmentos das tantas decisões tomadas, as pessoas que teríamos para sempre. As fotos são todas borradas, como memórias. É difícil dizer o que se passa, quais sentimentos flutuam naquele instante, o que essas pessoas estão fazendo. Assim como a juventude, tudo é sentido ao mesmo tempo, de forma extremamente emocional, confusa e difícil de decifrar.

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Eu fui para os Estados Unidos fazer um curso de seis meses na Baylor University, que tem um programa de Fine Art Photography. Por causa de dois trabalhos (To Be Young e Let Me In) fui selecionado pra receber uma bolsa e apresentar meu trabalho na conferência da SPE – Society for Photographic Education. Foi uma experiência muito incrível, ter acesso a todo equipamento do mundo e conviver de perto com um monte de fotógrafos importantes dos Estados Unidos. Também aproveitei pra viajar três meses. Visitei cinco estados e fiz questão de passar a maior parte do tempo sozinho. Me forcei a parar de ser tímido e fotografei um tantão de gente. Algumas vezes era bem estranho e desconfortável. Mas algumas pessoas se abriam um pouco além do normal e eu virava amigo. Foi muito interessante.

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Let me In, Texas, 2015 [fotos abaixo]

Nasci em Brasília, uma cidade que considero extremamente fechada e fria, onde cada morador preza pela sua privacidade e por uma distância que deve sempre ser respeitada. De alguma forma, essa herança me leva a inconscientemente questionar a olhar com olhos curiosos a forma como as pessoas abrem suas casas e o processo necessário para alguém passar de um estranho para amigo. Para esse projeto eu fotografei duas casas. Eu não conhecia nenhum dos moradores antes de começar o trabalho e não os visitei sem a câmera nenhuma vez. A cada visita, continuava a fotografar tudo o que eu estava vendo, sem pedir permissão, questionando a barreira do que é aceitável de se fotografar e o que é muito invasivo. As fotos mostram a intimidade de cada uma dessas casas, o seu comportamento e o estranhamento de se ter uma camera presente.

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1 Comentário Deixe seu Comentário

  • mirele • 15.03.2015 @ 21:23 responder

    Lindo trabalho Pedro Pinho!

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