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Liberdade e leveza nas ilustrações de Marcella Briotto

por   /  29/05/2018  /  9:09

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É bonito demais ver uma amiga florescer. Sair de um emprego no mercado tradicional para se aventurar no mundo independente, com todas as suas alegrias e seus perrengues também. Vibro com o trabalho da Marcella Briotto, ilustradora cujo traço é cheio de poesia.

Conheçam o trabalho dela: @marcellabriotto

E leiam a entrevista a seguir!

#entrevistadonttouch
#galeriadonttouch
#minasdonttouch

 

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– Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na ilustração e o que você mais gosta de desenhar?

Eu fui aquela criança que andava com o caderno e lápis de cor, desenhava o dia todo. Então desde cedo eu sabia que queria fazer algo relacionado a desenho. Mas na hora de escolher profissão achei que design me daria mais oportunidades, comecei trabalhar em revista feminina e sempre que precisava desenhava um passo a passo, até começarem a me dar matérias maiores e, quando vi, estava fazendo matérias de comportamento, que foi onde me encontrei. Em paralelo comecei desenhar o dia a dia, a rotina, os sentimentos que vinham ao olhar para dentro. Gosto dessa conexão entre o material, o espiritual/sentimental e a natureza.

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– O que a arte representa na sua vida?

Sempre foi uma válvula de escape do mundo real normalmente tão pesado e um jeito de mostrar o que penso e sinto em relação as coisas. Sempre fui mais retraída, então foi no papel que aprendi a me expressar. Quanto mais caos, mais busco na arte a calmaria – e o contrário também, às vezes nada sai do lugar e precisamos gritar para ver as coisas se movimentando. Quando digo isso não me refiro só a fazer. Por meio da arte em geral a gente se conecta com um mundo novo, uma outra realidade, o que traz novas reflexões, faz a gente pensar e agir diante das coisas. Esse (r)equilíbrio e às vezes esse tapa, rs, que ela proporciona para mim é fundamental, me dá a sensação de liberdade e leveza. Até quando não é leve traz essa sensação porque foi posto para fora, sabe? Foi jogado no mundo.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Acho que quando fazemos algo que realmente sentimos, as pessoas absorvem aquilo e acabam se identificando.
Quando fiz essa série de desenhos ligados às ervas eu realmente tentava encontrar um equilíbrio entre minhas angústias todas e uma conexão comigo mesma, buscando uma liberdade que de certa forma não estava tendo no meu dia a dia. Fiquei muito tempo afastada do meu lado autoral, muitas vezes vamos deixando o que gostamos de lado por insegurança, por falta de tempo, normalmente somos engolidas pelo mercado de trabalho/capitalismo e vamos nos afastando mais do que a gente é, do que gostamos de fazer. Acho que estou nesse momento de me reencontrar e isso se reflete no meu trabalho.

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– Como é ser mulher no seu meio?

Na minha bolha, sou mais rodeada de mulheres, tenho mais amigas mulheres, no mercado editorial trabalhei com muitas mulheres, então tenho a sorte de estar rodeada por uma mulherada que eu admiro. Mas lá atrás na época de faculdade, quando eu ia procurar referências de ilustração tinha muito ilustrador homem, era uma ou outra ilustradora, acho que isso está mudando, o que é ótimo. Hoje vejo ilustradoras com trabalhos incríveis conquistando cada vez mais espaço. Tem um movimento de mulheres crescendo forte no mercado da ilustração, acho maravilhoso, ainda mais diante um mundo com patriarcado muito forte. Abordar o universo feminino, desde as sutilezas até as lutas, é fundamental. Ter essa representatividade de mulheres no mercado das artes, desde ilustração até a arte de rua por exemplo, acho que é o mais importante.

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– Que mulheres você indica pra eu entrevistar depois?

Vou falar três que trabalham o feminino de formas diferentes: Karen Dolorez , Anna Maeda e Miriam Brugmann.

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Mais:

Eva Uviedo

Priscila Barbosa

Brunna Mancuso

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