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moleskine ainda é melhor no papel

por   /  28/04/2011  /  11:12

Escrevi sobre o aplicativo Moleskine para o caderno Tec, da Folha de S.Paulo!

Moleskine ainda é melhor no papel

Daniela Arrais

Moleskine é o mais tradicional caderninho de bolso que se tem notícias. Diz a história da marca italiana que pintores como Van Gogh e Pablo Picasso e escritores como Ernest Hemingway usavam as folhas bem cortadas e estruturadas para esboçar suas pinturas e seus escritos. Há quem ande por aí com esses cadernos no bolso na esperança de um dia ter seu conteúdo revirado por historiadores. A grande parte da população que adora artigos de papelaria enxerga na qualidade e na beleza do produto o suporte ideal para anotar as coisas do dia a dia.

Há pouco mais de uma semana, a Moleskine resolveu levar seus “lendários cadernos” para o mundo dos aplicativos. Mas, ao contrário dos cadernos, que têm na simplicidade o seu maior trunfo, a app é confusa e complicada de usar. Pelo menos é de graça (enquanto os cadernos têm um precinho salgado) e pode ser baixada na AppStore ou na iTunesStore, servindo para iPhone, iPad e iPod Touch com sistema operacional a partir do iOS 4.2.

Para começar a usar o MoleskineApp, clique no ícone. O que aparece na tela é uma reprodução da capa do caderno, na vertical. Se você tenta virar para a horizontal, não consegue.

Para acessar as notas, toque na tela. Você verá  uma lista intitulada myThoughts (meus pensamentos). Para criar um novo, clique no sinal de mais localizado no canto superior direito da tela e dê um nome ao seu pensamento. Em seguida, você vai ver uma tela com três botões: categoria, novo e atribuir. E aí já começa a primeira falha do aplicativo: afinal, você acabou de criar um nota e é perguntando, em seguida, se quer criar uma nova. Quando você clica em New, no entanto, o que aparece é a possibilidade de criar uma categoria para aquele pensamento…

Clicando em categorias, você encontra o Label, que permite que você escolha um ícone para identificar seus pensamentos. Pode ser uma televisão, um relógio, uma cadeira daquelas de set de cinema, um lápis, uma mão com polegar para cima. Até agora ainda não escrevemos, certo? Volte ao índice e clique sobre alguma das notas que você criou. Ops, nada acontece. Clicando duas vezes, finalmente você tem acesso ao teclado! E pode começar a escrever o que tiver na cabeça.

Na parte de cima, o ícone do canto esquerdo permite que você escolha entre os estilos de papel, que variam entre liso, quadriculado e com linhas. Você tem, também, a opção de mapear seus pensamentos, clicando em Mapmythoughts. O aplicativo indaga se pode usar sua localização atual, você confirma e, então, aparece um mapa. Você consegue adicionar uma geotag _e, em seguida, ver as notas que foram marcadas assim. A idéia é que você tenha um mapa de suas memórias. Dá, ainda, para você compartilhar suas notas por e-mail, Twitter e Facebook.

No canto inferior direito, uma canetinha faz as vezes de editora do texto, permitindo escolher o tamanho e a cor da fonte, a espessura da linha se você for desenhar e uma imagem.

Uma das coisas legais do aplicativo é que ele permite usar fotos no meio das notas ou dos desenhos. Você pode usar imagens da sua galeria de fotos, ícones do próprio aplicativo e, ainda, fazer uma foto na hora com sua câmera. Usando os dedos em formato de pinça, você consegue alterar o tamanho da imagem _e para movê-la de um lado para o outro, basta arrastar os dedos. Em seguida, você recorta a imagem e faz sua inserção na nota.Fácil até, mas não o suficiente para esconder as dificuldades gerais do aplicativo.

Resumindo: o aplicativo Moleskine é muito confuso. Parece que toda a simplicidade que é característica da marca não foi transposta para o mundo digital. Uma pena, já que, nesse tempo de urgências, bastam alguns cliques além do necessário para que a gente deixe um aplicativo no limbo. Por enquanto, fico com meus Moleskines reais, com suas cores, estilos e tamanhos variados que trabalham a favor da inspiração.

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