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O amor

por   /  11/09/2015  /  9:00

Celso Sim e Arthur Nestrovski cantam “O amor”, uma música de Caetano que me comove todas as vezes. Deitado, José Miguel Wisnik observa. São muitos os dias em que eu amo São Paulo. Esse domingo de agosto no Teatro Oficina foi um deles.

Talvez quem sabe um dia por uma alameda do zoológico 
Ela também chegará, ela que também amava os animais 
Entrará sorridente assim como está na foto sobre a mesa 
Ela é tão bonita, ela é tão bonita que na certa eles a ressuscitarão 
O século trinta vencerá o coração destroçado já 
Pelas mesquinharias 
Agora vamos alcançar 
Tudo o que não podemos amar na vida 
Com o estelar das noites inumeráveis 
Ressuscita-me ainda que mais não seja 
Porque sou poeta e ansiava o futuro 
Ressuscita-me lutando contra as misérias do cotidiano 
Ressuscita-me por isso 
Ressuscita-me quero acabar de viver o que me cabe 
Minha vida para que não mais existam amores servis 
Ressuscita-me para que ninguém mais tenha de sacrificar-se 
por uma casa, um buraco 
Ressuscita-me para que a partir de hoje 
A partir de hoje 
A família se transforme 
E o pai 
Seja pelo menos o Universo 
E a mãe 
Seja no mínimo a terra 
A terra 
A terra

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