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O pós-crise

por   /  29/08/2014  /  21:21

Irina Munteanu |

A melhor coisa que fiz por mim e por este blog nos últimos tempos foi escrever o post da crise dos 7 anos. Dividir a angústia foi um alívio – e já me fez pensar em várias coisas, algumas novas, outras nem tanto. Escrever me tirou da inércia. Ler os comentários de vocês aqui, no e-mail e no Twitter foi a mesma coisa que receber uma injeção de adrenalina, motivação e amor.

A gente vive um tempo maravilhoso. E muito louco. Exigimos demais de nós mesmos – e o mundo ao nosso redor parece exigir mais ainda. Temos que fazer muito, ter uma vontade incessante, nos dedicar a tudo com muita determinação.

Gostei de falhar. De ficar em dúvida. De pensar “pra quê?”. De quase desistir, ao menos por um tempo. Me senti mais gente de verdade, menos personagem nesta internet que a gente se acostumou a viver como palco.

Ver que muitos de vocês sentem as mesmas coisas aumentou meu nível de empatia em 100%. Empatia, essa palavra de que eu tanto gosto!

Entre o post da crise e este, comecei um daqueles trabalhos que nos fazem lembrar porque escolhemos uma profissão. Fui convidada para escrever os perfis dos homenageados do Prêmio Trip Transformadores.

[Vocês conhecem o prêmio? Vai para a sua oitava edição e é muito legal! Seleciona pessoas do Brasil todo que estão fazendo mudanças na vida de muita gente. Obrigada pelo convite e pela parceria, Pedrinho, Ju, Carol, Vinícius e Regina]

O que eu mais gosto no jornalismo é de fazer entrevistas. Com o prêmio, tenho experimentado conversar com um senhor de 75 anos que inventou um aquecedor solar de baixo custo, com uma juíza que mudou a história do casamento no Brasil ao proferir a primeira sentença que reconhecia uma união homoafetiva, com uma doula que fez o imperdível filme “O renascimento do parto” e mais um monte de gente.

Gente que dedica a vida inteira a uma ideia, a uma causa. Que fala com paixão sobre o que faz, sobre o que ainda quer fazer – e a força incessante de cada um deles é impressionante!

Não poderia haver momento melhor para uma crise do que esse de entrar em contato com gente admirável, inspiradora, que todos vocês vão adorar conhecer (os perfis começaram a sair na edição de agosto da Trip).

Ao longo dessas conversas, que podem durar uma hora, mas geralmente duram 5, 6, 7 horas, um dia inteiro, voltei a perceber que uma das melhores coisas do mundo é conversar ouvindo com toda atenção o que o outro tem a dizer. Ando tão fascinada por isso! Você conversa 5, 10 minutos, ok, pode saber algumas coisas sobre alguém. Passou da meia hora, não tenha dúvida: vai descobrir, ao menos um pouquinho, as nuances, o que faz aquela pessoa ser quem é.

Voltar a fazer jornalismo me lembrou do que une tudo que fiz e faço, tanto na profissão que escolhi quanto na outra que descobri ao criar a Contente com a Lu: vontade de compartilhar as coisas do mundo que me interessam e me emocionam. É quando mostro, faço um convite, converso sobre as coisas que elas ficam mais legais de verdade.

Tem momentos em que tudo que a gente precisa é olhar pra dentro, né? E depois ver o tanto de mundo que existe lá fora.

Este post é para agradecer pelas palavras de vocês, que me lembraram da essência deste blog. É muito natural para mim dividir o que me emociona. Pode ser uma foto, uma música, uma história transformadora. O mundo é tão interessante, e eu me empolgo tanto com tanta coisa, que é impossível não voltar a postar por aqui com todo o amor do mundo.

Vocês são foda! Muito obrigada.

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A foto é de Irina Munteanu.

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7 Comentários Deixe seu Comentário

  • Letícia • 1.09.2014 @ 08:26 responder

    Tenho blog já faz uns 11 anos e já excluí e voltei tantas vezes… Começou no vestibular. Me condicionar a escrever dissertações me fazia questionar tudo o que escrevia e depois na faculdade o estrago já estava feito e a vida muito atarefada. Mas eu não desisto. Com idas e vindas, estou sempre por aqui rs

  • fernanda • 1.09.2014 @ 17:32 responder

    mas que coisa LINDA é te acompanhar amadurecendo! que serzinho humano mais delicioso você é, daniarrais! ouvi esses dias que a gente ensina/compartilha o que mais quer/precisa aprender — não é divino, maravilhoso? 🙂 te adoro desde sempre!

  • Ro Vincenzi • 3.09.2014 @ 12:32 responder

    que lindo post de pós-crise. Nada como se fechar um pouco reorganizar as energias e soltar para o mundo de novo e de presente o mundo te traz coisas boas de volta. Feliz de você ter voltado mais plena, com mais empatia e agradecida por você continuar deixando um pouco de você na nossas vidas.

  • Lucas • 4.09.2014 @ 01:26 responder

    Eu agradeço o seu retorno!

  • Bruna • 4.09.2014 @ 17:23 responder

    que amor isso<3

    Li o post sobre a crise e pensei em escrever, mas acabei não falando nada, leio seu blog desde sempre sempre e acho que devo ter comentado uma vez.
    É meu blog favorito de sempre, não some não por favor. E sempre torço pela volta das fraturas expostas, mesmo que não tenha o livro 🙂

  • Fábio Shiraga • 14.09.2014 @ 20:11 responder

    Dani, queria ter lido o post da crise dos 7 anos no dia. E comentado. Li hoje e comento hoje aqui.
    Não estou acessando tanto os blogs que tanto gosto. E quando entrava aqui, nem sempre estava atualizado, mas ele continuava nos meus favoritos. O meu filho fez 4 anos! Eu já usei textos que você linkou aqui em provas minhas na escola. E os alunos mais descolados logo se identificavam com o teu espaço aqui. E quando te apresento em aula, falo do instamission, escrevo reci-fancy na lousa, já que sou professor de inglês e dá para brincar com isso, e depois de mostrar como tu és foda, mostro para eles que você me deu os parabéns quando eu e a Fabiana estávamos grávidos. risos… É bobo, eu sei. Mas é gostoso. Esses dias li uma matéria sobre o Steve Jobs ser um pai low-tech. Eu ainda não dei um tablet pro meu filho. Mas eu fico pensando em quando ele estiver navegando, vou querer estar de olho, e vou ficar muito feliz se ele puder ter referências tão boas quanto as que eu tenho, como este lindo blog.
    Vida longa ao don’t touch!
    Grande abraço.

  • Mariana R. • 27.10.2014 @ 05:17 responder

    Dani,
    Eu acompanho o don’t touch há muitos anos e, sinceramente, continua sendo o meu favorito. Todas as vezes que venho aqui e leio os posts, conheço tantas coisas boas, coisas novas. A imagem que eu tenho de você é de alguém que é puro sentimento e de uma fofura sem fim. As músicas, as imagens, os posts mais longos, tudo o que você vem compartilhar aqui é de muito bom gosto e sincero. Gosto de ver essas coisas pelo seu olhar, pelo olhar que quem pensa e sente como eu. Foi a partir daqui e daqui que eu comecei a gostar de compartilhar esse tipo de sentimento com amigos que até em então não sabia que pareciam comigo nos gostos. É muito bom estar envolta nessa fofura toda. Seria uma perda inestimável se você tivesse desistido.
    Muito obrigada por toda fofura e amor compartilhado aqui! Força pra continuar nas fases ruins. De que você tem sucesso no que escolheu pra viver não há dúvidas. Por favor, não nos (me, pra ser específica haha) deixe.
    Que toda essa fofura que você é, passa e compartilha pros outros volte em dobro pra você!

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