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o povo unido é gente pra caralho

por   /  21/06/2013  /  13:05

Bom texto do Michel Laub: O oposto da ironia é o pensamento literal, cheio de certezas, que em sua pior face deságua na patrulha ideológica, quando não em intolerância religiosa e moral. São culturas também dominantes hoje, por certo. Mas dizer que todo militante é fanático equivale a dizer que toda ironia é cínica, que toda ponderação é diversionismo e covardia. Ao contrário do que parece, o caminho do meio é tortuoso. A internet não é apenas um veículo que divulga passeatas de forma rápida e inédita. Há algo em sua essência que favorece a mobilização polarizada: porque em geral falamos para grupos que pensam como nós, a tendência é que as ideias circulem sem contraditório, e a competição de quem fala mais alto o que os outros já sabem e querem ouvir torna as palavras gradualmente mais enfáticas, mais raivosas. Ocorre que, numa ironia sobre o discurso irônico –típico do moderado cético, com sua mania enfadonha de ver a questão por diversos lados–, não deixa de ser otimista (o contrário da desistência blasé) acreditar que interlocutores estão dispostos a perceber nuances numa hora destas, por mais óbvias que sejam. De qualquer forma, vamos lá: 1) condenar excessos policiais não significa defender a baderna; 2) identificar tentativas de infiltração partidária não é criminalizar partidos; 3) distorções graves da democracia representativa não tornam aceitáveis as alternativas (como o fascismo disfarçado de democracia direta). > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/114968-ironia-e-protestos.shtml

A foto acima é da Mídia Ninjahttps://www.facebook.com/midiaNINJA

Acompanhem a Pós TV também > http://www.postv.org/http://twitcasting.tv/pos_tv

Está tudo tão estranho. E não é à toa. Texto da socióloga Marília Moschcovich > https://medium.com/primavera-brasileira/dfa6bc73bd8a

Manual de Ouro do Manifestante Idiota, por Bruno O. Barros > http://ilustrebob.com.br/2013/06/manual-de-ouro-do-manifestante-idiota/ (obrigada por compartilhar, Carol Almeida)

E, em São Paulo, o Facebook e o Twitter foram às ruas. Literalmente, escreve Leonardo Sakamoto: A manifestação de segunda, gigantesca, acabou por mudar o perfil dos que estavam protestando em favor da tarifa. O chamado feito pela redes sociais trouxe as próprias redes sociais para a rua. Quem não percebeu que boa parte dos cartazes eram comentários de Facebook e Twitter? Portanto, nem todos os que foram às ruas são exatamente progressistas. Aliás, o Brasil é bem conservador – da “elite branca” paulistana à chamada “nova classe média” que ascendeu socialmente tendo como referências símbolos de consumo (e a ausência deles como depressão). É uma população com 93% a favor da redução da maioridade penal. Que acha que a mulher não é dona de seu corpo. Que é contra o casamento gay. Que tem nojo dos imigrantes pobres da América do Sul. Que apoia o genocídio de jovens negros e pobres nas periferias das grandes cidades. Ou seja, não é porque centenas de milhares foram às ruas por uma pauta justa que a realidade mudou e vivemos agora em uma comunidade de Ursinhos Carinhosos. (…) Mas um grupo, principalmente de jovens, precariamente informado, desaguou subitamente nas manifestações de rua, sem nenhuma formação política, mas com muita raiva e indignação, abraçando a bandeira das manifestações. A revolta destes contra quem portava uma bandeira não foi necessariamente contra partidos, mas a instituições tradicionais que representam autoridade como um todo. Os repórteres da TV Globo, por exemplo, não estão conseguindo nem usar o prisma com a marca da emissora na cobertura – e não é só por conta de militantes da esquerda. Alckmin e Haddad, que demoraram demais para tomar a decisão de revogar e frear o caldo que entornava, ajudaram a agravar a situação de descontentamento com a classe política. “Que se vão todos”, pensam esses jovens. “Não precisamos de partidos para resolver nossos problemas”, dizem outros, que não conhecem a história recente do Brasil. “Políticos são um câncer”, que colocam todo mundo no mesmo balaio de gatos. Elas não entendem que a livre associação em partidos e a livre expressão são direitos humanos e que negá-los é equivalente a um policial militar dar um golpe de cassetete em um manifestante pacífico. Dito isso, creio que foi um erro de análise de militantes de partidos estarem presentes no ato empunhando bandeiras. Direito eles tinham, mas não era a hora. (…) Dentre esses indignados que foram preparados, ao longo do tempo, pela família, pela escola, pela igreja e pela mídia para tratarem o mundo de forma conservadora, sem muita reflexão, tem gente simplesmente com muita raiva de tudo e botando isso para fora. O PSDB tem culpa nisso. O PT tem culpa nisso. Pois, a questão não é só garantir emprego e objetos de consumo. Sinto que eles querem sentir que poderão ser protagonistas de seu país e de suas vidas. E vêm as classe política e as instituições que aí estão como os problemas disso. > http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/06/21/e-em-sao-paulo-o-facebook-e-o-twitter-foram-as-ruas-literalmente/

Brazil’s protesters in their own words > http://thelede.blogs.nytimes.com/2013/06/20/brazils-protesters-in-their-own-words/?smid=fb-share&_r=0

Texto do Igor Gielow: Emparedados por uma força nova e insondável, que transbordou do mundo virtual para as ruas, curiosamente os governantes apelaram para uma arma tradicionalíssima: o populismo. (…) Exceto que os governos tenham serviços de inteligência excepcionais, que lhes tenham garantido que o Facebook era aparelhado pelo MPL e voltará a ser território de fotos de bichinhos fofos, apelos humanistas rasos e afins, não. As imagens do começo da noite de ontem em na TV não insinuavam prognóstico muito mais róseo. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/114936-governantes-apelaram-para-arma-tradicional-o-populismo.shtml

Os R$ 0,20 de aumento do transporte público foi o gatilho nesse processo de deterioração nas relações entre representantes e representados. Mais uma dentre tantas outras demandas sociais feridas pelo poder público ao longo de anos. Até aí, nenhuma novidade. Mas foi o suficiente para fertilizar um campo minado. Ao deixar o virtual para protestar no mundo real, da universidade às ruas, provocou a identificação imediata dos mais diferentes estratos sociais. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/114941-manifestacoes-refletem-crises-de-representacao-e-representatividade.shtml

Foto de André Dusek, do Estadão > http://estadaofotos.tumblr.com/

Quem não gosta de partido é ditadura. Hora de escolher: ou dar as mãos aos skinheads neonazistas ou abraçar a tolerância e a democracia, escreve Mario Magalhães: Não está em debate o mérito do partido X ou Y, no governo ou na oposição, menos ou mais comportado. Nem se um sindicato representa dignamente ou não seus filiados. Ou mesmo se os imensos protestos resultam de força ou fraqueza de uma ou outra sigla _as opiniões são legítimas sobre todas essas questões. O que se discute é o direito democrático de seus integrantes participarem das manifestações. Desde os primeiros atos do Movimento Passe Livre, duas semanas atrás, os partidos tiveram direito de estar presente. No Rio, foi assim há quatro dias. Se outros chegaram ontem, é também seu direito, porque inexiste veto dos organizadores dos protestos, onde se sabe quem são eles. Como se disseminou um robusto sentimento antipartidos, sobretudo na classe média, os neonazistas capitalizam frustrações e comandam os ataques. É legítimo rejeitar siglas, tomar distância delas e derrotá-las nas urnas. Impedir sua expressão é mania de ditaduras.  Além de ser irônico que determinadas agremiações, cuja militância foi decisiva na construção do movimento contra o reajuste das tarifas, sejam agora reprimidas. Não deixa de ser curioso: quem protesta contra algumas covardias policiais agride covardemente quem não concorda com suas ideias. A faixa “Meu partido é meu país” é tão legítima como a do partidinho mais mequetrefe. Todos têm direito de se manifestar. > http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2013/06/21/quem-nao-gosta-de-partido-e-ditadura-hora-de-escolher-ou-dar-as-maos-aos-skinheads-neonazistas-ou-abracar-a-tolerancia-e-a-democracia/ (obrigada também, Carol)

Texto da Eliane Cantanhêde: As ruas do país estão em chamas, enquanto a Bolsa derrete, o dólar dispara e o índice de emprego –que se mantém muito bom– já não dá para o gasto político. Foi engolido pelas más notícias na economia e pela frustração popular. O curioso é que, saia Mantega ou não, a protagonista é outra e o filme está ficando repetitivo. Em janeiro, como escrito neste espaço, a ordem de Lula era “destravar” a economia e o governo ou, quem sabe, destravar a própria Dilma. Cinco meses depois, lê-se na própria Folha que agora Lula quer dar uma “chacoalhada” no governo (ou, quem sabe, chacoalhar a própria Dilma?). De lá para cá, a coisa desandou rápida e surpreendentemente. A acusação a Dilma é que, em dois anos, ela torrou o patrimônio político, econômico e social que herdou de Lula. A família lulista está tão em pé de guerra quanto os manifestantes que, por pouco, não subiram a rampa do Planalto na quinta-feira de fúria. Até o fechamento desta edição. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/114990-no-colo-de-dilma.shtml

Taking to the streets, texto da Economist: That has left commentators—and some marchers—struggling to explain why Brazil has taken to the streets. There is no shortage of causes. Violent crime and political corruption are endemic; police brutality is commonplace in poor neighbourhoods. Crack cocaine is sold and consumed openly in every big city. Brazilians pay taxes at rich-world rates (36% of GDP) and get terrible public services in return. The cost of living is startling. A minimum-wage worker in São Paulo whose employer does not cover transport costs (an obligation for formal employees) must spend a fifth of his pay to slog to work on a hot, overcrowded bus from the city’s distant periphery. But none of this is new. In fact, the past decade’s economic growth has brought the biggest gains to those at the bottom of the heap. So why now? One reason is that the world is watching: the Confederations Cup, a dress rehearsal for next year’s tournament, kicked off on June 15th. Another is a recent spike in inflation, which is eating into consumers’ buying power just as a credit binge has left them overstretched. > http://www.economist.com/news/americas/21579857-bubbling-anger-about-high-prices-corruption-and-poor-public-services-boils-over

Charge do Patrick Chappatte para o NYT > http://www.nytimes.com/2013/06/20/opinion/global/chappatte-cartoon-protests-in-brazil.html?_r=3&

Texto do Fernando Rodrigues: No dia em que o Brasil e Brasília protagonizaram os mais abrangentes protestos de rua das últimas décadas, a presidente da República ficou muda no Palácio do Planalto e o governador do Distrito Federal foi a um evento na Embaixada da França. Dilma Rousseff e Agnelo Queiroz (PT) são o epítome dos governantes brasileiros. Resumem a perplexidade e falta de capacidade de liderança dos políticos de vários partidos diante do novo fenômeno de protestos sem líderes nem propostas definidas. Tanto a presidente como a maioria dos governadores formataram um discurso com três componentes. Primeiro, elogiam a democracia. Segundo, enaltecem os atos pacíficos. Terceiro, condenam as ações de vandalismo. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/115083-silencio-de-presidente-resume-ausencia-de-acao-dos-politicos.shtml

Para saber mais sobre o MPL (Movimento Passe Livre) > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/115092-passe-livre-prega-expropriacao-do-transporte-coletivo.shtml

O povo no poder > http://opovonopoder.tumblr.com/

As brazilian protests continue, the movement remains elusive. But who are the new Brazilian insurgents? What do they want, and how will they parlay their exhilarating slogans and righteous fury over a litany of issuesinto real change and policies? (…) In a sense, the Brazilian insurgency is a copy cat uprising, taking its cues from the rebels in Istanbul, Tunis, and Cairo, where young people with a gripe and smartphones spilled into the streets to make history and tweet it at the same time. Brazil’s intifada also is driven by amorphous crowds fed up with the status quo and driven by a politically combustible mix of resentment, frustration, and hope, with no clear manifesto or well-articulated plan. One of the defining aspects of the uprising is its elusiveness. The student rebels do not want leaders; they reject existing political parties and distrust elected officials. They are the sons and daughters of a generation of Brazilians who fought the dictatorship, helped revive direct elections, and laid down their arms and stones to be voted into power. Now they are turning on their godfathers, and their list of grievances against “just about everything” (tudo isso que está aí, in Portuguese) is a work in progress, grounded by a refusal to patronized.  Some 53 percent of Brazilian youths doubt that elections are honest, says Marcelo Neri, Brazilian secretary of strategic affairs and a social-policy expert. What’s also clear is how the movement blindsided politicians and academics, many of whom had comforted themselves with elaborate surveys and data points that consistently showed that Brazilians are ever more prosperous, confident, and hopeful about their future. “No one saw this coming,” says Carvalho. “Everyone was convinced that everything was OK.” > http://www.thedailybeast.com/articles/2013/06/20/as-brazilian-protests-continue-the-movement-remains-elusive0.html

Brazil rage spills onto the street > http://rt.com/news/brazil-protests-transport-unrest-871/

Mesmo após a redução em série das tarifas de ônibus, principal reivindicação dos protestos que tomaram conta do país, novos atos levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas e resultaram numa onda de violência e vandalismo em 13 capitais. Ocorreram ataques ou tentativas de invasão a órgãos dos Três Poderes em nove cidades. Ações de repúdio a partidos políticos foram recorrentes. Em Brasília, que contabilizou mais de 50 feridos, houve ameaça de invasão ao Palácio do Planalto e ao Congresso, depredação de órgãos como Itamaraty e Banco Central e pichação de outros dois ministérios. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/115081-violencia-se-espalha-pelo-pais.shtml

Após uma série de atos de hostilidade contra militantes de partidos durante o ato que comemorou a revogação do aumento nas tarifas dos transportes, realizado na noite de quinta-feira (20) na avenida Paulista, região central de São Paulo, o MPL (Movimento Passe Livre) – que vinha convocando os atos desde a semana retrasada – anunciou em entrevista à rádio CBN que não irá mais fazê-lo. “O MPL não vai convocar novas manifestações. Houve uma hostilidade com relação a outros partidos por parte de manifestantes, e esses outros partidos estavam desde o início compondo a luta contra o aumento e pela revogação”, afirmou Douglas Beloni, do MPL. Além disso, o aumento no número de manifestantes que propõem ‘pautas conservadoras’ também motivou a decisão. “Nos últimos atos pudemos ver pessoas pedindo a redução da maioridade penal e outras questões que consideramos conservadoras. Por isso suspendemos as convocações”. > http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/21/apos-hostilidade-a-partidos-e-pauta-conservadora-mpl-nao-convocara-mais-atos.htm

Minha briga, por Alexandre Versignassi > http://super.abril.com.br/blogs/crash/minha-briga/

Roda Viva com o Movimento Passe Livre:

Globo abandona grade do horário nobre para transmitir ‘manifestação tranquila’ país afora > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/115087-globo-abandona-grade-do-horario-nobre-para-transmitir-manifestacao-tranquila-pais-afora.shtml

Transporte e Copa devem motivar novos protestos: “Uma bandeira dos jovens é: partido não me representa'”, diz Renato Meirelles, presidente do instituto. Os protestos também são uma forma de a população mostrar que não basta aumentar o poder de consumo para ser feliz, analisa Caldas. A crença de que se a economia vai bem, tudo vai bem, não serve mais, diz o sociólogo: “Não é a economia, estúpido. É a política”. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/115102-transporte-e-copa-devem-motivar-novos-protestos.shtml

Mulher atacada por PM com spray de pimenta diz que sofreu tortura psicológica > http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2013/06/19/carioca-do-nyt-diz-que-sofreu-tortura-psicologica.htm

Que ótimo esse vídeo do PC Siqueira!

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