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Os bordados “desajeitados” de Nani Broderie

por   /  20/07/2018  /  14:14

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Adoro quando alguém chega por DM e apresenta o que faz. A Ana Maria Copetti fez isso, e cá estamos para falar do trabalho dela e mostrá-lo um pouco!

Mais > @nani_broderie

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Bom, me chamo Ana Maria, sou bordadeira e designer, e meu apelido em casa é Nani. Sempre tive gosto pelas artes manuais, praticava de tudo quando pequena, desde aquarela a marcenaria, e hoje sigo experimentando. O design como profissão contribui para o meu pensamento criativo, mas, mesmo amando muito, sempre existiu aquele receio de expor minhas criações e também uma falta de trabalhar com o manual (fico geralmente mais de 8h por dia no computador). Foi através do bordado que encontrei uma forma própria de expressão, que consegui me identificar e ter maior confiança nos meus trabalhos, riscos e identidade. Comecei a bordar em 2014, quando fiz por acaso uma oficina da técnica em um evento de design em Buenos Aires – e desde então não parei mais.

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Hoje tenho a marca de bordados Nani, com bordados desajeitados e feitos à mão em um processo 100% autoral; mas continuo descobrindo outras manualidades também, faço cerâmica e tenho um grupo que compartilha conhecimento manuais: o Clube das Miçangas. Então, sobre o que eu gosto de fazer, acho que a resposta é um pouco de tudo. Em relação ao bordado, bordo o que eu vejo ao redor e o que eu sinto, vejo meu trabalho como a materialização de sentimentos e, por isso, busco sempre inspirações no universo feminino, com sua delicadeza, suas curvas e sua força.

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Acho que a arte representa uma forma de dizer aquilo que muitas vezes eu não sabia como me expressar. Também representa uma forma de ver a vida e o que nos cerca e uma forma de comunicar, uma troca e um compartilhamento dos sentimentos.

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Meu trabalho trata do feminino e da delicadeza e da força da mulher de uma forma simples e natural, e isso sem dúvidas é algo que as mulheres se identificam. Gosto de trabalhar a relação das mulheres e da sororidade, da união e do estar presente pela outra. E também a relação mulher x natureza, através dos animais e das plantas.

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Ser mulher no Brasil é horrível, mas acredito que a pergunta seja específica em relação ao trabalho com o manual. Eu percebo que ser artista, independente do gênero, já venha com toda uma carga de desvalorização do manual no Brasil. Agora, ser artesã e mulher é ainda mais difícil pois já carrega um significado que a sociedade traz do olhar insignificante ou ordinário sobre o trabalho. O bordado acaba muitas vezes sendo tratado mais como um artesanato básico e medíocre do que como arte profissional em si. O tempo de produção, que é altíssimo, acaba sendototalmente  menosprezado, e o valor sobre a peça diminuído. E nesse sentido eu já percebi que há uma diferença de tratamento de quando a arte do bordado é feita por homens, pois eles já são mais vistos como de fato “artistas”.

Porém, me sinto bastante privilegiada em relação ao meu trabalho, pois nunca senti um preconceito direto em relação a exercer meu trabalho. Mas já passei por situações desconfortáveis de receber comentários da família sobre certos bordados “mais ousados”, comentários machistas e homofóbicos em posts dos meus trabalhos e comentários bizarros no transporte público de homens enquanto eu bordava, perguntando se “sobrava tempo para cuidar da casa”, tipo oi?

Por outro lado, como ponto positivo, eu vejo toda uma cultura de valorização do pequeno nascendo. No Brasil pelo fato da maioria das microempresas serem coordenadas por mulheres, todo esses negócios acabam sendo muito inspiradores. E quem se dedica às artes manuais acaba achando uma rede de apoio bem grande e muito querida de artistas.

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