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dont touch my mixtape: músicas para dias atribulados, por juliana morganti

por   /  22/04/2013  /  16:22

A Juliana Morganti é uma dessas pessoas que chegam com um sorriso enorme no rosto e uma alegria daquelas, deixando a vida da gente mais leve e feliz. E quando ela resolve colocar umas músicas pra tocar, só melhora!

E foi por isso que pedi a ela uma mixtape pro nosso Don’t Touch.

Ela explica: Quando você me pediu pra fazer essa playlist eu estava no meio de um daqueles dias de trabalho que parecem intermináveis. Correndo para terminar uma apresentação importante. Com aquela dorzinha de cabeça de tanto olhar pro computador, fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo e precisando de um pouco inspiração. Depois que deu tudo certo com a apresentação (ufa!), eu fiz essa lista de músicas calminhas e gostosas que ajudam a passar por dias atribulados.

Na seleção, músicas de Yann Tiersen, The XX, Wilco, Caetano Veloso, Mallu Magalhães, Macy Gray, Luiz Melodia, Aloe Blacc e muito mais.

A foto é do Seditions.

Se eu fosse você, ouvia! ♥

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de filho para pai

por   /  20/04/2013  /  10:30

O fotógrafo Mário Cravo Neto completaria 66 anos hoje. E o ótimo blog Entretempos, de Daigo Oliva e Cassiana Der Haroutiounian, publicou uma carta bonita de seu filho, Christian Cravo.

Leiam > http://entretempos.blogfolha.uol.com.br/2013/04/19/para-mario-cravo-neto/

Querido Pai,

Me pediram para escrever um texto por ocasião dos quatro anos da sua partida.

Uma difícil missão… Você bem sabe que não sou de fazer isso. Aprendi contigo que o fundamental são as imagens, pois através delas, se diz tudo.

Poderia, sim, ter feito uma seleção de imagens, já que é a minha linguagem, mas ficaria faltando algo, afinal, lá se foram quatro anos sem você.

Resolvi então atualizar a nossa conversa e te contar algumas notícias do lado de cá.

Você vai gostar de saber que, finalmente, será realizada a sua grande mostra sobre o trabalho de Nova York: “Butterflies & Zebras”.

Aquele trabalho que tanto desejou expor e por ironia do destino não teve tempo para concretizar.

Tudo será feito como você planejou. Essa foi a minha promessa e assim o meu dever.

Diógenes tem sido um amor e está tocando tudo para frente como havia combinado com você, com muita dedicação. Vejo que o seu trabalho está em boas mãos.

Atendo todas as solicitações para enfim concretizar o seu último projeto.

A mostra abrirá no dia 27 de julho na estação Pinacoteca e terá (obviamente), além das projeções, uma série de impressões em cor e P&B.

Sei como é, e imagino o que deve estar pensando; o artista está mesmo ligado naquilo que move o seu momento presente, o “eterno agora”.

De resto a vida vai indo, assim como você bem sabe. A novidade é que você ganhou mais uma neta, Stella, minha filha, que, por coincidência, também nasceu num dia 27, neste caso em fevereiro.

Eu estou muito feliz em ter mais uma menina na nossa família…

Não sei onde você está, mas espero que esteja bem. Siga em frente, em paz, pois aqui, como já disse, tudo anda.

PS: A sua instituição ainda não saiu do papel, mas, com fé em Deus, ela se concretizará em breve.

Um abraço carinhoso do seu filho,

Christian

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o amor acaba

por   /  19/04/2013  /  12:28

As coisas que restam, por Vanessa Barbara

Aprender uma coreografia nova de sapateado que envolva pausas dramáticas e movimentos excêntricos com o calcanhar; passar a noite comendo sequilhos; ir ao cinema ver o mesmo filme pela quinta vez só para decorar as falas da voz em off; pesquisar sobre rastros de lesmas e recitar as informações obtidas para um desconhecido numa festa barulhenta; andar na rua como se fosse um enviado secreto do governo da Rússia, um pirata ou um viajante no tempo.

Às vezes perdemos coisas importantes na vida e um conjunto de lápis de cor é o que nos resta; a decisão de pintar as janelas; de nos concentrarmos em campeonatos de mímica; de bater coisas no liquidificador e olhar debaixo da cama só para ver se tem gente. Pessoas vão embora e, na partilha extrajudicial, ficamos com os restos.

O que geralmente nos resta é cantar músicas com os olhos fechados, chacoalhando a cabeça feito um Ray Charles; comprar o próprio peso em palavras cruzadas; praticar o pingue-pongue com estranhos num domingo à tarde e competir como se a vida dependesse disso. Resta é cuidar das plantas, cultivar tomates e manter na sala uma bola gigante de plástico; passar a noite no telhado examinando o céu e aguardando impacientemente a explosão da Eta Carinae; arrumar as gavetas; jogar fora coisas importantes; contar piadas ruins e aprender uma língua morta.

São coisas que nos salvam quando nada mais parece existir: ler um romance russo numa única madrugada e se afeiçoar ao mocinho; consertar um relógio de ponteiros; escrever uma carta; fingir que acabou a luz. Levar um tombo de bicicleta e se ralar inteiro; conversar com estátuas; convidar alguém para tomar chá com sucrilhos.

Resta girar muito rápido enquanto se dança e perder o equilíbrio; espirrar e perder o equilíbrio; dar risada e perder o equilíbrio; viver tropeçando; ter uma crise de soluços. Repetir o swing out até ficar com enjoo; fazer a segunda voz das músicas; fingir que a vida é um musical da Broadway e conversar com o taxista cantando; tomar sol com as tartarugas; vestir uma roupa excêntrica; atualizar as vacinas; correr para pegar o ônibus.

São coisas que nos restam: o vazio, a raiva e a tristeza, mas também os chinelos de pano, as pessoas que tocam tuba, as luzes coloridas, o sorvete de manga e os velhinhos ao sol. Restam-nos as noites de rockabilly, as crianças vestidas de Batman, as piscinas aquecidas, os amigos de infância e o centro histórico de Macau − isso sem falar numa barraca de rua que só vende pijamas de flanela.

Restam, enfim, o amarelo, o azul e o umami, os filmes tolos dos anos 40, as Olimpíadas, o vento, o suco de maçã. Amigos que gostam de mágica, astronomia, pôquer, carpintaria, triatlo, futebol americano e que estão sempre para operar o joelho. As lojas de R$1,99, os jardins, os telescópios e as viagens com escala em Dubai. Sair para comprar couve. Escolher um novo abajur.

O que, veja bem, não é pouco.

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O texto da Vanessa homenageia o cronista Paulo Mendes Campos, cuja obra começou a ser reeditada pela Companhia das Letras, que mantém um ótimo blog! > http://www.blogdacompanhia.com.br/

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dont touch my mixtape: a tardinha cai

por   /  18/04/2013  /  9:57

Trabalho ouvindo música quase o tempo todo. E fiz uma mixtape com músicas pra ouvir no meio do expediente. Sabe quando dá aquela vontade de escutar um monte de coisa e se perder entre várias sensações? Mais ou menos isso.

Tem Dire Straits, Koop, John Coltrane, Rahsaan Roland Kirk, Chris Montez, Everly Brothers, Coconut Records, Cat Power, Hefner, Casiotone for the Painfully Alone, The Leisure Society, Blondie e Woodkid.

Se eu fosse você, ouvia! ♥

A foto é de Hannah Imlach.

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