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enquanto houver amor

por   /  07/10/2007  /  21:24

contardo fez uma surpresa em pleno domingão. em pesquisa do datafolha, ele fala sobre um novo tipo de casamento, o da aliança sentimental sem paixão.

Talvez não procuremos mais o amor-paixão (note-se que a vida sexual satisfatória como item necessário para a felicidade da união ficou com um triste 2%), mas um amor companheiro e amigo, “um amor tranqüilo”, como diz a música.

Talvez, em suma, esteja aparecendo um novo tipo de casamento moderno, baseado, como deve ser, nos sentimentos, mas não no ideal do amor-paixão romântico nem do da satisfação sexual: uma espécie de aliança sentimental para a vida.

Ia terminar comentando que essa transformação do casamento não seria um mal. A verdade é que ela já está em curso, nas inúmeras uniões que continuam e persistem numa amizade em que, às vezes, parece que o amor se perdeu, quando, de fato, é nessa amizade que ele se transformou. 

amor  ·  analyze this  ·  música

ah, o amor

por   /  07/10/2007  /  18:39

o amor é uma companhia.
já não sei andar só pelos caminhos,
porque já não posso andar só.
um pensamento visível faz-me andar mais depressa
e ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
e eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
todo eu sou qualquer força que me abandona.
toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

alberto caeiro

friday night

por   /  06/10/2007  /  8:31

foto de marco monteiro, do flickr

e, de pára-quedas, caí no show de paula toller. intitulado “sónós”, o espetáculo de duas horas embala um público misturado, formado por órfãos do kid abelha e por coroas que aprenderam a curtir a fase solo da carioca, repleta de letras e melodias de fácil assimilação. e ela, do alto dos seus 45 anos de vida e 25 de carreira, sabe bem como agradar a todos: mistura as músicas do disco novo, como “meu amor se mudou pra lua”, a sucessos de antigamente, como “grand hotel” e “nada por mim”.

na platéia, casais acima de trinta dividem a promoção de vinho chileno + tábua de frios, a r$ 80. com suas câmeras de celular com menos de dois megapixels, tentam, a uma distância de 500 metros, fotografar um pontinho dourado no meio do palco.

pontinho dourado, aliás, que foi o grande tchan do show: o vestido absurdo de paula-eu-sei-que-eu-sou-bonita-e-gostosa-e-sento-no-piano-pra -você-ver-minhas-pernas-bem-torneadas. pena que num “ornô” com o sapato, pesado demais. num sei de quem era o vestido (é esse da foto aí em cima). segundo gê, tava na última edição da são paulo fashion week.

acompanhada por jam da silva (percussão e vocal), adal fonseca (bateria e percussão), jorge aílton (baixo e vocal), caio fonseca (piano, teclados, violão e vocal) e coringa (guitarra, violão, bandolim e vocal), paula domina o palco, com marcações ensaiadas e provocações idem. se esbalda de rir se ouve um “n-e-c-e-s-s-á-r-i-a” gritado por algum fã da platéia.

quando deixa de lado o ar sexy e sedutor e faz as vezes de mãe, parece atingir o melhor momento do show. “gabriel” e e “barcelona 16” têm aquela capacidade de emocionar até mesmo aquelas que nem de longe sabem o que é ser ter um filho.

quando inventa de prestar homenagens, paula também se sai bem. mistura rita lee (“saúde” ou “me cansei de lero-lero…”) e claudinho & buchecha (“só love), homenageia caetano e torquato neto com “mamãe coragem”, célebre na voz de gal, ataca de “1.800 colinas”, arrisca uma norah jones e cai na coreografia com carmen miranda, em “e o mundo não se acabou”, de assis valente.

show legal. não desperta grandes emoções, é verdade. paula é comedida, sua voz é quase sempre igual e as letras não são de querer sair cantando empolgadamente ou cortando os pulsos por aí. mas vale a pena assistir ao show se você ganhar um convite, principalmente pela banda que acompanha a moça, pela maturidade dela como compositora e cantora e pela antropologia, sempre ela, que nos faz perceber que em reduto de ex-abelhete, homem com mais de 35 cochila tanto que parece até ter problema nas pálpebras.

p.s.: o vestido é de carlos tufvesson, diz fabi!

do frio da escócia pro calor do inferno

por   /  05/10/2007  /  22:19

amanhã eu toco no inferno, na festa peligro doble. vai ter show de rômulo fróes e the james orr complex. não conheço o último, mas meu amigo estêvão bertoni garante que o som é massa! ele fez até uma entrevista com o cara. me animei depois disso. confiram!

Christopher Mack, 29, não faz a menor idéia de que afinações são aquelas que usa. Diz ele que a culpa por tê-las incorporado ao violão foi dos nova-iorquinos do Sonic Youth e de grupos norte-americanos obscuros, como Polvo e Slint.
Fã dessas bandas, Mack passou a explorar novas combinações de sons, e o folk que resultou dessa experiência é o que o compositor escocês mostra hoje, no palco do bar Inferno.
Músico habilidoso, Mack é o responsável pelo som calmo do James Orr Complex, uma banda de um homem só. É com esse nome, inspirado em uma finada loja de móveis para hospitais em Glasgow (Escócia), que o cantor já lançou dois álbuns pela Rock Action Records, o selo da banda escocesa Mogwai: o EP “Figa” (2001) e o primeiro disco “Chori’s Bundle” (2003), que o faz ser comparado ao músico folk britânico Nick Drake.
Pouco conhecido no Brasil, Mack já abriu, na Europa, três shows para a cantora Cat Power, uma das principais atrações deste ano no Tim Festival.
Casado com uma brasileira que vivia em Glasgow, o compositor se mudou com a mulher para São Paulo há dois anos. “Começamos a descobrir a música brasileira juntos”, conta o músico, que se tornou fã do violonista Baden Powell.
Ele aproveita as aulas particulares de inglês que dá para aprender um pouco da língua nativa. “É uma troca”, diz. “Ainda tenho dificuldades. Outro dia pedi para que alimentassem a TV. O certo era aumentar.”
Viver no país tem lhe rendido parcerias com músicos brasileiros, como Mauricio Takara (Hurtmold). “O novo disco está quase pronto. Depois de acabado, vou mandá-lo para a Escócia para ser lançado”, conta.

06/10 Peligro Doble

The James Orr Complex [Glasgow; folk/experimental]
Romulo Fróes [São Paulo; mpb/samba]
DJs: Daniela Arrais + Ronaldo Evangelista

Entrada R$ 15 (com nome na lista em http://www.infernoclub.com.br/; R$ 20 na porta); a partir das 23hs

Inferno Club
Rua Augusta, 501
Consolação

pernambucanidade

por   /  05/10/2007  /  21:32

a nação zumbi lança seu disco novo, fome de tudo, em 25 de outubro. meu amigo bruno nogueira se adiantou e fez entrevista com jorge du peixe

O disco agora está bem mais orgânico que o Futura, não usamos tantos samplers. Quer dizer, eles estão lá, mas como algo ambiente.

confiram a entrevista completa e a música “bossa nostra” em http://www.popup.mus.br/2007/10/05/nacao-zumbi-com-fome-de-tudo/

murakami strikes again

por   /  05/10/2007  /  18:55

And so, when there came a momentary lull in their conversation, the boy said to the girl, “Let’s test ourselves – just once. If we really are each other’s 100% perfect lovers, then sometime, somewhere, we will meet again without fail. And when that happens, and we know that we are the 100% perfect ones, we’ll marry then and there. What do you think?” “Yes,” she said, “that is exactly what we should do.”

And so they parted, she to the east, and he to the west.

brasil em imagens

por   /  05/10/2007  /  18:38

um equipe do flickr estará no brasil, em 23/10, para um encontro entre integrantes e usuários do site, no mube (museu brasileiro de escultura e artes). no blog do flickr, eles explicam que, como parte do evento, foi aberto um grupo onde você pode adicionar suas fotos brasil. essas fotos serão expostas no mube e, posteriormente, integrarão um livro, com distribuição gratuita. dá para se inscrever no evento, gratuito mas com vagas limitadas, usando o upcoming.

fonte: tiago dória