Favoritos

you must ask the heart

por   /  02/11/2007  /  4:44

– o que você quer?

– que passe logo.

fechou a porta. abriu a pasta de músicas e deu de cara com maysa, que profetizou:

– “olha, não vou querer mais, não vou poder mais teu olhar na minha vida.”

– porra, maysa, assim tão direto?

– “embora eu te queira tanto, sabe?”

– bem hoje que acordei reafirmando aquela certeza de que encontrei o novo grande amor da minha vida…

– “me deixa só, errada, complicada…”

– porque defeitos eu tenho vários, e a sensação é que nunca fui suficiente.

– “eu prefiro amar tua distância a morrer em outra despedida”

– …

– e ouve aí…

amor  ·  música

one more time

por   /  01/11/2007  /  16:11

Nossos objetos de amor talvez sejam sempre assim, familiares até o dia em que, na hora de uma separação, a própria paixão os torna totalmente estranhos. (…) A história de Rímini e Sofía me evocou um trecho da autobiografia de Tchecov (“Minha Vida”, ed. Nova Alexandria), em que o escritor comenta que o ditado “tudo vai passar” pode tanto aliviar nossa tristeza com a idéia de que dias melhores virão quanto mitigar nossa euforia com a idéia de que as vacas magras voltarão. Mas, por útil que seja, essa sabedoria é falsa: nada passa, nunca; tudo o que acontece é indelével. Acrescento: sobretudo os amores, por mais que acabem, continuam vivendo, subterrâneos, dentro de nós, porque, bem ou mal, são essas as vivências que mais nos formaram e transformaram. (…)

Não funcionamos diferente: é possível guilhotinar os amores do passado ou (menos radical) apagar seus números de nosso celular, é possível até queimar fotografias -embora dificilmente sacrificaremos aquele desenho que compramos juntos, num sábado, na praça Benedito Calixto. De qualquer forma, mais que a lembrança, os rastros do passado sempre assombram o presente e o futuro.  Quando decretamos novos começos, ilusórios ou não, nem por isso conseguimos apagar nossa história: podemos apenas contá-la mais uma vez, quem sabe revisá-la ou corrigi-la, para pior ou para melhor.

contardo, meu muso

amor  ·  analyze this

fail and live

por   /  31/10/2007  /  6:16

ela tinha uns 17 anos e nem sabia o que era amor. mas já tinha ouvido demais sobre ele. em músicas, principalmente. ah, aquele amor que tudo supera, que tudo alcança, por ser únicoverdadeiroautênticoesuficiente. mais queria sentir do que efetivamente tinha borboletas no estômago. e quando, depois de poucos meses veio a rejeição, ela viu que era hora de tirar aqueles discos de nick drake da prateleira, arriscar uns lexotans e chorar nuvens de lágrimas sobre os olhos de ninguém, como uma boa adolescente.

voltando de um passeio, ouviu gal cantar “sua estupideeeez não lhe deixa ver que eu te amooooo”. queria entender aquilo. as amigas até ajudavam, dizendo pra ela lutar por aquele relacionamento, porque o amor valia a pena. ela tentou. queria sentir aquelas tantas coisas que havia aprendido pelas canções. mas aquela música, apesar de tão sincera, não lhe dizia nada.

foi preciso que um ano se passasse e outro e mais outro e mais alguns se completassem para que a estupidez ligada ao amor fizesse sentido. e, finalmente, a música lhe falou tudo o que tinha tentado dizer naquele tempo passado. angustiada, ela só pensava em pegar o telefone e dizer o mais convicto “volta, meu bem”. mas o lirismo necessário estava perdido entre desilusões, decepções e tentativas fracassadas. o que lhe restava agora era o vazio. e aquela bendita música no repeat.

amor  ·  design  ·  escreve escreve

personare dá a real

por   /  30/10/2007  /  15:54

De uma forma ou de outra, os acontecimentos e as circunstâncias ambientais não estarão viabilizando a aplicação de suas idéias, é bem provável inclusive que você venha a refletir acerca da necessidade de mudar seus planos e perceba o quanto algumas de suas idéias e teorias andam meio defasadas. Tudo isso pode lhe chatear muito, eu sei, pois é de fato muito chato quando planejamos as coisas, quando criamos toda uma idéia de como proceder, de como agir, e ocorrem imprevistos que nos levam a ter que replanejar tudo. Mas, pense bem: não será tudo isso uma excelente oportunidade para você flexibilizar sua mente, aprendendo novas maneiras de como fazer as coisas? Costumamos sofrer de “pensamento lateral”, Daniela, vendo as coisas apenas sob um determinado ponto de vista. Aí vem a vida e nos obriga a ver o outro lado das coisas. Isso é altamente libertador, muito mais do que ser apenas uma “coisa chata”. Preste atenção e retire a lição inerente a este período: o Sol lhe esclarecerá outros pontos de vista. E, note bem: o planeta Mercúrio do céu também estará se opondo ao Sol do seu mapa de nascimento, Daniela. Tal coisa ocorre raramente e só vem a reforçar a idéia de que este é um momento para aceitar humildemente que você não sabe tudo, que não conhece todas as verdades, que precisa abrir mais seu espírito para aquilo que a vida – e as outras pessoas – têm a lhe ensinar, ainda que não sejam coisas que você venha a gostar de ouvir logo de cara…