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Papo de Música com Fabiane Pereira

por   /  19/12/2018  /  13:13

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Sou apaixonada por música, ouço o dia inteiro, faço playlists para cada momento. Adoro descobrir uma banda ou artista novo, entrevistá-los, imaginar o que fez alguém conseguir traduzir tão perfeitamente tanto do que sinto mas ainda não tinha elaborado. Adoro acompanhar o trabalho de quem tem essa paixão também!

E Fabiane Pereira é uma dessas mulheres. Jornalista, escritora, faz o programa de rádio Faro há dez anos – e agora em 2018 estreou seu canal no YouTube, o Papo de Música. Conversei um pouco com ela, espero que gostem!

#trilhadonttouch

– Em 10 anos trabalhando com música, o que mais te encanta nesse meio? E o que te repele?

Eu sou jornalista. Desde pequena sou observadora, faladeira e uma boa ouvinte. Ainda na faculdade, comecei a me aventurar no chamado “jornalismo musical/cultural” mas meu ofício é, essencialmente, o jornalismo. Eu escrevo, entrevisto e ouço muitas histórias sobre gente. Por acaso, há mais de dez anos, essa gente que me atravessa profissionalmente trabalha com música, mas eu continuo fazendo jornalismo. Gosto de deixar isso claro porque minha profissão tem sido muito desvalorizada nos últimos anos graças ao “descuido” de muitas instituições privadas e públicas, políticos, juristas e boa parte da sociedade civil – esta parcela considerável da população brasileira não compreendeu ainda que um país democrático só se faz com uma imprensa livre.

Sou apaixonada por jornalismo e uma privilegiada por ser bem sucedida na escolha que fiz: direcionar meu ofício pra fomentar a música brasileira de diversas maneiras. Num país onde a imensa maioria trabalha exclusivamente para ter um teto onde dormir e comida na mesa, eu trabalho por livre escolha com uma das coisas que mais me dá prazer: conversar com artistas. Essa gente sensível, vanguardista e, às vezes, mal interpretada. Certamente isso é o que mais me estimula a continuar.

Como mulher, meu desafio diário é enfrentar o machismo no dia a dia que vem disfarçado – às vezes, pasme, escancarado – de elogio, piada, desconfiança, esnobismo e autoritarismo.

– Qual é o seu top 10 músicas brasileiras da vida?

Por incrível que pareça… Meu top five não muda há, pelo menos, dez anos. rsrs! Já da sexta a décima posição, acho que, varia ano a ano. A música “Quem te viu, quem te vê” do Chico Buarque é minha top one. Eu gosto de todas as palavras escolhidas por Chico nesta canção. Lembro de perguntar à minha mãe, ainda criança, o que era “cabrocha”.

Já as quatro músicas sequenciais desta playlist não estão por ordem de preferência – gosto igualmente delas: “Tocando em frente”, Almir Sater; “O quereres”, Caetano Veloso; “Folhetim”, Chico Buarque (na voz da Gal Costa) e “Cama e Mesa”, Roberto Carlos.

Pra completar a lista: “Grilos”, Erasmo Carlos; “Sinônimos”, Zé Ramalho; “Pra você dar o nome”, To Brandileone; “Feliz e Ponto”, Silva; “Deusa do Amor”, não sei os compositores mas amo a versão do Moreno Veloso.

– E qual é o top 10 músicas brasileiras atuais?

Vou tentar ser bem eclética porque eu realmente escuto de tudo e adoro os gêneros mais populares. Começaria com “Pitada de Amor” (Fióti) e seguiria com “Banho de Folhas” (Luedji Luna), “Várias Queixas” (Gilson’s), “Mesmo sem estar” (Luan Santana e Sandy), “Partilhar” (Rubel), “Lucro” (Baiana System), “Acanalhado” (Luca Argel), “Canção de Engate” (Filipe Catto), “Bixinho” (Duda Beat) e “Boca de Lobo” (Criolo).

– Como é trabalhar com música no Brasil?

Difícil, cansativo mas na maioria das vezes muito prazeroso. Quando a gente lida com a sensibilidade das pessoas, até uma ariana com ascendente em capricórnio se torna mais sensível.

– Você também escreve, né? Conta mais desse seu lado?

Simmm! Acho que escrevo crônicas porque ela é a mais gentil dos gêneros literários. Ela é coloquial, me ajuda a rir de mim mesma e a prestar atenção aos detalhes que as mazelas das grandes cidades insistem em esconder. Acho que escrevo crônicas porque, de certa forma, ela não me impõe o crédito de escritora. Penso que seria presunçoso demais ter a mesma profissão de Saramago, Clarice e Lygia. Tenho um livro de crônicas lançado chamado “amadorA” e pretendo lançar outro – já batizado de “Cais” – em 2019, com os textos que escrevi durante o período que fiquei na ponte aérea Rio-Lisboa por causa de um mestrado.

– E quais teus planos pro futuro?

Casar, ter três filhos e lançar meu segundo livro de crônicas.

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