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são paulo, 456

por   /  25/01/2010  /  18:06

hoje são paulo faz 456 anos. são paulo, a cidade com milhões de defeitos que todo mundo conhece e reconhece diariamente no jornal. a cidade com milhões de habitantes em busca de milhões de coisas diferentes, sendo grande fatia dessas coisas um emprego bom, que pague as contas e faça cada um crescer profissionalmente.

são paulo, a cidade com milhões de opções de diversão. é show, teatro, cinema, exposição, restaurante, barzinho pra tomar cerveja com os amigos queridos. haja agenda e disposição pra conseguir dar conta de tudo. o bom é que chega uma hora em que a gente percebe que não precisa aproveitar esse tudo, porque também é muito bom fazer nada em são paulo.

dia desses, escrevi em um texto sobre músicos pernambucanos que são paulo é aquele amor que a gente aprende a cultivar aos poucos, ao contrário de outras cidades que enchem o coração de paixão à primeira vista, como o rio de janeiro. por aqui, é preciso dedicação, paciência e um olhar que se renove constantemente.  o bom é que a recompensa chega.

e quando a gente se dá conta de como gosta disso aqui, aprende a ver a dura poesia concreta das tantas esquinas. e como uma música acaba puxando outra, é inevitável falar de tom zé _pra mim, uma das mais completas traduções da maior cidade do brasil  ♥

porém com todo defeito
te carrego no meu peito
são, são paulo
meu amor

a foto é minha e foi tirada na avenida paulista, em 2009

amor  ·  analyze this  ·  fotografia  ·  música

receita pré-ano novo

por   /  26/12/2009  /  14:13

Logo para começar, a melhor coisa a fazer é varrer toda essa raiva da frente.

A raiva do semelhante, do distinto, do consorte, de nós mesmos. A raiva dos mais queridos, dos desafetos, dos inimigos, dos cretinos, dos boçais, dos corrompidos, dos coitados. Do destino. Do passado. Do presente. Do ausente. Da falta de sorte, da falta de tempo, da falta de estímulo, da falta de grana. Do desgraçado do chefe, do empregado, do salário, da injustiça. Do revés, do obstáculo. Da inércia. Da ausência de horizontes. A raiva do amor. Da falta do amor. Do desgosto. A raiva do mundo inteiro. E ainda a raiva da raiva, coitada, que não tem culpa de nada, só pratica seu ofício, é apenas sentimento. É bom espanar com vigor a raiva que pulsa, sobe, explode e vinga. Então, dá-se uma varredura geral naquelas guardadas, cultivadas, conservadas ou escondidas embaixo de algum tapete.

Dito que a raiva cega, assim que ela é afastada pode-se então enxergar mais fundo.

É hora de vasculhar as mágoas.

Certamente se encontrarão antiguidades. As mágoas de infância, mesmo as motivadas por tolices, são as mais enraizadas. Arranca-se tudo. Em seguida aparecem as apaixonadas, dos tempos de juventude: invejas, ciúmes, traições, feridas mal cicatrizadas, tudo muito exagerado. Estas têm uma vantagem: muitas são vindas de êxtases, big-bangs adolescentes, foram devidamente expelidas desde quando apareceram, portanto já se desagregaram da alma. O que sobrou é fragmento. Pouco. Resto. Mas as mágoas mais recentes, as que permanecem alertas e continuam se alastrando, são veneno. Contaminam. Por isso é tão necessário que sejam remexidas com toda cautela possível. Depois de identificadas, todas as mágoas, sem exceção, devem ser exterminadas. Recomenda-se muito fogo para reduzir a cinzas tudo que indevidamente ficou lá atrás, encarcerado.

Adriana Falcão em Dia de faxina (cliquem para ler o texto completo)

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