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aprendendo a conviver com a saudade

por   /  03/02/2010  /  12:19

Eu era um sujeito então perseguido pelas nostalgias. Sempre tinha sido, e não sabia como me livrar da saudade para viver tranqüilamente.

Ainda não aprendi. E desconfio que nunca vou aprender. Mas pelo menos já sei uma coisa valiosa: é impossível se livrar da memória. Você não pode se livrar daquilo que amou.

Isso tudo vai estar sempre com a gente. Sempre vamos desejar recuperar o lado bom da vida e esquecer e desnutrir a memória do lado mau. Apagar as perversidades que cometemos, desfazer as lembranças das pessoas que nos magoaram, eliminar as tristezas e as épocas de infelicidade.

É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para a nossa sorte, a saudade possa se transformar, de uma coisa depressiva e triste, numa pequena faísca que nos impulsione para o novo, para nos entregar a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas será diferente. E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar a vida na solidão, encontrar alguém, entregar-nos um pouco, evitar a rotina, desfrutar a nossa parte da festa.

Eu ainda estava assim. Tirando todas essas conclusões. A loucura me rondava e eu escapulia. Tinha sido coisa demais em muito pouco tempo para uma pessoa só, e saí por dois meses de Havana.

Pedro Juan Gutiérrez, minha mais nova paixão, em “Trilogia Suja de Havana”

* a foto é de jaime m

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ainda sobre a dor de um ex-amigo

por   /  01/02/2010  /  23:53

o post sobre a dor de um ex-amigo rendeu diversos relatos _e é sempre muito bom encontrar conforto e identificação nas palavras de outras pessoas, né? fiquei feliz =)

reproduzo o que a nath, que deixou um comentário lindo, escreveu sobre o tema:

Vi dia desses alguém que outrora foi grande amigo. Na calçada oposta, num álbum antigo de fotos ou num perfil atualizado de orkut. Foi ele, mas poderia ter sido ela, ou eles. Foram tantos, já. Pessoas que passam por nossas vidas por alguns dias, às vezes anos até, e depois evaporam. Perdemos os contatos, os laços. Certas vezes mais o segundo do que o primeiro, já que, com a infinidade de meios para nos comunicarmos hoje em dia, maneiras de se achar velhos conhecidos é que não faltam. Mas nem sempre podemos, ou queremos. As pessoas mudam, seres humanos evoluem, eu envelheço. Estranho ver alguém que, em certa época da vida, já foi confidente, de trocar segredos, de abraçar apertado, de ligar pra pedir favor e emprestar consciência. E hoje é um desconhecido. Alguém que vejo em imagens recentes e não reconheço o olhar, alguém que vejo num novo círculo de amigos e não há traço familiar. Alguém que já soube de minhas dores, risos e desamores, das minhas rimas cafonas, das inseguranças noturnas e paixões oblíquas. Mas uma pessoa que hoje nem mais o nome me soa próximo. Como uma roupa usada da coleção passada, que ficou pequena ou gasta com o tempo: não cabe mais e tampouco reconhecemos sua utilidade no presente, sequer há falta ou ausência latente – se houvesse, teria mantido junto, e não sumido. Mas já fez parte de alguma história, da minha vida. De mim.

* a foto é de levan kakabadze

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a separação de brad e angelina

por   /  30/01/2010  /  21:32

vou ter que comentar a separação de brad e angelina - brangelina para os íntimos.

acho que alguns concordam que nunca foi um encontro de almas e sim de egos: o maior galã e a top bombshell de hollywood não resistiram um ao outro. nem à perspectiva de formarem o casal mais arrasador do cinema, monopolizando atenções nos red carpets da vida.

penso que angie forçou muito no quesito children. talvez tenha sido demais para brad – não sabemos. criar tanto filho não era um plano dele; era, sim, dela, e ele encarou. para todos os efeitos, brad está sendo honrado e estabeleceu a guarda compartilhada da criançada.

nunca senti muita firmeza na dobradinha brangelina. pra mim sempre ficou claro que tinha muito mais a ver com a beleza recíproca, angie vendo a aliança na mão esquerda de brad (então casado com jennifer aniston) como um desafio, ele larga a mulher por ela (no melhor estilo romance hollywoodiano), faz-se um pequeno escândalo, os flashes, as revistas, as fofocas – enfim, exercícios de poder. tão excitante como a mais aguda das paixonites, mas ainda um exercício de poder. tava demorandíssimo pra desmoronar.

jojo arrasando, como sempre. leiam o texto completo no narghee-la: the break-up

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a dor de um ex-amigo

por   /  29/01/2010  /  0:32

amigo é uma coisa que a gente perde ao longo da vida. encontramos vários, nos apegamos a alguns e, a certa altura, somos forçados a colocar o prefixo ex antes do nome daquele que enchia nosso coração de carinho e de certeza.

perder um amigo para a vida, e não por uma fatalidade, é uma dor dilacerante. a gente pensa que amizade é pra sempre, que, quando a gente for velhinho e lembrar de tudo que aconteceu, estarão perto de nós aqueles que a gente escolheu como a família do coração.

mas a vida tem dessas decepções. uma hora é você que sai de cena. em outra, a vontade é daquele que te dava toda certeza do mundo de que era ficaria ali no matter what.

a primeira vez em que eu tive que tornar um amigo ex-amigo, senti uma dor que acabou comigo. fiquei sem entender, chorei, chorei. por um tempo, foi difícil acreditar de novo na beleza, na simplicidade e nas diversas nuances de uma amizade.

optei por deixar a amargura de lado e seguir em frente, ainda com esperança de que aquela dor eu não sentiria mais. novas amizades vieram, as que importavam de verdade permaneceram. e não senti aquela dor de novo, não daquele jeito. mas outras dores apareceram pra mostrar que a vida é assim mesmo, por mais que a gente se pergunte se já não teve a nossa cota.

o bom é que dor ensina. e depois que a gente sente uma que parte o coração em mil pedacinhos, aprende a relativizar as outras. e, melhor ainda, renova o olhar diante dos amigos de sempre, aqueles por quem a gente sente todo o amor do mundo e em quem temos a sorte de encontrar reciprocidade.

* a foto é de andrei mitroshin

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receita pré-ano novo

por   /  26/12/2009  /  14:13

Logo para começar, a melhor coisa a fazer é varrer toda essa raiva da frente.

A raiva do semelhante, do distinto, do consorte, de nós mesmos. A raiva dos mais queridos, dos desafetos, dos inimigos, dos cretinos, dos boçais, dos corrompidos, dos coitados. Do destino. Do passado. Do presente. Do ausente. Da falta de sorte, da falta de tempo, da falta de estímulo, da falta de grana. Do desgraçado do chefe, do empregado, do salário, da injustiça. Do revés, do obstáculo. Da inércia. Da ausência de horizontes. A raiva do amor. Da falta do amor. Do desgosto. A raiva do mundo inteiro. E ainda a raiva da raiva, coitada, que não tem culpa de nada, só pratica seu ofício, é apenas sentimento. É bom espanar com vigor a raiva que pulsa, sobe, explode e vinga. Então, dá-se uma varredura geral naquelas guardadas, cultivadas, conservadas ou escondidas embaixo de algum tapete.

Dito que a raiva cega, assim que ela é afastada pode-se então enxergar mais fundo.

É hora de vasculhar as mágoas.

Certamente se encontrarão antiguidades. As mágoas de infância, mesmo as motivadas por tolices, são as mais enraizadas. Arranca-se tudo. Em seguida aparecem as apaixonadas, dos tempos de juventude: invejas, ciúmes, traições, feridas mal cicatrizadas, tudo muito exagerado. Estas têm uma vantagem: muitas são vindas de êxtases, big-bangs adolescentes, foram devidamente expelidas desde quando apareceram, portanto já se desagregaram da alma. O que sobrou é fragmento. Pouco. Resto. Mas as mágoas mais recentes, as que permanecem alertas e continuam se alastrando, são veneno. Contaminam. Por isso é tão necessário que sejam remexidas com toda cautela possível. Depois de identificadas, todas as mágoas, sem exceção, devem ser exterminadas. Recomenda-se muito fogo para reduzir a cinzas tudo que indevidamente ficou lá atrás, encarcerado.

Adriana Falcão em Dia de faxina (cliquem para ler o texto completo)

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desencontro

por   /  13/12/2009  /  19:20

O que aumenta a penumbra é que incrivelmente nunca mais encontraremos nosso par, apesar de viver na mesma cidade, frequentar o mesmo bairro, dividir gostos semelhantes. Nenhum esbarrão no mercado ou no banco. Os amigos em comum apagam as pistas. Não dá para compreender se mudamos os hábitos ou os hábitos não nos pertenciam mesmo e queríamos agradar pensando que eram nossos.

Fabrício Carpinejar em Depois de Tanto Tempo

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