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rip salinger

por   /  01/02/2010  /  22:03

eu li “o apanhador no campo de centeio” no fim da adolescência, com toda aquela pressão que a gente sente quando começa a ler um livro de que todo mundo fala maravilhosamente bem. gostei muito do livro, mas precisei ler “franny e zooey” para entender a genialidade de salinger. “um dia perfeito para os peixes-banana”, incluído em “nove estórias”, também contribuiu para a impressão.

engraçado que, há uns anos, era bem difícil encontrar livros do salinger nas livrarias _vai ver que só em recife. mas lembro do quanto fiquei feliz quando minha tia chegou com uma caixinha com a trilogia de j.d, da editora do autor. os livros acabaram por entrar na lista de leitura imediata, logo pra mim que tinha (e ainda tenho) o hábito de comprar e até ganhar livros numa proporção meio incompatível com a velocidade de leitura.

fui ali pegar os livros. só consigo ler com um lápis na mão e adoro voltar às páginas para saber o que era importante na época em que li. abri o “nove estórias” aleatoriamente e encontrei, em ” a fase azul de daumier-smith”, o seguinte:

(…) Se até o momento você não respondeu a minha carta, então é melhor que não o diga mesmo. Talvez me tenha enganado e, a esta altura da minha vida, não desejo expor-me deliberadamente a uma desilusão. Prefiro continuar no escuro.

tão atual no começo quanto no fim da década pra mim  =)

a esquire é de 1997

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processo de aceitação

por   /  01/02/2010  /  21:50

Hoje era o dia 0 da nossa existência. O dia em que os problemas se resolveriam e tudo ficaria bem. Como diz a minha mãe: demasiadas expectativas. Tenho de aprender a aceitar as coisas, a deixar ir, a desligar. A aceitar. Aceitar é ser crescido. É aprender. Eu aprendo depressa, se a disciplina não for matemática. Passei o dia a ouvir outras pessoas, outros dramas. Há quem viva mal e seja infeliz; há quem não tenha solução. Eu tenho. Resta saber esperar por ela.

Patrícia Reis

* o desenho é de sarah mcneil

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a pré-saudade

por   /  01/02/2010  /  21:42

a leda foi embora e ficou, logo no primeiro dia, a presença física da ausência dela. dá para sentir melhor o tamanho pequeno, a ocupação no espaço, os barulhinhos dos passos na escada, a chegada dela na cama para se aninhar ao meu lado. ouço todo o silêncio dela e ele ocupa alguns lugares marcados. um dia é como um selo estampado de uma nostalgia que ainda virá. a experiência prévia de uma saudade que ainda não deu tempo de chegar, mas que eu vejo caminhando lá longe, no horizonte, em minha direção.

selo, por noemi jaffe

* a foto é de ana cabaleiro

amor  ·  analyze this  ·  fotografia

o preço a pagar

por   /  31/01/2010  /  12:58

Estamos cansados de saber que é preciso comer com moderação, beber com moderação, ser sensata ao passar por uma vitrine, não tomar sol demais, não beber demais, não ler demais, para não cansar a vista, não rir demais -muito riso, pouco siso-, não amar demais para não cair do cavalo, não acreditar demais no ser humano para não se decepcionar, mas também não ser totalmente descrente, pois sem acreditar, a vida não tem sentido. Por sensatez, compreenda-se: o mundo quer que se viva de maneira média -e quando se fala em mundo, fala-se dos pais, dos irmãos mais velhos, das leis, das pessoas com juízo; crianças médias não ameaçam a estabilidade da família, esposas com desejos médios não põem em risco o casamento, cidadãos médios são mais fáceis de ser governados. Mas é possível ser sensata e feliz? É possível ficar na praia olhando o relógio para ver se já são 10h, já que a partir daí não se pode mais tomar sol?
Não, não é; viver medindo tudo, para não ser nem de menos nem de mais, ser equilibrada o tempo todo, a vida inteira, não dá. Às vezes é preciso ser radical, em qualquer dos sentidos, e escolher: ou come tudo que tiver vontade ou passa fome; ou bebe tudo que tiver vontade ou toma água. Água, essa coisa tão sem graça, não só pode, como deve.

danuza leão, sempre maravilhosa. leiam o texto completo na folha: o preço a pagar