Favoritos

Posts da tag "djênio"

rip salinger

por   /  01/02/2010  /  22:03

eu li “o apanhador no campo de centeio” no fim da adolescência, com toda aquela pressão que a gente sente quando começa a ler um livro de que todo mundo fala maravilhosamente bem. gostei muito do livro, mas precisei ler “franny e zooey” para entender a genialidade de salinger. “um dia perfeito para os peixes-banana”, incluído em “nove estórias”, também contribuiu para a impressão.

engraçado que, há uns anos, era bem difícil encontrar livros do salinger nas livrarias _vai ver que só em recife. mas lembro do quanto fiquei feliz quando minha tia chegou com uma caixinha com a trilogia de j.d, da editora do autor. os livros acabaram por entrar na lista de leitura imediata, logo pra mim que tinha (e ainda tenho) o hábito de comprar e até ganhar livros numa proporção meio incompatível com a velocidade de leitura.

fui ali pegar os livros. só consigo ler com um lápis na mão e adoro voltar às páginas para saber o que era importante na época em que li. abri o “nove estórias” aleatoriamente e encontrei, em ” a fase azul de daumier-smith”, o seguinte:

(…) Se até o momento você não respondeu a minha carta, então é melhor que não o diga mesmo. Talvez me tenha enganado e, a esta altura da minha vida, não desejo expor-me deliberadamente a uma desilusão. Prefiro continuar no escuro.

tão atual no começo quanto no fim da década pra mim  =)

a esquire é de 1997

Sem categoria

passarinho

por   /  29/01/2010  /  1:09

tem coisas que soam familiares na primeira vez que você que as encontra. tipo brown bird, essa banda americana que faz folk e country e tem à frente david lamb, dono de uma voz perfeita pra embalar uma madrugada nem quente nem fria. beleza pura!

ouçam: http://www.myspace.com/brownbird

são paulo, 456

por   /  25/01/2010  /  18:06

hoje são paulo faz 456 anos. são paulo, a cidade com milhões de defeitos que todo mundo conhece e reconhece diariamente no jornal. a cidade com milhões de habitantes em busca de milhões de coisas diferentes, sendo grande fatia dessas coisas um emprego bom, que pague as contas e faça cada um crescer profissionalmente.

são paulo, a cidade com milhões de opções de diversão. é show, teatro, cinema, exposição, restaurante, barzinho pra tomar cerveja com os amigos queridos. haja agenda e disposição pra conseguir dar conta de tudo. o bom é que chega uma hora em que a gente percebe que não precisa aproveitar esse tudo, porque também é muito bom fazer nada em são paulo.

dia desses, escrevi em um texto sobre músicos pernambucanos que são paulo é aquele amor que a gente aprende a cultivar aos poucos, ao contrário de outras cidades que enchem o coração de paixão à primeira vista, como o rio de janeiro. por aqui, é preciso dedicação, paciência e um olhar que se renove constantemente.  o bom é que a recompensa chega.

e quando a gente se dá conta de como gosta disso aqui, aprende a ver a dura poesia concreta das tantas esquinas. e como uma música acaba puxando outra, é inevitável falar de tom zé _pra mim, uma das mais completas traduções da maior cidade do brasil  ♥

porém com todo defeito
te carrego no meu peito
são, são paulo
meu amor

a foto é minha e foi tirada na avenida paulista, em 2009

amor  ·  analyze this  ·  fotografia  ·  música

silêncio

por   /  19/01/2010  /  23:44

Não era desconfiança nem falta de companheirismo nem vontade de esconder. Era simplesmente instalar-se na convicção ou na superstição de que não existe o que não se diz. E é verdade que somente o que não se diz nem se exprime é o que nunca traduzimos.

Javier Marías, em “Coração tão branco”

amor  ·  analyze this

puta é o caralho, por joão wainer

por   /  18/01/2010  /  13:05

O nome verdadeiro é Maria Aparecida da Silva, mas na Central do Brasil é conhecida por Márcia. Aos 42, trabalha como faxineira de manhã em uma firma e prostituta a tarde, em frente a estação de trem mais movimentada do Rio de Janeiro.

Era gostosa, mas depois de tantos anos trabalhando como puta já não é mais. Assim mesmo ainda tem seus clientes fiéis, que não dispensam uma foda “completa” por R$35,00 depois de um dia de trabalho pesado. Como não é mais jovem, quem chegar com R$ 15,00 leva. São pedreiros, pintores, taxistas, eletricistas, porteiros. Usam o corpo de Márcia pra aliviar as tensões do cotidiano embaçado que gente pobre tem.

João Wainer faz mais uma combinação incrível de texto e fotos em Puta é o caralho (cliquem para ler o texto completo)

my shit is gold

por   /  18/01/2010  /  12:33

acabei de conhecer o trabalho de paul herbst e já estou apaixonada!

a huh magazine explica: In an existential exclamation of withdrawal, Paul Herbst’s photographs at once portray a world of subtle intensities with momentous simplicity. His images host a constant dialogue between what we perceive and what we understand, leaving us aloof in the gaps of unanswerable questions.

as fotos estão no zine de paul, à venda na mesma huh: my shit is gold

arte  ·  fotografia