
pinheiros se transformou em um pedaço do méxico no día de muertos. o tradicional feriado de chuva deu lugar a um sol absurdamente quente e bonito. a constante melancolia que a gente reforça nessas datas marcadas pelo calendário cedeu espaço a uma felicidade indescritível.
pela primeira vez, em anos, tive um dia de finados alegre, graças a um punhado de amigos queridos e à encantadora repecção de lourdes e felipe, que abriram sua casa dos cariris para fazer uma oferenda a todos aqueles que já se foram, mas que permanecem pra sempre com a gente. a homenageada especial foi a cantora mercedes sosa.
já no convite, lourdes escreveu: “A gente sabe que só na medida em que lembramos daqueles que já são ausência, eles continuam vivos compartilhando nossas vidas. Durante dois dias os chamamos e preparamos o melhor de todo o que eles curtiam. E eles vem. Vem para desfrutar da vida e chegam os mortos crianças e brincam e logo mais tarde, na tarde do dia primeiro os mortos adultos começam a escutar nosso chamado. Porque a morte é um tema da vida que merece ser cantado.”
e se a morte é um tema da vida que merece ser cantado, esqueçamos as lágrimas. no lugar delas, a gente tem que colocar nosso maior sorriso e brindar nossas lembranças com micheladas e margaritas deliciosas. a comida, prefiro nem me alongar, acaba se transformando em um outro espetáculo.
pensando nesse dia, fui procurar um pouco de octavio paz, que minha querida amiga jana tanto leu no último ano.
“Para el habitante de Nueva York, Paris o Londres, la muerte es palabra que jamás se pronuncia porque quema los labios. El mexicano, en cambio, la frecuenta, la burla, la acaricia, duerme con ella, la festeja, es uno de sus juguetes favoritos y su amor más permanente. Cierto, en su actitud hay quizá tanto miedo como en la de los otros; mas al menos no se esconde ni la esconde; la contempla cara a cara con paciencia, desdén o ironía”
e acabei descobrindo que, depois de domingo, me tornei um pouco mexicana. obrigada, lourdes e felipe, jana, geno, albie e clara.
com vocês, um moleskine days emocionado, com fotos minhas e do meu amigo talentosíssimo eugênio vieira

loudes hernández-fuentes, a mulher das mãos de ouro

clara lobo encara as lentes de eugênio

água da jamaica para janaína pinho, una michelada para daniela e una margarita para alberto lins

felipe ehrenberg, o grande artista

o delicioso tamal de mole

o mais delicioso ainda tamal de muertos

as crianças tinham chegado? ou foi a pimenta que bateu?

o pan de muerto, com chocolate

os olhos que prestam atenção na conversa

a linda combinação de cores

o cardápio dos deuses

a oferenda ao día de muertos

detalhe das caveiras feitas por felipe

mais uma parte do altar

uma visão geral da parte interna da casa dos cariris

detalhe de mercedes sosa


albie feliz

a escadaria que dá para o ateliê



lindos, né?

meu sonho de consumo. sou apaixonada por esse bonequinho


a mesa posta para os próximos convidados

eugênio vieira, fotógrafo e gatinho

as caveirinhas fofas

o mural de recados para nossos mortos



felipe fazendo as contas

cantinho dos fumantes felizes
