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moleskine days #3: dia dos mortos na casa do cariris

por   /  04/11/2009  /  9:50

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pinheiros se transformou em um pedaço do méxico no día de muertos. o tradicional feriado de chuva deu lugar a um sol absurdamente quente e bonito. a constante melancolia que a gente reforça nessas datas marcadas pelo calendário cedeu espaço a uma felicidade indescritível.

pela primeira vez, em anos, tive um dia de finados alegre, graças a um punhado de amigos queridos e à encantadora repecção de lourdes e felipe, que abriram sua casa dos cariris para fazer uma oferenda a todos aqueles que já se foram, mas que permanecem pra sempre com a gente. a homenageada especial foi a cantora mercedes sosa.

já no convite, lourdes escreveu: “A gente sabe que só na medida em que lembramos daqueles que já são ausência, eles continuam vivos compartilhando nossas vidas. Durante dois dias os chamamos e preparamos o melhor de todo o que eles curtiam. E eles vem. Vem para desfrutar da vida e chegam os mortos crianças e brincam e logo mais tarde, na tarde do dia primeiro os mortos adultos começam a escutar nosso chamado. Porque a morte é um tema da vida que merece ser cantado.”

e se a morte é um tema da vida que merece ser cantado, esqueçamos as lágrimas. no lugar delas, a gente tem que colocar nosso maior sorriso e brindar nossas lembranças com micheladas e margaritas deliciosas. a comida, prefiro nem me alongar, acaba se transformando em um outro espetáculo.

pensando nesse dia, fui procurar um pouco de octavio paz, que minha querida amiga jana tanto leu no último ano.

Para el habitante de Nueva York, Paris o Londres, la muerte es palabra que jamás se pronuncia porque quema los labios. El mexicano, en cambio, la frecuenta, la burla, la acaricia, duerme con ella, la festeja, es uno de sus juguetes favoritos y su amor más permanente. Cierto, en su actitud hay quizá tanto miedo como en la de los otros; mas al menos no se esconde ni la esconde; la contempla cara a cara con paciencia, desdén o ironía”

e acabei descobrindo que, depois de domingo, me tornei um pouco mexicana. obrigada, lourdes e felipe, jana, geno, albie e clara.

com vocês, um moleskine days emocionado, com fotos minhas e do meu amigo talentosíssimo eugênio vieira

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loudes hernández-fuentes, a mulher das mãos de ouro

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clara lobo encara as lentes de eugênio

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água da jamaica para janaína pinho, una michelada para daniela e una margarita para alberto lins

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felipe ehrenberg, o grande artista

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o delicioso tamal de mole

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o mais delicioso ainda tamal de muertos

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as crianças tinham chegado? ou foi a pimenta que bateu?

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o pan de muerto, com chocolate

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os olhos que prestam atenção na conversa

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a linda combinação de cores

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o cardápio dos deuses

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a oferenda ao día de muertos

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detalhe das caveiras feitas por felipe

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mais uma parte do altar

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uma visão geral da parte interna da casa dos cariris

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detalhe de mercedes sosa

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albie feliz

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a escadaria que dá para o ateliê

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lindos, né?

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meu sonho de consumo. sou apaixonada por esse bonequinho

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a mesa posta para os próximos convidados

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eugênio vieira, fotógrafo e gatinho

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as caveirinhas fofas

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o mural de recados para nossos mortos

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felipe fazendo as contas

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cantinho dos fumantes felizes

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amor  ·  especial don't touch  ·  fotografia  ·  moleskine days

para não dizer adeus

por   /  23/08/2009  /  18:56

bolas

algumas músicas contêm toda a verdade do mundo. “do you realize?”, do flaming lips, é uma delas. é a música que pergunta se você tem noção de que todo mundo ao seu redor vai morrer algum dia. a gente tem, mas nunca está preparado pra lidar com o que deixa de existir _neste plano real, de abraços, olhos nos olhos, conversas e confissões.

toda morte é dolorosa, porque vem cheia de “se”, de “ah…”. quando ela não é natural, você pensa: onde eu estava que não pude impedir? se é trágica, você esbraveja: por que, meu deus, o que essa pessoa fez pra merecer isso? quando é de morte morrida, de velhice, ainda não sei dizer. só sei que é automático pensar em tudo o que a gente não disse, em tudo que poderia ter sido feito, em tudo o que a gente ainda queria fazer na companhia daquela pessoa tão querida.

e é isso que wayne coyne ensina em “do you realize?”. que a gente, em vez de dizer adeus, deve fazer com que todas as pessoas importantes saibam o quanto elas são importantes enquanto elas estão aqui. and instead of saying all of your goodbyes / let them know you realize that life goes fast / it’s hard to make the good things last / you realize the sun doesn’t go down / it’s just and illusion caused by the world spinning round.

falta de tempo é a grande desculpa do século 21. todo mundo tem tempo pra fazer mil coisas ao mesmo tempo, mas nem sempre consegue encontrar um amigo pra tomar um café ou uma cerveja. você deixa pra depois, se justifica, remarca. e um dia, pluft, aquele seu amigo ou aquele parente querido que você deixou de ver no último natal pode não estar mais ali. e você vai viver um longo período pensando em verbos no tempo condicional.

então, meu amigo, evite dizer adeus. e insista em olhar para os olhos de quem você ama, mostrando, falando, abraçando, dizendo de qualquer forma que o seu coração só é seu coração porque tem um pedaço de cada um ali.

* a foto é de joliealtshuler

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meu coração é uma rádio am que toca de madrugada #1

por   /  21/08/2009  /  4:26

crying

é o seguinte: 87% de todas as músicas que a gente ama são de sofrimento de amor. patsy cline fall to pieces cada vez que vê o ex-amor novamente, ou quando alguém simplesmente fala no nome dele. muita mágoa acumulada. isso sem falar que ela se acha crazy for feeling so blue… é não, amiga, todo mundo já se sentiu assim em algum momento de sua trajetória amorosa.

dá para fazer um tratado sobre o amor através dos tempos via youtube. mais ou menos o que decidi fazer nesta noite de dda.

tammy wynette, por exemplo, faz drink and dial desde os anos 1960: i hope i won’t disturb you with this call/ i’m just in town for such a little while/and i thought perhaps you’d like to hear the news/ jeannie’s grades were the highest in the school. quando se tem um filho, imagino que deva ser até mais fácil manter o contato. quando não…

você liga só pra dizer uma besteira. força a barra bonito. quem está do outro lado tem duas opções: atender ou ignorar. às vezes a pessoa te atende, te encontra e depois volta a te ignorar. às vezes, silêncio, no hay banda. e aí você quer pular naquele pescoço que você já beijou, mordeu e onde tantas vezes se aconchegou.

daí você tenta sair com alguém. a vida ta aí, né? mas, por um tempo, o fantasma ainda ocupa muito espaço. e sabe que até pra isso existe música correspondente?

sylvia canta your nobody called today: sittin’ in a restaraunt and she walked by/ i seem to recall that certain look in your eye/ i said, “who is that?”/ you said with a smile/ “oh it’s nobody, oh nobody”/maybe that explains the last two weeks/ you called me up dead on your feet/ working late again I ask, “who with?”/ you said “nobody, oh nobody”.

no meio tempo, você faz que nem barbara mandrell: sleeping single in a double bed, thinking over things i wish i’d said /i should have held you but i let you go/ now i’m the one sleeping all alo-oh-one.

e ainda dá um bom conselho para os onipresentes momentos heleninha roitman: i’d pour me a drink, but i’d only be sorry/ ’cause drinking doubles alone, don’t make it a par-arty

* mais uma seção a ser atualizada quando eu tiver vontade. o quadro “crying girl” é de roy lichtenstein

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dorival feelings

por   /  19/08/2009  /  0:18

mar1

quem nasce perto do mar quer sempre voltar. é isso que eu aprendi depois de alguns anos de são paulo. a poesia concreta de suas esquinas é realmente linda, sp, mas que a gente precisa de mar pra lavar tudo de ruim e se encher de energia pra conseguir tudo de melhor, ah, a gente precisa

mar3

mar4

mar2

mar5

as fotos são de 1) laura; 2) mate; 3) tear.drop; 4) jelena; 5) aleksandra

beatles forever

por   /  27/07/2009  /  12:28

beatles

eu amo o “help”, dos beatles. amo na seqüência. sabe quando você emenda na cabeça todas as músicas? e gosta de cada uma delas? decidi fazer isso com o youtube hoje. tô juntando um vídeo no outro só pra lembrar de “the night before”, “ticket to ride”, “you’re gonna lose that girl”, “it’s only love”, “i’ve just seen a face” e todas as outras

esse disco me lembra tanto os tempos em que eu estava descobrindo o fantástico mundo da música música, me emocionando com o fato de uns caras lá de longe cantarem um monte de coisa que eu sentia aqui de perto… era aquele tempo, também, em que você ouvia música pra treinar o inglês e até anotava as palavrinhas novas!

paul, ringo, john e george: amo vocês  <3

a foto é do acervo da revista “life”

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a amizade nos tempos da internet

por   /  25/06/2009  /  1:29

onlinefriendship

eu tenho “amigos da internet” desde os anos 2000. eles costumam ter blog, twitter, estão em todas as redes sociais. alguns são nerds. outro são the average guys. não são psicopatas, seqüestradores ou golpistas, como podiam pensar nossa famílias, ainda no começo da década, quando dizíamos “ah, onde conheci fulano? na internet!”.

eles são de carne, de osso e de abraços. conheço a expressão de alegria de cada um _ouvi inúmeros momentos de tristeza de tantos outros. conheci vários pedacinhos que fazem cada um deles ocupar um lugar tão grande no meu coração. e vice-versa. sempre.

eles são parte da minha vida. assim como o são vocês aí _e quem sabe que é, sabe. carne, osso e cervejas “de verdade”. colo quando o choro não se agüenta sozinho no chão do quarto. ouvidos em qualquer momento, ao vivo, por e-mail, por sms ou pelo celular _momento em que contas homéricas acabam aceitas como uma conseqüência inevitável de uma distância puramente física.

não nasci com internet. não sei o que é digitar o meu nome antes de copiá-lo várias vezes a partir daquela letra da professora. e eu lembro que tia amélia, minha professora do jardim dois, tinha uma letra linda, toda desenhada. e numa marcador de texto enfeitado por uma possível borboleta, tinha lá meu nome. só três nomes, ante os quatro nomes do meu irmão _o que me fazia querer ser conhecida como daniela antônia em um dado momento da minha vida (q?).

cresci quando a internet era mirc, icq, cadê? e umas páginas como a de chico buarque, que eu acessava para ler as letras das músicas que ouvia desde que nasci. a internet eram várias conversas de oi-como-é-seu-nome-de-que-tipo-de-música-você-gosta?. música, por muito tempo o assunto que definia o futuro de uma amizade. ou o fim prematuro dela. foi assim que conheci vários “amigos de internet”. foi assim que várias conversas triviais se transformaram em conversas do coração.

e foi com uma grande “amiga da internet”, ao som de neil, chan e ella, que eu descobri quase agora que existem amigos fita k7: são aqueles que você pode deixar de ver ou de conversar por um tempãaaaao, mas, assim que os reencontra, é como se você tivesse parado naquele ponto da fita. e tudo recomeça outra vez. tudo é familiar, tudo é conhecido, mesmo que seja novidade. tudo dá uma sensação de que você esteve sempre ali, por mais que tenha estado distante. tudo é compreensão e conforto, carinho e amor.

e aí vocês me perguntam “o que é o amor para você hoje?”. e é simplesmente isso. amor são amigos fitas k7 _que fazem aquele ruído, aquele chiado, que são a trilha de quem a gente é e que enchem o coração da gente de alegria numa noite friiiiiiiia de inverno.

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a imagem que ilustra tudo isso é de mark arauz

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