
O post da Ana Luiza Gomes é tão maravilhoso que reproduzo quase inteiro aqui!
A felicidade virou um imperativo.
“Nos relatos comerciais e acadêmicos, a felicidade é conceituada, em regra, como uma condição relativamente duradoura e profunda de equilíbrio, contentamento e autorrealização – um estado psicológico positivo ao alcance de todos e venerável em si mesmo. Trata-se de uma ideia fixa tão dominadora a ponto de passar despercebida, com demasiada frequência, a especificidade histórica de nossa versão subjetivada da procura da felicidade, cujo alvo é o núcleo afetivo da experiência pessoal.” Confirma o professor Jõao Freire Filho, no GT Comunicação e Sociabilidade.
Em leitura no blog de Carla Rodrigues, encontrei uma passagem do professor de história na Universidade Estadual da Flórida, Darrin McMahon ( autor do livro Felicidade, Uma Historia) que esclarece mehor esta angustia na busca pela felicidade através da história.
“Nos séculos 17 e 18, um grande número de pessoas haviam sido apresentadas, pela primeira vez, à noção de que teriam o poder de obter, concretizar sua felicidade na terra a partir de suas próprias iniciativas. A felicidade deixou de estar ligada à Deus ou aos deuses, ao destino, à sorte ou ao empenho superior de alguns. Isso foi uma libertação. Foi libertador saber que não era mais necessário sofrer as conseqüências dos pecados de nossos ancestrais no Jardim do Éden. E que não havia problema em sentir prazer, usufruir do corpo e do sexo, e era possível fazer dinheiro e empreender as circunstâncias da própria vida. Mas ainda que tudo isso tenha sido uma libertação, a idéia de que a felicidade passou a ser responsabilidade de cada um trouxe também uma obrigação. E se você não for feliz? Isso significa que você falhou? Esse é o paradoxo da crença na felicidade. De um lado, há uma liberdade, mas ela cria um novo tipo de ansiedade. Chamo isso de a infelicidade de não ser feliz. Sofremos muito com isso hoje em dia.”
Leiam a íntegra em > A pattern a day
A foto é do Oh Sweet Nuthin




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