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um mundo de stalkers

por   /  11/09/2012  /  12:49

Superexposição na web estimula ação de perseguidores virtuais, por Juliana Cunha > http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1151125-superexposicao-na-web-estimula-a-acao-de-perseguidores-virtuais.shtml

Se você tem um ou uma ex, então você tem um “stalker”. Se o seu ou a sua ex tem uma nova companhia, então já são dois stalkers em potencial. Some a eles paqueras, gente que não gostava de você na escola ou que gostava até demais. Todas essas pessoas e outras que você nem imagina podem estar acompanhando seus passos de maneira sistemática. (…)

“A forma como assediamos a vida uns dos outros hoje tem tudo a ver com o processo de celebrização da sociedade. Há um impulso de consumir a vida do outro, de usá-la como entretenimento, semelhante a um filme”, explica Eugênio Trivinho, professor do programa de pós-graduação em comunicação e semiótica da PUC-SP. (…)

Análise: Stalker simplifica relação com a vítima, por Ronaldo Lemos > http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1151132-analise-stalker-simplifica-relacao-com-a-vitima.shtml

A internet trouxe muitas coisas boas e o “stalking” não é uma delas. A prática de dedicar atenção obsessiva a uma pessoa, podendo resvalar em outros tipos de perseguição e conflitos, ganhou novos contornos com a tecnologia digital.

O primeiro passo para discutir a questão é lembrar que flertar é humano. Onde houver uma mídia, haverá o despertar de paixões reais ou platônicas, especialmente no contexto das mídias sociais.

No entanto, o stalking cruza a barreira do aceitável na medida em que trata a vítima como “informação”. É como se o outro existisse descolado da realidade e da dimensão social. É comum que o stalker se relacione com a vítima dentro de um universo próprio, que ignora regras de convívio e aspectos morais. A vítima é tratada como “objeto”, disponível para consumo pelo stalker. Muitos conflitos acontecem justamente no choque entre essa relação simplista e as implicações sociais necessárias para uma relação pessoal efetiva.

O stalking é uma forma cruel de desconsiderar a individualidade do outro.

O stalker muitas vezes repete as tentativas de contato com a vítima “ad nauseam”, na esperança de que em algum momento sua estratégia dê certo. É como em um videogame: se o jogador falha, basta reiniciar a partida e tentar de novo.

O problema é agravado por características cada vez mais comuns, especialmente entre a geração Y, que nasceu com a internet. Por exemplo, a dificuldade de lidar com frustrações.

Acostumado a conseguir o que quer com um punhado de cliques, o stalker pergunta-se por que não consegue a atenção da vítima com a mesma lógica. Acha que o mundo (ou a internet) existe para atender seus desejos.

Em uma das “marchas das vadias”, manifestação pelos direitos da mulher, uma garota segurava uma placa que dizia: “Acredite, minha saia curta não tem nada a ver com você”. É uma boa lição para stalkers em geral.

Depoimento: Dá pra saber quem olha seu Facebook? > http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1151332-depoimento-da-para-saber-quem-olha-o-seu-facebook.shtml

(…) A lógica do Facebook é manter você preso àquela página sem graça pela maior quantidade de tempo possível. Tudo que aparece ali, a forma como as informações são organizadas e hierarquizadas, visa chamar a sua atenção. Não a de qualquer um: a sua em particular. Se você sempre dá “likes” nas fotos de determinada pessoa, então o Facebook passa a encher sua página de fotos dela. Se nunca interage com outra pessoa, a rede social a esconde dos seus olhos.

O objetivo do site é criar parzinhos, guetos, redutos de identificação plena. É por isso que não existe um botão de “dislike”. Para quê? Para as pessoas discutirem, se excluírem mutuamente? Nada disso. Vamos nos amar loucamente e conferir a página um do outro sete vezes ao dia. (…)

As imagens são do Someecards > http://www.someecards.com/

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