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Amor, feminino, ocupação e crochê: conheçam Karen Dolorez

por   /  17/08/2018  /  9:09

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A arte de Karen Dolorez transborda. Seja em sua nova série com bordados inspirados na poesia do João Cabral de Melo Neto, seja pelas ruas de São Paulo, onde ela faz intervenções potentes. A artista visual encontrou no trabalho uma maneira de criar novos lugres, “lugares onde a gente inicia os mundos novos que a gente tanto acredita e acha possível.” E a vontade que dá é de morar nesses mundos. Porque eles falam de liberdade, de feminino e feminismo, de amor – e são bonitos demais!

Conversamos em mais uma #entrevistadonttouch, espero que gostem!

Mais Karen > @karendolorezdolorez.com.br

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– Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na arte e o que você mais gosta de fazer?

Eu sou a Karen Dolorez, sou do interior mas moro em São Paulo há 8 anos. Não sei ao certo como ou quando meu encontro com a arte se deu de fato. Eu aprendi a fazer crochê quando era criança e sempre gostei de trabalhos manuais. Quando me mudei pra capital, trabalhei como designer mas senti uma necessidade maior de produção interna e externa. Acho que talvez tenha sido aí onde realmente comecei a desenvolver os trabalhos com essa consciência. As instalações nos muros nas ruas foram de grande importância pra mim, por que foi onde comecei a sentir uma resposta muito imediata das pessoas, me motivando cada vez mais a me comunicar com as pessoas através da arte.

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– O que a arte representa na sua vida?

O Lama Padma Samten (mestre budista) diz que a arte é a manifestação livre da mente, como uma experiência da realidade onde a dimensão interna se mostra de uma maneira mais visível – aquilo que se é criado também é realidade: a gente enxerga na matéria a essência da obra. Acho que hoje é difícil olhar pra arte como algo separado da minha vida. Por mais que exista o lado profissional envolvido, acho que eu acabo entendendo tudo como coisas que surgem juntas: minha vida se reflete no meu trabalho e meu trabalho acaba se refletindo diretamente na minha vida também.

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– Quem são suas principais referências?

Referências são sempre difíceis, eu tenho muitas e nunca lembro de todas! Mas vou citar alguns artistas que gosto demais e tenho acompanhado bastante ultimamente: Ines Longevial, Olek, Erin Riley, Gleo, Guimtio, Acidum Project, Alexandre Herberte… Fora isso tenho muitas referências de artistas contemporâneos, escritores e músicos também.

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– Como é um dia na sua vida?

Posso dizer que nos últimos meses cada dia da minha vida tem sido bem diferente um do outro e talvez um pouco imprevisível rs. Muitas mudanças acontecendo ao mesmo tempo. Mas basicamente eu costumo passar o dia no atelier produzindo. Meu atelier fica em um casarão onde outros artistas de diversas áreas compartilham salas e por isso tem uma troca diária muito gostosa. Tem sido muito importante para o meu processo estar nesse ambiente criativo todos os dias.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Acho que as pequenas vivências do processo nas ruas que tive no início e o feedback após cada obra finalizada, me proporcionaram entender a potência desse trabalho, sabe? As pessoas passaram a se comunicar comigo, seja respondendo as mensagens e/ou desenhos que colocava nas ruas, seja simplesmente repostando nas redes sociais ou vindo falar diretamente comigo. Acho que por se tratar de um material e técnica que remetem a uma memória afetiva, essas mensagens conseguem atingir algumas pessoas que de repente não atingiria em outros formatos.

Acredito que as pessoas se comunicam de diversas maneiras, se manifestam, protestam… Cada um encontra seu jeito de se expressar. Eu sinto que o meu trabalho foi a maneira que encontrei pra me manifestar também, pra falar de coisas que me incomodam e que me deixam mal, mas também de coisas que me motivam e que podem motivar outras pessoas. Acho que o mais importante nessa comunicação é sempre criar novos “lugares” em paralelo, lugares onde a gente inicia os mundos novos que a gente tanto acredita e acha possível. Penso que quando falo sobre direitos da mulher, liberdade individual de se expressar, de agir, de escolher e de só ser, é mais ou menos esse mundo que estou tentando criar.

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– Como é ser mulher no seu meio?

É complicado em todo meio, né? A mulher não tem muito espaço nas ruas, nem na arte, nem nos museus. As meninas do Guerrilla Girls tem uma pesquisa muito linda a respeito da representatividade feminina nesses espaços artísticos – exposta recentemente no MASP, inclusive. Mas como disse anteriormente, acho que precisamos criar esses novos lugares onde podemos estar e circular livremente. Acho que é muito importante cada vez mais incluirmos os homens nas nossas conversas também. Trazê-los pra perto é a melhor forma de quebrar as segregações. A mulher precisa sim do lugar de fala, de protagonismo, mas é importante demais que a gente abra esses diálogos com eles, afinal se eles não estiverem presentes, como vão aprender também?

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Aaah, acho que uma das coisas legais de se dizer de repente também tem a ver com minha nova fase mesmo, desde que aluguei o espaço pro ateliê entrei nessa nova fase, criando trabalhos mais internos e saindo um pouco das instalações na rua. Foi bem importante pro meu processo criativo ter um espaço voltado somente para o trabalho sabe? Consegui desenvolver novas obras e dentre elas essa série sobre o amor. São 3 retratos que simbolizam alguns momentos da minha vida. Me inspirei na poesia do João Cabral de Melo Neto para os títulos, Os Três Mal Amados: “Quando o amor comeu a minha paz e a minha guerra”, “Quando o amor comeu o meu dia e a minha noite” e “Quando o amor comeu o meu medo da morte”.

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“Transformo o que não aceito”, diz Cris Pagnoncelli em seus letterings

por   /  09/08/2018  /  8:08

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Quando trabalho e vida se misturam e se materializam em ilustrações, designs e letterings. Assim é o trabalho de Cris Pagnoncelli, que vocês conhecem mais na entrevista a seguir!

Acompanhem > @crispagnoncelli

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Sou designer, artista visual e profissional independente desde 2010. Me formei em design gráfico em Curitiba, e depois de 4 anos atuando em agências de design e publicidade, naquela correria insana, senti que havia perdido o que havia de mais original e prazeroso do processo: as técnicas manuais. Em 2009, armei uma fuga (talvez de mim mesma, talvez do que me prendia) e mudei para Barcelona, onde cursei uma pós em ‘Ilustração Criativa e Técnicas de Comunicação Visual’, mas acredito que não só o curso, e sim a vivência em outro país, foi o que me permitiu redescobrir outras coisas sobre mim. Sinto que nessa fase meu trabalho teve uma grande mudança não só visual, mas de propósito mesmo. Eu queria ter prazer e me enxergar no que eu tava fazendo / criando / colocando no mundo. Na época eu estava com 24 anos. E os anos seguintes foram de muita busca. Experimentei técnicas novas, estudei coisas diferentes, me conheci melhor. Não digo que foi fácil – talvez os anos mais difíceis da minha vida, mas sem dúvida, o autoconhecimento foi essencial pra estar na fase que me encontro hoje: um pouco mais em paz com tudo o que faço e feliz de colocar minha voz no mundo, talvez por isso eu tenha encontrado no lettering um caminho que gosto de explorar em várias mídias e formatos. Eu gosto de desenhar coisas novas, de me desafiar, de estar sempre me reinventando.

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A arte é a forma mais sincera da nossa liberdade de expressão e coragem. Escolher abordar um tema nas nossas criações exige que a gente se posicione, acredite em algo e defenda até o fim (ou pelo menos, até ser convencido do contrário). Sou muito aberta a novas ideias e estou sempre buscando o equilíbrio das coisas à minha volta. Acredito que através das minhas ilustrações, designs e letterings eu posso comunicar e principalmente transformar aquilo que não aceito. Sei que não posso mudar tudo, mas até o momento que eu puder, vou utilizar a arte e o design como um veículo de informação das pautas que acredito.

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Nos últimos anos coloquei muito da minha vivência pessoal em meu trabalho. Foi algo muito natural. Ao pedalar na rua, e perceber a falta de respeito e espaço com os ciclistas, passei a defender e falar mais sobre bicicleta. Ao perceber o quanto me calei e aceitei coisas que antes pensava serem normais no mundo de agência, entendi que poderia ir ainda mais além sendo independente e traçando meu próprio caminho. E sempre falei sobre isso. Acho que as pessoas se identificam. Trabalhar sozinha nunca foi fácil, mas encontrei belas parcerias no meio do caminho e isso com certeza foi o que me fortaleceu. E acredito que essa coragem de falar sobre o que eu queria falar, de me abrir, de compartilhar, ensinar e aprender com outras pessoas autônomas me trouxeram ainda mais visibilidade. Em tempos de tanta individualidade, acho bem importante bater nessa tecla de que sozinhos a gente não chega tão longe quanto estando lado a lado com quem nos inspira e fortalece.

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Nunca foi fácil ser mulher em qualquer meio. E o meio da comunicação é bastante machista e predominantemente masculino. Sempre trabalhei e convivi com muitos homens. Mas talvez por ter minha mãe como referência eu nunca me senti inferior ou incapaz sendo minoria. Eu cresci acreditando que eu poderia ser o que eu quisesse. E minha mãe sempre foi uma grande líder. Uma vez ouvi de um superior que eu nunca seria uma (líder), pois era emotiva demais, chorava fácil (e choro até hoje). Guardei isso e toda vez que lembro dessa frase, tenho a certeza de que me tornei a mulher que eu já sabia que queria ser, que não necessariamente queria ser líder de alguém mas que saberia e gostaria de liderar. E sigo nesse processo. Construindo espaços de fala, lutando ao lado de outras mulheres e homens que admiro, resistindo. Para que um dia todas nós tenhamos a mesma força e auto estima dos homens. A gente não foi criada pra se impor, pra liderar (muito pelo contrário), mas a mudança está acontecendo e somos parte dela.

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A potência das fotografias de Helen Salomão

por   /  25/07/2018  /  7:30

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Muito impactada pelo trabalho da Helen Salomão, puxei uma conversa pra conhecê-la mais.

Acompanhem esta mulher! > @helesalomao

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Sempre fui apaixonada por arte, mas as pessoas diziam que a arte não era para mim, e eu levei essa afirmação muito a sério. Só decidi que iria me dedicar a ela quando me decepcionei com a profissão que eu almejava. Meu sonho era ser advogada, até eu entrar para estagiar como Jovem Aprendiz no fórum da minha cidade e perceber que naquele momento eu seria infeliz se escolhesse essa profissão. E então decidi me dedicar à arte.

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Comecei a estudar para passa na faculdade pública para cursar design. Nesse meio tempo já tinha comprado uma máquina semiprofissional e estudava sozinha fotografia. Comprei a máquina sem pretensões, só queria me aproximar da arte. Sem conseguir passa em design, entrei num curso de arte e tecnologia. Foi nesse curso que me tornei artista e me dediquei inteiramente à fotografia. E descobri que ela seria minha aliada para mostrar e discutir minhas ideologias, para ser uma artivista e poder ser o meio para que outras pessoas pudessem se mostrar e contar suas histórias.

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Minha fotografia é muito sentimento, é o momento que passo, junto com o espaço ou pessoa que compõe a foto. Minhas referências: a rua, as pessoas, a minha família.

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Abordo aquilo que está no meu cotidiano e a minha vida. Acredito que é importante retratar para além de um tema, sempre penso em mostrar o que me toca, o que pode ajudar o outro, a autoestima, a felicidade, o poder e por aí vai.

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Do Projeto Fotopoético Casa Corpo Pele Parede, que conta vivências de mulheres, focando nas experiências do seu corpo, marcadas na pele.

Débora Ester, 22 .
“Minha pele tem tendência a manchar por qualquer eventualidade. Seja uma espinha, cravo ou ferimento. Futucada ou não, ela sempre marca. Eu não tinha estrias, porém, durante a gravidez, elas começaram a aparecer. A pele em volta da barriga esticou bastante, além de aparecer aquela famosa listra negra fazendo divisão. Quando minha bebê nasceu, a barriga diminuiu, ficando bem flácida, mole e escura. Aos poucos, ela está voltando para o lugar e clareando. Ainda tenho vergonha de algumas manchas e, agora, das estrias, mas estou trabalhando minha autoestima para lidar e me aceitar. Faz 40 dias que minha Maria nasceu e o corpo está normalizando bem, a barriga murchou bastante e as estrias estão sumindo. Com tudo que aconteceu, amo demais meu corpo e amo ser eu, amo residir no corpo em que estou e aprender com as mudanças que acontecem nele.”

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[O que faz o seu trabalho reverberar?] É a minha verdade junto ao que retrato.

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[Ser mulher no meio da fotografia] É perceber que alguns homens ainda continuam falando e mostrando nossas particularidades sem nenhum cuidado, vendo os homens ainda fazendo mais jobs que nós e sentindo na pele o desrespeito por simplesmente ser mulher.

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Dona Maria.
Você é boa.
Você é bonita.
Você é importante.
Você é inteligente.
#historiasquenaoestavamnoslivros

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Os bordados “desajeitados” de Nani Broderie

por   /  20/07/2018  /  14:14

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Adoro quando alguém chega por DM e apresenta o que faz. A Ana Maria Copetti fez isso, e cá estamos para falar do trabalho dela e mostrá-lo um pouco!

Mais > @nani_broderie

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Bom, me chamo Ana Maria, sou bordadeira e designer, e meu apelido em casa é Nani. Sempre tive gosto pelas artes manuais, praticava de tudo quando pequena, desde aquarela a marcenaria, e hoje sigo experimentando. O design como profissão contribui para o meu pensamento criativo, mas, mesmo amando muito, sempre existiu aquele receio de expor minhas criações e também uma falta de trabalhar com o manual (fico geralmente mais de 8h por dia no computador). Foi através do bordado que encontrei uma forma própria de expressão, que consegui me identificar e ter maior confiança nos meus trabalhos, riscos e identidade. Comecei a bordar em 2014, quando fiz por acaso uma oficina da técnica em um evento de design em Buenos Aires – e desde então não parei mais.

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Hoje tenho a marca de bordados Nani, com bordados desajeitados e feitos à mão em um processo 100% autoral; mas continuo descobrindo outras manualidades também, faço cerâmica e tenho um grupo que compartilha conhecimento manuais: o Clube das Miçangas. Então, sobre o que eu gosto de fazer, acho que a resposta é um pouco de tudo. Em relação ao bordado, bordo o que eu vejo ao redor e o que eu sinto, vejo meu trabalho como a materialização de sentimentos e, por isso, busco sempre inspirações no universo feminino, com sua delicadeza, suas curvas e sua força.

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Acho que a arte representa uma forma de dizer aquilo que muitas vezes eu não sabia como me expressar. Também representa uma forma de ver a vida e o que nos cerca e uma forma de comunicar, uma troca e um compartilhamento dos sentimentos.

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Meu trabalho trata do feminino e da delicadeza e da força da mulher de uma forma simples e natural, e isso sem dúvidas é algo que as mulheres se identificam. Gosto de trabalhar a relação das mulheres e da sororidade, da união e do estar presente pela outra. E também a relação mulher x natureza, através dos animais e das plantas.

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Ser mulher no Brasil é horrível, mas acredito que a pergunta seja específica em relação ao trabalho com o manual. Eu percebo que ser artista, independente do gênero, já venha com toda uma carga de desvalorização do manual no Brasil. Agora, ser artesã e mulher é ainda mais difícil pois já carrega um significado que a sociedade traz do olhar insignificante ou ordinário sobre o trabalho. O bordado acaba muitas vezes sendo tratado mais como um artesanato básico e medíocre do que como arte profissional em si. O tempo de produção, que é altíssimo, acaba sendototalmente  menosprezado, e o valor sobre a peça diminuído. E nesse sentido eu já percebi que há uma diferença de tratamento de quando a arte do bordado é feita por homens, pois eles já são mais vistos como de fato “artistas”.

Porém, me sinto bastante privilegiada em relação ao meu trabalho, pois nunca senti um preconceito direto em relação a exercer meu trabalho. Mas já passei por situações desconfortáveis de receber comentários da família sobre certos bordados “mais ousados”, comentários machistas e homofóbicos em posts dos meus trabalhos e comentários bizarros no transporte público de homens enquanto eu bordava, perguntando se “sobrava tempo para cuidar da casa”, tipo oi?

Por outro lado, como ponto positivo, eu vejo toda uma cultura de valorização do pequeno nascendo. No Brasil pelo fato da maioria das microempresas serem coordenadas por mulheres, todo esses negócios acabam sendo muito inspiradores. E quem se dedica às artes manuais acaba achando uma rede de apoio bem grande e muito querida de artistas.

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Sirlanney e seus ótimos quadrinhos feministas

por   /  06/07/2018  /  8:00

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A Sirlanney faz aquele tipo de quadrinho que você lê e se identifica na hora. Ela fala de pensar em mandar uma mensagem de amor a cada 5 minutos, de ser stalker, de trabalhar sob pressão, de destruir o patriarcado. Suas histórias são ácidas e certeiras, e é muito legal acompanhar seu perfil no Instagram. (Aliás, obrigada, @instadage, pela indicação!)

Na entrevista abaixo vamos conhecer um pouco mais dessa mulher que nasceu no interior do Ceará em 1984 e publica seus textos e desenhos na internet, em zines e revistas há 15 anos.

Mais > @sirlanney + www.sirlanney.com

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– Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na ilustração e o que você mais gosta de desenhar?

Eu adorava desenhar quando era criança, como todo mundo, mas não parei de deseenhar quando cresci. Era algo que sempre me deixava satisfeita… Ver que eu podia fazer minha própria interpretação do mundo no papel. Mas o que eu amo fazer é contar histórias, escrever mesmo. Ilustração é só uma parte do que eu faço, porque o que eu acho que faço mais é contar histórias através dos desenhos. Então eu estudei artes plásticas, aprendi diferentes técnicas, li os grandes mestres e os nem tão grandes assim… E continuo estudando todos os dias, é um trabalho sem fim.

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– O que a arte representa na sua vida?

A arte é o ponto central da minha vida, é o que eu escolhi fazer agora e no futuro. Mas antes já era o que embalava meu coração frágil, desde que eu posso lembrar. A arte sempre foi o que eu podia me agarrar enquanto buscava o sentido da vida.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Geralmente é o que mais me incomoda. Aquele assunto que tá mal resolvido para mim ou para o mundo. Patriarcado, política, direita, esquerda, capitalismo, ego, altruismo, nova era, minha falta de habilidade com o Excel… Qualquer coisa que fique martelando na minha cabeça! Aí eu preciso parir um quadrinho para arrancar isso de mim.

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– Como é ser mulher no seu meio?

Já foi pior, mas ainda é chato. Não posso negar o salto que demos nos últimos anos no sentido de sermos consideradas, sermos lidas e termos obrigado a sociedade enxergar que somos top. Mas sempre que pego uma revista ou qualquer publicação sobre quadrinhos ou ilustração e vejo lá o clube do bolinha, ainda firme e forte, reviro os olhos.

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Camila Rosa: ilustrações de um ser político

por   /  18/06/2018  /  17:17

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As ilustrações de Camila Rosa têm uma potência impressionante. E sabe o motivo? Ela se entende como ser político e busca colocar no que desenha o que acha do mundo. Fala de feminismo, de resistência, da multiplicidade de ser mulher.

Ela conta mais disso na entrevista a seguir, espero que gostem!

Mais em: @camixvxcamilarosa.net

#entrevistadonttouch
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– Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na ilustração e o que você mais gosta de desenhar?

Eu sou a Camila, 29 anos, natural de Joinville/SC e formada em design de produto. Trabalhei na área da minha formação durante um tempo e em 2012, depois de terminar a universidade, decidi ir morar em SP pra começar a trabalhar com design gráfico e ilustração. Meu interesse pela ilustração de forma mais profunda veio através do Coletivo Chá – um coletivo de street art que eu faço parte na minha cidade natal com mais 4 amigas. Através do coletivo eu vi que era possível trabalhar com ilustração e arte e naquele momento eu decidi que queria viver disso. Mas como é muito difícil viver de arte no Brasil eu continuei trabalhando em agências de design e publicidade até 2016. Só em 2017 que passei a viver apenas como ilustradora e desde então eu me sinto muito mais segura com o trabalho que estou fazendo e gosto muito do que faço, gosto de desenhar mulheres de realidades diferentes, gosto de ilustrar sobre temas me que interessam, temas políticos que fazem parte das minhas posturas pessoais.

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– O que a arte representa na sua vida?

A arte na minha vida é parte do que eu sou, minha urgência de mostrar minhas ideias ao mundo e também uma maneira de estar presente na vida das pessoas. Ela me dá a sustentação e a segurança em relação a viver dentro de uma sociedade tão problemática como a nossa e me incentiva a cada vez mais usá-la como ferramenta de transformação social, que é algo tão urgente pra mim.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Eu acredito que quando o trabalho aborda assuntos que as pessoas se identificam ele acaba chegando muito mais longe e de maneira muito mais profunda e relevante na vida das pessoas. Eu sempre tive uma urgência em falar sobre assuntos políticos que faziam parte da minha realidade ou que eu percebia como urgentes em relação ao mundo. Demorei pra conseguir encontrar um meio de abordar esses temas – que era tão intrínsecos pra mim, mas que eu não sabia como transpor para as minhas ilustrações. Hoje eu consegui me encontrar e transferir para o meu trabalho todos os meus posicionamentos como um ser político. Gosto de falar sobre feminismo e o universo feminino através de uma perspectiva alternativa, sobre racismo, homofobia, diversidade, libertação animal. Meu trabalho carrega a minha essência de maneira muito direta, quem me conhece pessoalmente percebe isso de maneira muito fácil.

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– Como é ser mulher no seu meio?

É sempre um desafio ser mulher existindo nesse mundo, mas dentro da ilustração e do design é fácil de perceber que o mercado é um meio ainda altamente masculino e também estruturalmente machista. Dentro de agências o que sempre percebi é o que todo mundo percebe: que os grandes cargos normalmente são ocupados por homens, salvo exceções, claro. Mas como freelancer trabalhando em casa eu percebo que a maior dificuldade fica nas entrelinhas, na falta respeito e confiança no trabalho, no desafio de chamar nós mulheres ilustradoras pra matérias durante o ano todo e não só no mês de março, naquele pedido de emagrecer a personagem, de fazer ela seguindo um determinado padrão visual. Além da parte que, como feminista, ter que me posicionar contra muitas iniciativas, inclusive feita por mulheres que buscam abordar o feminismo apenas de maneira comercial, e não como um movimento político com diferentes visões e abordagens.

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Mais:

Marcella Briotto

Eva Uviedo

Priscila Barbosa

Brunna Mancuso

Liberdade e leveza nas ilustrações de Marcella Briotto

por   /  29/05/2018  /  9:09

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É bonito demais ver uma amiga florescer. Sair de um emprego no mercado tradicional para se aventurar no mundo independente, com todas as suas alegrias e seus perrengues também. Vibro com o trabalho da Marcella Briotto, ilustradora cujo traço é cheio de poesia.

Conheçam o trabalho dela: @marcellabriotto

E leiam a entrevista a seguir!

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– Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na ilustração e o que você mais gosta de desenhar?

Eu fui aquela criança que andava com o caderno e lápis de cor, desenhava o dia todo. Então desde cedo eu sabia que queria fazer algo relacionado a desenho. Mas na hora de escolher profissão achei que design me daria mais oportunidades, comecei trabalhar em revista feminina e sempre que precisava desenhava um passo a passo, até começarem a me dar matérias maiores e, quando vi, estava fazendo matérias de comportamento, que foi onde me encontrei. Em paralelo comecei desenhar o dia a dia, a rotina, os sentimentos que vinham ao olhar para dentro. Gosto dessa conexão entre o material, o espiritual/sentimental e a natureza.

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– O que a arte representa na sua vida?

Sempre foi uma válvula de escape do mundo real normalmente tão pesado e um jeito de mostrar o que penso e sinto em relação as coisas. Sempre fui mais retraída, então foi no papel que aprendi a me expressar. Quanto mais caos, mais busco na arte a calmaria – e o contrário também, às vezes nada sai do lugar e precisamos gritar para ver as coisas se movimentando. Quando digo isso não me refiro só a fazer. Por meio da arte em geral a gente se conecta com um mundo novo, uma outra realidade, o que traz novas reflexões, faz a gente pensar e agir diante das coisas. Esse (r)equilíbrio e às vezes esse tapa, rs, que ela proporciona para mim é fundamental, me dá a sensação de liberdade e leveza. Até quando não é leve traz essa sensação porque foi posto para fora, sabe? Foi jogado no mundo.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Acho que quando fazemos algo que realmente sentimos, as pessoas absorvem aquilo e acabam se identificando.
Quando fiz essa série de desenhos ligados às ervas eu realmente tentava encontrar um equilíbrio entre minhas angústias todas e uma conexão comigo mesma, buscando uma liberdade que de certa forma não estava tendo no meu dia a dia. Fiquei muito tempo afastada do meu lado autoral, muitas vezes vamos deixando o que gostamos de lado por insegurança, por falta de tempo, normalmente somos engolidas pelo mercado de trabalho/capitalismo e vamos nos afastando mais do que a gente é, do que gostamos de fazer. Acho que estou nesse momento de me reencontrar e isso se reflete no meu trabalho.

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– Como é ser mulher no seu meio?

Na minha bolha, sou mais rodeada de mulheres, tenho mais amigas mulheres, no mercado editorial trabalhei com muitas mulheres, então tenho a sorte de estar rodeada por uma mulherada que eu admiro. Mas lá atrás na época de faculdade, quando eu ia procurar referências de ilustração tinha muito ilustrador homem, era uma ou outra ilustradora, acho que isso está mudando, o que é ótimo. Hoje vejo ilustradoras com trabalhos incríveis conquistando cada vez mais espaço. Tem um movimento de mulheres crescendo forte no mercado da ilustração, acho maravilhoso, ainda mais diante um mundo com patriarcado muito forte. Abordar o universo feminino, desde as sutilezas até as lutas, é fundamental. Ter essa representatividade de mulheres no mercado das artes, desde ilustração até a arte de rua por exemplo, acho que é o mais importante.

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– Que mulheres você indica pra eu entrevistar depois?

Vou falar três que trabalham o feminino de formas diferentes: Karen Dolorez , Anna Maeda e Miriam Brugmann.

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Mais:

Eva Uviedo

Priscila Barbosa

Brunna Mancuso

Mulheres, seres do mar e sentimentos na profundidade dos desenhos de Eva Uviedo

por   /  22/05/2018  /  12:12

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Conheço a Eva Uviedo de quando a internet ainda era pouco povoada. E ali ela já se destacava com seus desenhos e ilustrações tão característicos, que foram ganhando ainda mais força ao longo dos anos. O talento dela sempre me encantou, e acho demais vê-lo materializado em quadros, livros, roupas. Descobrir mais da trajetória dela foi uma dessas alegrias que o Don’t Touch me dá. Espero que gostem do bate papo!

Mais Eva: @evauviedo e www.evauviedo.com.br

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Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na ilustração e o que você mais gosta de desenhar?

Nasci na Argentina, em família de artistas (pai diretor de teatro, mãe cantora) que precisaram fugir da ditadura, e moro em São Paulo desde a adolescência. Nessa época comecei a ver que tinha jeito pra desenhar, mas era o início da MTV e o grande barato era videoclipes, vídeoarte. Por conta disso entrei para o meio do audiovisual, e acabei indo pra área de documentários, especialmente os ligados a direitos humanos, LGBT e feminismo, o que foi uma experiência muito enriquecedora. Alternava o curso de comunicação com aulas de desenho e pintura, e também direção de arte e design, que me levou para a internet. Aí passei 15 anos como responsável pela área na Trip Editora – o que foi sensacional porque juntava tudo, arte visual, vídeo e jornalismo – e ia desenhando como hobby e postando no Flickr, até que comecei a receber convites para ilustrar profissionalmente. Em 2008 fiz um curso com os ilustradores Fernando Vilela e Odilon Moraes, que tem uma abordagem incrível dessa arte, e passei a ver isso como uma profissão real oficial, com todas suas características e desafios próprios. Em 2014 saí da Trip e desde então me dedico integralmente à ilustração, seja para o mercado editorial, publicidade ou em projetos autorais.

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Gosto muito de desenhar mulheres, e desde 2007 venho desenvolvendo uma série chamada “Sobre Amor & Outros Peixes”, onde relaciono seres do mar com sentimentos e tipos de relacionamentos. Fui identificando nas características deles muitos comportamentos que poderia atribuir a dinâmicas das relações humanas, e por aí foi se desenvolvendo um universo pictórico de simbolismo próprio. O tubarão, ao mesmo tempo suave e feroz. A arraia, um animal manso que pode ser letal. Os peixes Beta, de briga; o baiacu, que infla pra se defender. O polvo, com seus tentáculos envolventes, que aparece em diversas representações com características sensuais. E a água, que envolve tudo em um estado alterado como quando a gente está apaixonado. E por aí vai, a lista é enorme e é aberta para interpretações de cada um.

Essa série já se desdobrou em diversos trabalhos e parcerias, como os livros “Nossa Senhora da Pequena Morte” [Ed. do Bispo, 2008] e T”oureando o Diabo” [Independente, 2016], em parceria com a escritora Clara Averbuck; apareceram em “Mnemomáquina”, de Ronaldo Bressane [Demônio Negro, 2014], capas de discos, como o das cantoras Pitty e Elza Soares, e outros trabalhos.

Também gosto muito de desenhar sobre viagens, em forma de mapas, travelbooks, guidebooks e afins, tenho vários trabalhos nessa área. E toda viagem que faço rende um caderninho com as impressões da viagem e desenhos.

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– O que a arte representa na sua vida?

Vejo a arte como uma frequência diferente de comunicação entre as pessoas. É como se houvessem coisas das quais só dá pra falar, e entender, através da arte. Muitas vezes faço um desenho que eu mesma não sei exatamente o que ele significa, mas veio de um sentimento que não consegui colocar em palavras. Aí muitas pessoas vêm e falam: “esse desenho me tocou, me fez chorar, mexeu comigo de um jeito que não sei explicar”. É porque a gente compartilhou algo, só que em outra sintonia. Às vezes tenho vontade de perguntar: “mas o que foi que você entendeu?”. Mas acho que isso quebraria essa magia. E a mesma coisa acontece de volta com as artes que eu gosto.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Acho que o que faz o trabalho reverberar é que ele fala de sentimentos de um jeito aberto para que as pessoas ponham nele suas próprias vivências e interpretações. Os temas que gosto de abordar são as relações entre as pessoas, sendo o personagem principal uma mulher (que pode ser representada de várias maneiras, épocas, e com várias idades), pois o desenho é autobiográfico, e o sentimento, o ser do mar.

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– Como é ser mulher no seu meio?

Por um lado é muito bacana, porque está se formando um sentimento de comunidade real, muito sincera e naturalmente, coisa que não existia anos atrás. O fato das mulheres se juntarem para montar exposições e coletivos femininos é necessário para ganhar força e visibilidade neste momento; então é ótimo que isso esteja acontecendo. Mas penso que o ideal seria uma equiparação real de gênero em todas as oportunidades e projetos.

Já como artista, me incomoda quando dizem que tenho um estilo “delicado / feminino”, como se fossem coisas naturalmente associadas. Existem trabalhos feitos por mulheres que são super agressivos, transgressores, e tem artistas como o espanhol Conrad Roset, que retrata mulheres com um trabalho super delicado (e não trabalha só para marcas femininas).

Essa associação dá a impressão de que faço um tipo de arte que SÓ pode ser apreciado por mulheres, o que não é real: muitos dos que compram meu trabalho são homens. Mas na última feira que participei teve um cara que se recusou a ficar PERTO dos meus desenhos enquanto a mulher dele escolhia, fez questão de falar e mostrar que ele não queria opinar sobre aquilo, que era “coisa de mulher”. Tipo depreciando mesmo. Por que eu preciso passar por esse tipo de coisa?

livro Como viver em SP sem carro

livro 50 Brasileiras Incríveis para conhecer antes de crescer

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Priscila Barbosa

Brunna Mancuso

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A força das mulheres de verdade ilustradas por Priscila Barbosa

por   /  09/04/2018  /  18:31

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Priscila Barbosa é ilustradora e nos presenteia a cada post com seus desenhos de mulheres de verdade. E o mais legal é que, além de compartilhar o processo do seu trabalho, ela também divide leituras, sensações e pensamentos, o que ajuda a tornar ainda mais forte o que ela coloca no mundo.

Conversei com ela pra saber mais disso tudo, logo abaixo!

Mais: @priii_barbosapriscilabarbosa.iluria.com

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#galeriadonttouch
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A ilustração sempre foi minha paixão, mas durante alguns anos ela foi colocada de lado por diversas inseguranças. Demorou pra eu perceber que ilustrar era justamente uma das maneiras de lidar com essas inseguranças. A partir do momento que me dei conta disso, comecei a explorar alguns assuntos que tinham impacto direto na minha vida e na maneira como eu me via, o que coincidiu justamente com o início da vida adulta e com um processo de independência. Então, acabo ilustrando tudo o que passa pela minha cabeça e deixa alguma pergunta. No momento tem sido a relação das mulheres com seus corpos e isso, claro, me inclui. Tenho tentado olhar meu corpo com a gentileza com que olho o das outras mulheres e é um processo bem complexo, mas incrível. Talvez por isso meu assunto preferido de ilustrar tem sido anatomia.

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A arte representa estar viva, que não é só coração batendo e respirar. E digo arte não só no sentido de produzir arte, mas de absorver a arte de outras pessoas também e conhecer diferentes pontos de vista. A arte me dá diversas sacodidas, sabe? Me força a pensar em coisa que estão fora da minha vivência, a enfrentar e confrontar também.

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Acho que a maior força que um trabalho pode ter é você mesma acreditar nele. Ele significar muito pra ti. Daí essa potência fica visível pro outro e reverbera nele também, o que vira um ciclo de retroalimentação poética.

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Arte é sempre política, essa sempre foi minha visão. Considerando que nossos corpos também são políticos, e nossas relações mais ainda, considero que o mais importante é se posicionar através das criações e incentivar esse processo no outro, cada vez mais é o que tento fazer.

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Eu estive em cargos superiores trabalhando com design e ilustração e ser firme sempre foi uma das minhas características. Mas é isso, tu tem que ser firme o tempo todo, mesmo quando não quer. Me questiono muito sobre a necessidade disso existir por eu ser mulher. Hoje, como freelancer, infelizmente o desafio é fugir de outras mulheres que usam o discurso feminista e girl power como uma maneira de se aproveitar disso pra ganho pessoal. Isso é desanimador, mostra a total desvalorização das profissionais de arte e da própria causa.

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Mais:

Brunna Mancuso

Autoamor e natureza na fotografia de Ieve Holthausen

por   /  03/04/2018  /  9:09

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Gosto de ver como trabalhos de mulheres diferentes se conectam. Conheci o da Ieve Holthausen por meio de uma indicação da Tuane Eggers, que já apareceu por aqui (A fotografia de sonhar acordado de Tuane Eggers). Ela também falou da Chana de Moura (Fotografar foi o início de uma liberdade). As três são do Sul – e se conectam com si mesmas e com a natureza para criar imagens em que a gente quer mergulhar, fazer parte.

Conversei com a Ieve sobre seu trabalho. Espero que gostem!

Mais: @ieveholthausen + ieve.org

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Penso que é o sagrado que é o objeto da minha fotografia. Entendi que de forma mais inconsciente ou intuitiva costumo buscar em meu trabalho fotográfico fazer uma louvação à natureza (que é Deus para mim) e aos sentimentos mais elevados, como o amor. Percebo que minhas fotos falam de conexão consigo ou com a natureza, de meditação, de transcendência, da potência das viagens interiores, buscando lembrar que somos consciência. E também falam de ser mulher, de nossa força, de nossa sensibilidade, da potência da união feminina e do autoamor e da libertação dos nossos corpos de mulheres – os portais que nos trouxeram até aqui.

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Acho que não estou muito inserida no meio da fotografia, visto que não participo de editais, concursos, eventos e não tenho quase nenhum contato com outros fotógrafos (exceto duas amigas) ou qualquer coisa assim. Fico meio escondida e não percebo a muito diferença entre ser homem e ser mulher nessas circunstâncias, embora saiba que exista bastante machismo nesse meio.

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A fotografia representa a linguagem que minha alma aprendeu a usar para se expressar. Tudo aquilo que não consigo expressar por palavras, pintura, desenho ou música. É a maneira de revelar e compartilhar um pouco do meu universo interior.

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