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Amor, feminino, ocupação e crochê: conheçam Karen Dolorez

por   /  17/08/2018  /  9:09

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A arte de Karen Dolorez transborda. Seja em sua nova série com bordados inspirados na poesia do João Cabral de Melo Neto, seja pelas ruas de São Paulo, onde ela faz intervenções potentes. A artista visual encontrou no trabalho uma maneira de criar novos lugres, “lugares onde a gente inicia os mundos novos que a gente tanto acredita e acha possível.” E a vontade que dá é de morar nesses mundos. Porque eles falam de liberdade, de feminino e feminismo, de amor – e são bonitos demais!

Conversamos em mais uma #entrevistadonttouch, espero que gostem!

Mais Karen > @karendolorezdolorez.com.br

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– Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na arte e o que você mais gosta de fazer?

Eu sou a Karen Dolorez, sou do interior mas moro em São Paulo há 8 anos. Não sei ao certo como ou quando meu encontro com a arte se deu de fato. Eu aprendi a fazer crochê quando era criança e sempre gostei de trabalhos manuais. Quando me mudei pra capital, trabalhei como designer mas senti uma necessidade maior de produção interna e externa. Acho que talvez tenha sido aí onde realmente comecei a desenvolver os trabalhos com essa consciência. As instalações nos muros nas ruas foram de grande importância pra mim, por que foi onde comecei a sentir uma resposta muito imediata das pessoas, me motivando cada vez mais a me comunicar com as pessoas através da arte.

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– O que a arte representa na sua vida?

O Lama Padma Samten (mestre budista) diz que a arte é a manifestação livre da mente, como uma experiência da realidade onde a dimensão interna se mostra de uma maneira mais visível – aquilo que se é criado também é realidade: a gente enxerga na matéria a essência da obra. Acho que hoje é difícil olhar pra arte como algo separado da minha vida. Por mais que exista o lado profissional envolvido, acho que eu acabo entendendo tudo como coisas que surgem juntas: minha vida se reflete no meu trabalho e meu trabalho acaba se refletindo diretamente na minha vida também.

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– Quem são suas principais referências?

Referências são sempre difíceis, eu tenho muitas e nunca lembro de todas! Mas vou citar alguns artistas que gosto demais e tenho acompanhado bastante ultimamente: Ines Longevial, Olek, Erin Riley, Gleo, Guimtio, Acidum Project, Alexandre Herberte… Fora isso tenho muitas referências de artistas contemporâneos, escritores e músicos também.

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– Como é um dia na sua vida?

Posso dizer que nos últimos meses cada dia da minha vida tem sido bem diferente um do outro e talvez um pouco imprevisível rs. Muitas mudanças acontecendo ao mesmo tempo. Mas basicamente eu costumo passar o dia no atelier produzindo. Meu atelier fica em um casarão onde outros artistas de diversas áreas compartilham salas e por isso tem uma troca diária muito gostosa. Tem sido muito importante para o meu processo estar nesse ambiente criativo todos os dias.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Acho que as pequenas vivências do processo nas ruas que tive no início e o feedback após cada obra finalizada, me proporcionaram entender a potência desse trabalho, sabe? As pessoas passaram a se comunicar comigo, seja respondendo as mensagens e/ou desenhos que colocava nas ruas, seja simplesmente repostando nas redes sociais ou vindo falar diretamente comigo. Acho que por se tratar de um material e técnica que remetem a uma memória afetiva, essas mensagens conseguem atingir algumas pessoas que de repente não atingiria em outros formatos.

Acredito que as pessoas se comunicam de diversas maneiras, se manifestam, protestam… Cada um encontra seu jeito de se expressar. Eu sinto que o meu trabalho foi a maneira que encontrei pra me manifestar também, pra falar de coisas que me incomodam e que me deixam mal, mas também de coisas que me motivam e que podem motivar outras pessoas. Acho que o mais importante nessa comunicação é sempre criar novos “lugares” em paralelo, lugares onde a gente inicia os mundos novos que a gente tanto acredita e acha possível. Penso que quando falo sobre direitos da mulher, liberdade individual de se expressar, de agir, de escolher e de só ser, é mais ou menos esse mundo que estou tentando criar.

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– Como é ser mulher no seu meio?

É complicado em todo meio, né? A mulher não tem muito espaço nas ruas, nem na arte, nem nos museus. As meninas do Guerrilla Girls tem uma pesquisa muito linda a respeito da representatividade feminina nesses espaços artísticos – exposta recentemente no MASP, inclusive. Mas como disse anteriormente, acho que precisamos criar esses novos lugares onde podemos estar e circular livremente. Acho que é muito importante cada vez mais incluirmos os homens nas nossas conversas também. Trazê-los pra perto é a melhor forma de quebrar as segregações. A mulher precisa sim do lugar de fala, de protagonismo, mas é importante demais que a gente abra esses diálogos com eles, afinal se eles não estiverem presentes, como vão aprender também?

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Aaah, acho que uma das coisas legais de se dizer de repente também tem a ver com minha nova fase mesmo, desde que aluguei o espaço pro ateliê entrei nessa nova fase, criando trabalhos mais internos e saindo um pouco das instalações na rua. Foi bem importante pro meu processo criativo ter um espaço voltado somente para o trabalho sabe? Consegui desenvolver novas obras e dentre elas essa série sobre o amor. São 3 retratos que simbolizam alguns momentos da minha vida. Me inspirei na poesia do João Cabral de Melo Neto para os títulos, Os Três Mal Amados: “Quando o amor comeu a minha paz e a minha guerra”, “Quando o amor comeu o meu dia e a minha noite” e “Quando o amor comeu o meu medo da morte”.

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“Transformo o que não aceito”, diz Cris Pagnoncelli em seus letterings

por   /  09/08/2018  /  8:08

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Quando trabalho e vida se misturam e se materializam em ilustrações, designs e letterings. Assim é o trabalho de Cris Pagnoncelli, que vocês conhecem mais na entrevista a seguir!

Acompanhem > @crispagnoncelli

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Sou designer, artista visual e profissional independente desde 2010. Me formei em design gráfico em Curitiba, e depois de 4 anos atuando em agências de design e publicidade, naquela correria insana, senti que havia perdido o que havia de mais original e prazeroso do processo: as técnicas manuais. Em 2009, armei uma fuga (talvez de mim mesma, talvez do que me prendia) e mudei para Barcelona, onde cursei uma pós em ‘Ilustração Criativa e Técnicas de Comunicação Visual’, mas acredito que não só o curso, e sim a vivência em outro país, foi o que me permitiu redescobrir outras coisas sobre mim. Sinto que nessa fase meu trabalho teve uma grande mudança não só visual, mas de propósito mesmo. Eu queria ter prazer e me enxergar no que eu tava fazendo / criando / colocando no mundo. Na época eu estava com 24 anos. E os anos seguintes foram de muita busca. Experimentei técnicas novas, estudei coisas diferentes, me conheci melhor. Não digo que foi fácil – talvez os anos mais difíceis da minha vida, mas sem dúvida, o autoconhecimento foi essencial pra estar na fase que me encontro hoje: um pouco mais em paz com tudo o que faço e feliz de colocar minha voz no mundo, talvez por isso eu tenha encontrado no lettering um caminho que gosto de explorar em várias mídias e formatos. Eu gosto de desenhar coisas novas, de me desafiar, de estar sempre me reinventando.

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A arte é a forma mais sincera da nossa liberdade de expressão e coragem. Escolher abordar um tema nas nossas criações exige que a gente se posicione, acredite em algo e defenda até o fim (ou pelo menos, até ser convencido do contrário). Sou muito aberta a novas ideias e estou sempre buscando o equilíbrio das coisas à minha volta. Acredito que através das minhas ilustrações, designs e letterings eu posso comunicar e principalmente transformar aquilo que não aceito. Sei que não posso mudar tudo, mas até o momento que eu puder, vou utilizar a arte e o design como um veículo de informação das pautas que acredito.

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Nos últimos anos coloquei muito da minha vivência pessoal em meu trabalho. Foi algo muito natural. Ao pedalar na rua, e perceber a falta de respeito e espaço com os ciclistas, passei a defender e falar mais sobre bicicleta. Ao perceber o quanto me calei e aceitei coisas que antes pensava serem normais no mundo de agência, entendi que poderia ir ainda mais além sendo independente e traçando meu próprio caminho. E sempre falei sobre isso. Acho que as pessoas se identificam. Trabalhar sozinha nunca foi fácil, mas encontrei belas parcerias no meio do caminho e isso com certeza foi o que me fortaleceu. E acredito que essa coragem de falar sobre o que eu queria falar, de me abrir, de compartilhar, ensinar e aprender com outras pessoas autônomas me trouxeram ainda mais visibilidade. Em tempos de tanta individualidade, acho bem importante bater nessa tecla de que sozinhos a gente não chega tão longe quanto estando lado a lado com quem nos inspira e fortalece.

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Nunca foi fácil ser mulher em qualquer meio. E o meio da comunicação é bastante machista e predominantemente masculino. Sempre trabalhei e convivi com muitos homens. Mas talvez por ter minha mãe como referência eu nunca me senti inferior ou incapaz sendo minoria. Eu cresci acreditando que eu poderia ser o que eu quisesse. E minha mãe sempre foi uma grande líder. Uma vez ouvi de um superior que eu nunca seria uma (líder), pois era emotiva demais, chorava fácil (e choro até hoje). Guardei isso e toda vez que lembro dessa frase, tenho a certeza de que me tornei a mulher que eu já sabia que queria ser, que não necessariamente queria ser líder de alguém mas que saberia e gostaria de liderar. E sigo nesse processo. Construindo espaços de fala, lutando ao lado de outras mulheres e homens que admiro, resistindo. Para que um dia todas nós tenhamos a mesma força e auto estima dos homens. A gente não foi criada pra se impor, pra liderar (muito pelo contrário), mas a mudança está acontecendo e somos parte dela.

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Corpo que vivem, sentem e se relacionam nas maravilhosas pinturas de Jade Marra

por   /  06/08/2018  /  8:08

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Desde a primeira vez que vi o trabalho de Jade Marra fiquei encantada pelas cores, pela textura, pelos corpos ali desenhados. Fui conversar com ela pra entender de onde vem tanta beleza e consistência, e como resultado agora quero ter uma obra dela na parede! Espero que gostem da entrevista.

Acompanhem a Jade > @dejadejadejadejadeja e jademarra.com

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– Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na arte e o que você mais gosta de pintar?

Sou a Jade, tenho 25 anos e vivo em Belo Horizonte. Em 2014 comecei a cursar artes plásticas na Escola Guignard, onde iniciei meu contato com a pintura. No segundo semestre de 2015, tive o privilégio de receber uma bolsa de um ano do programa Ciências sem Fronteiras para estudar artes visuais na Alemanha, o que foi determinante no meu amadurecimento como artista. Durante esse período, pude me dedicar integralmente a experimentar e entender meu lugar na arte, e foi também quando desenvolvi a série “Toque”, que considero meu primeiro trabalho com maior consistência artística.

A experiência de distância e ausência que vivi durante esse período me colocou em contato com sentimentos muito intensos e com a possibilidade de incorporá-los no meu trabalho. Aprendi aí a encontrar nos meus afetos pessoais a potência do que eu quero criar.

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– O que a arte representa na sua vida?

A arte, de um ponto de vista purista e ideal, representa a possibilidade de comunicação num plano sensível. A possibilidade de enxergar o mundo a partir da perspectiva do outro, de ter acesso a novas ideias e experiências. Por outro lado, a arte pode também representar um circuito extremamente restrito e elitista baseado em relações opressoras de poder.

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– Quem são suas principais referências?

Francesca Woodman

Pina Bausch

Felix Gonzalez-Torres

Paula Rego

Guerrilla Girls

Regina Parra

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Ana Mendieta

Emilio Vilalba

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– Como é um dia na sua vida?

Ontem eu acordei, tomei café, atualizei meu portfólio, respondi e-mails, liguei pra minha mãe, fui ao banco, fui ao supermercado, li coisas diversas, procurei editais, desenhei, paguei meu aluguel, fiz uma torta de maçã, jantei, vi um filme e dormi. Zero glamour, muita vida real.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Eu trabalho a relação de afeto entre o corpo da minha companheira Luíza e o meu próprio corpo. Acredito que o afeto seja esse elemento que reverbera, cria identificação e empatia. Além disso, vale ressaltar que estou falando do afeto entre duas mulheres. O corpo da mulher lésbica existe socialmente em duas margens extremas: ou é apagado por não estar conforme o padrão de feminilidade, ou objetificado e fetichizado em função do prazer masculino. Considero meu trabalho político à medida que, trazer minha relação pessoal para a minha pesquisa artística, coloca o corpo lésbico em posição de protagonista e de propositor. Quem estabelece contato com o meu trabalho passa a ter contato também com um corpo que vive, sente e se relaciona como qualquer ser humano dotado de sensibilidade.

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– Como é ser mulher no seu meio?

Outro dia saiu o resultado de um edital ao qual eu estava concorrendo. Dos 9 selecionados, uma mulher. Existem camadas veladas de misoginia nas mais diversas esferas da arte, é vergonhoso. Precisamos estar atentas e conscientes e ajudarmos umas as outras a conquistar respeito e reconhecimento.

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Esse trabalho joga com uma inversão de perspectiva. Uma mesma imagem apresentada ora em uma orientação, ora em outra, permite uma alternância entre símbolos associados a visões de mundo contrastantes. Quando o mesmo elemento visual é capaz de representar sujeitos antagônicos, cria-se uma sensação de similaridade capaz de questionar a efetiva oposição entre categorias que podem estar relacionadas a estes sujeitos. 

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@estarmorta, quadrinhos sarcásticos sobre a vida da jovem mulher branca de classe média

por   /  30/07/2018  /  9:09

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O @estarmorta é um desses perfis que quando aparecem na timeline você agradece pelos posts traduzirem vários aspectos da vida mulher de 30 e poucos vivendo na cidade grande enfrentando diversos tipos de dilema e se valendo do humor e do sarcasmo para lidar com várias análises sobre o mundo.

A autora não revela a identidade, o que deixa a história ainda mais legal. Conversei com ela sobre esses desenhos e textos que me fazem ter uns momentos de “é isso, traduziram o que eu penso!”. Foi demais o papo, espero que vocês gostem!

Acompanhem > @estarmorta

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– Conta um pouco sobre você, sobre seus quadrinhos/ilustrações e o que você mais gosta de desenhar e falar?

Vou tentar resumir. Eu sou jornalista. De economia. É isso que paga o meu aluguel e até gosto. Mas eu tinha 4 anos e queria ser estilista. Passava o dia todo desenhando mulheres com roupas bregas! Só que a minha mãe sempre me desestimulou, até porque eu não era nem um pouco boa nisso, nem em nada que envolvesse trabalhos manuais. Ela preferiu estimular meu jeito com números e linguagem – não à toa virei jornalista de economia. Eu reprimi totalmente meu lado artístico durante anos, nem sabia que tinha um. Amava apreciar arte em museu, mas nunca achei que pudesse fazer. Mas aí ano passado eu fique deprimida, tipo, lido com depressão há anos, mas a do ano passado eu achei que fosse morrer – não à toa o nome é “estar morta”. Assim como Lana del Rey eu queria estar morta. Mas não morri, entrei na terapia e a terapeuta deu aquele velho conselho de fazer arte. Mas ela foi específica: faz quadrinhos, já que você é boa em linguagem. Comecei a fazer, meus amigos começaram a gostar. Aí quando eu criei um personagem chamado PANIQUINHO, que é basicamente uma personificação das minhas crises de ansiedade, outras pessoas começaram a seguir. Percebi que tem muita gente sofrendo no mundo.
Eu passo metade da minha vida lendo sobre doença, principalmente as psiquiátricas. Meus pais tinham uma farmácia, só falavam disso. Como doença mental esteve na minha vida desde cedo, esse virou um dos meus temas centrais – e também é um tema que conquistou muita gente. Mas eu também gosto de falar sobre outras coisas: feminismo, lacração, relacionamentos, sexo, amizades, bebidas, drogas, trabalho – enfim, a vida de uma jovem mulher em 2018.

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– Você tem um humor ácido maravilhoso. No que você se inspira, quem são suas referências? Em quem você quer que cheguem essas mensagens?

Sou gaúcha – o que quer dizer que cresci cercada por gente meio grossa, sarcástica e que adora humor negro. Não caí longe do pé, né? Sempre gostei de Monty Python, que tem uma coisa meio nonsense; Agatha Christie, que todo mundo só vê como escritora de mistério, mas tinha um humor ótimo; e piada com coisas sobre as quais não se deve brincar. É que sempre acreditei que humor era a melhor maneira de lidar com coisas ruins (continuo achando que é, mas meu psiquiatra disse pra eu parar de usar sarcasmo para mascarar sentimentos e tenho tentado). Mas minha musa inspiradora, tanto no traço como no estilo de texto é uma ilustradora americana chamada Julie Houts (JooLeeLoren, no insta). Os desenhos dela falam muito com a estilista que eu QUERIA ser e não fui e ela consegue expor certas angústias de mulheres (brancas de classe média) de uma forma muito afiada. No Brasil, gosto muito do Ricardo Coimbra, Bruno Maron, Allan Sieber, Adão Iturrusgarai e da Chiquinha – achei ótimo uma mulher começar a publicar todo dia na Folha.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Depressão e ansiedade foram os temas que atraíram pessoas pro perfil e continuam sendo um tema frequente – e uma demanda das seguidoras e seguidores, inclusive. Tenho inclusive vontade de fazer um site com mais informação sobre saúde mental. Depressão deve ser a doença mais comum atualmente, e percebo que as pessoas se sentem bem de saber que não estão sozinhas nessa, que o que elas sentem é comum. O meu post que mais “viralizou” até hoje é um que fala sobre a pressão para ter “autoestima” lá no alto – esse feminismo de consumo rápido, sabe? Achei que fosse me ferrar criticando o feminismo da lacração, mas espantosamente muita gente se identificou e concordou.

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– O que a arte representa na sua vida?

Transcendência – é isso que eu sempre achei mais legal na arte. Pelo menos pra mim, apreciar e mais recentemente produzir arte é uma coisa que me permite sair do “eu”. Deprimido e ansioso passa muito tempo dentro da própria cabeça e acho apreciação e criação de arte ótimas maneiras de sair de lá. Não à toa quase todo psicólogo e psiquiatra indica trabalhos artísticos, artesanais, manuais, como uma via de tratamento.

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– Como é ser mulher no seu meio?

No jornalismo econômico francamente acho bem tranquilo – mulheres são maioria, várias em cargo de chefia. Tem machista? Até tem, claro, mas acho que menos que em outras profissões até pela grande presença feminina. Entrevisto muita gente do mundo dos negócios, executivos, etc e a maioria é homem, quase todos muito respeitosos e educados. Eles fazem mansplaining? Fazem, mas jornalista adora gente que fala demais, então podem continuar fazendo. O que mais me incomoda em entrevistar tanto homem é que eu queria ver mais mulheres na posição de poder. Sou novata em quadrinhos ou arte, mas tenho um pouco essa impressão também, de que faltam mulheres em “posição de poder”, tipo, mais mulheres quadrinistas publicando em jornal diário, lançando livros, sabe? Mas também acho que isso vem mudando, fiquei muito feliz que a Chiquinha começou a publicar na folha e cada vez mais vejo mulheres ganhando visibilidade.

Por fim, também tenho impressão que ter sucesso em arte é uma coisa que depende de networking (vc viu “Nanette”? Ela fala disso) e homens são historicamente bons nisso, pois mais tempo tendo poder e tendo contato com poderosos, né? Acho que a gente tem que aprender a não só criar redes de mulheres mas também entrar nas redes deles – acho que o feminismo e as mulheres perdem se se isolarem apenas em clubes de mulheres e ficarem chamando os homens de machista o tempo todo.

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Camila Rosa: ilustrações de um ser político

por   /  18/06/2018  /  17:17

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As ilustrações de Camila Rosa têm uma potência impressionante. E sabe o motivo? Ela se entende como ser político e busca colocar no que desenha o que acha do mundo. Fala de feminismo, de resistência, da multiplicidade de ser mulher.

Ela conta mais disso na entrevista a seguir, espero que gostem!

Mais em: @camixvxcamilarosa.net

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– Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na ilustração e o que você mais gosta de desenhar?

Eu sou a Camila, 29 anos, natural de Joinville/SC e formada em design de produto. Trabalhei na área da minha formação durante um tempo e em 2012, depois de terminar a universidade, decidi ir morar em SP pra começar a trabalhar com design gráfico e ilustração. Meu interesse pela ilustração de forma mais profunda veio através do Coletivo Chá – um coletivo de street art que eu faço parte na minha cidade natal com mais 4 amigas. Através do coletivo eu vi que era possível trabalhar com ilustração e arte e naquele momento eu decidi que queria viver disso. Mas como é muito difícil viver de arte no Brasil eu continuei trabalhando em agências de design e publicidade até 2016. Só em 2017 que passei a viver apenas como ilustradora e desde então eu me sinto muito mais segura com o trabalho que estou fazendo e gosto muito do que faço, gosto de desenhar mulheres de realidades diferentes, gosto de ilustrar sobre temas me que interessam, temas políticos que fazem parte das minhas posturas pessoais.

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– O que a arte representa na sua vida?

A arte na minha vida é parte do que eu sou, minha urgência de mostrar minhas ideias ao mundo e também uma maneira de estar presente na vida das pessoas. Ela me dá a sustentação e a segurança em relação a viver dentro de uma sociedade tão problemática como a nossa e me incentiva a cada vez mais usá-la como ferramenta de transformação social, que é algo tão urgente pra mim.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Eu acredito que quando o trabalho aborda assuntos que as pessoas se identificam ele acaba chegando muito mais longe e de maneira muito mais profunda e relevante na vida das pessoas. Eu sempre tive uma urgência em falar sobre assuntos políticos que faziam parte da minha realidade ou que eu percebia como urgentes em relação ao mundo. Demorei pra conseguir encontrar um meio de abordar esses temas – que era tão intrínsecos pra mim, mas que eu não sabia como transpor para as minhas ilustrações. Hoje eu consegui me encontrar e transferir para o meu trabalho todos os meus posicionamentos como um ser político. Gosto de falar sobre feminismo e o universo feminino através de uma perspectiva alternativa, sobre racismo, homofobia, diversidade, libertação animal. Meu trabalho carrega a minha essência de maneira muito direta, quem me conhece pessoalmente percebe isso de maneira muito fácil.

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– Como é ser mulher no seu meio?

É sempre um desafio ser mulher existindo nesse mundo, mas dentro da ilustração e do design é fácil de perceber que o mercado é um meio ainda altamente masculino e também estruturalmente machista. Dentro de agências o que sempre percebi é o que todo mundo percebe: que os grandes cargos normalmente são ocupados por homens, salvo exceções, claro. Mas como freelancer trabalhando em casa eu percebo que a maior dificuldade fica nas entrelinhas, na falta respeito e confiança no trabalho, no desafio de chamar nós mulheres ilustradoras pra matérias durante o ano todo e não só no mês de março, naquele pedido de emagrecer a personagem, de fazer ela seguindo um determinado padrão visual. Além da parte que, como feminista, ter que me posicionar contra muitas iniciativas, inclusive feita por mulheres que buscam abordar o feminismo apenas de maneira comercial, e não como um movimento político com diferentes visões e abordagens.

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Mais:

Marcella Briotto

Eva Uviedo

Priscila Barbosa

Brunna Mancuso

Os lyric videos de Alessandra Leão

por   /  08/06/2018  /  17:00

Um tanto de beleza para uma sexta-feira: os lyric videos de @alessandra_leao, cantora, compositora e artista que admiro demais. Tem sempre música dela nas minhas playlists.
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“Gosto de como uma obra se transforma em outras, gosto quando borramos as fronteiras entre linguagens. Nessa busca, vem o encontro com Vânia Medeiros, que começou há 10 anos e temos procurado esse entrelaçado entre nossos trabalhos artísticos, e vem o trabalho de Luan Cardoso, o lugar para a experimentação que ele se propõe nos seus filmes e fotografias.
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Nessa série de lyric vídeos, a música é apenas o mote para um novo mergulho trazendo a poesia para um novo espaço, onde as mãos de Vânia dançam pelo papel ou pela pele (a minha e a dela), criando imagens, texturas, que se fazem e refazem a cada música.
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Aqui começamos um mergulho para dentro do mergulho. Tomamos ar, suspendemos a respiração e vamos juntos”, ela nos conta.
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#trilhadonttouch

#trilhadonttouch  ·  arte  ·  entrevistas  ·  especial don't touch  ·  música

Liberdade e leveza nas ilustrações de Marcella Briotto

por   /  29/05/2018  /  9:09

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É bonito demais ver uma amiga florescer. Sair de um emprego no mercado tradicional para se aventurar no mundo independente, com todas as suas alegrias e seus perrengues também. Vibro com o trabalho da Marcella Briotto, ilustradora cujo traço é cheio de poesia.

Conheçam o trabalho dela: @marcellabriotto

E leiam a entrevista a seguir!

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– Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na ilustração e o que você mais gosta de desenhar?

Eu fui aquela criança que andava com o caderno e lápis de cor, desenhava o dia todo. Então desde cedo eu sabia que queria fazer algo relacionado a desenho. Mas na hora de escolher profissão achei que design me daria mais oportunidades, comecei trabalhar em revista feminina e sempre que precisava desenhava um passo a passo, até começarem a me dar matérias maiores e, quando vi, estava fazendo matérias de comportamento, que foi onde me encontrei. Em paralelo comecei desenhar o dia a dia, a rotina, os sentimentos que vinham ao olhar para dentro. Gosto dessa conexão entre o material, o espiritual/sentimental e a natureza.

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– O que a arte representa na sua vida?

Sempre foi uma válvula de escape do mundo real normalmente tão pesado e um jeito de mostrar o que penso e sinto em relação as coisas. Sempre fui mais retraída, então foi no papel que aprendi a me expressar. Quanto mais caos, mais busco na arte a calmaria – e o contrário também, às vezes nada sai do lugar e precisamos gritar para ver as coisas se movimentando. Quando digo isso não me refiro só a fazer. Por meio da arte em geral a gente se conecta com um mundo novo, uma outra realidade, o que traz novas reflexões, faz a gente pensar e agir diante das coisas. Esse (r)equilíbrio e às vezes esse tapa, rs, que ela proporciona para mim é fundamental, me dá a sensação de liberdade e leveza. Até quando não é leve traz essa sensação porque foi posto para fora, sabe? Foi jogado no mundo.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Acho que quando fazemos algo que realmente sentimos, as pessoas absorvem aquilo e acabam se identificando.
Quando fiz essa série de desenhos ligados às ervas eu realmente tentava encontrar um equilíbrio entre minhas angústias todas e uma conexão comigo mesma, buscando uma liberdade que de certa forma não estava tendo no meu dia a dia. Fiquei muito tempo afastada do meu lado autoral, muitas vezes vamos deixando o que gostamos de lado por insegurança, por falta de tempo, normalmente somos engolidas pelo mercado de trabalho/capitalismo e vamos nos afastando mais do que a gente é, do que gostamos de fazer. Acho que estou nesse momento de me reencontrar e isso se reflete no meu trabalho.

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– Como é ser mulher no seu meio?

Na minha bolha, sou mais rodeada de mulheres, tenho mais amigas mulheres, no mercado editorial trabalhei com muitas mulheres, então tenho a sorte de estar rodeada por uma mulherada que eu admiro. Mas lá atrás na época de faculdade, quando eu ia procurar referências de ilustração tinha muito ilustrador homem, era uma ou outra ilustradora, acho que isso está mudando, o que é ótimo. Hoje vejo ilustradoras com trabalhos incríveis conquistando cada vez mais espaço. Tem um movimento de mulheres crescendo forte no mercado da ilustração, acho maravilhoso, ainda mais diante um mundo com patriarcado muito forte. Abordar o universo feminino, desde as sutilezas até as lutas, é fundamental. Ter essa representatividade de mulheres no mercado das artes, desde ilustração até a arte de rua por exemplo, acho que é o mais importante.

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– Que mulheres você indica pra eu entrevistar depois?

Vou falar três que trabalham o feminino de formas diferentes: Karen Dolorez , Anna Maeda e Miriam Brugmann.

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Mais:

Eva Uviedo

Priscila Barbosa

Brunna Mancuso

Mulheres, seres do mar e sentimentos na profundidade dos desenhos de Eva Uviedo

por   /  22/05/2018  /  12:12

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Conheço a Eva Uviedo de quando a internet ainda era pouco povoada. E ali ela já se destacava com seus desenhos e ilustrações tão característicos, que foram ganhando ainda mais força ao longo dos anos. O talento dela sempre me encantou, e acho demais vê-lo materializado em quadros, livros, roupas. Descobrir mais da trajetória dela foi uma dessas alegrias que o Don’t Touch me dá. Espero que gostem do bate papo!

Mais Eva: @evauviedo e www.evauviedo.com.br

#entrevistadonttouch
#galeriadonttouch
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Conta um pouco sobre você, sobre como você se encontrou na ilustração e o que você mais gosta de desenhar?

Nasci na Argentina, em família de artistas (pai diretor de teatro, mãe cantora) que precisaram fugir da ditadura, e moro em São Paulo desde a adolescência. Nessa época comecei a ver que tinha jeito pra desenhar, mas era o início da MTV e o grande barato era videoclipes, vídeoarte. Por conta disso entrei para o meio do audiovisual, e acabei indo pra área de documentários, especialmente os ligados a direitos humanos, LGBT e feminismo, o que foi uma experiência muito enriquecedora. Alternava o curso de comunicação com aulas de desenho e pintura, e também direção de arte e design, que me levou para a internet. Aí passei 15 anos como responsável pela área na Trip Editora – o que foi sensacional porque juntava tudo, arte visual, vídeo e jornalismo – e ia desenhando como hobby e postando no Flickr, até que comecei a receber convites para ilustrar profissionalmente. Em 2008 fiz um curso com os ilustradores Fernando Vilela e Odilon Moraes, que tem uma abordagem incrível dessa arte, e passei a ver isso como uma profissão real oficial, com todas suas características e desafios próprios. Em 2014 saí da Trip e desde então me dedico integralmente à ilustração, seja para o mercado editorial, publicidade ou em projetos autorais.

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Gosto muito de desenhar mulheres, e desde 2007 venho desenvolvendo uma série chamada “Sobre Amor & Outros Peixes”, onde relaciono seres do mar com sentimentos e tipos de relacionamentos. Fui identificando nas características deles muitos comportamentos que poderia atribuir a dinâmicas das relações humanas, e por aí foi se desenvolvendo um universo pictórico de simbolismo próprio. O tubarão, ao mesmo tempo suave e feroz. A arraia, um animal manso que pode ser letal. Os peixes Beta, de briga; o baiacu, que infla pra se defender. O polvo, com seus tentáculos envolventes, que aparece em diversas representações com características sensuais. E a água, que envolve tudo em um estado alterado como quando a gente está apaixonado. E por aí vai, a lista é enorme e é aberta para interpretações de cada um.

Essa série já se desdobrou em diversos trabalhos e parcerias, como os livros “Nossa Senhora da Pequena Morte” [Ed. do Bispo, 2008] e T”oureando o Diabo” [Independente, 2016], em parceria com a escritora Clara Averbuck; apareceram em “Mnemomáquina”, de Ronaldo Bressane [Demônio Negro, 2014], capas de discos, como o das cantoras Pitty e Elza Soares, e outros trabalhos.

Também gosto muito de desenhar sobre viagens, em forma de mapas, travelbooks, guidebooks e afins, tenho vários trabalhos nessa área. E toda viagem que faço rende um caderninho com as impressões da viagem e desenhos.

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– O que a arte representa na sua vida?

Vejo a arte como uma frequência diferente de comunicação entre as pessoas. É como se houvessem coisas das quais só dá pra falar, e entender, através da arte. Muitas vezes faço um desenho que eu mesma não sei exatamente o que ele significa, mas veio de um sentimento que não consegui colocar em palavras. Aí muitas pessoas vêm e falam: “esse desenho me tocou, me fez chorar, mexeu comigo de um jeito que não sei explicar”. É porque a gente compartilhou algo, só que em outra sintonia. Às vezes tenho vontade de perguntar: “mas o que foi que você entendeu?”. Mas acho que isso quebraria essa magia. E a mesma coisa acontece de volta com as artes que eu gosto.

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– O que você acha que faz seu trabalho reverberar? Quais são os temas que você acha mais importante abordar?

Acho que o que faz o trabalho reverberar é que ele fala de sentimentos de um jeito aberto para que as pessoas ponham nele suas próprias vivências e interpretações. Os temas que gosto de abordar são as relações entre as pessoas, sendo o personagem principal uma mulher (que pode ser representada de várias maneiras, épocas, e com várias idades), pois o desenho é autobiográfico, e o sentimento, o ser do mar.

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– Como é ser mulher no seu meio?

Por um lado é muito bacana, porque está se formando um sentimento de comunidade real, muito sincera e naturalmente, coisa que não existia anos atrás. O fato das mulheres se juntarem para montar exposições e coletivos femininos é necessário para ganhar força e visibilidade neste momento; então é ótimo que isso esteja acontecendo. Mas penso que o ideal seria uma equiparação real de gênero em todas as oportunidades e projetos.

Já como artista, me incomoda quando dizem que tenho um estilo “delicado / feminino”, como se fossem coisas naturalmente associadas. Existem trabalhos feitos por mulheres que são super agressivos, transgressores, e tem artistas como o espanhol Conrad Roset, que retrata mulheres com um trabalho super delicado (e não trabalha só para marcas femininas).

Essa associação dá a impressão de que faço um tipo de arte que SÓ pode ser apreciado por mulheres, o que não é real: muitos dos que compram meu trabalho são homens. Mas na última feira que participei teve um cara que se recusou a ficar PERTO dos meus desenhos enquanto a mulher dele escolhia, fez questão de falar e mostrar que ele não queria opinar sobre aquilo, que era “coisa de mulher”. Tipo depreciando mesmo. Por que eu preciso passar por esse tipo de coisa?

livro Como viver em SP sem carro

livro 50 Brasileiras Incríveis para conhecer antes de crescer

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Priscila Barbosa

Brunna Mancuso

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Projeto I’m Tired fala do impacto das microagressões cotidianas

por   /  03/04/2018  /  10:10

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O projeto I’m Tired (@theimtiredproject) “utiliza a fotografia, o corpo humano e as palavras escritas como ferramentas para falar do impacto duradouro que microagressões cotidianas, suposições e estereótipos causam em nossas vidas”. Criado por Paula Akpan e Harriet Evans, tem como objetivo tirar camadas de discriminação para relevar pensamentos e sentimentos que geralmente não são expressados, seja por medo de reação, seja por dúvida se outras pessoas também passam por isso. Forte, né?

Mais: theimtiredproject.com

image ImTired3 ImTired4 ImTired6 ImTired7 ImTired39 Paula Akpan and Harriet Evans 2 Paula Akpan and Harriet Evans

 

#minasdonttouch  ·  amor  ·  arte  ·  ativismo  ·  fotografia

As mulheres na ilustração de Brunna Mancuso

por   /  02/04/2018  /  9:09

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Colocando em prática a vontade de falar cada vez mais do trabalho de mulheres – e mulheres brasileiras -, converso hoje com a Brunna Mancuso, ilustradora que tem um traço daqueles que dá vontade de dar print e guardar pra mostrar pra mais gente, sabe?

Mais > @brunnamancuso

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Flora_bx

Eu já trabalhava como designer há alguns anos, no meio editorial, quando entrei, em 2012, na faculdade de artes visuais. Aconteceu de eu começar a trabalhar, bem timidamente, com ilustração editorial, ao mesmo tempo que estava na faculdade. Desde o começo eu tinha uma inclinação bem forte para desenhar temas femininos, e só segui minha intuição. Até hoje sigo abordando os mesmo temas, porém com mais técnica e profundidade.

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O universo que eu vivo é bem feminino. Entre meus contatos profissionais e colegas de profissão, há muito mais mulheres do que homens. Sinto um movimento forte dentro da área, sinto mulheres sendo mais procuradas e reconhecidas. Claro, sei que vivo numa bolha e que nem tudo no mercado é assim, tem outras áreas da ilustração (como a de quadrinhos, por exemplo) em que nós mulheres ainda estamos lutando por espaço. Porém não posso reclamar.

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Vivo arte 24h por dia. Nos momentos raros que eu não estou trabalhando, estou planejando novos cursos, novas obras, buscando referências, mesmo quando estou fazendo outras coisas. O cérebro não para, literalmente. Às vezes tenho, inclusive, dificuldade me dormir. Com a maturidade, estou aprendendo a ter uma vida mais equilibrada, pois já tive muitos problemas de estafa mental e física no passado. Hoje sei valorizar os momentos de descanso e ouvir meu corpo, mas pra mim é difícil parar, já que o maior prazer da minha vida é criar.

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Priscila Barbosa