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11 artistas brasileiros para ficar de olho em 2016

por   /  04/04/2016  /  15:00

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Don’t Touch + Glamurama apresentam: 11 artistas brasileiros para ficar de olho em 2016

Quem são os artistas que têm trabalhos impactantes, emocionam, propões reflexões e deixam hoje um legado para a história da arte brasileira? Quais os nomes em que a gente deve ficar de olho? Diante de tantas exposições, museus e galerias, sites, blogs e perfis no Instagram, em que prestar atenção e de quem acompanhar o trabalho? Fiquei com vontade de descobrir isso tudo e convidei dois amigos queridos que são curadores para darem seus palpites.

Ana Maria Maia é curadora de artes visuais e professora de história da arte. Nasceu em Recife em 1984 e vive e trabalha em São Paulo. Foi curadora adjunta do Panorama de Arte Brasileira do MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. Recentemente concluiu a pesquisa “Arte veículo”, que vai ser lançada em livro em breve. Diego Matos nasceu em Fortaleza em 1979. É pesquisador, curador e professor nas áreas de artes visuais e arquitetura. Trabalhou com o Vídeo Brasil coordenando o acervo e a pesquisa. Em 2015, fez uma exposição a partir desse material, “Quem nasce para aventura não toma outro rumo”, no Paço das Artes.

Para chegar a um recorte, ambos concordaram em reunir artistas que apostam no risco e na construção de suas histórias. “Tenho visto a volta da intuição como uma ferramenta de trabalho para os artistas, depois de uma geração completamente racional, projetual”, aponta Ana Maria. “Talvez esses artistas tenham nascido no momento em que o sistema brasileiro da arte precisou se organizar mais.” Ela fala que o artista tem que afinar o seu discurso, preparar um portfólio que seja mais eficaz, se colocar no mundo de uma maneira mais assertiva. “O risco e a dúvida têm mais espaço, eles sabem onde querem chegar. Esses artistas podem se colocar no olho do furacão de padrão sexual, de trabalho, política, crises, esgotamento de modelos. E é um ato de coragem absurdo fazer isso em um ambiente completamente instável.”

Dos escolhidos, conheço alguns, outros são novidade. Sou apaixonada pelo trabalho da Barbara Wagner, que conheci em “Brasília Teimosa”, série que retrata os frequentadores de uma praia no Recife, bem ao estilo Martin Parr. Adoro como o Cristiano Lenhardt cria narrativas a partir de elementos que a gente não espera. E, no ano passado, a Virgínia de Medeiros entrou para o time do encantamento depois que vi “Sérgio e Simone”, um vídeo em que ela nos apresenta à travesti Simone, que também é o pregador Sérgio.

Conheçam abaixo os 11 artistas!

Mosaico

01. Clara Ianni

Nasceu em São Paulo em 1987

Vive e trabalha em São Paulo

É representada pela Galeria Vermelho

claraianni.com

Clara Ianni  Beto Riginik for Artsy.

A artista explora de forma incisiva e rigorosa elementos que dizem respeito ao projeto de modernidade brasileiro que foi interrompido com o advento do regime militar. Para além, ela está sempre atenta às consequências desse regime de exceção que durou mais de 20 anos. Dessa forma, não por meio da simples denúncia, Clara evidencia ironicamente histórias e acontecimentos que não tiveram a devida atenção na história recente do país. Tem também investigado a ambiguidade do espaço moderno e arquitetônico brasileiro que teve seu apogeu nas décadas de 1950/1960. Como resultado formal, nos apresenta elegantemente desenhos, gravuras, fotografias ou vídeos que ilustram esse pensamento. Importante lembrar de seu trabalho em parceria com Débora Maria da Silva, um vídeo intitulado “Apelo”, apresentado na 31ª Bienal de São Paulo que retrata a violência promovida pelas forças coercitivas oficiais. (Diego Matos)

02. Cristiano Lenhardt

Nasceu em Itaara (RS) em 1975

Vive e trabalha em Recife

É representado pela Galeria Fortes Villaça

cristianolenhardt.com.br

cristiano foto por barbara wagner

Vejo no Cristiano um artista capaz de lidar amplamente com as armadilhas que o circuito da arte te impõe, justamente desconstruíndo e celebrando valores e intenções que sempre procuramos esconder. Por meio de uma observação aguda do meio urbano brasileiro, por vezes europeizado, por vezes rural, jeca ou cafona, reúne elementos para a construção de uma imagem potente em que as gambiarras ganham vez e a plasticidade das coisas banais ou ordinárias ganham protagonismo e são reconhecidos como entidades da beleza. Basta lembrarmos sua última exposição no Galpão Fortes Vilaça ou no vídeo “Superquadra Saci”, apresentado no 19º Festival de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil. (Diego Matos)

Cristiano Lenhardt - Litomorfose

03. Vitor Cesar

Nasceu em Fortaleza em 1978

Vive e trabalha em São Paulo

vitorcesar.org

VC

Vitor tem como trunfo a capacidade de sintetizar em sua condição de artista as suas reflexões acadêmicas e a sua produção prática como designer, transformando-as em ações artísticas que podem deflagrar ou estimular reflexões acerca do espaço público, bem como formalizar posicionamentos políticos por meio de instrumentos gráficos de rara qualidade plástica. Nos últimos 15 anos, o artista tem conseguido sobreviver ao circuito comercial das artes justamente por meio de uma reflexão que elucida às razões do espaço público ou privado, demonstrando de forma transparente as relações de poder que esses espaços definem. Não foi à toa que no 33º Panorama da Arte Brasileira, ele realizou uma das instalações de maior impacto nos espaços do Museu de Arte Moderna de São Paulo. (Diego Matos)

Vitor Cesar - Real Vitor Cesar new_sempre-algo-entre-nos-02

04. Martha Araújo

Nasceu em Maceió em 1943

Vive e trabalha em Maceió

É representada pela Galeria Jaqueline Martins

Martha Araujo

Martha Araújo pertence à geração 1970 e, mesmo estando em Maceió, de certa forma isolada de um debate que se vinha tendo sobre arte experimental nos centros do Brasil, fez interessantes proposições participativas. Suas instalações, sempre um misto de ambientes arquitetados com roupas e objetos para se vestir, situam a participação e o convívio sociais no meio termo entre algo simultaneamente lúdico e prazeroso, e, por outro lado, desafiador, conflituoso, até opressor em alguns casos. A obra dela ensina que é preciso negociar. Em tempos de revisão das narrativas da história da arte brasileira, o nome de Martha e de tantos outros artistas deve ser observado com toda a atenção. Os motivos para essas omissões podem corresponder a limitações geográficas (artistas em zonas periféricas do circuito), de gênero (ainda hoje grandes exposicões costumam ter mais homens do que mulheres representados, quem dirá nos anos 1970…), linguagem (poéticas experimentais requerem um esforço maior de documentação, além de desafiarem uma crítica apegada a convenções) etc. O fato é que as limitações existem e cabe a nós, hoje em dia, dedicarmos um esforço significativo para revisitar essas histórias consolidadas e identificar falhas/faltas graves, muito mais do que simplesmente ir em frente numa marcha de prospecção desenfreada e irresponsável de novos artistas. Apesar de estar produzindo há mais de 40 anos, Martha Araújo seria ainda uma “novidade” para grande parte da crítica e da história da arte. (Ana Maria Maia)

Martha Araujo

05. Daniel Santiago

Nasceu em Garanhuns (PE) em 1939

Mora em Recife

DanielSantiago-int

Daniel, assim como Martha, fez uma carreira de vanguarda estando nas margens do circuito de arte brasileiro. Trabalha desde os anos 1960 no Recife e, à revelia de uma ausência de museus, mercado e público locais para práticas experimentais, desenvolveu um trabalho em linguagens como poesia visual, arte-classificada, arte-postal, art-door, intervenção urbana, performance e artes gráficas. Foi dupla de Paulo Bruscky na Equipe Bruscky & Santiago, de 1970 a 1990, aproximadamente. A química entre os dois era muito poderosa: Daniel é hábil com as palavras, tem aguçado senso poético além de uma formação de designer gráfico. Paulo traz a ironia e o senso estratégico de quem reconhece e lida muito bem com os circuitos (artísticos, políticos, sociais…) e suas regras do jogo. O convívio foi intenso e os projetos sempre imateriais, deixando muitas vezes apenas projetos e registros. Paulo fez um grande arquivo com essa memória e desde 2008, quando Cristina Freire fez sua retrospectiva no MAC-USP, seu trabalho individual foi consagrado junto a essa história. Daniel não guardou nada nem tem especial destreza com esse trânsito profissional. Talvez por isso tenha demorado um pouco mais para ser reconhecido e estudado. Ainda bem que isso hoje já está acontecendo. Um marco foi a mostra que Cristiana Tejo e Zanna Gilbert fizeram de sua obra no Mamam (Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães). (Ana Maria Maia)

06. Virginia de Medeiros

Nasceu em Feira de Santana (BA) em 1973

Vive e trabalha em São Paulo

É representada pela Galeria Nara Roesler

virginiademedeiros.com.br

Virginia de Medeiros - http-::residencyunlimited.org:programs:sergio-simone-a-film-by-virginia-de-medeiros:

O trabalho da Virginia de Medeiros é muito importante, principalmente pelo modo como ela encara situações de alteridade. Ela mergulha em uma relação com figuras cujo universo ela desconhece. É preciso tatear muito pra criar esse elo de confiaça com as travestis, com a turma do sadomasoquismo, com os catadores de lixo. Ela tem coragem de entrar nesses temas-tabu, assumir isso como um estilo de vida. Eu soube que ela está aplicando hormônimo masculino no corpo, como parte do mergulho nessa pesquisa. Ela não sabe o que se isso vai ser, se o que está acontecendo no corpo vai virar parte de um trabalho, mas é um jeito dela viver com verdade. (Ana Maria Maia)

Por outro lado ela também tem elementos que me fazem pensar na figura  da artista. Ela é uma mulher extremamente sedutora e bonita, que mexe radicalmente com a sua imagem no momento em que faz uso de hormônios, deixando transfigurar o seu corpo. Ela se torna uma unanimidade: para quem tem interesse em algo programático, ela desenvolve uma pesquisa, um método, mas também tem um lado intuitivo, espontâneo. O trabalho “Sérgio e Simone” ela não sabia o resultado que teria, se seria formalizado em um ou mais filmes. E o resultado é um filme labiríntico, recortado e processual, ora instalativo pra monocanal. (Diego Matos)

Virginia de Medeiros SM Virginia de Medeiros

07. Ana Mazzei

Nasceu em São Paulo em 1980

Vive e trabalha em São Paulo

É representada pela Galeria Jaqueline Martins

anamazzei.net

Ana Mazzei - http-::cultura.estadao.com.br:noticias:geral,ana-mazzei-oferece-olhares-multiplos-a-um-mundo-que-e-palco-de-encenacoes,1171920

É uma artista da mesma geração de outros com Virginia e Cristiano e que demorou muito a ter o trabalho mostrado em exposições geracionais, a entrar em galeria. Ela faz um trabalho em que experimentação de fato tem um papel. A geração anos 1960/1970 gera pra arte um discurso que celebra a experimentação. O que você fizer sem saber no que vai dar, cometendo risco, já seria louvável a priori. Mas é muito fácil encenar isso como uma coreografia, botar numa ordem de controle o próprio experimento. Recentemente fui ao ateliê de Ana e vejo que ela está cercada de coisas que ela não sabe onde vão dar. A experiência de arranjar um espaço, de relacionar isso com o entorno, é sempre uma experiência de descoberta. Depois de alguns anos trabalhando na sombra e agora com visibilidade, você vê que ela está rodeada por um universo de formas desconhecidas que vai fazendo sentido. Muita marcenaria, construção geométrica. Tenho gostado de vê-la em exposição. Gosto dessa sensação, principalmente com aqueles alunos mais resignados, que dizem que arte contemporânea não é pra ninguém, digo insiste, flerta, constrói um caso de amor com aquilo. O amor nem sempre nasce no primeiro olhar, né? Esses trabalhos que desafiam, que não se abrem direto, são os que a gente tem que voltar. (Ana Maria Maia)

Ana Mazzei Pausa-longa1

09. Daniel Lie

Nasceu em 1988, em São Paulo

Vive e trabalha em São Paulo

É representado pela Casa Triângulo

Daniel Lie

Artista muito jovem, que estudou na Unesp e teve seu trabalho impulsionado pela vivência no espaço da Casa do Povo, no Bom Retiro. Daniel investiga materiais perecíveis e seu apodrecimento. Faz instalações em que planta folhagens e frutas tropicais em sacos plásticos e os suspende com cordas para tomar o pé direito dos espaços expositivos e compartilhar seus estágios de desenvolvimento com o público. O artista não sabe muito bem qual será o resultado das experiências que promove, mas insiste justamente nessa zona cega entre a exuberância inicial e tudo o que pode nascer da mesma: manutenção e até retirada da obra do espaço, outras formas de vida, bichos, fungos, cheiros. Em paralelo às instalações, Dani constrói sua imagem também como um trabalho, recorrendo a maquiagens principalmente. Ele tem essa consciência dos jovens sobre a sua imagem e sobre o alcance da sua imagem nas redes sociais. Na era dos selfies, está lá Daniel fazendo uma espécie de transformismo, que não passa pela questão de gênero necessariamente, ele não é travesti, mas sim pela sua construção como personagem, usando maquiagem, cabelos, roupas estranhas. É um universo bem estranho. Ele agora está fazendo um programa de TV, “Podre show”, em que se mostra apodrecendo. (Ana Maria Maia)

Instagram: instagram.com/liedaniel

Daniel Lie 2

9. Ex-Miss Febem [Aleta Valente]

Nasceu no Rio de Janeiro

Vive e trabalha no Rio de Janeiro

instagram.com/ex_miss_febem

Ex Miss Febem

Há vários avatares de Instagram e Facebook que já não dá pra ignorar como construção de imagem. Não sei o que essas figuras vão fazer com isso, não sei o quanto elas próprias ou outras pessoas vão entender e gerar discurso. Tem uma menina que se intitula @exmissfebem, Aleta Valente, que parece que está se aproximando do circuito da arte através desse perfil. É um Instagram incômodo e ao mesmo tempo muito original, muito forte. De uma menina da periferia do Rio de Janeiro, de Bangu, que exerce uma visão feminista das coisas, provoca, é banida e volta, consegue seguidores. Tudo isso como evento de construir uma imagem, uma pauta, lidar com a recepção, a rejeição, participar de um imaginário coletivo. A princípio não sabia das expectativas de Aretha em relação ao circuito de arte. Logo depois vi que participou de eventos do Capacete, a principal residência artística do Rio de Janeiro, e foi mencionada por Lisette Lagnado em uma entrevista à Select. Independente disso, do início ou não de uma carreira e das chancelas que essa carreira pode vir a ter, tenho gostado de acompanhar o modo como o perfil @ex_miss_febem vem encaixando uma voz crítica e provocativa sobre o interesse coletivo no corpo individual e biográfico de uma garota. Resposta condizente com o fenômeno cultural da hiperexposição nas redes sociais. (Ana Maria Maia)

10. Michel Zózimo

Nasceu em Santa Maria (RS) em 1977

Vive e trabalha em Porto Alegre

michelzozimo.com

Michel Zozimo

Artista do Rio Grande do Sul que já teve certa visibilidade, participou de algumas exposições, do Rumos, da Bienal do Mercosul. Tem um trabalho que lida com a ciência, com a ideia do desconhecido dentro da ciência, como ela pode ser mistificada, inacessível e ao mesmo tempo retratar o onírico, o estapafúrdio. Ele está entre esses dois pólos e tenta explorar isso - foi muito influenciado pela ficção científica. Acho o trabalho bem interessante graficamente, seu uso de fotografia, montagem. Em um primeiro olhar você acha que é um trabalho gráfico, em que tudo é milimetrica e obsessivamente pensado. Por trás tem uma outra pesquisa como, por exemplo o garimpo e pesquisa em cadernos de ciência que vendiam em bancas de revista ou que eram de materiais escolares. Ele pega aquilo, faz um novo arranjo, cruza publicações possíveis. Acho o trabalho muito forte. (Diego Matos)

Tem uma coisa no trabalho dele que eu gosto, como quando ele aponta que a ciência tem misticismo. A gente costuma associar a ciência à verdade. Se o cientista diz que a gente tem que comer ovo, a gente come. Se amanhã não tem que comer, a gente não come. No momento em que a ciência vira misticismo, abre-se um campo para a arte virar verdade. Arte que seria o contrário, que a gente acha que é tudo invenção, arbitrariedade. Você fica com os critérios meio balançados quando vê o trabalho. (Ana Maria Maia)

meteoro

11. Barbara Wagner

Nasceu em Brasília em 1980

Vive e trabalha em Recife

barbarawagner.com.br

Barbara Wagner.

É uma das fotografas mais engajadas em mostrar de fato o Brasil contemporâneo: sem amarras contra o popular, sem distinção entre centro e periferia e sem os tabus sociais de gênero. Ao contrário, ela esgarça todas as fronteiras que nos são culturalmente impostas, basta ver sua última série para a revista ZUM do Instituto Moreira Salles. Ela nos revela o poder do corpo e de seu movimento (a expressão da figura humana comum e popular) dentro de determinados contextos sociais e urbanos. Sendo assim o dado comportamental é escancarado pelas imagens divulgadas por Bárbara e nos oferece um mosaico complexo da realidade cultural brasileira. Recorremos, por exemplo, ao livro “Brasília Teimosa” ou mesmo suas pesquisas recentes acerca de danças populares. (Diego Matos)

bw

Barbara Wagner

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#portfoliodontouch: Renata Ursaia em busca do desencaixe

por   /  15/03/2016  /  9:09

Renata Ursaia

Existe um hábito entre alguns amigos de quase nunca falar de trabalho quando a gente se encontra para passar réveillons em praias paradisíacas ou almoçar por horas em um sábado de chuva e sol. Acho interessante, já que vivemos todos em São Paulo, a cidade da pergunta “o que você faz?” logo nos primeiros minutos de conversa. Ao mesmo tempo, adoro quando a conversa sobre trabalho surge. Tenho tanto amigo talentoso que dá vontade de contar pro mundo o que eles fazem, sabe?

Há um tempo vinha querendo mostrar aqui o trabalho da Renata Ursaia, fotógrafa e artista cujo trabalho eu conhecia mais pelo site do que ao vivo – vi apenas uma residência artística que ela fez no Pivô, no centro de SP. Dia desses fiquei vendo os trabalhos dela e tem tanta coisa tão legal - vocês precisam conhecê-la! Na entrevista abaixo, misturo umas perguntas sobre o processo de trabalho dela, de onde vem a inspiração, pra onde ela quer ir, com fotos e vídeos.

Mais > www.renataursaia.com.br

Renata Ursaia - Brenda e Tampinha (2010)

Eu trabalho na margem estreita do “quase óbvio”. Procuro um deslocamento pequeno de ponto de vista, que faça com que as engrenagens do cotidiano apareçam sob um outro ângulo, e que alguma dúvida possa se instaurar neste processo. Uma ferramenta poderosa para esta desestabilização é o humor. Porque o humor trata desse desvio que transforma uma expectativa em outra coisa. Tem inclusive uma piada que ilustra bem isso (sério!): O cara que chegou no médico, desesperado, achando que tinha uma doença grave, porque todas as partes do corpo em que ele tocava doíam. O médico examinou e concluiu que o problema dele era o dedo, que estava quebrado. Bom, eu acho que o humor, a arte e o que eu tento com o meu trabalho é ser esse dedo quebrado; um desencaixe, que muda o sentido do que está ao redor.

Renata Ursaia - Vegas (2013)

Passo uma boa parte do tempo tentando esquematizar uma metodologia eficaz de criação. Mas claro que é quando eu me distraio disso por um momento, que as coisas costumam se mostrar. Então é um acordo difícil. Você vai mapeando algumas pistas, com fotos, anotações, livros, o que está chamando sua atenção no momento. Tentando articular questões internas e externas. Porque, de alguma maneira você tem que confrontar o que lhe é mais custoso para encontrar um caminho que seja legitimamente seu.

Eu sempre gostei de viajar. E comecei a fotografar nessas viagens que eu fazia na época da faculdade. Quando você é de fora, naturalmente já olha para as coisas de um jeito novo. Isso me ajudou. O vídeo me interessava desde antes do surgimento dessas câmeras que fazem as duas coisas. Gosto do ritmo que você consegue construir na edição, da possibilidade narrativa da câmera em movimento. É uma outra maneira de lidar com o tempo.

Eu comecei trabalhando como fotojornalista e também com documentário. Mas chegou uma hora em que me senti cercada pela variedade de assuntos, a simultaneidade dos acontecimentos e a falta de conexão entre eles. E percebi que precisava voltar toda minha atenção justamente para isso; para a brecha de sentido do cotidiano, o ponto onde os objetivos escapam… aquilo que eu estava falando sobre desencaixe.

Renata Ursaia - Excursão  

O meu desejo com o trabalho é que ele possa ecoar como um antídoto contra a funcionalidade a que se resume cada vez mais a vida das pessoas. Acho que a minha contribuição é no sentido de apontar para a beleza da inutilidade.

Veja os demais posts da série #portfoliodonttouch:

A fotografia sentimental de Juliana Rocha + #retratosanônimostakeover por @rochajuliana

Paulo Fehlauer e a fotografia guiada por sensações + #retratosanônimostakeover por @fehlauer

A noite sem filtros de Luara Calvi Anic + #retratosanônimostakeover por @luaracalvianic

Corpo em desclocamento na fotografia de Patricia Araújo + #retratosanônimostakeover por @patiaraujo

A busca pela pureza na fotografia de Bruna Valença + #retratosanônimostakeover por @brunavalenca

O mundo dos sonhos de Cassiana Der Haroutiounian

A juventude pelo olhar de Pedro Pinho

O vazio na fotografia de Ana Teresa Bello

#portfoliodonttouch  ·  amor  ·  arte  ·  especial don't touch  ·  fotografia  ·  vídeo

Ninguém é de ninguém, de Rogério Reis

por   /  26/02/2016  /  11:11

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Verão ta aí, e eu não canso de olhar para o meu exemplar de “Ninguém é de ninguém”, do fotógrafo Rogério Reis.

Publicado pela editora Olhavê, de Alexandre Belém e Georgia Quintas, com projeto gráfico de Yana Parente, o livro é uma celebração da praia como espaço mais democrático que existe. Espaço para todos os corpos, todas as cores. Um desbunde!

Mais sobre o livro:

Ninguém é de ninguém reúne pela primeira vez em livro o mais recente trabalho de Rogério Reis, um dos fotógrafos brasileiros mais destacados no país e exterior. Com beleza e ironia as fotografias captadas nas praias do Rio de Janeiro querem fazer refletir sobre a dualidade público e privado. Ao utilizar tarjas sobres os rostos de seus personagens, flagrados da forma mais espontânea, Rogério Reis lança um olhar crítico sobre a criação da propriedade de imagem no espaço público em contraponto ao caráter documental da fotografia. Nesse jogo de crítica, humor e imagem, Rogério apresenta, junto às cerca de 40 fotografias reunidas, a “Cartilha para tirar fotos espontâneas na praia”, em que está presente a oportuna frase do artista urbano inglês Banksy: “É sempre mais fácil conseguir perdão do que permissão”.

Para comprar > loja.olhave.com.br

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arte  ·  design  ·  fotografia

#vitrinedonttouch: 100 lugares para dançar

por   /  26/02/2016  /  9:09

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100 lugares para dançar é uma cartografia dançada de cidades imaginadas, sonhadas e esquecidas. Quem nos conta é Marina Guzzo, uma das dançarinas do projeto. Ao lado de Vinícius Terra, ela explorou cidades como Santos, São Paulo e Rio de Janeiro, criando 100 minivídeos que podem ser vistos em 100lugaresparadancar.org.

Eles explicam:

Trata-se de um estudo de improvisação, no qual a superfície do corpo – feita das roupas, das cores e dos cabelos – contornam a dança que é concebida no instante da sua execução. É do encontro com as pessoas, prédios, muros, barcos, containers, bares, escadas, águas, ruínas e sonhos que essa dança desvenda a cidade. São detalhes, informações, experiências, memórias e civilidades que comunicam  a sensação de morar/dançar em  Santos, em seus não-lugares, cheios de danças instantâneas e efêmeras. Lugares onde o corpo (des)especula, vira um espectro, sorve, sucumbe e se dissolve entre a memória do futuro e o risco do passado. Como artistas encontramos a possibilidade de dar visibilidade a contradição da falta de espaços e possibilidades culturais da cidade, em oposição à pujança econômica e especulativa do mercado. Talvez porque somos estrangeiros, talvez porque ainda há muito que conhecer, talvez porque a dança tem espaços impensáveis. Vamos atrás deles, com a câmera e o corpo na mão. A

Marina completa: Eu me apaixonei por Santos. Mas não foi logo de cara. Foi uma paixão construída aos poucos, devagar.  Cheguei como estrangeira, com o olhar de viajante aprendido ao longo da vida. Foram vários encontros, espaçados, desapercebidos, estranhos. Mas quando encontrei o porto pela primeira vez, senti os ventos do mundo. E como foi bonito perceber, de repente, que eu estava apaixonada, e que tudo já não era como antes. Mudou o jeito de chegar na cidade, de trabalhar aqui, de viver, de desejar estar mais perto, de entender e olhar as pessoas. Mudou o jeito que eu penso e faço arte. Mudou também o jeito que eu falo ou escrevo sobre arte. E principalmente para que serve a arte.

Para mim, a arte serve para inventar coisas que não existem, para pensar diferente, para sentir diferente. Em cidades que são, ao mesmo tempo lindas e horríveis. Cheias de ilusões e ruínas (dessas mesmas ilusões). Dançar nesses 100 lugares, para tantas pessoas, com as pessoas, me fez ser menos estrangeira, mais humana. A paixão ajuda a mudança acontecer. Embora seja um trabalho sobre lugares, foram nas relações humanas os espaços de maior crescimento. Trabalhei com gente que eu amo, que admiro, que respeito. Como é difícil misturar amor e trabalho. Não devia ser fácil? Mas foi difícil… E muito lindo. Porque juntar gente diferente, interessante, de opinião, com potência e orquestrar tudo isso num período de tempo curto não é tarefa simples. Eu faria tudo de novo, se fosse me dada a chance. Porque a paixão não nos deixa escolhas. Destrói e constrói tudo em seu páthos e faz a vida ter mais sentido.

O projeto é de 2011 e, desde então, saiu de Santos, ganhou São Paulo, Rio e até Frankfurt, em 2013, quando foi encenado na Feira do Livro.

Na internet, sempre atemporal, a gente se perde por horas assistindo aos vídeos. Divirtam-se! > 100lugaresparadancar.org

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#vitrinedonttouch  ·  arte  ·  fotografia  ·  internet

No brilho do Carnaval

por   /  04/02/2016  /  14:03

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Não sei vocês, mas eu só penso em Carnaval! Convidei a Vânia Goy, amiga querida, musa do make, editora de beleza da Cosmopolitan e do Belezinha, pra compartilhar com a gente algumas maquiagens incríveis para a folia.

Pra começar:

. David Bowie

The one and only, David Bowie e seus looks já eram lenda antes mesmo da sua morte, em janeiro deste ano. Claro, adoro Ziggy Stardust e o raio clássico cruzando o seu rosto, e também coleciono imagens de editoriais de moda e desfiles que homenagearam outros makes marcantes do cantor. Entre eles: o clique de Brian Adams para a Vogue alemã e Kate Moss na capa da Vogue Paris, ambas de 2012; e o desfile irresistível de verão 2013 de Jean Paul Gaultier — dá vontade de usar sombra azul na hora!

. Kate Moss

Essa é do time que sabe se divertir até o sol raiar. E eu amo o look que ela preparou para comemorar 34 anos, em 2008: vestido cheio de estrelas, cabelo cacheado bem 70′s, e uma estrela dourada meio em um dos olhos!

. Galliano para a Dior

Pense em sombra colorida, batom, glitter, postiços, strass e paetê. Pois era isso que tinha na mala da (gênia) Pat MacGrath, uma das maiores maquiadoras do mundo. Ela fazia verdadeiros bordados no rosto das modelos que desfilavam as coleções de John Galliano, quando o estilista estava no comando da Dior.

. Falando em Pat MacGrath

Nem só de colaborações malucas com John Galliano ela vive. Adoro os makes recentes feitos para as passarelas da Louis Vuitton (acho uma coisa meio Hans Donner!) e Martin Margiela (surrealista!). De estrelas, cabelo cacheado bem 70s e uma estrela dourada meio em um dos olhos!

. Frida Gustavson na Vogue UK

Esse editorial de beleza é uma das minhas referências frequentes quando quero fazer algo dramático e leve, feminino. Não dá para resisitir às estrelas brilhantes! As fotos de Lachlan Baile foram publicadas na Vogue inglesa em 2010.

. Malgosia Bela na Self Service

As fotos do Mario Sorrenti são uma loucura completa. Mas eu não canso de ver o rosto da modelo Malgosia Bela co-ber-to de glitter prateado.

—Para fazer em casa—

Gloss transparente e cola de cílios postiços são o segredo para manter as partículas de brilho no lugar. Técnicas testadas e aprovadas em dezenas de horas de carnaval, sol e suor.

. Rockstars da Daquared2

Lápis preto, gloss transparente e glitter da papelaria dão conta do recado. Vale usar produtos à prova d’água para não ficar completamente borrada.

. Gatinhas da Chanel

Para quem gosta de ficar sempre na estica e tem habilidade no trato com o delineador: passe a cola de cílios postiços com um pincel fino, como se você fosse fazer o seu delineador preto favorito, e deposite glitter por cima com a ajuda de um pincel chato. Sucesso absoluto, nunca sai do lugar.

. Minimalistas de Giambattista Valli

Coisa linda essa marcação sobre a pálpebra que vi no último desfile do estilista Giambattista Valli. O segredo é fazer o desenho com a ajuda de um lápis colorido, cobrir com cola de cílios e glitter — para iniciados.

amor  ·  arte  ·  especial don't touch  ·  fotografia  ·  moda

#galeriadonttouch: Cassiana Der Haroutiounian

por   /  28/10/2015  /  18:30

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#galeriadonttouch: Cassiana Der Haroutiounian

“Fotografia pra mim sempre foi poder entrar em diferentes camadas de realidade e de mim mesma. Fotos que eu vejo, fotos que me atravessam. Adoro ver tudo, de todos os cantos e de todos os estilos. Mas preciso sentir as imagens pra querer guardá-las e deixar naquela caixinha de coisas boas e de inspirações. Penso em um sentimento, lembro de uma foto. Penso em um projeto, acesso a gavetinha das imagens e saem mais ideias. Sou movida por elas. O tempo todo, em tudo. Essas escolhidas são das queridinhas por tudo isso e teria todas, todinhas nas paredes da minha casa”, diz ela.

Mais sobre ela > O mundo dos sonhos de Cassiana Der Haroutiounian

No Catarse, sua campanha para rodar um filme > Corpo-espelho

A primeira foto é de JH Engstrom.

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Henri Cartier-Bresson

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Duane Michals

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Malick Sidibé

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Nan Goldin

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Anders Petersen

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Hervé Guibert

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Elina Brotherus

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Aida Chehrehgosha

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Ren Hang

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Robert Mapplethorpe

Sasha Kurmaz

Sasha Kurmaz

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Wolfgang Tillmans

#galeriadonttouch  ·  amor  ·  arte  ·  especial don't touch  ·  fotografia

#vitrinedonttouch: Mariana Sales

por   /  09/10/2015  /  8:08

@marianaonete

No #vitrinedonttouch de hoje vamos conhecer a Mariana Sales, artista visual cuja poética está ligada ao feminino, à expressão do corpo e à existência.

“Venho trabalhando com arte desde de 2012, fazendo ilustrações para capas de disco, livros, exposições (coletivas e individuais). Também participei como quadrinista dos projetos Zine xxx e Mulheres nos Quadrinhos.”

Mais em > www.cargocollective.com/Mariana-Sales + www.facebook.com/marioneteillustrations

 

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#vitrinedonttouch  ·  amor  ·  arte  ·  especial don't touch

#vitrinedonttouch: Vital Lordelo

por   /  10/09/2015  /  16:00

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No #vitrinedonttouch de hoje, vamos conhecer o trabalho de Vital Lordelo, artista brasiliense que adora espalhar suas artes pela cidade que escolheu para morar, Porto Alegre.

“A inspiração está em tudo. De detalhes de um azulejo a textura da asa de pequenos insetos, conversas soltas no centro da cidade, cafeterias e uma música que tocou no rádio do táxi ou no elevador. Tudo está em tudo”, diz ele. “Meu trabalho retrata as relações como um grande catálogo sentimental. Sinto e tenho me permitido conectar e reavivar a simbologia do que pode ser o sentimento. Tenho elaborado cartazes e humanizado o concreto armado, fazendo eco nos vidros espelhados. A quem passa declaro essas representações desse presente ausente”, completa.

Mais em > www.facebook.com/pages/Vital-Lordelo + www.flickr.com/photos/dom_vital + www.instagram.com/domvital

 

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Lendo sobre fotografia

por   /  09/09/2015  /  10:00

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Desperate crossing, uma reportagem porrada do New York Times sobre o drama dos regufiados

Kodak

“This was more than just a camera,” said Mr. Sasson who was born and raised in Brooklyn. “It was a photographic system to demonstrate the idea of an all-electronic camera that didn’t use film and didn’t use paper, and no consumables at all in the capturing and display of still photographic images.” The camera and the playback system were the beginning of the digital photography era. But the digital revolution did not come easily at Kodak. “They were convinced that no one would ever want to look at their pictures on a television set.”

Em 1975, um funcionário da Kodak inventou a câmera digital. Os patrões o fizeram escondê-la

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Faço minha a frase de um fotógrafo norte-americano chamado Philip-Lorca diCorcia, que disse: “Fotografia é uma língua estrangeira que todo mundo acha que sabe falar”. Em certo nível, todo mundo é fotógrafo e, ainda assim, se você realmente acredita no potencial do meio, não há uma relação de um para um entre o que uma foto retrata e o que ela significa. Esse entendimento da diferença entre o tema de uma foto e a intenção artística por trás dela – que pode ter a ver com o tema ou não – muda um pouco as coisas. Uma foto do meu cachorro no meu celular opera em um nível diferente do que fazem fotógrafos com intenções artísticas sérias, expressando-se através da fotografia. Dito isso, vivemos um ótimo momento na fotografia, porque todos tiram fotos, e o tema está em voga. O bom é que as pessoas também andam interessadas na materialidade da imagem, em sua apresentação, em suas características físicas. Isso, a meu ver, está relacionado com a enxurrada de imagens que vem às nossas telas nos dias de hoje e que são materiais. Outra coisa que noto é um interesse dos jovens na história da fotografia, em sua espinha teórica. Tudo isso me dá uma grande esperança para o futuro, porque acredito na relevância da fotografia também como objeto estético. Faz total diferença estar diante de uma fotografia emoldurada do que só vê-la através de uma tela. Por isso, é essencial que os museus existam e as colecionem, para que as pessoas sejam transformadas por elas – ainda que isso soe ingênuo.

Entrevista com a Sarah Meister, curadora de fotografia do MoMa (Museum of Modern Art de Nova York), ao El País

Marcelo Min

Marcelo Min morreu na última quinta-feira (27/8). E eu ainda não posso afirmar que isso de fato aconteceu. Aqueles que amamos morrem devagar dentro da gente, e a qualquer momento eu sinto que ele vai chegar com aquele jeito meio tímido, com aquele sorriso inteiro bom, e dizer: “Oi, Eliane”. E depois faríamos alguma reportagem em que invariavelmente alguém o chamaria de “japonês”. E nós dois riríamos por causa dessa sina de que no Brasil todos os descendentes de orientais viram “japonês.” Min era descendente de coreanos. Mas ele morreu. E quando me pediram para escrever um texto sobre ele, minha reação imediata foi dizer: “não consigo”.  Como escrever sobre o Min quando a morte dele me rouba todas as palavras? Naquele momento, eu me sentia como uma criança que ainda não sabia onde as palavras moravam. Agora, algumas horas depois, volto a ser adulta. Sei onde as palavras moram, mas sei também algo que jamais vou superar: as palavras são faltantes, não dão conta da vida. Então, Min, me perdoa por me faltarem palavras para contar da falta que você nos faz. (…) Ailce, a mulher que acompanhamos no seu morrer, nos ensinou que pensar sobre a morte é pensar sobre a vida. E pensar sobre a vida é pensar sobre o tempo. Ailce havia adiado demais e um dia descobrira que seu tempo tinha acabado. Ensinou, a mim e a Min, que o tempo é a delicadeza inegociável. Acho que Min aprendeu esse ensinamento essencial, talvez o mais profundo, melhor do que eu, que agora me resto a lamentar todas as vezes em que adiei para o dia seguinte o encontro que me levaria até ele. Não há dia seguinte. Não há nem mesmo hoje. Há esse instante, agora, em que tecemos nosso tempo. E sobre isso não podemos negociar, não há o que vender ou comprar. O tempo nem mesmo se aluga. O tempo tem de ser nosso. Já. Tomado de quem nos tomou, para ser tecido em nossos próprios termos.

Rodopiando em Min, texto da Eliane Brum sobre o fotógrafo Marcelo Min

Nick Ut

Artless but honest pictures can still change our perceptions of the world. The self-delusion is to imagine that our own prejudices and desires play no part in their creation or their power. Wouldn’t images of young men with their heads blown off have ended the first world war sooner? Should we have seen pictures of the 116 dead children as they were pulled from the mudslide of Aberfan? Why aren’t there well-known images of the thousands of children who were charred in Dresden and Hiroshima? We pick and choose among the images that might horrify us, always believing that our intentions are good.

Can images change history?

FUTURE

Computational photography draws on all these resources and allows the visual image to create a picture of reality that is infinitely richer than a simple visual record, and with this comes the opportunity to incorporate deeper levels of knowledge. It won’t be long before photographers are making images of what they know, rather than only what they see. Mark Levoy, formerly of Stanford and now of Google puts it this way, “Except in photojournalism, there will be no such thing as a ‘straight photograph’; everything will be an amalgam, an interpretation, an enhancement or a variation – either by the photographer as auteur or by the camera itself.” (…) The twist is that new forces will be driving the process. The clue is in what already occurred with the smartphone. The revolutionary change in photography’s cultural presence wasn’t led by photographers, nor publishers or camera manufacturers but by telephone engineers, and this process will repeat as business grasps the opportunities offered by new technology to use visual imagery in extraordinary new ways, throwing us into new and wild territory. It’s happening already and we’ll see the impact again and again as new apps, products and services hit the market.

The next revolution in photography is coming

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Ed Weston, photographic pioneer of American Modernism, referred to the photograph (in 1932) as a “willful distortion of fact,” and this was long before Photoshop… and the debate as to whether photography was a mechanical reproduction of the real world or whether it was a medium for artists is as old as the technology itself. Photography has always been enmeshed with technology, but it has never been about it. The changes that Mayes is noticing are nothing new, even if they are dramatic and represent some amazing shifts in what photography can be and who can use it. Photography has also always been a very democratic medium, particularly after 1900. It’s one of the beautiful things about it. (…) Photography has always had many practical uses—none of this changes with shift from silver to silicon, or the addition of depth information, LIDAR, biometrics, geotags, and so forth, even as our tools for manipulation of images intensify. If anything it’s just another less gentle reminder that photography has always had the potential for utility, always been malleable in the hands of the photographer. Photography, in addition to all its pragmatic uses, has always been an artform of manipulating and painting with light, where artists show us something true, even if it isn’t always real.

The future of photography

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