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Meninas negras

por   /  07/07/2015  /  10:00

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Um texto sobre os múltiplos racismos que as meninas negras sofrem ao longo da vida. Bem forte.

What I didn’t know back then: The intersections of racism and sexism, known as misogynoir, make it impossible for black girls to appeal to the standards white supremacy has set for us, no matter how we dress or act. As well as disallowing me from choosing my own identity and tastes, this kind of bigotry put me in bodily danger. My sexuality has been joked about since I was in elementary school, and at 19, I’ve noticed that as I get older, unwanted commentary on my body becomes more aggressive, and men often follow and threaten me if I don’t respond to their catcalls.

Black girls are some of the least protected people in this country. We don’t come close to being as viewed as worthy of defending as white women do, so it’s easy to harass us without consequence. Being hypersexualized is part of the “angry black woman” trope, thanks to which black girls are perceived as overbearing, sassy caricatures. Many people who are neither black nor female love to brag about how they have a strong, independent black women living inside of them—but of course they don’t, because they’ve never had to slap on a smile in the face of racism and sexism, or been demonized for complaining about pain when someone hurts them the way black girls are forced to. They have never had to show the kind of strength and independence we have to exude every day.

Black girls are supposed to be tough, but not intimidating, and I was supposed to be able to deal with the bullies without actually defending myself, because that would get me into trouble. Being black makes means you can’t be a victim, no matter how fragile you feel. As a black girl, if you get justifiably upset about anything, people tend to see it as your bullying them, rather than trying to figure out how they upset you. Where I grew up in suburban New Jersey, as with so many other places, white girls are the standard for what is feminine and delicate, while black girls are viewed as wild brutes. My friends and I became almost numb to having our emotional needs ignored.

Teaching African American girls that we can fight misogynoir by covering our bodies and regulating our behavior more than white girls is pointless. It’s not a black girl’s job to prove that she is worthy of humanity. That’s supposed to be our human right. We’re trying to fit into a society that doesn’t want to see us thrive, so we might as well say “fuck it!” be as loud as we want, cry as hard and long as we need to, and dance however we like. To deny black girls these things is to deny them room to grow and make mistakes—to strip them of their adolescence.

Da sempre ótima Rookie Magazine > The right to be a black girl

[Obrigada, Albie!]

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Tributo a Nina Simone

por   /  06/07/2015  /  15:00

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I hope the day comes when I will be able to sing more love songs, when the need is not quite so urgent to sing protest songs. But for now, I don’t mind.

“Nina Revisited… a tribute to Nina Simone” é um tributo a uma das mais impressionantes cantoras da história. Traz interpretações de Mary J. Blige, User, Grace, Lauryn Hill (maravilhosa) e mais gente. É  bem bonito, umas horas é fiel às versões da própria Nina, em outras vai para lugares completamente diferentes.

Para ouvir (e ler sobre) > First listen: Nina Revisited, na NPR

Adendo: tinha adorado o documentário “What happened, Miss Simone?”, até esbarrar nesse texto e atentar para um dos óbvios argumentos, de que não se pode dar voz ao agressor confesso de uma mulher. Leiam em The irresponsability of ‘What happened, Miss Simone?’.

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A vida amorosa da Chloë Sevigny

por   /  03/07/2015  /  18:00

 

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A atriz Chloë Sevigny fez um zine que é uma coleção de seus amores, do pai ao primeiro, passando pelas paixonites. Tão bonitinho!

Well, it’s titled No Time For Love. It’s a collection of photos of me with the boys/men I’ve loved through my life. From my father to my first true love to my biggest crush, etc. There’s also a small sampling of gossip about me that’s appeared on page six in the New York Post.

Mais em > Chloë Sevigny shares her love life in a new zine

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Patti Smith falando de religião

por   /  03/07/2015  /  16:00

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Patti Smith, que já cantou “Jesus died  for somebody’s sins, but not mine”, fala da sua relação com religião em um podcast do Huffington Post. Tão bom de ouvir!

I look at these things as the beauty of man’s imagination. However, no matter how many times it’s said or simplistic it sounds, everything stems from love. If someone wanted to understand Christ’s teachings for instance, it’s based on love and to love one another. Everything else could fall away: the dogma, the art, the churches, everything. It’s basically to love one’s self, to love one another, to love the earth. But the imagination and the mind of man is so interesting and captivating. So I am attracted to religious arts from all faiths, from the poetry that comes from it. I’m attracted to the prayers and the vestments that people where, but I don’t mistake these things for the absolute principle.

 

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Fragmentos de Susan Sontag

por   /  03/07/2015  /  15:00

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Pedimos tudo do amor. Pedimos que seja anárquico. Pedimos que seja o elo que une a família, que permite que a sociedade seja ordenada, que permite que todos os tipos de processos materiais sejam transmitidos de uma geração para a outra. Mas acredito que a conexão entre amor e sexo é muito misteriosa. Parte da ideologia moderna do amor consiste em assumir que amor e sexo andam sempre juntos. Acho que eles podem andar juntos, mas acredito mais numa coisa em detrimento da outra. Talvez o maior problema dos seres humanos seja o fato de as duas coisas simplesmente não caminharem juntas. E por que as pessoas querem se apaixonar? Isso é muito interessante. Em parte, as pessoas querem se apaixonar da mesma maneira como voltam a uma montanha-russa -mesmo sabendo que seu coração vai se partir.

O que quero é estar totalmente presente na minha vida -ser quem você realmente é, contemporânea de si mesma na sua vida, dando plena atenção ao mundo, que inclui você. Você não é o mundo, o mundo não é idêntico a você, mas você está nele e presta atenção nele. O escritor faz isso -presta atenção no mundo. Sou contra essa ideia solipsista de que está tudo na nossa cabeça. Mentira, há um mundo lá fora quer você esteja nele ou não.

Ler é minha diversão, minha distração, meu consolo, meu pequeno suicídio. Quando não consigo suportar o mundo, me enrosco a um livro, e é como se uma nave espacial me afastasse de tudo. Mas minha leitura não é nada sistemática. Tenho muita sorte de conseguir ler rápido, acho que, comparada à maioria das pessoas, sou uma leitora veloz, o que me dá uma vantagem grande de poder ler bastante, mas também tem suas desvantagens porque não me envolvo muito com aquilo, apenas absorvo e deixo digerindo em algum lugar. Sou muito mais ignorante do que as pessoas pensam. Se você me perguntar o que significa estruturalismo ou semiologia, não saberei dizer. Sou capaz de me lembrar de uma imagem numa frase de Barthes e ter uma ideia geral daquilo, mas não entender muito bem.

Meu desejo era ter diversas vidas, e é muito difícil ter diversas vidas quando temos um marido -pelo menos no tipo de casamento que eu tinha, algo inacreditavelmente intenso. [...] Por isso digo que, em algum momento da nossa trajetória, precisamos escolher entre a Vida e o Projeto.

Eu amo fotografias. Não tiro fotos, mas observo, gosto, coleciono, sou fascinada por elas… é um interesse antigo e muito apaixonado. Comecei a ter vontade de escrever sobre fotografia quando percebi que essa atividade central refletia todos os equívocos, contradições e complexidades da nossa sociedade. Esses equívocos, contradições ou complexidades definem a fotografia, a maneira como pensamos. E considero interessante que essa atividade, que para mim envolve tirar fotografias e também observá-las, encapsula todas essas contradições -não consigo pensar em outra atividade em que todos esses equívocos e contradições estejam tão incorporados.

As pessoas dizem o tempo todo: “Ah, não posso fazer isso. Tenho 60 anos, estou velha demais”. Ou: “Não posso fazer isso, tenho 20 anos. Sou nova demais”. Por quê? Por que dizer isso? Na vida você quer manter o máximo possível de opções abertas, mas é claro que quer poder ser livre para fazer escolhas verdadeiras. Quer dizer, não acho que você possa ter tudo, e é preciso fazer escolhas. Os americanos tendem a pensar que tudo é possível, e eu gosto disso nos americanos [rindo]; nesse sentido me sinto muito americana.

Legal demais o texto da Ilustríssima do último domingo com trechos de uma entrevista que o jornalista Jonathan Cott fez com a Susan Sontag para a revista Rolling Stone. A íntegra sai em breve no Brasil.

Leiam mais > Encontros com Susan – Fragmentos de uma entrevista de 1978

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